quinta-feira, setembro 11, 2003

Antonio Augusto Tomé Rocha





Escrito por : Henrique Botequilha / VISÃO nº 446 20 Set. 2001 com Henrique Mano (em Nova Iorque), Luís Ribeiro, Miguel Carvalho e Paulo Pena

"Tony" Rocha

Um último telefonema

«O nome do meu filho vai ficar na história da América», acredita Augusto Rocha, 58 anos, pai de António Rocha, 34, corretor na Cantor Fitzgerald Securities. A empresa ocupava os pisos 101, 103, 104 e 105 da torre norte do WTC, a primeira a ser atingida pelos pilotos suicidas. António estava no mais alto. «Estes ataques marcaram os EUA e vão mudar o mundo», diz Augusto, director bancário radicado na América há 30 anos.

Confirmando os piores receios da família, o corpo de Tony foi encontrado no domingo, 16, sob as ruínas das torres. Tony deixa a mulher, Marylin, uma luso-americana de 29 anos, e dois filhos: Alyssa, 3 anos e meio, e Ethan, de 6 meses.

Como todos os dias, naquela terça-feira Tony tinha entrado no escritório às seis da manhã. O seu trabalho, como chefe da sala de operações, depende dos fusos horários, recebendo informações dos mercados europeus para as transmitir às praças latino-americanas e asiáticas. Enquanto assiste de lugar privilegiado ao nascer do sol em Nova Iorque, comunica via Internet com um primo, residente em Aveiro. O diálogo acaba pouco depois das oito, momentos antes de um avião chocar contra o edifício.

Nesta altura, Augusto Rocha estava a iniciar o seu dia nas Bahamas, onde dirige uma unidade do Unibanco, do Brasil. O banho matinal é interrompido por uma chamada do filho mais novo, Jason, 21 anos. «Pai, pai, o WTC está a arder, o Tony está preso.» Augusto liga a TV e assiste ao segundo impacto em directo. Tenta marcar o número de Tony, mas este não atende. O seu último telefonema fora para Marylin: «Um avião bateu contra o WTC, há fogo, muito fumo, mas não te assustes...» A mulher não compreende as últimas palavras e deixa de o ouvir. «Devia estar atordoado com o fumo», crê Manuel Marques, 68 anos, o sogro.

Augusto, para chegar a Nova Iorque, começa uma saga que lhe levará quatro dias. Os aeroportos estão fechados e as comunicações são impossíveis. Conseguirá atingir Palm Beach, na Florida, de barco, onde esperará que o espaço aéreo seja restabelecido.

A responsabilidade de apurar o paradeiro de Tony cabe a Jason, bem mais perto dos acontecimentos, já que reside com a mãe, Rosa Rocha, no Soho. Dirige-se, rapidamente, para a mercearia de Alcina Tiago, 46 anos, amiga de duas décadas da família. Ela ainda está aterrada com aquilo a que acabara de assistir: «Uma bomba que passou por cima das nossas cabeças contra os prédios grandes.» Pela sua mercearia passa toda a comunidade portuguesa de Soho.

A baixa de Nova Iorque entra em estado de sítio. As pessoas desapareceram das ruas. Jason parte com o filho de Alcina, Patrick, 18 anos, à procura do irmão. Hospital atrás de hospital.

A família concentra-se na casa de Tony, num bairro elegante de East Hanover, em New Jersey. Quando Augusto Rocha chega finalmente, confirmam-lhe a morte do filho. O corpo já está identificado pelo cunhado, Chris Trucillo, com quem programara gozar férias nas Caraíbas, na segunda quinzena de Setembro.

Embora tenha crescido na América, Tony falava português sem sotaque. «Tinha uma fantástica capacidade de aprender e era muito forte em números, como eu, acho que pegou os meus genes», recorda o pai. Em 1994, já com o curso de administração de empresas concluído, Tony casou com Marylin Marques, na catedral de Newark. Namoravam há sete anos. Além de um homem de família, Tony tornou-se num respeitado corretor e, ao fim de uma ligação de oito anos à firma Garban Financial Market Securities, em Wall Street, aceitou o convite da Cantor Fitzgerald Securities. Esta empresa perdeu 700 dos seus mil funcionários, entre os quais o irmão do próprio presidente ? que revelou, num depoimento dramático, que só não estava no escritório porque se atrasou ao deixar o filho no colégio.

Augusto Rocha espera que antes de atacarem os árabes, os americanos «identifiquem os culpados e que os chamem, se possível, à justiça». Ele não quer que o filho entre na história pelos motivos errados.

