quarta-feira, junho 25, 2003


OVO DE COLOMBO...

Resolvido o problema do espaço no template que se estreitava a cada alteração:

Criado um blog para linkar os sites!

O ANTES E O DEPOIS

Antes, um arguido era considerado inocente até prova em contrário.

Agora, com o circo mediático quase permanentemente montado à porta do TIC, qualquer suspeito ou inquirido é considerado culpado até prova em contrário (que pode levar anos).

O TRATADO D'ESTAING OU A CONSTITUIÇÃO DE PARIS

Um perfeito escândalo a tal Constituição Europeia que nos querem impor!

Umas muito breves notas e comentários:

- A existência de uma Constituição implica que tenha sido aprovada por uma Assembleia com poderes para tal (ou seja expressamente para tal eleita). Não é o caso.

- As melhores Constituições são aquelas que traçam linhas gerais, delimitando um caminho, mas dando ampla liberdade. São curtas. Esta tem "apenas" umas centenas de artigos!

- Segundo a proposta apresentada, todo o Direito Europeu passa a prevalecer sobre os Direitos internos. Isto implica em casos extremos que possa prevalecer qualquer norma que a nossa Constituição repute de anti-constitucional!

- É atribuída personalidade jurídica à União, ou seja todos aqueles tratados que tinham de ser referendados pelos Estados-membros (que podiam sempre fazer uma triagem e aceitar uns e outros não) passam quase automaticamente a ser impostos a todos pela União.

- Por fim (e daí o título), convem ter presente que uma Constituição não é o mesmo que um Tratado. Até agora houve vários Tratados da UE, que essencialmente regulavam relações entre Estados. Alguns desejam agora uma Constituição, que é o que regula as relações entre um Estado e o seu Povo. E depois teremos a uniformização das leis. E já não uma união ou uma federação, mas um Estado Europeu. (aquilo a que nem os EUA se atreveram)

terça-feira, junho 24, 2003


AVIZ

O Francisco José Viegas informa sobre a existência de um novo charuto dos Açores: um robusto da Fábrica de Tabaco Estrella.

Não sabia, mas já encomendei. Conto em breve colocar aqui a apreciação.

Não percam a história de título RISO, aqui se o hiperlink funcionar.

Parque dos Poetas - Oeiras 2003

ADEUS

Já gastámos as palavras pela rua, meu amor,
e o que nos ficou não chega
para afastar o frio de quatro paredes.
Gastámos tudo menos o silêncio.
Gastámos os olhos com o sal das lágrimas,
gastámos as mãos à força de as apertarmos,
gastámos o relógio e as pedras das esquinas
em esperas inúteis.

Meto as mãos nas algibeiras e não encontro nada.
Antigamente tínhamos tanto para dar um ao outro;
era como se todas as coisas fossem minhas:
quanto mais te dava mais tinha para te dar.
Às vezes tu dizias: os teus olhos são peixes verdes.
E eu acreditava.
Acreditava,
porque ao teu lado
todas as coisas eram possíveis.

Mas isso era no tempo dos segredos,
era no tempo em que o teu corpo era um aquário,
era no tempo em que os meus olhos
eram realmente peixes verdes.
Hoje são apenas os meus olhos.
É pouco mas é verdade,
uns olhos como todos os outros.

Já gastámos as palavras.
Quando agora digo: meu amor,
já não se passa absolutamente nada.
E no entanto, antes das palavras gastas,
tenho a certeza
de que todas as coisas estremeciam
só de murmurar o teu nome
no silêncio do meu coração.

Não temos já nada para dar.
Dentro de ti
não há nada que me peça água.
O passado é inútil como um trapo.
E já te disse: as palavras estão gastas.

Adeus.

Eugénio de Andrade





Eis a árvore que dá as flores da foto que está um pouco mais abaixo.

Alguém sabe o seu nome?

DETESTO IR A TRIBUNAL!

Acabo quase sempre por fazer figura de parvo, no meio dos jogos florais dos advogados! Como hoje:

Adv. acusação: Sr. Dr., conhece este documento com as contas da D. Rosa? (mostra doc. de cerca de 10 páginas, com descriminação dos honorários).

JCF: Conheço, sim.

Adv. acusação: E confirma o documento?

JCF: Confirmo, sim.

Adv. acusação: Não tenho mais questões.

Adv. defesa: O sr. confirma a prestação dos serviços?

JCF: Não, confirmo apenas as contas.

Adv. defesa: Mas o sr. acabou de confirmar o documento todo.

JCF: Bem, euh, não, euh, o que confirmei eram as contas.

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E para isto, estive lá das nove e meia ao meio dia e dez!

segunda-feira, junho 23, 2003


SONETO DA SEPARAÇÃO

Então do riso fez-se o pranto,
Silencioso e branco como a bruma
E das mãos espalmadas fez-se espanto
E das bocas unidas fez-se espuma.

