SONHOS
"Dreams come true; without that possibility, nature would not incite us to have them."
John Updike
quinta-feira, março 27, 2003
ET UN SOURIRE
La nuit n'est jamais complète.
Il y a toujours, puisque je le dis,
Puisque je l'affirme,
Au bout du chagrin
Une fenêtre ouverte,
Un fenêtre éclairée,
Il y a toujours un rêve qui veille,
Désir à combler, faim à satisfaire,
Un coeur généreux,
Une main tendue, une main ouverte,
Des yeux attentifs,
Une vie, la vie à se partager.
Paul Eluard
La nuit n'est jamais complète.
Il y a toujours, puisque je le dis,
Puisque je l'affirme,
Au bout du chagrin
Une fenêtre ouverte,
Un fenêtre éclairée,
Il y a toujours un rêve qui veille,
Désir à combler, faim à satisfaire,
Un coeur généreux,
Une main tendue, une main ouverte,
Des yeux attentifs,
Une vie, la vie à se partager.
Paul Eluard
COMBUSTÍVEIS
Governo decidiu baixar ISP para evitar subida do preço dos combustíveis. Só no gasóleo seriam 3 cêntimos (depois de já ter subido 4 este mês).
Liberalização até Junho? Pois, pois...
Governo decidiu baixar ISP para evitar subida do preço dos combustíveis. Só no gasóleo seriam 3 cêntimos (depois de já ter subido 4 este mês).
Liberalização até Junho? Pois, pois...
quarta-feira, março 26, 2003
A pedido de um Amigo, umas pequenas indicações sobre como conservar charutos:
CONSERVAÇÃO DE CHARUTOS
Os charutos, como produto "vivo", necessitam absolutamente de envelhecer em boas condições
É um produto que gosta da escuridão, temperatura constante (entre 15 e 20 º) e sobretudo de humidade.
Reunidas estas duas últimas condições, um charuto pode conservar-se mais de 10 anos sem problema, mesmo que, ao contrário de alguns vinhos, nada ganhe com isso.
UM CLIMA PARECIDO COM O DAS CARAÍBAS
A escuridão e o calor são dois parâmetros fáceis de respeitar. Agora uma taxa de humidade entre 70 e 75% requer a compra de uma caixa humidificadora.
Uma dessas caixas, com o seu sistema de humidificação (e um higrómetro para verificar o nível de humidade) é o único meio para conservar correctamente charutos.
A venda de humidificadores têm-se expandido, havendo muitos modelos à venda, por exemplo em tabacarias. Infelizmente os preços não são geralmente muito razoáveis.
Para estar na sua plenitude, um charuto necessita de um clima semelhante ao das Caraíbas (durante todo o seu crescimento uma planta de tabaco vive num meio com uma taxa de humidade a oscilar entre os 70 e 80%), senão as folhas secam, estalam e perdem todo o seu aroma.
ERROS A NÃO COMETER:
· Guardar os charutos no frigorífico: o frio seca o charuto e acaba por o destruir.
· Fechar os charutos num saco com pedaços de cenoura ou batata: não garante a humidade (legumes secam depressa) e vai captar o cheiro. (Que desperdício um charuto com cheiro ou sabor a cenoura!)
CONSERVAÇÃO DE CHARUTOS
Os charutos, como produto "vivo", necessitam absolutamente de envelhecer em boas condições
É um produto que gosta da escuridão, temperatura constante (entre 15 e 20 º) e sobretudo de humidade.
Reunidas estas duas últimas condições, um charuto pode conservar-se mais de 10 anos sem problema, mesmo que, ao contrário de alguns vinhos, nada ganhe com isso.
UM CLIMA PARECIDO COM O DAS CARAÍBAS
A escuridão e o calor são dois parâmetros fáceis de respeitar. Agora uma taxa de humidade entre 70 e 75% requer a compra de uma caixa humidificadora.