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Antonio Rocha a bond broker at Cantor Fitzgerald, met his wife 12 years ago at amutual friend's wedding.They have two young children. "He was a good person. He was a smart person," said his wifeMarilyn. "He loved his kids."

Rocha of East Hanover, N.J., also loved his job at Cantor, which he started in June. He previously had worked at another securities firm in the World Trade Center. Born in Portugal, Rocha was the handyman that family members counted on when thingsneeded fixing.
--The Associated Press

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For Antonio Rocha, one of the best things about having kids was that it gave him an excuse to go back to Disney World. Mr. Rocha, who brokered bonds at Cantor Fitzgerald when he was not bonding with Goofy and Mickey, had made the pilgrimage three times with his wife, Marilyn, and once with his wife and daughter, Alyssa, and he looked forward to taking his son, Ethan, who was born last March.

"He was just a big kid," Ms. Rocha said. "One of the last things we did together was go down to Point Pleasant" - on the Jersey Shore - "and he rode on all the rides with Alyssa, the teacups and everything like that." Mr. Rocha, 34, loved to take Alyssa riding on the back of his bike near their home in East Hanover, N.J. He even played with Barbie dolls with her.

Of course Mr. Rocha had some slightly more grownup interests, too. He traveled all over the country to see Formula One car races. He loved to golf.

And he even approached his vacations with a certain degree of seriousness, planning every last detail. In mid-September, the Rochas were to take their first trip with Ethan, to St. Lucia. Marilyn Rocha still has the stack of hotel listings and restaurant menus. "I'm going to definitely try to take that trip someday," she said, "stay at the same hotel, eat at the same restaurants. It will be the easiest trip to plan."

Profile published in THE NEW YORK TIMES on January 6, 2002.
Joao Alberto da Fonseca Aguiar Jr.





Escrito por : Henrique Botequilha / VISÃO nº 446 20 Set. 2001 com Henrique Mano (em Nova Iorque), Luís Ribeiro, Miguel Carvalho e Paulo Pena

"JJ" aguiar

Um herói português

A manhã do desaparecimento de João Aguiar Júnior, 30 anos, parece tirada de um filme de acção, no qual já se adivinha que a calma rotina do protagonista será transformada num desencadear de situações inimagináveis. Inimagináveis até esse dia 11 de Setembro em que a ficção foi ultrapassada pela realidade e entre muitos milhares de histórias de coincidências fatais (quase tantas quantas as dos ocupantes do World Trade Center - WTC ) , um português se fez mártir em Nova Iorque.

João Aguiar Júnior, JJ como todos o conhecem, sai bem cedo de Colts Neck, no sul de New Jersey, da casa da americana Lisa Singer, 29 anos. Preferia sempre ficar ali, na companhia da noiva, num amplo espaço verde, fazendo longos passeios a cavalo, em vez de ficar no seu apartamento de Hoboken, às portas de Manhattan. Dirige-se de automóvel para Atlantic Highlands, onde apanha o hovercraft que o deixa junto ao WTC. Entra no elevador e às oito e meia em ponto está no escritório da empresa de corretagem e gestão de património Keefe, Bruyette & Woods (KB&W), situado no 87.º andar da torre sul. JJ é, desde há duas semanas, o vice-presidente e anda motivado como nunca. Fora promovido pouco depois de receber o certificado de analista financeiro, que lhe levara três anos a conseguir. Passou a dirigir a secção de gestão de património, com uma equipa de cinco pessoas.

O grosso dos 150 funcionários da KB&W está na área da corretagem. Mal tinha acabado de cumprimentar a secretária, Lilian, ouve uma explosão na torre vizinha. Os quatro colegas que partilham o espaço com JJ abeiram-se da janela e tentam perceber o que se está a passar. Não chegam a grandes conclusões, como mais tarde dirá ao pai, João Aguiar, 53 anos, ao reconstituir essa manhã trágica.

Telefona para Lisa, mas ela encontra-se ao volante a caminho do emprego e não está a ouvir notícias. Deixa um recado: «Aconteceu algo no WTC, mas estou bem», tranquiliza. Ela só saberá do sucedido largos minutos depois, quando o congestionamento das linhas já não permite qualquer contacto.

JJ ordena a evacuação do escritório e sai com Lilian pelas escadas, para apanhar, dez pisos abaixo, um elevador que desce mais depressa ao piso térreo. Não há pânico, apesar das notícias serem incertas, porque as chamas estão na torre do lado. Enquanto a secretária desce, o executivo português decide voltar atrás. Vai convencer os colegas a saírem. A ordem de evacuação não lhes fora dada.

