sexta-feira, junho 06, 2003


FILMES

Um dos meus filmes preferidos, é de 1975, chama-se Amici miei e conta a história de cinco cinquentenários (um conde falido, um jornalista, um arquitecto, o dono de um bar e um cirurgião), que volta e meia "desaparecem" para se encontrar e levar uma vida, digamos, boémia. Entre outros, participavam o Ugo Tognazzi e o Philippe Noiret.

Há uma cena neste filme que ficou para mim inesquecível: trata-se de quando eles se vão divertir para a estação de comboios. Quando os comboios arrancam, vão dando valentes estalos a todos os passageiros que têm a cabeça de fora, a despedir-se de alguém.

Até hoje, não consigo ir a Santa Apolónia sem me lembrar logo e tenho sempre de fazer um esforço para não os imitar! Talvez quando chegar aos cinquenta anos deixe de reprimir este meu impulso!



Amici miei (italiano, com muitas fotos)


Amici miei (italiano)


Amici miei (francês)

SITES GASTRONOMIA

Acrescentados mais três sites daqueles que valem a pena! Trata-se de três grandes nomes da cozinha francesa, um dos quais, Loiseau, morreu em Fevereiro, tendo a esposa e colaboradores decidido prosseguir as actividades. O Pierre Troisgros está "meio" reformado, tendo sido substituído aos fornos pelo filho Michel, que já ganhou o prémio Cozinheiro do ano 2003 da GaultMillau.

Alain Passard


Bernard Loiseau


Pierre Troisgros


Apenas a título de exemplo uma receita do Troisgros:

Les filets de soles à la banane

Aussi originale qu'elle puisse paraître aujourd'hui, cette recette était inscrite à la carte du Restaurant Troisgros vers 1935. C'était en effet l'époque vers laquelle Josephine Baker avait lancé la mode des bananes. Malgré son côté insolite, la clientèle l'appréciait beaucoup. Elle mérite vraiment d'être essayée.

pour 4 personnes :

8 filets de soles
4 bananes
70 g de beurre
1 citron et demi
huile d'arachide
farine
sel fin et poivre au moulin

Placez chaque filet de sole entre deux feuilles de film plastique et aplatissez-les pour les empêcher de se rétracter à la cuisson. Retirez le film plastique. Salez et poivrez les filets de soles, puis farinez-les et tapotez-les pour en faire tomber l'excédent. Pelez les bananes et coupez-les en deux dans le sens de la longueur. Pelez un citron à vif, puis dégagez les quartiers avec un petit couteau pointu en passant la lame entre la pulpe et la membrane. Taillez ensuite les quartiers en petits dés.

Faites chauffer 15 g de beurre avec un filet d'huile dans une poêle à poisson, posez les filets de soles dedans (face intérieure d'abord) et faites-les cuire pendant 3 à 4 minutes de chaque côté. Pendant ce temps, faites chauffer 15 g de beurre dans une autre poêle, posez les demi-bananes dedans et faites-les dorer sur les deux faces (côté bombé d'abord)

Faites chauffer le reste de beurre dans une petite poêle jusqu'à ce qu'il soit noisette. Ajoutez à ce beurre noisette les dés de citron et le jus du demi-citron restant. Posez les filets de soles dans les assiettes et posez sur chaque filet une demi-banane. Nappez de beurre noisette au citron et servez aussitôt.





SE EU MORRER NOVO

Se eu morrer novo,
sem poder publicar livro nenhum
Sem ver a cara que têm os meus versos em letra impressa,
Peço que, se se quiserem ralar por minha causa,
Que não se ralem.
Se assim aconteceu, assim está certo.

Mesmo que os meus versos nunca sejam impressos,
Eles lá terão a sua beleza, se forem belos.
Mas eles não podem ser belos e ficar por imprimir,
Porque as raízes podem estar debaixo da terra
Mas as flores florescem ao ar livre e à vista.
Tem que ser assim por força. Nada o pode impedir.

Se eu morrer muito novo, oiçam isto:
Nunca fui senão uma criança que brincava.
Fui gentio como o sol e a água,
De uma religião universal que só os homens não têm.
Fui feliz porque não pedi cousa nenhuma,
Nem procurei achar nada,
Nem achei que houvesse mais explicação
Que a palavra explicação não ter sentido nenhum.


Não desejei senão estar ao sol ou à chuva -
Ao sol quando havia sol
E à chuva quando estava chovendo
(E nunca a outra cousa),
Sentir calor e frio e vento,
E não ir mais longe.

Uma vez amei, julguei que me amariam,
Mas não fui amado.
Não fui amado pela unica grande razão -
Porque não tinha que ser.

Consolei-me voltando ao sol e a chuva,
E sentando-me outra vez a porta de casa.
Os campos, afinal, não são tão verdes para os que são amados
Como para os que o não são.
Sentir é estar distraido.

