NYPD 9/11 Tribute
quinta-feira, setembro 11, 2003
Com esta, ficaram completas as histórias sobre os cinco portugueses que faleceram no ataque de 11 de Setembro de 2001, ao World Trade Center.
Mais uma vez, os seus nomes e idades:
Antonio Jose Carrusca Rodrigues, 36 anos
Manuel John da Mota, 43 anos
Carlos da Costa, 41 anos
Antonio Augusto Tomé Rocha, 34 anos
Joao Alberto da Fonseca Aguiar Jr., 30 anos
Mais uma vez, os seus nomes e idades:
Antonio Jose Carrusca Rodrigues, 36 anos
Manuel John da Mota, 43 anos
Carlos da Costa, 41 anos
Antonio Augusto Tomé Rocha, 34 anos
Joao Alberto da Fonseca Aguiar Jr., 30 anos
Antonio Jose Carrusca Rodrigues

Escrito por : Henrique Botequilha / VISÃO nº 446 20 Set. 2001 com Henrique Mano (em Nova Iorque), Luís Ribeiro, Miguel Carvalho e Paulo Pena
A esperança dos subterrâneos
António José Rodrigues, 36 anos, está desaparecido na área do WTC desde o dia do atentado. O seu primo, Jorge da Silva, 29, não tem autorização para lá chegar, mas dificilmente poderia acrescentar algo mais aos esforços das equipas de busca. Já foi aos hospitais, à Cruz Vermelha, a todos os locais onde pudesse recolher uma pista de Tozé, polícia na Port Authority (autoridade marítima) de Nova Iorque e New Jersey.
À hora dos atentados, Tozé está no seu posto, no terminal de autocarros,longe dali, na Rua 42. Recebe a ordem de acudir às vítimas e ajudar na evacuação das torres gémeas. Está tudo muito confuso. O fumo é cada vez mais intenso e é-lhe pedido para ir aos pisos subterrâneos, buscar máscaras e garrafas de oxigénio.
Quando desce, cai uma torre.
O facto de estar nos pisos subterrâneos pode ser uma vantagem. É que por baixo do WTC havia um mundo equivalente a sete andares. Pode estar encurralado, mas vivo, acredita Jorge da Silva.
Tozé é um emigrante tardio. Partiu para Nova Iorque aos 16 anos e sozinho, deixando os pais em Faro. Juntou-se aos tios e a Jorge, em Queens, onde começou por trabalhar numa empresa de canalizações. Não teve dificuldades de adaptação, até porque a área foi «colonizada» por milhares de portugueses. Rapidamente, ficou conhecido por «Shorty» (Baixinho) por causa do seu metro e 90 de altura.
Alistou-se na NYPD (polícia de NY). Não gostou da experiência, recuou e jogou de novo, agora na autoridade marítima, que integrava há menos de um ano. Após o casamento com Cristina Rodrigues, 23 anos, uma professora primária luso-americana, mudou-se para Long Island e teve dois filhos, uma menina de 7 anos e um rapaz de 4.
Na manhã de terça-feira, 11, saiu muito cedo, às cinco e meia da manhã, porque a viagem para a área financeira da grande cidade pode demorar duas horas e ele começa a trabalhar às oito. Mudara de turno no início do mês, para passar mais tempo com a família.
«Ele é um lutador. É inteligente e conhece bem aquilo. Vai aparecer», garante a mulher. Quando os filhos perguntam pelo pai, Cristina responde que está a ajudar as outras pessoas. O pai é um herói.
---------------------------------------------------------------------------------------------------------------
He Changed Careers to Work With People
September 23, 2001
Port Authority Police Officer Antonio Rodrigues was not only a law enforcement official, he was an artist.
His wife, Cristina, said that at age 11 or 12, before immigrating with his family to the United States, he had several exhibits of his landscapes in his native Portugal.
But the picture that Cristina Rodrigues would most like to see is her husband walking through the door of their Port Washington home. Antonio Rodrigues, 35, was last seen in the basement of the World Trade Center just before the towers collapsed on Sept. 11.
An aeronautical engineer- turned-police officer, Rodrigues switched careers partly because it was difficult to find work in his field, but also because he liked to work with people. He joined the New York City Police Department about six years ago as a transit worker. Two years ago, he became a Port Authority officer.
Rodrigues was normally stationed at the Port Authority bus terminal near Times Square. But he and 14 other officers were sent downtown to help after the catastrophe.
"They told me that he had gone downstairs to the basement to pick up oxygen tanks."
Cristina Rodrigues met her husband about 15 years ago at a wedding at Huntington Town House. "He's very social," she said, "and very kind. He would help anybody."
The couple has two children, Sara, 7, and Adam, 4. Cristina Rodrigues has not given up hope, although she said, "As the days go by, it gets harder." But she added, "I believe in miracles, and I keep praying for him."