Os colegas de sala de JJ não voltarão a vê-lo. Sabem apenas que, antes de abandonar o edifício, ainda vai dar o alarme aos funcionários do Banco Fuji, nos andares 60.º e 61.º, com os quais trabalhara até há dois anos. «É nessa altura que se dá o segundo embate, precisamente na área para onde JJ se dirigia», diz o seu pai. A partir desse momento, o mais novo dos seus três filhos desaparece nas chamas, no fumo e nas ruínas.

João Aguiar (JA) recebeu a notícia do atentado como quase toda a gente: pela televisão. Estava em Sintra (mora em Galamares, com a mulher, Diane, cidadã norte-americana) , a passear com amigos dos EUA, quando viu uma multidão em frente das imagens televisivas. Assustado, tentou ligar para o filho, mas o seu telemóvel foi-se abaixo. «Se tivesse funcionado, de certeza que o tinha convencido a descer», lamenta. Em todo o caso, seria tarde.

Desde que JA e sua mulher chegaram aos EUA, no domingo, 16, ouviram vários relatos sobre a actuação de JJ durante os atentados. Pelo menos quatro pessoas dizem que lhe devem a vida. E numa missa que a empresa encomendou pela alma dos funcionários desaparecidos, «o seu nome foi referido como um herói», contam.

Num país onde a palavra sucesso é decisiva, JJ estava no bom caminho. «Ele adorava a firma e queria muito subir no ranking», lembra Lisa. «E sonhava com tudo o que um americano deseja: um óptimo emprego, uma família estável e bons amigos», acrescenta a namorada.

Rick e Susan Hollandsworth são um casal de amigos americanos de JJ. Logo nos primeiros momentos da tragédia colocaram online uma página dedicada ao português desaparecido. «João, um dos meus melhores amigos, era carinhoso, atencioso e sempre disponível para ajudar. Ele esteve presente quando conheci a minha mulher e esteve a meu lado quando me casei. Não era apenas um homem bom, foi o meu padrinho (trocadilho com best-man)», escreve Rick. Também na KB&W, que montou um gabinete de crise para responder às solicitações de familiares e amigos de desaparecidos, o apelido Araújo é logo substituído por um amigável «JJ». «Ele foi um herói. Desapareceu quando organizava a evacuação dos outros funcionários. Toda a gente saiu em segurança, menos ele», dizem-nos.

«Era tudo o que se pode querer de um filho, era um dos meus melhores amigos, falávamos quase todos os dias, às vezes horas. Tinha um grande sentido de humor e adorava a vida», sublinha a mãe, Diane, num encontro com a VISÃO, na localidade de Red Bank, no sul de New Jersey, onde JJ nasceu há 30 anos. Foi nesta região que cresceu e fez os primeiros estudos, antes de o pai regressar a Portugal, depois de 15 anos nos EUA, a trabalhar na banca.

JJ completou o liceu em Carcavelos, no Colégio Saint Julian's, e tinha amigos desse tempo a residir em Nova Iorque. Prosseguiu o ensino superior em inglês, regressando aos EUA para se formar em gestão financeira, primeiro na Universidade de Adelphy, Long Island, e depois na Universidade George Washington.

A família, mal soube da sua localização, no momento do segundo embate, perdeu a fé de encontrar JJ com vida: «Vim aqui para resgatar o corpo e enterrá-lo», diz, resignado, João Aguiar, que deixa um aviso ao Governo português: «Se Portugal não se juntar à coligação contra o terrorismo, não está a lutar pela liberdade. Eu próprio me ofereço para integrar um corpo expedicionário.»

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Joao "J.J." Aguiar, Jr., 30, a resident of Hoboken, died on September 11, in the attack on the World Trade Center.

He was originally from Monmouth County, New Jersey. Born in Red Bank, he attended Holy Cross School, Little Silver public schools, St. Julian's School in Carcavelos, Portugal, and Rumson-Fair Haven High School.

He attended New York's Adelphi University for the first two years of college, then transferred to George Washington University in D.C., where he graduated with a B.B.A. in Finance.

He was employed since 1999 at Keefe, Bruyette and Woods, Inc., an asset management firm, where he led the trading effort. Previously he worked at The Fuji Bank, Ltd., in New York in their Money Markets Group, managing and trading the bank's Interest Rate Risk. Prior to that, he worked at Iyo Bank, Ltd., in New York, serving in various capacities from Credit Analyst to Assistant Trader.