Alberto Caeiro 7-11-1915

quinta-feira, junho 05, 2003


LINKS GASTRONOMIA

Restaunet


Trata-se de um site português, com uma base de dados com milhares de restaurantes, por todo o País. Tem também uma área de culinária, com variadíssimas receitas e sugestões. Há também Roteiros (por exemplo, Rota dos Doces de Ovos, na zona de Aveiro), Destaque de Eventos Gastronómicos e um Fórum de discussão.


OUTDOOR (III)

GUADIANA BLUES

Subo e desço este rio
Da Ajuda a Jerumenha
Sob a torreira e o frio
Faço a água, faço a penha

Rio abaixo rio acima
Em Espanha tanto batelo
Rio abaixo rio acima
Guadiana paira por cima
O sonho vira pesadelo

Vinha eu no meu caíco
A remar que nem um mouro
Mais uma queda d'água
Outro tombo, ai o couro

Quando vi um espanhol
Olhando o remo inconsolável
Faltou-lhe a energia
Calaceiro admirável

Apertar-lhe o garganhol
Ou atirá-lo borda fora
Ó Jesus vê lá se remas
Ó minha grande abóbora

Rio abaixo rio acima
Em Espanha tanto batelo
Rio abaixo rio acima
Guadiana paira por cima
O sonho vira pesadelo

(Adaptação de Sayago Blues, de Carlos Tê e Rui Veloso)

Glossário:

Penha - rocha
Batelo - engenho rústico para tirar água dos poços
Caíco - barco
Garganhol - pescoço



SITE VINHOS

Acrescentado mais um site de vinhos, por recomendação do nosso leitor João Pedro Diniz:

Os 5 às 8


Trata-se de um grupo de cinco pessoas que se juntavam para jantar e fazer provas cegas de vinhos. O nome advêm de na origem serem os tais cinco e os jantares serem às 8 horas. Posteriormente o grupo reduziu-se estando neste momento com apenas três membros, que vão convidando outras pessoas para os jantares que efectuam.

Tem um fórum muito interessante, no qual estão inscritos mais de 100 participantes. Também tem uma "secção" de gastronomia, com críticas a vários restaurantes, feitas quer pelos membros do grupo, quer por leitores.

Vale bem a pena a consulta!

quarta-feira, junho 04, 2003


New York (Oficina y
denuncia)


hay una gota de sangre de pato;
debajo de las divisiones
hay una gota de sangre de marinero;
debajo de las sumas, un río de sangre tierna.
Un río que viene cantando
por los dormitorios de los arrabales,
y es plata, cemento o brisa
en el alba mentida de New York.
Existen las montañas. Lo sé.
Y los anteojos para la sabiduría.
Lo sé. Pero yo no he venido a ver el cielo.
Yo he venido para ver la turbia sangre.
La sangre que lleva las máquinas a las cataratas
y el espíritu a la lengua de la cobra.
Todos los días se matan em New York
cuatro millones de patos,
cinco millones de cerdos,
dos mil palomas para el gusto de los agonizantes,
un millón de vacas,
un millón de corderos
y dos millones de gallos,
que dejan los cielos hechos añicos.
Más vale sollozar afilando la navaja
o asesinar a los perros
en las alucinantes cacerías,
que resistir en la madrugada
los interminables trenes de leche,
los interminables trenes de sangre
y los trenes de rosas maniatadas
por los comerciantes de perfumes.
Los patos y las palomas,
y los cerdos y los corderos
ponen sus gotas de sangre
debajo de las multiplicaciones,
y los terribles alaridos de las vacas estrujadas
llenan de dolor el valle
donde el Hudson se emborracha con aceite.
Yo denuncio a toda la gente
que ignora la otra mitad,
la mitad irredimible
que levanta sus montes de cemento
donde laten los corazones
de los animalitos que se olvidan
y donde caeremos todos
en la ultima fiesta de los taladros.
Os escupo en la cara.
La otra mitad me escucha
devorando, orinando, volando, en su pureza
como los niños de las porterías
que llevan frágiles palitos
a los huecos donde se oxidan
las antenas de los insectos.
No es el infierno, es la calle.
Nos es la muerte, es la tienda de frutas.
Hay un mundo de ríos quebrados
y distancia inacesibles
en la patita de ese gato
quebrada por el automóvil,
y yo oigo el canto de la lombriz
en el corazón de muchas niñas.
Oxido, fermento, tierra estremecida.
Tierra tú mismo que nadas
por los números de la oficina.
Qué voy a hacer? Ordenar los paisajes?
Ordenar los amores que luego son fotografías,
que luego son pedazos de madera
y bocanadas de sangre?
San Ignacio de Loyola
asesinó un pequeño conejo
y todavía sus labios gimen
por las torres de las iglesias.
No, no, no, no; yo denuncio.
Yo denuncio la conjura
de estas desiertas oficinas
que no radían las agonías,
que borran los programas de la selva,
e me ofrezco a ser comido
por las vacas estrujadas
cuando sus gritos llenan el valle
donde el Hudson se emborracha con aceite. "


Federico GARCIA LORCA

1898-1936





ENCERRAMENTO DE BLOGS

Tinha de ser: já começaram a fechar blogs, que isto de escrever todos os dias custa um bocado e nem todos têm disposição para tal. Pena que dos primeiros a encerrar constem o Mukankala e o Mar Portuguez que aqui eram lidos atentamente. Infelizmente, continuam abertos alguns blogs de pseudo-intelectuais convencidos que são membros de uma qualquer vanguarda, que querem impôr à força aos outros o que é correcto ou não e que no fim nem ler correctamente sabem! Enfim...