- Robert Fresco and Victor Manuel Ramos (Newsday)
--------------------------------------------------------------------------------------------------------------
Antonio Rodrigues painted what he liked and he liked the water, so he painted scenes of the beach and of boats. He grew up in Portugal, in a town perched on the coast. When he married and settled near New York, he and his wife, Cristina, chose Port Washington, on Long Island, because they wanted to be near the balm of the water. Their two children, Sara and Adam, had no complaints.
Mr. Rodrigues, 35, had been a transit officer in New York but joined the Port Authority police force earlier this year. He designed a T-shirt for his graduating class, with a logo on one side and caricatures of graduates on the back.
He had been stationed at the Port Authority bus terminal, and when the attack occurred, he and 14 other officers commandeered one of the regular commuter buses and raced down to the trade center.
Much as he relished painting, Mr. Rodrigues had not done many canvases in a few years. Instead, he drew cartoons about his job. "He found a lot of things funny with his job," Mrs. Rodrigues said.
For instance, she said, one of the other officers at the academy was assigned to carry around a rock and take care of it. It became a running joke to inquire of this officer, "Where is your rock?"
So Mr. Rodrigues drew a cartoon about the officer and the rock. In sorting through the cartoons, Mrs. Rodrigues has decided to give some of them away to officers she feels would appreciate them. The officer with the rock is getting his.
Profile published in THE NEW YORK TIMES on November 20, 2001.

Escrito por : Henrique Botequilha / VISÃO nº 446 20 Set. 2001 com Henrique Mano (em Nova Iorque), Luís Ribeiro, Miguel Carvalho e Paulo Pena
A esperança dos subterrâneos
António José Rodrigues, 36 anos, está desaparecido na área do WTC desde o dia do atentado. O seu primo, Jorge da Silva, 29, não tem autorização para lá chegar, mas dificilmente poderia acrescentar algo mais aos esforços das equipas de busca. Já foi aos hospitais, à Cruz Vermelha, a todos os locais onde pudesse recolher uma pista de Tozé, polícia na Port Authority (autoridade marítima) de Nova Iorque e New Jersey.
À hora dos atentados, Tozé está no seu posto, no terminal de autocarros,longe dali, na Rua 42. Recebe a ordem de acudir às vítimas e ajudar na evacuação das torres gémeas. Está tudo muito confuso. O fumo é cada vez mais intenso e é-lhe pedido para ir aos pisos subterrâneos, buscar máscaras e garrafas de oxigénio.
Quando desce, cai uma torre.
O facto de estar nos pisos subterrâneos pode ser uma vantagem. É que por baixo do WTC havia um mundo equivalente a sete andares. Pode estar encurralado, mas vivo, acredita Jorge da Silva.
Tozé é um emigrante tardio. Partiu para Nova Iorque aos 16 anos e sozinho, deixando os pais em Faro. Juntou-se aos tios e a Jorge, em Queens, onde começou por trabalhar numa empresa de canalizações. Não teve dificuldades de adaptação, até porque a área foi «colonizada» por milhares de portugueses. Rapidamente, ficou conhecido por «Shorty» (Baixinho) por causa do seu metro e 90 de altura.
Alistou-se na NYPD (polícia de NY). Não gostou da experiência, recuou e jogou de novo, agora na autoridade marítima, que integrava há menos de um ano. Após o casamento com Cristina Rodrigues, 23 anos, uma professora primária luso-americana, mudou-se para Long Island e teve dois filhos, uma menina de 7 anos e um rapaz de 4.
Na manhã de terça-feira, 11, saiu muito cedo, às cinco e meia da manhã, porque a viagem para a área financeira da grande cidade pode demorar duas horas e ele começa a trabalhar às oito. Mudara de turno no início do mês, para passar mais tempo com a família.
«Ele é um lutador. É inteligente e conhece bem aquilo. Vai aparecer», garante a mulher. Quando os filhos perguntam pelo pai, Cristina responde que está a ajudar as outras pessoas. O pai é um herói.
---------------------------------------------------------------------------------------------------------------
He Changed Careers to Work With People
September 23, 2001
Port Authority Police Officer Antonio Rodrigues was not only a law enforcement official, he was an artist.
His wife, Cristina, said that at age 11 or 12, before immigrating with his family to the United States, he had several exhibits of his landscapes in his native Portugal.
But the picture that Cristina Rodrigues would most like to see is her husband walking through the door of their Port Washington home. Antonio Rodrigues, 35, was last seen in the basement of the World Trade Center just before the towers collapsed on Sept. 11.
An aeronautical engineer- turned-police officer, Rodrigues switched careers partly because it was difficult to find work in his field, but also because he liked to work with people. He joined the New York City Police Department about six years ago as a transit worker. Two years ago, he became a Port Authority officer.
Rodrigues was normally stationed at the Port Authority bus terminal near Times Square. But he and 14 other officers were sent downtown to help after the catastrophe.
"They told me that he had gone downstairs to the basement to pick up oxygen tanks."
Cristina Rodrigues met her husband about 15 years ago at a wedding at Huntington Town House. "He's very social," she said, "and very kind. He would help anybody."
