quarta-feira, abril 23, 2003


PARA QUE SERVE A OMS?

Os peritos da OMS estimam que a pneumonia atípica só é contagiosa quando surgem os primeiros sintomas. Para um vírus novo e desconhecido é muito estranho! E os resultados estão à vista: a epidemia está a tornar-se incontrolável.

Já há suspeitas em Hong Kong de que haja portadores do vírus que não desenvolvem a doença. A confirmarem-se estas suspeitas a sua disseminação será ainda maior do que o pensado inicialmente. E a política de enterrar a cabeça na areia seguida inicialmente pelas autoridades de vários países, nomeadamente a China, não veio ajudar nada à luta contra este flagelo.

Esperemos que rapidamente seja encontrada forma de o travar, antes que se transforme numa pandemia!

500 MORTOS POR DIA

500 hoje, 500 amanhã, 500 depois de amanhã...

Onde? Na África do Sul. Muito mais do que no Iraque durante a guerra.

Por quê? Porque uns imbecis quaisquer inventaram uma teoria segundo a qual os retrovirais não servem para nada e portanto neste país não são aplicados estes medicamentos aos doentes com sida. E isto apesar de decisões contrárias dos Tribunais. Que não são cumpridas pelo Governo Sul-Africano.

terça-feira, abril 22, 2003

NOITE

Encontraram-no caído
ao fundo daquela rua;
chamaram-no pelo nome, e era eu!
- O Poeta andava à lua
e adormeceu...

Foi o que disse e jurou
pela sua salvação
a Perdida
que viu tudo da janela...
E o guarda soube por Ela,
pelo pranto que chorava,
quem era na minha vida
o Guarda que me guardava...

- Andar à lua é proibido...
Mas Ela pagou a lei
por um beijo que lhe dei
antes ou depois de ter caído,
nem eu sei...

Miguel Torga in O Outro Livro de Job - 1936

NÃO ERA ESTE QUE ERA CONTRA O ATAQUE AO IRAQUE?

The Daily Telegraph

PERGUNTAS INOCENTES

Porque é que os iraquianos se manifestam agora contra o Saddam e contra o imperialismo norte-americano e britânico?

Porque é que o não fizeram antes?

segunda-feira, abril 21, 2003


RUDOLPH GIULIANI

Este fim de semana prolongado aproveitei para ler o livro "Liderar" de Rudolph Giuliani. Acabou por ser lido quase todo de seguida, de tão interessante que é.

É emocionante a descrição que ele faz de como passou o dia 11 de Setembro de 2001. Faz-nos simultaneamente recordar as terríveis imagens vistas na tv, mas também perceber um pouco o que foi passando pela cabeça dos nova-iorquinos e como foram organizados os socorros.

Ao longo do livro sucedem-se os exemplos concretos de acções por ele tomadas, quer no 11 de Setembro, quer noutras alturas da sua vida política. Ele defende que foi por estar bem preparado anteriormente que conseguiu ter um bom desempenho após a catástrofe do 11 de Setembro.

É sem dúvida uma magnífica obra, quer do ponto de vista político, quer do ponto de vista da gestão (em geral).

"Uma das melhores lições que um líder pode transmitir à sua equipa é que a ocorrência de problemas é uma coisa normal. O que é intolerável é não falar sobre eles ou , pior ainda, encobri-los."

"Queria perguntar «Por que não?» sempre que me disserem «Não é assim que se faz»."


Rudolph Giuliani

TEMOS DE SALVAR AMINA

A Suprema Corte da Nigéria ratificou a sentença de morte por lapidação de AMINA. A sua sentença de morte foi adiada para que ela possa aleitar o seu filho.
Foi marcada a data de 3 de Junho para a sua execução. Nesse dia, ela será enterrada até o pescoço e morta à pedrada. A não ser que uma avalanche de protestos em todo o mundo faça recuar as autoridades nigerianas.

A Amnistia Internacional está a pedir o seu apoio. através de sua assinatura, na sua página da web. Com uma campanha deste tipo, no passado, foi salva a vida de uma outra mulher - Safiya - que se encontrava na mesma situação.

Desta feita parece estar a verificar-se um certo alheamento da opinião pública internacional e o abaixo-assinado que pretende evitar a morte de AMINA recebeu ainda poucas adesões.

Vá a www.amnistiapornigeria.org e assine!

