CORRECÇÃO - O CAMELO
Chamou-me a atenção o Pedro Gomes, para uma terrível omissão entre as especialidades do Camelo: os filetes de polvo, com arroz de feijão. É verdade! Já corrigi, lá para baixo.
Oh Pedro! Ainda não tens blog? Deves ser um dos únicos leitores que (ainda) não tem...
quinta-feira, maio 08, 2003
CHÃO DE ESTRELAS
Minha vida era um palco iluminado
E eu vivia vestido de dourado
Palhaço das perdidas ilusões
Cheio dos guizos falsos da alegria
Andei cantando minha fantasia
Entre as palmas febris dos corações
Meu barracão lá no morro do Salgueiro
Tinha o cantar alegre de um viveiro
Foste a sonoridade que acabou
E hoje, quando do Sol a claridade
Forra o meu barracão, sinto saudade
Da mulher, pomba-rola que voou
Nossas roupas comuns dependuradas
Na corda qual bandeiras agitadas
Pareciam um estranho festival
Festa dos nossos trapos coloridos
A mostrar que nos morros mal vestidos
É sempre feriado nacional.
A porta do barraco era sem trinco
Mas a lua furando nosso zinco
Salpicava de estrelas nosso chão
E tu pisavas nos astros distraída
Sem saber que a ventura desta vida
É a cabrocha, o luar e o violão
Orestes Barbosa
AGRADECIMENTO
Agradeço a todos os que têm citado o Fumaças e aos que dedicaram textos, nomeadamente (e sem desprimor para os outros) à Ana de O BELOGUE DA PAPOILA... e ao Luis das MIL E UMA PEQUENAS HISTORIAS. E escrevam, escrevam. A dizer mal. A dizer bem. A dizer!
Agradeço a todos os que têm citado o Fumaças e aos que dedicaram textos, nomeadamente (e sem desprimor para os outros) à Ana de O BELOGUE DA PAPOILA... e ao Luis das MIL E UMA PEQUENAS HISTORIAS. E escrevam, escrevam. A dizer mal. A dizer bem. A dizer!
MON RÊVE FAMILIER
Je fais souvent ce rêve étrange et pénétrant
D'une femme inconnue, et que j'aime, et qui m'aime,
Et qui n'est, chaque fois, ni tout à fait la même
Ni tout à fait une autre, et m'aime et me comprend.
Car elle me comprend, et mon coeur, transparent
Pour elle seule, hélas! cesse d'être un problème
Pour elle seule, et les moiteurs de mon front blême,
Elle seule les sait rafraîchir, en pleurant.
Est-elle brune, blonde, ou rousse? - Je l'ignore.
Son nom? Je me souviens qu'il est doux et sonore.
Comme ceux des aimés que la Vie exila.
Son regard est pareil au regard des statues,
Et, pour sa voix, lointaine, et calme, et grave, elle a
L'inflexion des voix chères qui se sont tues.
Paul Verlaine
quarta-feira, maio 07, 2003
CORRUPÇÃO
Muito boa, para o nosso País e para a credibilização do Governo, a operação hoje lançada, durante a qual foram presos vários suspeitos de corrupção. É necessário é que não se fique por aqui, que haja mais operações destas, de forma mais aprofundada.
Há por aí muita corrupção, não só nas finanças, mas também em Câmaras Municipais e outros organismos do Estado. E também em grandes empresas privadas (por exemplo o sujeito que recebe uma percentagem para escolher X num concurso de fornecimento).
A intensificação deste tipo de operações permite, por um lado, diminuir estas práticas por quem as pratica começar a ter medo e por outro lado, fazer com que as pessoas comecem a acreditar na Justiça e deixem de estar indiferentes à corrupção, passando a fazer queixa, por acreditarem que a queixa não vai ficar esquecida e os beneficiários da corrupção impunes.
Muito boa, para o nosso País e para a credibilização do Governo, a operação hoje lançada, durante a qual foram presos vários suspeitos de corrupção. É necessário é que não se fique por aqui, que haja mais operações destas, de forma mais aprofundada.
Há por aí muita corrupção, não só nas finanças, mas também em Câmaras Municipais e outros organismos do Estado. E também em grandes empresas privadas (por exemplo o sujeito que recebe uma percentagem para escolher X num concurso de fornecimento).
A intensificação deste tipo de operações permite, por um lado, diminuir estas práticas por quem as pratica começar a ter medo e por outro lado, fazer com que as pessoas comecem a acreditar na Justiça e deixem de estar indiferentes à corrupção, passando a fazer queixa, por acreditarem que a queixa não vai ficar esquecida e os beneficiários da corrupção impunes.