Uma dessas caixas, com o seu sistema de humidificação (e um higrómetro para verificar o nível de humidade) é o único meio para conservar correctamente charutos.
A venda de humidificadores têm-se expandido, havendo muitos modelos à venda, por exemplo em tabacarias. Infelizmente os preços não são geralmente muito razoáveis.
Para estar na sua plenitude, um charuto necessita de um clima semelhante ao das Caraíbas (durante todo o seu crescimento uma planta de tabaco vive num meio com uma taxa de humidade a oscilar entre os 70 e 80%), senão as folhas secam, estalam e perdem todo o seu aroma.
ERROS A NÃO COMETER:
· Guardar os charutos no frigorífico: o frio seca o charuto e acaba por o destruir.
· Fechar os charutos num saco com pedaços de cenoura ou batata: não garante a humidade (legumes secam depressa) e vai captar o cheiro. (Que desperdício um charuto com cheiro ou sabor a cenoura!)
Reacções
Mandem as vossas opiniões para jcf_fumaca@mail.pt
IMBECIL DE ESQUERDA
"Acho que ser de esquerda é também uma questão de inteligência e de bom senso. Claro que há imensas pessoas de direita inteligentes, mas é preciso um certo cinismo."
Inês de Medeiros
"Acho que ser de esquerda é também uma questão de inteligência e de bom senso. Claro que há imensas pessoas de direita inteligentes, mas é preciso um certo cinismo."
Inês de Medeiros
O HORROR
Já não bastavam as mortes de inocentes que ocorrem em qualquer guerra e tinha de aparecer agora o sanguinário ditador de Bagdade (ou quem eventualmente o substitui - são cada vez maiores os rumores de que ele terá sido ferido no ataque inicial) a mandar o seu próprio povo para a morte.
A utilização de escudos humanos (civis) pelas forças militares iraquianas está já a pesar significativamente na "contabilidade" de perdas de vidas humanas nesta guerra. Fico a aguardar que nos habituais protestos do próximo sábado contra a guerra seja fortemente condenado este aspecto!
Já não bastavam as mortes de inocentes que ocorrem em qualquer guerra e tinha de aparecer agora o sanguinário ditador de Bagdade (ou quem eventualmente o substitui - são cada vez maiores os rumores de que ele terá sido ferido no ataque inicial) a mandar o seu próprio povo para a morte.
A utilização de escudos humanos (civis) pelas forças militares iraquianas está já a pesar significativamente na "contabilidade" de perdas de vidas humanas nesta guerra. Fico a aguardar que nos habituais protestos do próximo sábado contra a guerra seja fortemente condenado este aspecto!
Um dos mais belos lemas de vida que conheço:
"Goza a vida! É mais tarde do que pensas!"
in L'Aventure c'est l'aventure de Claude Lelouch - 1972
"Goza a vida! É mais tarde do que pensas!"
in L'Aventure c'est l'aventure de Claude Lelouch - 1972
O texto que se segue foi "publicado" na intranet da empresa onde trabalho, em 21-01-2002 :
Na morte de CAMILO JOSÉ CELA
No momento da morte de um vulto da literatura mundial, prémio Nobel de 1989, nada como um texto do próprio, como forma de homenagem.
O texto que se segue foi publicado pelo jornal El Mundo, no dia em que outro grande escritor, Francisco Umbral completava a sua milésima crónica. Pela sua leitura se percebe facilmente estarmos em presença de um homem vertical, daqueles que começam a escassear.
CAMILO JOSE CELA
Querido Paco:
Una vez, hace ya algunos años, incluso más de los precisos, cuando tú eras aún un mozo y yo ya había dejado la mocedad muy a la espalda, te dije que a mi saber y entender, incluso desleal lo primero que necesitaba un escritor para serlo de modo que mereciera la pena, no estreñida y obedientemente, era tener voz y voluntad propias, poco importa si poderosas y arrolladoras o tenues y lánguidas pero propias, inequívocamente personales y propias. El más grande poeta español del siglo XIX, Bécquer, tañía un laúd de una sola cuerda, ¡pero qué sonidos le sacaba! En el extremo opuesto, los dos solemnes poetas metafísicos de aquel tiempo, Campoamor y Núñez de Arce, eran dos pelmas grandilocuentes aliterarios y farragosos que no se los saltaba ni un gitano al trote.