Não pense que não serve para nada!!!
E faça circular esta mensagem entre pessoas que possam sensibilizar-se com esta terrível e estúpida ameaça de morte.

TALVEZ NÃO FOSSE MÁ IDEIA CONTINUAR O TRABALHO DE CASA!

"Bem sei que a língua portuguesa é uma realidade dinâmica, em «permanente enriquecimento», como dizem os espíritos mais ecuménicos destas paragens.

Por sinal, estou muito longe de ser um purista. Recordo-me mesmo de ter abolido, nos meus primeiros meses na direcção do DN, o abominável «uísque», com o argumento irrebatível de que a palavra serviria, quanto muito, para qualificar a mixórdia de Sacavém. O genuíno, o escocês, neste jornal chama-se whisky.

Pelo caminho, perdi _ ou desisti de travar... _ outras batalhas semelhantes. Mas institucionalizaram-se algumas grafias da estranja, optando pela clareza em detrimento das arrevesadas traduções portuguesas. Enterrados ficaram _ espero que para sempre... _ monstros como «Francoforte» ou «Aquisgrano», a favor da simplicidade perceptível de Frankfurt e Aachen, ou Aix-la-Chapelle, na versão francesa.

Tratou-se, basicamente, de aplicar o bom senso à escrita «em português», aproximando o que se lê da forma como se fala, resguardando, naturalmente, um conjunto de princípios indispensáveis .

Muito mais intransigente sou, confesso, face a todo um novo vocabulário que entrou no nosso quotidiano a partir daquilo que vai sendo conhecido como «o português dos adolescentes». É um léxico que mistura influências tropicais _ africanas e brasileiras _ com bytes de linguagem informática.

Continuo a resistir, mas já percebi que é uma luta sem esperança, sobretudo depois de o novo Dicionário da Academia ter consagrado os mais recentes grunhidos do nosso dia-a-dia.

A última moda nestas expressões que surgem não se sabe muito bem de onde é a saudação que agora precede o desligar do telefone: «Então vá...»

Irrita e tem subentendido um autoritarismo que revolta os espíritos rebeldes. Eu não vou!"


Mário Bettencourt Resendes - Diário de Notícias

"... Haverão prémios...." - Regulamento Concurso Disney do Diário de Notícias

IMBECIL DE DIREITA

Sim! É claro que também há imbecis de direita. E este é o campeão!

"Sou de direita, mas também aprecio restaurantes de esquerda"

Telmo Correia

quinta-feira, abril 17, 2003

Para todos uma boa Páscoa!

SCONES

Misture (à mão) 18 colheres de sopa bem cheias com farinha, com 6 colheres com leite, 3 de açucar, um ovo, meia colher de manteiga e uma pitada de sal. Forme um rolo e deixe descansar a massa meia hora. Corte no tamanho desejado (atenção que crescem um pouco) e coloque num tabuleiro previamente untado com manteiga e farinha. Leve ao forno a cerca de 180/200 graus até ganhar cor. Retire do forno e sirva com manteiga ou doce.

Bons lanches!

Nota: todas as receitas aqui indicadas foram previamente testadas e aprovadas por toda a família!
LEI DOS PARTIDOS POLÍTICOS

Prepara-se uma nova lei dos partidos políticos. A actual (DL 595/74) tem quase 29 anos!

Independentemente de uma análise mais profunda a efectuar na próxima semana (até porque tanto quanto sei ainda só deram entrada oficialmente na Assembleia da República propostas do PS - 202/IX, PCP- 225/IX e BE - 266/IX), fica já um pequeno comentário.

Por aquilo que já se conhece, é óbvio que as principais alterações têem como destinatários o PCP, todos os possíveis novos partidos e os pequenos partidos. Quer as alterações ao financiamento (nomeadamente tornando-o quase exclusivamente público), quer o aumento do número de assinaturas necessárias para criação de um novo partido, quer ainda as disposições sobre organização interna, vão afectar todos menos os dois principais partidos, PSD e PS.

Sintomaticamente, também não é desta que são introduzidos os circulos uninominais, provavelmente com aquele argumento hipócrita da defesa dos pequenos partidos (coitados, com circulos uninominais é que eles desapareciam), quando o mais provável era serem os maiores partidos os mais prejudicados. Mantem-se pois o sistema vigente, claramente beneficiador do PSD e PS.