ABRUPTO
Bem-vindo, Pacheco Pereira.
Vai ser um factor multiplicador do debate e fazer subir a qualidade da blogosfera portuguesa.
Ainda faltam (pelo menos) o António Barreto e o Vasco Pulido Valente. Quem os convida?
Bem-vindo, Pacheco Pereira.
Vai ser um factor multiplicador do debate e fazer subir a qualidade da blogosfera portuguesa.
Ainda faltam (pelo menos) o António Barreto e o Vasco Pulido Valente. Quem os convida?
CORREIO
Estava a ver que nunca mais ninguém dizia algo. Se não fosse o contador (marado) da Bravenet (que por acaso até engole "clientes") pensaria que ninguém lê isto!
O Ricardo Araújo Pereira (a maioria dos leitores de blogs.... têm blogs!) - Gato Fedorento coloca diversas questões às quais vou tentar responder.
A primeira (onde compro os charutos), ao contrário do que ele pensa, raramente me foi colocada! Essencialmente em três locais, dependendo da proveniência do charuto: Canárias, na loja Condal & Penamil do Lapa Palace, em Lisboa (recomendo o Penamil Oro nº 17) ; Honduras, Nicarágua e Republica Dominicana , na Bompuro , em Cascais (gosto muito dos maduros, com mais aroma do que os cubanos e entre vários, prefiro o Nº50 Aged Maduro da Ashton) e de Cuba, em Badajoz , no La Boutique del Fumador “Almazán”, na Calle Vasco Núnez de Balboa nº 10, ao pé da Catedral, não muito longe do antigo Corte Inglés.
Apesar da subida de preços em Espanha e descida em Portugal, ainda há um diferencial de cerca de 20 a 30%, pelo que ainda compensa ir lá comprar (umas caixas). Para comprar à unidade, por exemplo para experimentar um determinado charuto, aconselho a loja Cigar World , em Lisboa, no Corte Inglés, ou as lojas da Havaneza, especialmente a do Chiado.
Quanto aos charutos recomendados, se tem Sir Wiston da H. Upmann, é um homem cheio de sorte: para além de muito bons, não são fáceis de obter. Se gosta desses, proponho-lhe que experimente uns Lusitanias da Partagas e uns Sanchos de Sancho Panza ou Montecristo A. Tenho a certeza de que também irá gostar. Também gosto muito dos Unicos de Vegas Robaina (obus).
Relativamente aos charutos de uso mais corrente, costumo recorrer aos Cremas de José L. Piedra (cubanos) e aos Farias (espanhóis). Não duram muito, mas são muito baratos.
Charutos açorianos, posso opinar sobre os dois que conheço: o Coroa (um corona) e o Beldina (também corona). Gosto de ambos e acho que vale a pena experimentar, quanto mais não seja para variar um pouco dos cubanos.
Escreva sempre!
Estava a ver que nunca mais ninguém dizia algo. Se não fosse o contador (marado) da Bravenet (que por acaso até engole "clientes") pensaria que ninguém lê isto!
O Ricardo Araújo Pereira (a maioria dos leitores de blogs.... têm blogs!) - Gato Fedorento coloca diversas questões às quais vou tentar responder.
A primeira (onde compro os charutos), ao contrário do que ele pensa, raramente me foi colocada! Essencialmente em três locais, dependendo da proveniência do charuto: Canárias, na loja Condal & Penamil do Lapa Palace, em Lisboa (recomendo o Penamil Oro nº 17) ; Honduras, Nicarágua e Republica Dominicana , na Bompuro , em Cascais (gosto muito dos maduros, com mais aroma do que os cubanos e entre vários, prefiro o Nº50 Aged Maduro da Ashton) e de Cuba, em Badajoz , no La Boutique del Fumador “Almazán”, na Calle Vasco Núnez de Balboa nº 10, ao pé da Catedral, não muito longe do antigo Corte Inglés.
Apesar da subida de preços em Espanha e descida em Portugal, ainda há um diferencial de cerca de 20 a 30%, pelo que ainda compensa ir lá comprar (umas caixas). Para comprar à unidade, por exemplo para experimentar um determinado charuto, aconselho a loja Cigar World , em Lisboa, no Corte Inglés, ou as lojas da Havaneza, especialmente a do Chiado.