Tú tienes voz propia, querido Paco, no hay más que leerte cada mañana para verlo, y eso es lo que salva tus páginas, siempre maestras, pero también arruina tus días, siempre azarosos. ¿No te das cuenta de que sería pedir demasiado que te dejasen en paz tras escribir como escribes y vivir a tu aire?
Proclamo, antes de que cualquiera de los dos nos vayamos para el otro mundo a hacerle compañía a los poetas y a los prosistas de la generación del 50, ¡qué poco están durando!, que a mi juicio eres la única voz tonante, restallente e importante de la literatura española todavía no vieja. Escribes más que el Tostado y haces bien porque en este oficio más vale tener que desear, es preferible pasarse que quedarse corto y más se peca, contra lo que suponen los timoratos, por defecto que por exceso, pero también vives más y mejor, quiero decir con más intensidad y calidad que nadie, y esto suele escocer al prójimo.
En la Academia te dejaron a la puerta, mejor dicho, te dieron con la puerta en las narices, y lo peor es que no se percataron de que quien perdía con eso no eras tú sino la corporación que te rechazaba. Tampoco has accedido a los grandes premios literarios, pero puedes estar tranquilo porque aquí no le remuerde la conciencia a nadie.
¿Qué es lo que pasa contigo? ¿Por qué no se pregona en voz alta lo que se sabe y aun lo que se dice en voz baja? Para mí tengo que no eres ni lo bastante dócil ni lo bastante dúctil y eso lo hacen pagar muy caro los tristísimos funcionarios que nos gobiernan y que creen cumplir con la cultura presidiendo la tómbola de las prebendas y los disfavores. Yo sé que todo esto, a ti, te trae sin cuidado aunque durante unos instantes te duela y te decepcione, pero también sé que esto acontece porque tienes un temple heroico y eres capaz de echártelo todo a la espalda y seguir currando como si nada sucediera. Te felicito, querido Paco, y te animo a no cejar en tu actitud. ¡Si vieras el gusto que da ver pasar cadáveres embalsamados en laureles administrativos! Es posible que ya lo sepas pero, en todo caso, estate atento.
No sé cuál es el motivo por el que hoy se te festeja. Tampoco me importa demasiado porque a mí, sólo con que existas y escribas y yo me entere, me basta ya para pregonar la admiración que siento por ti y por tus cuartillas.
Y nada más. Que sigas feliz y trabajador es lo mejor que te deseo, tú sabes que todo el desguazado resto de las pompas y vanidades es algo que fluye solo y sin que nadie sea capaz de detenerlo.
Dile a tus señoritos en ese periódico que no sé si he escrito lo bastante para complacerles en lo que me pedían; a cambio tampoco les cobro nada, y pienso que bien puede ir lo uno por lo otro. Y no les cobro, querido Paco, porque les parecieron altas mis tarifas y a mí no me gusta hablar de dinero: me parece una ordinariez. Yo creo que los escritores, al menos en esto, debemos ser como los toreros o las putas, que pueden torear festivales o joder de capricho, pero sin bajar los precios jamás.
Un abrazo de tu lector y amigo.
Camilo José Cela.
Artículo conmemorativo de la aparición de la columna mil de Francisco Umbral (22.1.1993).
Na morte de CAMILO JOSÉ CELA
No momento da morte de um vulto da literatura mundial, prémio Nobel de 1989, nada como um texto do próprio, como forma de homenagem.