De repente da calma fez-se o vento
Que dos olhos desfez a última chama
E da paixão fez-se o pressentimento
E do momento imóvel fez-se o drama.

De repente, não mais que de repente
Fez-se de triste o que se fez amante
E de sozinho o que se fez contente.

Fez-se do amigo próximo o distante
Fez-se da vida uma aventura errante
De repente, não mais que de repente.

Vinícius de Moraes
MONASTERIO DE ROCAMADOR

Trata-se de um Hotel de charme , situado a cerca de 40 quilómetros de Badajoz. O edifício era um antigo Convento do século XVI. Os donos são entre outros, Carlos Tristancho, actor, sua mulher, Lucía Dominguín, e o cunhado Miguel Bosé. Dispõe de cerca de trinta quartos.



Melhor que o hotel, só mesmo o Restaurante, de que vos deixo um exemplo de ementa, que deverá actualmente rondar os 50 euros. Os cozinheiros são bascos e é uma daquelas refeições inesquecíveis. Recomendo a opção por um dos menus degustacion. A reserva antecipada (bastante!) é imprecindível.

MENÚ DEGUSTACIÓN

Aperitivo

1. Retinto en Carpaccio con Crujiente de Tocino Ibérico y Mijo, Criadillas de Tierra Marinadas y Helado de Tomillo.

2. Solomillo Marinado en Aceite perfumado con Calabaza Glaseada y Vinagreta de Cerezas y Perejil.

3. Taco de Bonito con Panceta Ahumada sobre Puré de Hinojo ,Sopa de Sidra y Cebolletas.

4. Costillar de Cordero Asado con Mantequilla de finas Hierbas sobre Puré de Comino.

Prepostre

5. Galleta de Pistacho Verde con Merengue de Chocolate Blanco, Sorbete de Lima y Bombones de Cacao.


Monasterio de Rocamador



Pedrógão Grande - Torre do Relógio - 2003

AGRADECIMENTO

Um agradecimento ao Nelson e ao Nuno , que ajudaram a tornar possível a colocação de fotografias aqui.

BALZAC E A BLOGGER

A cada vez que tento fazer alguma alteração no template lembro-me do Balzac e da sua obra "La Peau de chagrin"!

Mesmo que me limite a substituir um qualquer link, aparece a mensagem "Sorry, but your template is too long for us to handle". Qualquer (tentativa de) alteração implica diminuição do espaço existente!

Assim, estão suspensas todas as alterações ao template (nomeadamente novos links e "os imprescindíveis") até conseguir colocar esses links numa página pessoal, a ligar ao blog.

PIADA EXCLUSIVA PARA "BLOGGERS"

Cuidado, fujam, vem aí o Pedro Rolo Duarte!



Parque dos Poetas - Oeiras 2003

ESTA TARDE A TROVOADA CAIU

Esta tarde a trovoada caiu
Pelas encostas do céu abaixo
Como um pedregulho enorme...
Como alguém que duma janela alta
Sacode uma toalha de mesa,
E as migalhas, por caírem todas juntas,
Fazem algum barulho ao cair,
A chuva chovia do céu
E enegreceu os caminhos ...

Quando os relâmpagos sacudiam o ar
E abanavam o espaço
Como uma grande cabeça que diz que não,
Não sei porquê — eu não tinha medo —
Pus-me a rezar a Santa Bárbara
Como se eu fosse a velha tia de alguém...

Ah! é que rezando a Santa Bárbara
Eu sentia-me ainda mais simples
Do que julgo que sou...
Sentia-me familiar e caseiro
E tendo passado a vida
Tranqüilamente, como o muro do quintal;
Tendo idéias e sentimentos por os ter
Como uma flor tem perfume e cor...

Sentia-me alguém que nossa acreditar em Santa Bárbara...
Ah, poder crer em Santa Bárbara!

(Quem crê que há Santa Bárbara,
Julgará que ela é gente e visível
Ou que julgará dela?)

(Que artifício! Que sabem
As flores, as árvores, os rebanhos,
De Santa Bárbara?... Um ramo de árvore,
Se pensasse, nunca podia
Construir santos nem anjos...
Poderia julgar que o sol
É Deus, e que a trovoada
É uma quantidade de gente
Zangada por cima de nós ...
Ali, como os mais simples dos homens
São doentes e confusos e estúpidos
Ao pé da clara simplicidade
E saúde em existir
Das árvores e das plantas!)

E eu, pensando em tudo isto,
Fiquei outra vez menos feliz...
Fiquei sombrio e adoecido e soturno
Como um dia em que todo o dia a trovoada ameaça
E nem sequer de noite chega.

Alberto Caeiro