NAVEGAR É PRECISO
Navegadores antigos tinham uma frase gloriosa:
"Navegar é preciso; viver não é preciso".
Quero para mim o espírito [d]esta frase,
transformada a forma para a casar como eu sou:
Viver não é necessário; o que é necessário é criar.
Não conto gozar a minha vida; nem em gozá-la penso.
Só quero torná-la grande,
ainda que para isso tenha de ser o meu corpo e a (minha alma) a lenha desse fogo.
Só quero torná-la de toda a humanidade;
ainda que para isso tenha de a perder como minha.
Cada vez mais assim penso.
Cada vez mais ponho da essência anímica do meu sangue
o propósito impessoal de engrandecer a pátria e contribuir
para a evolução da humanidade.
É a forma que em mim tomou o misticismo da nossa Raça.
Fernando Pessoa in Obra Poética
quinta-feira, maio 22, 2003
NAVEGAR É PRECISO
"Navigare necesse; vivere non est necesse" - Pompeu, general romano, 106-48 aC., dita aos marinheiros, amedrontados, que recusavam viajar durante a guerra, cf. Plutarco, in Vida de Pompeu.
MAIS BLOGS
Mais alguns dos muitos surgidos nos últimos tempos e que merecem relevo.
BICHO ESCALA ESTANTES. Ou as desventuras de um livreiro no meio da ignorância.
MAR PORTUGUÊZ. Poesia (muito Pessoa), Fotos, Actualidade.
TOIRADAS. A Festa Brava.
Nota: Os descritivos são da minha exclusiva responsabilidade.
Mais alguns dos muitos surgidos nos últimos tempos e que merecem relevo.
BICHO ESCALA ESTANTES. Ou as desventuras de um livreiro no meio da ignorância.
MAR PORTUGUÊZ. Poesia (muito Pessoa), Fotos, Actualidade.
TOIRADAS. A Festa Brava.
Nota: Os descritivos são da minha exclusiva responsabilidade.
TRIO INFERNAL
Alô, Fernando Reboredo Seara,
Alô, António José de Almeida,
Aguardo a vossa entrada na blogosfera portuguesa! Não vão deixar o Adelino Maltez sózinho, pois não?
Já que estamos em matéria de biografias, umas notas sobre outro português que brilha lá fora. Nós aqui gostamos pouco de dizer mal por dizer mal e preferimos realçar as coisas boas que o nosso País tem...
LUÍS MIGUEL OOSTERBEEK
Licenciado em História pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa em 1982 e Doutor em Arqueologia pela Universidade de Londres em 1994. Desde 1983 dirigiu ou co-dirigiu trabalhos de arqueologia sobre a Pré-História Recente do Alto Ribatejo. É autor ou co-autor de 12 livros e centena e meia de artigos, sobre Arqueologia, Património, Filosofia e Pedagogia. É Professor Coordenador de Pré-História e Arqueologia no IPT, no qual integra o Conselho Geral e o Conselho Científico da Escola Superior de Tecnologia, é Director do Gabinete de Relações Internacionais e do Departamento de Gestão do Território. É perito convidado da União Europeia para o Ensino Superior. É professor convidado de diversas Universidades da União Europeia e do Brasil. Colabora na Comissão Científica dos Congressos de Arqueologia Peninsular, na UISPP, na IFRAO, na ArqueoJovem, no secretariado do projecto HERITY, no Conselho Consultivo do Centro Internacional para a Conservação do Património (CICOP-Portugal) e na Comissão de Programas do Centro Universitário Europeu para o Património Cultural.
PAULO FERREIRA DA CUNHA
O Prof. Paulo Ferreira da Cunha também já tem um blog. Bem-vindo!
Heterodoxias Blog
Para quem possa interessar, informo também que ele tem uma revista que é uma das primeiras publicações jurídicas electrónicas portuguesas:
Antigona
Como ele ainda não é muito conhecido fora dos meios do Direito e me perguntam frequentemente quem é o Prof. Paulo Ferreira da Cunha, aproveito para deixar umas notas biográficas:
Doutor em Direito (História/Filosofia do Direito) pela Universidade de Paris II e Doutor em Direito (Ciências Jurídico-Políticas) pela Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra.
Sócio Fundador da Associação Portuguesa de Ciência Política.
"um dos mais celebrados filósofos do Direito da atualidade" - Faculdade de Educação da Univ. S. Paulo - Brasil
"importa referir os trabalhos de Paulo Ferreira da Cunha, com destaque para a dissertação de doutoramento em Coimbra, Constituição, Direito e Utopia [1996], completada com Amor Iuris. Filosofia Contemporânea do Direito e da Política [1995], a que deve juntar-se o texto do seu doctorat de l'Université de Paris, Mythe et Constitutionnalisme au Portugal (1778-1826). Originalité ou Influence Française [1992]." in O regresso ao constitucionalismo científico - Adelino Maltez
DETECTOR DE ACTUALIZAÇÕES DE BLOGS
Boas notícias, o nosso colega bloco-notas está a construir um detector para blogs portugueses, que vai permitir a quem o utilize saber quais são os blogs actualizados recentemente. Daqui, desde já o nosso obrigado!
quarta-feira, maio 21, 2003
O ESGOTO DA TVI (OU SERÁ DA JUSTIÇA PORTUGUESA?)