Quanto aos charutos recomendados, se tem Sir Wiston da H. Upmann, é um homem cheio de sorte: para além de muito bons, não são fáceis de obter. Se gosta desses, proponho-lhe que experimente uns Lusitanias da Partagas e uns Sanchos de Sancho Panza ou Montecristo A. Tenho a certeza de que também irá gostar. Também gosto muito dos Unicos de Vegas Robaina (obus).
Relativamente aos charutos de uso mais corrente, costumo recorrer aos Cremas de José L. Piedra (cubanos) e aos Farias (espanhóis). Não duram muito, mas são muito baratos.
Charutos açorianos, posso opinar sobre os dois que conheço: o Coroa (um corona) e o Beldina (também corona). Gosto de ambos e acho que vale a pena experimentar, quanto mais não seja para variar um pouco dos cubanos.
Escreva sempre!
REGRESSO AO LAR
Ai, há quantos anos que eu parti chorando
Deste meu saudoso, carinhoso lar!...
Foi há vinte?...há trinta? Nem eu sei já quando!...
Minha velha ama, que me estás fitando,
Canta-me cantigas para eu me lembrar!...
Dei a volta ao mundo, dei a volta à Vida...
Só achei enganos, decepções, pesar...
Oh! a ingénua alma tão desiludida!...
Minha velha ama, com a voz dorida,
Canta-me cantigas de me adormentar!...
Trago d'amargura o coração desfeito...
Vê que fundas mágoas no embaciado olhar!
Nunca eu saíra do meu ninho estreito!...
Minha velha ama que me deste o peito,
Canta-me cantigas para me embalar!...
Pôs-me Deus outrora no frouxel do ninho
Pedrarias d'astros, gemas de luar...
Tudo me roubaram, vê, pelo caminho!...
Minha velha ama, sou um pobrezinho...
Canta-me cantigas de fazer chorar!
Como antigamente, no regaço amado,
(Venho morto, morto!...) deixa-me deitar!
Ai, o teu menino como está mudado!
Minha velha ama, como está mudado!
Canta-lhe cantigas de dormir, sonhar!...
Cante-me cantigas, manso, muito manso...
Tristes, muito tristes, como à noite o mar...
Canta-me cantigas para ver se alcanço
Que a minh'alma durma, tenha paz, descanso,
Quando a Morte, em breve, ma vier buscar!...
Guerra Junqueiro
terça-feira, maio 06, 2003
Acrescentadas nos links de viagens, mais algumas maravilhas na Madeira; vale a pena (pelo menos) sonhar:
Charming Hotels - Madeira
Quinta da Achada - Madeira
Quintinha São João - Madeira
Quinta da Casa Branca - Madeira
ENTREI NO CAFÉ COM UM RIO NA ALGIBEIRA
Entrei no café com um rio na algibeira
e pu-lo no chão,
a vê-lo correr
da imaginação...
A seguir, tirei do bolso do colete
nuvens e estrelas
e estendi um tapete
de flores
a concebê-las.
Depois, encostado à mesa,
tirei da boca um pássaro a cantar
e enfeitei com ele a Natureza
das árvores em torno
a cheirarem ao luar
que eu imagino.
E agora aqui estou a ouvir
A melodia sem contorno
Deste acaso de existir
-onde só procuro a Beleza
para me iludir
dum destino.
José Gomes Ferreira
CURSO DE INICIAÇÃO AOS CHARUTOS EPICUR
Para quem se queira iniciar - em grande! Passo a transcrever:
O conceito que temos desenvolvido junto de leitores, assinantes e amigos da Epicur centra-se na ideia alargada de um encontro epicurista à volta dos prazeres.
O Curso começa às 18:00 e termina geralmente por volta das 20:00. Serve-se depois um aperitivo e cerca das 20:30/ 21:00 segue-se sempre um jantar de degustação num restaurante / hotel por nós escolhido e que nos dá garantia de oferecer uma refeição de muito boa qualidade. A refeição consta geralmente de uma entrada, um prato de peixe e outro de carne, sobremesa, café e digestivos. São sempre apresentados vinhos de um produtor, o qual, (por vezes é o enólogo) está presente durante o jantar no sentido de ir falando sobre as características dos vinhos.
Cada caso é um caso, mas tentamos sempre que o jantar seja um espaço de continuação do debate sobre outros prazeres, convidando para isso (quando se proporciona, pois nem sempre é possível) outros oradores. Tem muito a ver com a localização do evento e com a época do ano.
Quanto ao curso, ele é orientado por um representante de uma marca/ origem de charutos.O clima é geralmente informal onde todos estão à vontade para a troca de ideias.