O texto que se segue foi publicado pelo jornal El Mundo, no dia em que outro grande escritor, Francisco Umbral completava a sua milésima crónica. Pela sua leitura se percebe facilmente estarmos em presença de um homem vertical, daqueles que começam a escassear.
CAMILO JOSE CELA
Querido Paco:
Una vez, hace ya algunos años, incluso más de los precisos, cuando tú eras aún un mozo y yo ya había dejado la mocedad muy a la espalda, te dije que a mi saber y entender, incluso desleal lo primero que necesitaba un escritor para serlo de modo que mereciera la pena, no estreñida y obedientemente, era tener voz y voluntad propias, poco importa si poderosas y arrolladoras o tenues y lánguidas pero propias, inequívocamente personales y propias. El más grande poeta español del siglo XIX, Bécquer, tañía un laúd de una sola cuerda, ¡pero qué sonidos le sacaba! En el extremo opuesto, los dos solemnes poetas metafísicos de aquel tiempo, Campoamor y Núñez de Arce, eran dos pelmas grandilocuentes aliterarios y farragosos que no se los saltaba ni un gitano al trote.
Tú tienes voz propia, querido Paco, no hay más que leerte cada mañana para verlo, y eso es lo que salva tus páginas, siempre maestras, pero también arruina tus días, siempre azarosos. ¿No te das cuenta de que sería pedir demasiado que te dejasen en paz tras escribir como escribes y vivir a tu aire?
Proclamo, antes de que cualquiera de los dos nos vayamos para el otro mundo a hacerle compañía a los poetas y a los prosistas de la generación del 50, ¡qué poco están durando!, que a mi juicio eres la única voz tonante, restallente e importante de la literatura española todavía no vieja. Escribes más que el Tostado y haces bien porque en este oficio más vale tener que desear, es preferible pasarse que quedarse corto y más se peca, contra lo que suponen los timoratos, por defecto que por exceso, pero también vives más y mejor, quiero decir con más intensidad y calidad que nadie, y esto suele escocer al prójimo.
En la Academia te dejaron a la puerta, mejor dicho, te dieron con la puerta en las narices, y lo peor es que no se percataron de que quien perdía con eso no eras tú sino la corporación que te rechazaba. Tampoco has accedido a los grandes premios literarios, pero puedes estar tranquilo porque aquí no le remuerde la conciencia a nadie.
¿Qué es lo que pasa contigo? ¿Por qué no se pregona en voz alta lo que se sabe y aun lo que se dice en voz baja? Para mí tengo que no eres ni lo bastante dócil ni lo bastante dúctil y eso lo hacen pagar muy caro los tristísimos funcionarios que nos gobiernan y que creen cumplir con la cultura presidiendo la tómbola de las prebendas y los disfavores. Yo sé que todo esto, a ti, te trae sin cuidado aunque durante unos instantes te duela y te decepcione, pero también sé que esto acontece porque tienes un temple heroico y eres capaz de echártelo todo a la espalda y seguir currando como si nada sucediera. Te felicito, querido Paco, y te animo a no cejar en tu actitud. ¡Si vieras el gusto que da ver pasar cadáveres embalsamados en laureles administrativos! Es posible que ya lo sepas pero, en todo caso, estate atento.
No sé cuál es el motivo por el que hoy se te festeja. Tampoco me importa demasiado porque a mí, sólo con que existas y escribas y yo me entere, me basta ya para pregonar la admiración que siento por ti y por tus cuartillas.
Y nada más. Que sigas feliz y trabajador es lo mejor que te deseo, tú sabes que todo el desguazado resto de las pompas y vanidades es algo que fluye solo y sin que nadie sea capaz de detenerlo.
Dile a tus señoritos en ese periódico que no sé si he escrito lo bastante para complacerles en lo que me pedían; a cambio tampoco les cobro nada, y pienso que bien puede ir lo uno por lo otro. Y no les cobro, querido Paco, porque les parecieron altas mis tarifas y a mí no me gusta hablar de dinero: me parece una ordinariez. Yo creo que los escritores, al menos en esto, debemos ser como los toreros o las putas, que pueden torear festivales o joder de capricho, pero sin bajar los precios jamás.