Incrível o que se passou há momentos no Jornal da TVI: um relatório pormenorizado das declarações do embaixador Ritto ao Tribunal de Instrução Criminal.
É tão simples quanto isto:
É mentira - descrédito total da TVI que inventou.
É verdade - mais um escândalo com a Justiça, que permite que se continue a saber "cá fora" tudo o que se passa, quase em tempo real. Esta hipótese também é uma vergonha para a TVI, pela falta de ética demonstrada: só se obtem este tipo de informações pagando.
A continuarem as coisas assim, em breve teremos transmissões em directo das inquirições. Na TVI, claro!
PAULO PEDROSO
Acredito plenamente na sua inocência.
Se as testemunhas forem tão credíveis quanto estas (reporterX.net) confirma-se apenas que a Justiça Portuguesa está metida num grande berbicacho.
AH, VALENTE!
"O meu pai não fumou nada até muito tarde. E já depois de bem entrado na idade é que começou a fumar (charutos) mas eu disse-lhe que, com aquela idade, já podia fazer tudo o que quisesse, não valia a pena haver restrições."
Diogo Saraiva e Sousa (distribuidor da Moet & Chandon) in Revista de Vinhos - Maio 2003
E aproveito para acrescentar mais alguns links para
SITES DE VINHOS:
Associação das Empresas de Vinho do Porto
Viniturismo (loja)
Club Vintage (loja)
Vinho & Coisas (loja)
Venha à Vinha (loja)
Sabores e Aventuras (parte ainda em construção)
REVISTA DE VINHOS
Muito boa a revista de Maio, com reportagens, entre outras, sobre as Quintas do Douro da Borges, vinhos biológicos no Dão ou Quinta do Mouro (tintos de Estremoz).
Uma magnífica entrevista com Anselmo Mendes (o tal do Muros de Melgaço aqui apreciado há uns dias...) e um painel de prova sobre vinhos estrangeiros.
A continuação da polémica sobre os vinhos de quinta nas adegas cooperativas (!), um painel de prova sobre azeite e Enoturismo na Casa de Cadaval, em Muge, no Ribatejo, completam com as habituais rubricas de provas e análise de restaurantes mais este número que é um prazer ler.
terça-feira, maio 20, 2003
CHANSON D'AUTOMNE
Les sanglots longs
Des violons
De l'automne
Blessent mon coeur
D'une langueur
Monotone.
Tout suffoquant
Et blême quand
Sonne l'heure,
Je me souviens
Des jours anciens
Et je pleure;
Et je m'en vais
Au vent mauvais
Qui m'emporte
Deçà, delà
Pareil à la
Feuille morte.
Paul Verlaine
Les sanglots longs
Des violons
De l'automne
Blessent mon coeur
D'une langueur
Monotone.
Tout suffoquant
Et blême quand
Sonne l'heure,
Je me souviens
Des jours anciens
Et je pleure;
Et je m'en vais
Au vent mauvais
Qui m'emporte
Deçà, delà
Pareil à la
Feuille morte.
Paul Verlaine
PELA SANTA LIBERDADE
Uma saudação especial para a chegada à blogosfera do Prof. Adelino Maltez, Professor Catedrático do ISCSP - Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas.
Seja bem-vindo!
Pela Santa Liberdade
segunda-feira, maio 19, 2003
LIVRO DE HORAS
Aqui, diante de mim,
eu, pecador, me confesso
de ser assim como sou.
Me confesso o bom e o mau
que vão ao leme da nau
nesta deriva em que vou.
Me confesso
possesso
de virtudes teologais,
que são três,
e dos pecados mortais,
que são sete,
quando a terra não repete
que são mais.
Me confesso
o dono das minhas horas.
O das facadas cegas e raivosas,
e o das ternuras lúcidas e mansas.
E de ser de qualquer modo
andanças
do mesmo todo.
Me confesso de ser charco
e luar de charco, à mistura.
De ser a corda do arco
que atira setas acima
e abaixo da minha altura.
Me confesso de ser tudo
que possa nascer em mim.
De ter raízes no chão
desta minha condição.
Me confesso de Abel e de Caim.
Me confesso de ser Homem.
De ser um anjo caído
do tal Céu que Deus governa;
de ser um monstro saído
do buraco mais fundo da caverna.
Me confesso de ser eu.
Eu, tal e qual como vim
para dizer que sou eu
aqui, diante de mim!
Miguel Torga
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