E isto leva-me a outra questão: tão importante quanto a competição entre partidos é aquilo que eles omitem dessa competição. É este um dos principais factores que tem permitido desde 1975 a alternância quase permanente entre PS e PSD (com a única excepção da coligação entre os dois, de 1983 a 1985). Há muitos temas que que são filtrados pelos partidos do sistema enquanto outros são minimizados na competição entre eles. É o caso por exemplo da ocupação do Estado: PSD e PS vão-se revezando no Governo; quando na oposição criticam (quase sempre ao de leve) os "boys" do outro, mas quando chegam ao poder, toca a preencher o máximo de lugares com os militantes.

Este tipo de comportamento só vem provar, como tenho afirmado, que o sistema está caduco: é necessário mudar comportamentos, políticas, pessoas e provavelmente partidos.

quarta-feira, abril 16, 2003


A CONCHA

A minha casa é concha. Como os bichos
Segreguei-a de mim com paciência:
Fechada de marés, a sonhos e a lixos,
O horto e os muros só areia e ausência.

Minha casa sou eu e os meus caprichos.
O orgulho carregado de inocência
Se às vezes dá uma varanda, vence-a
O sal que os santos esboroou nos nichos.

E telhadosa de vidro, e escadarias
Frágeis, cobertas de hera, oh bronze falso!
Lareira aberta pelo vento, as salas frias.

A minha casa... Mas é outra a história:
Sou eu ao vento e à chuva, aqui descalço,
Sentado numa pedra de memória.

Vitorino Nemésio

PUROS - O Prazer que se aprende

1ª parte

Um dia, Churchill irritado com o marechal Montgomery que lhe dizia: "Não bebo, não fumo e durmo bastante. É por isso que estou 100 % em forma" replicou: "Pois eu bebo muito, durmo pouco e fumo charuto atrás de charuto. É por isso que estou 200 % em forma".

Fumar um charuto deve ser sempre um prazer, mas é um prazer que se aprende. O melhor de um charuto não se obtem imediatamente.

Os charutos não foram feitos para satisfazer o vício do tabaco. Constituem um prazer para os olhos, para o nariz, para o palato e para o tacto.

Da forma como for aceso vai depender a qualidade da tiragem.
O corta-charutos deve trinchar claramente uma secção suficientemente larga para evitar uma concentração nociva de nicotina.

Deve-se acender um charuto com um fósforo de madeira ou um isqueiro a gás. Primeiro, virá-lo lentamente, deixando-o queimar levemente a ponta, depois dando duas ou três fumaças continuando a virá-lo e por fim soprando um pouco na extremidade incandescente. O charuto, impecavelmente aceso, exalará um fumo azul, subtil.

O fumo do charuto não deve ser inalado. É suficiente e plenamente satisfatória a sensação deixada pelo gosto do fumo na boca.

Se não puder fumar charutos no Céu, não irei para o Céu. Mark Twain

terça-feira, abril 15, 2003


AS PALAVRAS

São como um cristal,
as palavras.
Algumas, um punhal,
um incêndio.
Outras,
orvalho apenas.

Secretas vêm, cheias de memória.
Inseguras navegam:
barcos ou beijos,
as águas estremecem.

Desamparadas, inocentes,
leves.
Tecidas são de luz
e são a noite.
E mesmo pálidas
verdes paraísos lembram ainda.

Quem as escuta? Quem
as recolhe, assim,
cruéis, desfeitas,
nas suas conchas puras?

Eugénio de Andrade


AS GALINHAS RELATIVAS

Tenho-me rido até mais não desde que surgiram As Galinhas Relativas.

Aliás, já não me ria tanto desde a Fuga do Guterres.

Só há uma coisa que não percebo muito bem: porque é que têem sempre a tendência para avaliar os outros pelos seus próprios comportamentos e desejos; é o Monteiro que é ressabiado, os americanos que reescrevem a história, milhares de iraquianos que continuam a despejar cartuxos de kalachnikovs sobre os blindados americanos e muitas outras deste quilate!

Olhem, camaradas, para a gente se continuar a rir, porque é que não nos falam do Narciso e do Assis, das cenas de pugilato no PS/Porto e de mais uma anedotas semelhantes que por aí se passam. Contem, contem, que cá estaremos para nos rirmos.