He was an avid tennis player, and enjoyed various water sports as well as horseback riding.

He is survived by his parents, Joao and Diane Aguiar, of Sintra, Portugal; two sisters, Monique Aguiar of Chico, California, and Taciana Aguiar of San Francisco; a nephew, Sebastian Brunemeier, of San Francisco; an uncle, Victor Bottrill of Somerset, New Jersey; two cousins, Troy Bottrill of Somerset, New Jersey, and Michael Bottrill of Los Angeles; and a grandfather, George Van Zile Bottrill of Tryon, North Carolina, formerly of Rumson, New Jersey. He was predeceased by his grandmother, Roma Porter Bottrill, in 1989. He is also survived by Lisa Faust Singer, with whom he was planning to spend his life.
September 11, 2001

7:55 a.m. American Airlines Flight 11 leaves Boston bound for Los Angeles.

8:00 a.m. United Airlines Flight 93 departs Newark bound for San Francisco.

8:10 a.m. American Airlines Flight 77 departs Washington bound for Los Angeles.

8:15 a.m. United Airlines Flight 175 departs Boston bound for Los Angeles.

8:46 a.m. American Airlines Flight 11 strikes the north tower of the World Trade Center.

8:55 a.m. According to wire reports, President Bush, who is in Sarasota, Fla., is informed of the attacks.

9:03 a.m. United Airlines Flight 175 strikes the south tower of the World Trade Center.

9:15 a.m. President Bush makes statement condemning terrorist attack.

9:25 a.m. FAA shuts down all New York City area airports.

9:35 a.m. All bridges and tunnels in the Manhattan area closed.

9:40 a.m. FAA halts all flight operations at U.S. airports.

9:55 a.m. American Airlines Flight 77 hits Pentagon.

10:05 a.m. The south tower of the World Trade Center collapses.

10:05 a.m. President Bush leaves Sarasota; White House evacuated.

10:15 a.m. A portion of the Pentagon collapses.

10:24 a.m. The FAA reports all inbound transatlantic aircraft are being diverted to Canada.

10:25 a.m. United Airlines Flight 93 crashed in Somerset County, 80 miles southeast of Pittsburgh.

10:27 a.m. The World Trade Center's north tower collapses.

10.46 a.m. U.S. Secretary of State Colin Powell cuts short his trip to Latin America to return to the United States.

10:53 a.m. New York's primary elections scheduled for today are postponed.

10:55 a.m. Financial Markets closed in New York.

11:02 a.m. New York Mayor Rudy W. Giuliani urges citizens to stay at home or work and orders an evacuation of the area south of Canal Street.

11:15 a.m. U.N. headquarters in New York is fully evacuated.

12:04 p.m. Los Angeles International Airport, the destination of three of the hijacked American Airlines flights, is evacuated.

12:25 p.m. San Francisco International Airport is evacuated and shut down.

1:04 p.m. President Bush speaks from Barksdale Airforce Base in Louisiana.

1:45 p.m. Pentagon announces that warships and aircraft carriers will take up positions in the New York and Washington areas.

8:30 p.m. President Bush addresses nation from White House.

quarta-feira, setembro 10, 2003

A EUGÉNIO DE ANDRADE AGRADECENDO "ATÉ AMANHÃ"

Lembras-te da primeira vigília que fizeste,
à espera, trémulo, da madrugada nova?

Deu o meio-dia, tilintava o oiro,
e anoiteceu-nos como se a nossa amada
fosse a descer à cova.

Depois,
tu esperaste sempre a madrugada,
mas sempre a noite paria nados - mortos,
sempre a esperança espancada cada dia:
frágil, de luz e de cristal, a tua fé
embaciou-se de melancolia...

Mas tu esperas ainda
- porque os teus versos ainda são
os do rapaz maravilhado
pela afogueada cor duma romã.

E vem dele a saúde a quem se cruza
contigo, no branco litoral:
"Até amanhã"

José Fernandes Fafe


SITE

Um site de tradução cujo uso NÃO é recomendado:

Tradução

Quatro frases do popular Ministro da Informação do Iraque:

There are no American infidels in Baghdad. Never!

My feelings - as usual - we will slaughter them all

Our initial assessment is that they will all die

I blame Al-Jazeera - they are marketing for the Americans!

A respectiva tradução:

Não há nenhum infidels americano em Bagdade. Nunca!