Un abrazo de tu lector y amigo.
Camilo José Cela.
Artículo conmemorativo de la aparición de la columna mil de Francisco Umbral (22.1.1993).
Para começar, o meu poema preferido:
CÂNTICO NEGRO
"Vem por aqui" --- dizem-me alguns com olhos doces,
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom se eu os ouvisse
Quando me dizem: "vem por aqui"!
Eu olho-os com olhos lassos,
(Há, nos meus olhos, ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali...
A minha glória é esta:
Criar desumanidade!
Não acompanhar ninguém.
--- Que eu vivo com o mesmo sem-vontade
Com que rasguei o ventre a minha mãe.
Não, não vou por aí! Só vou por onde
Me levam meus próprios passos...
Se ao que busco saber nenhum de vós responde,
Por que me repetis: "vem por aqui"?
Prefiro escorregar nos becos lamacentos,
Redemoinhar aos ventos,
Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,
A ir por aí...
Se vim ao mundo, foi
Só para desflorar florestas virgens,
E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!
O mais que faço não vale nada.
Como, pois, sereis vós
Que me dareis machados, ferramentas, e coragem
Para eu derrubar os meus obstáculos?...
Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,
E vós amais o que é fácil!
Eu amo o Longe e a Miragem,
Amo os abismos, as torrentes, os desertos...
Ide! tendes estradas,
Tendes jardins, tendes canteiros,
Tendes pátrias, tendes tectos,
E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios.
Eu tenho a minha Loucura!
Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,
E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios...
Deus e o Diabo é que me guiam, mais ninguém.
Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;
Mas eu, que nunca principio nem acabo,
Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.
Ah, que ninguém me dê piedosas intenções!
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: "vem por aqui"!
A minha vida é um vendaval que se soltou.
É uma onda que se alevantou.
É um átomo a mais que se animou...
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou,
--- Sei que não vou por aí.
José Régio
CÂNTICO NEGRO
"Vem por aqui" --- dizem-me alguns com olhos doces,
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom se eu os ouvisse
Quando me dizem: "vem por aqui"!
Eu olho-os com olhos lassos,
(Há, nos meus olhos, ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali...
A minha glória é esta:
Criar desumanidade!
Não acompanhar ninguém.
--- Que eu vivo com o mesmo sem-vontade
Com que rasguei o ventre a minha mãe.
Não, não vou por aí! Só vou por onde
Me levam meus próprios passos...
Se ao que busco saber nenhum de vós responde,
Por que me repetis: "vem por aqui"?
Prefiro escorregar nos becos lamacentos,
Redemoinhar aos ventos,
Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,
A ir por aí...
Se vim ao mundo, foi
Só para desflorar florestas virgens,
E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!
O mais que faço não vale nada.
Como, pois, sereis vós
Que me dareis machados, ferramentas, e coragem
Para eu derrubar os meus obstáculos?...
Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,
E vós amais o que é fácil!
Eu amo o Longe e a Miragem,
Amo os abismos, as torrentes, os desertos...
Ide! tendes estradas,
Tendes jardins, tendes canteiros,
Tendes pátrias, tendes tectos,
E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios.
Eu tenho a minha Loucura!
Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,
E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios...
Deus e o Diabo é que me guiam, mais ninguém.
Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;
Mas eu, que nunca principio nem acabo,
Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.
Ah, que ninguém me dê piedosas intenções!
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: "vem por aqui"!
A minha vida é um vendaval que se soltou.
É uma onda que se alevantou.
É um átomo a mais que se animou...
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou,
--- Sei que não vou por aí.
José Régio
Como indicado no sub-título, neste blog vão ser tratados alguns assuntos que me dão prazer.
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