OUTDOOR (II)

A organização esteve a cargo da empresa Evasao Sem Limites . São todos muito prestáveis e de uma simpatia extrema, tentando resolver logo todos os problemas que surjam. Parabéns!

terça-feira, junho 03, 2003


OUTDOOR

Apesar de exausto, venho contar, conforme prometido, o que se passou no outdoor em que participei nos últimos dois dias, até porque há colegas que vão amanhã e esperam ansiosamente novidades.

No primeiro dia, após a chegada de todas as equipas ao local de encontro, numa das margens do Guadiana, ao pé da Ponte da Ajuda e após um briefing bastante completo, partimos para o rio. Quatro a cinco pessoas por barco e lá vamos nós rio abaixo!



O principal problema era passar em determinadas zonas com pequenas quedas de água. O barco tinha tendência a ficar preso nas pedras e era necessário sair para empurrar, em zonas muito escorregadias.



Eu, por exemplo, só caí duas vezes à água! Acho que nunca me tinha divertido tanto como nesta prova! Depois havia uma parte de resistência, com provas para estimular a criatividade, espírito de equipa e coragem, entre outros. Metia andar rio acima e rio abaixo a fazer provas tais como tentar encher um bidon cheio de furos, tendo algumas rolhas, apenas suficientes para tapar parte dos buracos. (Por muito rápidos que sejam a despejar água, a solução passa por um dos membros do grupo entrar para dentro do bidon no fim!)

Também houve provas de slide (dos bons: 300 metros com cabos de aço!), passagem de precipício agarrado a cabos, etc...

O problema é que cada prova era numa ponta do rio e andávamos para cima e para baixo a remar, o que a partir das cinco ou seis da tarde se tornou um pouco cansativo. E é de notar que estas provas só terminaram depois da 20 horas!

Atenção ao GPS que tem coordenadas erradas de propósito, para testar a resistência e a capacidade de orientação e "desenrascanço".

Depois de passada a ponte foram só mais uns 1.500 metros até aos aposentos, que atingimos de barco. O que representou chegar já depois das nove horas da noite!

Após o jantar, houve oportunidade de descontrair um pouco, com um karaoke, onde brilharam alguns dos nossos colegas espanhóis (no caso da nossa equipa deve ter sido para compensar a lentidão e inaptidão demonstrada com os remos!)

Após uma noite de luxo em hotel de muitas estrelas, seguiu-se nova etapa. Este segundo dia foi bem mais calmo: apenas cerca de seis quilómetros de barco, tendo de encontrar umas marcas que estavam nas margens ou na água. Acabou tudo com um grande almoço no Castelo de Juromenha.



Boa Viagem para os colegas!

segunda-feira, junho 02, 2003


LINKS

Acrescentados cinco blogs em Blogs A Seguir.

Todos merecem uma palavrinha e tê-la-ão durante a semana.

INTERRUPÇÃO

Uma ligeira interrupção até à noite de terça para quarta. Vou fazer um outdoor com colegas da empresa. Depois conto. Só sabemos que será no Guadiana (era o título do ficheiro que nos foi enviado). Mas como também participam colegas espanhóis, palpita-me que acaba em...

BADAJOZ

Para quem lá vá comprar charutos ou caramelos, ou.

Ayuntamiento de Badajoz Com um muito bom mapa das ruas de Badajoz.

LaNetro Badajoz O que fazer (restaurantes, lojas, teatros, cinemas,música, etc)

Badajoz Joven Portal generalista, com muito boa informação na secção Turismo, tendo descrições pormenorizadas dos monumentos.

Confortel Badajoz O meu hotel preferido em Badajoz, apesar de ficar já fora da cidade, ao lado do início da antiga auto-estrada para Madrid. Muito calmo, ao lado do golf.


domingo, junho 01, 2003

COMO SE PODE DESCER TANTO ?

Tomei conhecimento através do De Direita do baixo nível a que chegou um pasquim que já há muito tempo não compro. Nem queria acreditar! Como é possível descer tanto?

O que vale é que já não deve faltar muito para o dia da falência... Quando isso acontecer, os que por lá se conspurcam, digo escrevem, podem formar um novo jornal. Para manter o nível, sugiro que se chame "A Latrina".

GLOBOS DE OURO

Uma nota só para saudar o merecidíssimo prémio carreira, para o Prof. José Hermano Saraiva.

Tem sido o maior divulgador da história Portuguesa, transformando o que alguns acham aborrecido em algo de extremamente interessante, pela maneira como é contado.