Meus sentimentos - como usual - nós slaughter o toda

Nossa avaliação inicial é que todo o dado

Eu responsabilizo o al-Jazeera-Jazeera - são marketing para os americanos!
ESCLARECIMENTO

Face a algumas dúvidas levantadas pelo post anterior, reitero que o texto apresentado é de um grupo de pessoas que defendem essa opinião, não sendo posição oficial do PND. Parece-me até que a maioria defende um círculo eleitoral único. Mas a questão também está em debate, não havendo ainda uma posição definitiva.
A PRIMEIRA MEDIDA

Sob este título, o Rui do blog catalaxia defendeu o fim do método de Hondt nas eleições e a sua substituição por circulos uninominais, como primeiro passo para mudar o sistema.

Não posso estar mais de acordo! E aproveito para colocar de seguida um texto que escrevi há algum tempo com outras pessoas, relativamente a esse assunto, que é um dos que está em discussão no partido de que sou membro, o PND:

- O sistema eleitoral

Quanto mais baixo o nível de confiança nas instituições, mais elevada é a abstenção. Outra correlação confirmada é que sistemas eleitorais que impedem ou limitam a personalização de candidaturas levam a uma diminuição da participação.

Se já não bastasse o descrédito gerado pelo Parlamento por comportamentos diversos que vão desde o absentismo, baixa produtividade, mau comportamento (por exemplo a recente palhaçada das t-shirts pelo BE), às comissões parlamentares de inquérito com decisões tomadas à partida segundo a cor partidária, bastava observar um pouco as notícias para perceber que os comportamentos dos políticos estão cada vez mais afastados daquilo que deveriam ser, originando um cada vez maior afastamento entre eleitos e (possíveis) eleitores.

Para obviar a esse distanciamento, propomos a criação de círculos uninominais.
ENTRE MONTES POR ÁSPERO CAMINO

Entre montes por áspero camino,
tropezando con una y otra peña,
iba un viejo cargado con su leña,
maldiciendo su mísero destino.

Al fin cayó, y viendo que de suerte
apenas levantarse ya podía,
llamaba con colérica porfía
una, dos, y tres veces a la muerte.

Armada de guadaña, en esqueleto,
la Parca se le ofrece en aquel punto;
y el viejo, temiendo ser difunto,
lleno mas de temor que de respeto,
a la muerte le decía balbuceante:
- Yo Señora, os llamé desesperado.
- Pero acaba, ¿qué deseas desdichado?
- Que me cargueis la leña solamente.

Miguel de Cervantes

terça-feira, setembro 09, 2003

A JUSTA MEDIDA

Foi este um dos livros que li durante estas férias de verão.



Trata-se de um triller com algo de filosófico, que nos conta as relações entre quatro personagens, um dos quais, Alberto se vê enredado numa questão de droga, no momento em que tinha decidido suicidar-se. O livro começa com uma citação de Camus "Só existe um problema filosoficamente sério, o suicídio".

À medida que a trama vai avançando a apetência pela sua leitura também, pelo que é um daqueles livros que se devora!

"Nunca se sentira à vontade numa discoteca antes da segunda ou terceira bebida e hoje não tinha sido excepção, mas a noite já vai longa e há muito que ultrapassou aquela justa medida que o deixa descontraído mas ainda em controlo.
Beber com método, nem de mais nem de menos, nem demasiado depressa nem demasiado devagar. Procurar aquela embriaguez suave que atenua a dor e desperta a alegria. Cada bebida alcoólica tem o seu espiríto. Escolher o que se bebe, onde, como e quanto, faz parte da difícil arte de alcançar um estado planante e quase perfeito em que a vida parece ter sentido."


Este livro foi o romance de Luis Ene vencedor do prémio Educare.pt na 1ª edição do concurso Novos Talentos.
DEVE SER ISTO A GLOBALIZAÇÃO...

Hoje recebi uma carta,
escrita em português,
de uma empresa suiça,
datada de Madrid,
enviada da Alemanha!
PARECERES À BORLA?

Marcelo Rebelo de Sousa mostrou no domingo, na TVI, estar "lixado" com os advogados de defesa no caso Casa Pia por estes terem utilizado uma frase dele no pedido de afastamento do Juíz Rui Teixeira.

Os advogados de defesa do caso Casa Pia apanharam a torto e a direito na análise do Marcelo Rebelo de Sousa ao (não) andamento do processo durante a semana.

COINCIDÊNCIAS....

Queriam um parecer à borla? Já o pagaram...