Fumam-se charutos durante e após o jantar.
O minimo de pessoas para lançar o evento é de 15 e o máximo varia entre as 25/30.
Costumam ser à 6a feira ou ao Sábado.
Se tiver um grupo de amigos interessados, e mesmo que não sejam os 15, não hesite em nos contactar (podemos sempre juntar 1 ou 2 grupos).
Contacto : Epicur - Em nome da Escrita, Edição Lda - a/c Julieta Cordas - Rua das Salgadeiras, 36 -1º dto 1200-396 Lisboa
Para quem se queira iniciar - em grande! Passo a transcrever:
O conceito que temos desenvolvido junto de leitores, assinantes e amigos da Epicur centra-se na ideia alargada de um encontro epicurista à volta dos prazeres.
O Curso começa às 18:00 e termina geralmente por volta das 20:00. Serve-se depois um aperitivo e cerca das 20:30/ 21:00 segue-se sempre um jantar de degustação num restaurante / hotel por nós escolhido e que nos dá garantia de oferecer uma refeição de muito boa qualidade. A refeição consta geralmente de uma entrada, um prato de peixe e outro de carne, sobremesa, café e digestivos. São sempre apresentados vinhos de um produtor, o qual, (por vezes é o enólogo) está presente durante o jantar no sentido de ir falando sobre as características dos vinhos.
Cada caso é um caso, mas tentamos sempre que o jantar seja um espaço de continuação do debate sobre outros prazeres, convidando para isso (quando se proporciona, pois nem sempre é possível) outros oradores. Tem muito a ver com a localização do evento e com a época do ano.
Quanto ao curso, ele é orientado por um representante de uma marca/ origem de charutos.O clima é geralmente informal onde todos estão à vontade para a troca de ideias.
Fumam-se charutos durante e após o jantar.
O minimo de pessoas para lançar o evento é de 15 e o máximo varia entre as 25/30.
Costumam ser à 6a feira ou ao Sábado.
Se tiver um grupo de amigos interessados, e mesmo que não sejam os 15, não hesite em nos contactar (podemos sempre juntar 1 ou 2 grupos).
Contacto : Epicur - Em nome da Escrita, Edição Lda - a/c Julieta Cordas - Rua das Salgadeiras, 36 -1º dto 1200-396 Lisboa
segunda-feira, maio 05, 2003
PRAZERES
O CAMELO - Av. 1º de Maio, 16 - Seia Telef. 238 310 100
Referência gastronómica das Beiras, continua igual a si próprio, com a elevada qualidade a que já habituou os seus clientes.
Entre as especialidades destacam-se os enchidos, o bacalhau à Camelo (com broa e amêndoa), os filetes de polvo com arroz de feijão, o cabrito com migas e o lombo de porco com castanhas. Para a sobremesa, muita escolha; por exemplo requeijão com doce de abóbora, arroz doce com leite creme, ou lambada (doce de ovos com natas e frutos silvestres).
O serviço é atencioso, comandado pelo sr. Jorge Camelo. Se tiverem crianças, aproveitem para as colocar a perguntar-lhe se ele é camelo - uma delícia!
O CAMELO - Av. 1º de Maio, 16 - Seia Telef. 238 310 100
Referência gastronómica das Beiras, continua igual a si próprio, com a elevada qualidade a que já habituou os seus clientes.
Entre as especialidades destacam-se os enchidos, o bacalhau à Camelo (com broa e amêndoa), os filetes de polvo com arroz de feijão, o cabrito com migas e o lombo de porco com castanhas. Para a sobremesa, muita escolha; por exemplo requeijão com doce de abóbora, arroz doce com leite creme, ou lambada (doce de ovos com natas e frutos silvestres).
O serviço é atencioso, comandado pelo sr. Jorge Camelo. Se tiverem crianças, aproveitem para as colocar a perguntar-lhe se ele é camelo - uma delícia!
LITHUANIA
Um cumprimento especial ao nosso visitante vindo da Lituânia, esperando que perceba o que aqui se escreve e que volte mais vezes!
Conforme prometido, umas ideias sobre as duas novas revistas.
BLUE TRAVEL
Uma outra forma de viajar. A abordagem dos locais visitados é feita a partir de um hotel (ou apartamento), de um restaurante, de uma rua, de uma esplanada... Ou seja ao contrário do habitual, em que depois de apresentada a localidade, zona ou país, se escolhem alguns hotéis e restaurantes.
Ideia interessante, a seguir melhor nos próximos meses.
BLUE LIVING
Esta passa a ser, logo ao primeiro número, uma das revistas preferidas do Fumaças (a par da Epicur, claro!).
Tem uma primeira parte - Saber viver todos os dias - onde são abordados variadíssimos assuntos, como livros, casas, espectáculos, bebidas, restaurantes, etc, com classificações como dia a dia, dia sim, dia não, dia a dois, dia em família, um dia não são dias ou dias melhores virão.
Segue-se a rubrica Quando a vida é bela, com reportagens sobre um hotel (Choupana Hills, na Madeira), um restaurante (Sul, em Lisboa), uma cidade (Coimbra) e turismo de habitação (vários).
Termina com o Vá por nós, que no fundo é o roteiro dos vários locais onde se localizam os estabelecimentos indicados na parte anterior.
APROVADÍSSIMO !
BLUE TRAVEL
Uma outra forma de viajar. A abordagem dos locais visitados é feita a partir de um hotel (ou apartamento), de um restaurante, de uma rua, de uma esplanada... Ou seja ao contrário do habitual, em que depois de apresentada a localidade, zona ou país, se escolhem alguns hotéis e restaurantes.
Ideia interessante, a seguir melhor nos próximos meses.
BLUE LIVING
Esta passa a ser, logo ao primeiro número, uma das revistas preferidas do Fumaças (a par da Epicur, claro!).
Tem uma primeira parte - Saber viver todos os dias - onde são abordados variadíssimos assuntos, como livros, casas, espectáculos, bebidas, restaurantes, etc, com classificações como dia a dia, dia sim, dia não, dia a dois, dia em família, um dia não são dias ou dias melhores virão.
Segue-se a rubrica Quando a vida é bela, com reportagens sobre um hotel (Choupana Hills, na Madeira), um restaurante (Sul, em Lisboa), uma cidade (Coimbra) e turismo de habitação (vários).
Termina com o Vá por nós, que no fundo é o roteiro dos vários locais onde se localizam os estabelecimentos indicados na parte anterior.
APROVADÍSSIMO !
domingo, maio 04, 2003
BRANCO E VERMELHO
A dor, forte e imprevista,
Ferindo-me, imprevista,
De branca e de imprevista
Foi um deslumbramento,
Que me endoidou a vista,
Fez-me perder a vista,
Fez-me fugir a vista,
Num doce esvaimento.
Como um deserto imenso,
Branco deserto imenso,
Resplandecente e imenso,
Fez-se em redor de mim.
Todo o meu ser, suspenso,
Não sinto já, não penso,
Pairo na luz, suspenso...
Que delícia sem fim!
Na inundação da luz
Banhando os céus a flux,
No êxtase da luz,
Vejo passar, desfila
(Seus pobres corpos nus
Que a distância reduz,
Amesquinha e reduz
No fundo da pupila).
Na areia imensa e plana
Ao longe a caravana
Sem fim, a caravana
Na linha do horizonte
Da enorme dor humana,
Da insigne dor humana...
A inútil dor humana!
Marcha curvada a fonte.
Até o chão, curvados,
Exaustos e curvados,
Vão um a um, curvados,
Os seus magros perfis;
Escravos condenados,
No poente recortados,
Em negro recortados,
Magros, mesquinhos, vis.
A cada golpe tremem
Os que de medo tremem,
E as pálpebras me tremem
Quando o açoite vibra.
Estala! e apenas gemem,
Palidamente gemem,
A cada golpe gemem,
Que os desequilibra.
Sob o açoite caem,
A cada golpe caem,
Erguem-se logo.
Caem, Soergue-os o terror...
Até que enfim desmaiem!
Por uma vez desmaiem!
Ei-los que enfim se esvaem,
Vencida, enfim, a dor...
E ali fiquem serenos,
De costas e serenos.
Beije-os a luz, serenos,
Nas amplas fontes calmas.
Ó céus claros e amenos,
Doces jardins amenos,
Onde se sofre menos,
Onde dormem as almas!
A dor, deserto imenso,
Branco deserto imenso,
Resplandecente e imenso,
Foi um deslumbramento.
Todo o meu ser suspenso,
Não sinto já, não penso,
Pairo na luz, suspenso
Num doce esvaimento.
Ó morte, vem depressa,
Acorda, vem depressa,
Acode-me depressa,
Vem-me enxugar o suor,
Que o estertor começa.
É cumprir a promessa.
Já o sonho começa...
Tudo vermelho em flor...
Camilo Pessanha
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