The couple has two children, Sara, 7, and Adam, 4. Cristina Rodrigues has not given up hope, although she said, "As the days go by, it gets harder." But she added, "I believe in miracles, and I keep praying for him."
- Robert Fresco and Victor Manuel Ramos (Newsday)
--------------------------------------------------------------------------------------------------------------
Antonio Rodrigues painted what he liked and he liked the water, so he painted scenes of the beach and of boats. He grew up in Portugal, in a town perched on the coast. When he married and settled near New York, he and his wife, Cristina, chose Port Washington, on Long Island, because they wanted to be near the balm of the water. Their two children, Sara and Adam, had no complaints.
Mr. Rodrigues, 35, had been a transit officer in New York but joined the Port Authority police force earlier this year. He designed a T-shirt for his graduating class, with a logo on one side and caricatures of graduates on the back.
He had been stationed at the Port Authority bus terminal, and when the attack occurred, he and 14 other officers commandeered one of the regular commuter buses and raced down to the trade center.
Much as he relished painting, Mr. Rodrigues had not done many canvases in a few years. Instead, he drew cartoons about his job. "He found a lot of things funny with his job," Mrs. Rodrigues said.
For instance, she said, one of the other officers at the academy was assigned to carry around a rock and take care of it. It became a running joke to inquire of this officer, "Where is your rock?"
So Mr. Rodrigues drew a cartoon about the officer and the rock. In sorting through the cartoons, Mrs. Rodrigues has decided to give some of them away to officers she feels would appreciate them. The officer with the rock is getting his.
Profile published in THE NEW YORK TIMES on November 20, 2001.
Manuel John Da Mota

Escrito por : Henrique Botequilha / VISÃO nº 446 20 Set. 2001 com Henrique Mano (em Nova Iorque), Luís Ribeiro, Miguel Carvalho e Paulo Pena
Uma reunião nas "janelas do mundo"
A decoração de alguns dos mais prestigiados restaurantes de Manhattan tem a mão de Manuel da Mota, 43 anos. O seu nome chegou a figurar em revistas da especialidade, garante Barbara da Mota, 36, paraguaia, grávida de três meses, que se recusa a acreditar na morte do marido.
Foi precisamente o prestígio profissional que levou este director de projectos de uma empresa de construção ao 107.º andar da torre 1 do WTC. Tinha uma reunião marcada com os donos do restaurante Windows of the World, que queriam fazer obras de ampliação. Chegou dois minutos antes de o primeiro avião se despenhar 20 pisos abaixo.
Meio mundo está de olhos posto, incrédulo, nas imagens do arranha-céus atravessado por um Boeing 767. Barbara faz parte da outra metade - tem a TV e o rádio desligados. Toca o telefone, é a mulher de Obedulio, um dos colegas que acompanhara Manuel à reunião. «Perguntou-me como estava, mas não me disse nada para não me preocupar», recorda.
Segue-se outro atentado e um desabamento, até as notícias lhe chegarem, através do telefonema de uma amiga: «Não sabes o que se passa? É o fim do mundo. Atacaram o WTC.» Não demorou nada para Barbara relacionar os atentados com o marido: «Dios mio, Manuel!»
Barbara liga para o seu telemóvel, mas este não dá sinal, contacta com Mark, um dos colegas de Manuel na Bronx Builders Inc. Mark confirma que o grupo estava no WTC à hora errada. Recebera um telefonema de Joshua, o terceiro elemento, pouco depois do primeiro impacto. Todos estavam bem e mantinham-se juntos.
Segue-se a derrocada das torres. Manuel da Mota está no grupo dos portugueses desaparecidos. Um poster com o seu nome, características físicas e contacto da família encontra-se agora junto de milhares de anúncios desesperados, colocados nos hospitais, nas vedações dos jardins, nas paredes dos prédios, nos postes de electricidade e nos semáforos.
Foi Barbara que andou a espalhá-los, na companhia de duas irmãs de Manuel, que estão emigradas no Canadá e que passaram a fronteira de automóvel mal souberam da notícia. Os documentos pessoais foram entregues às autoridades, dados de ADN e registos dentários também. Nada mais se pode fazer.
Passaram cinco dias sobre os atentados terroristas. Barbara da Mota fala com a VISÃO, na sua moradia na Valley Stream, um bairro calmo de casas elegantes, em Long Island. A sala parece confirmar os dotes de decorador do marido. Está cheia de familiares do casal, e Chris, 10 anos, o mais novo dos três filhos de Manuel (tem mais dois de um primeiro casamento: Justin, 21, e David, 19), corre de um lado para outro. O pior já passou, deixou de perguntar insistentemente pelo pai e de acordar sobressaltado durante o sono. Está a ser acompanhado por um psicólogo.
Apesar do tempo que decorreu desde a tragédia, e de o mayor de Nova Iorque, Rudolph Giuliani, desmentir que alguém tenha sido descoberto com vida entre as ruínas, nos últimos dias, a família Mota recusa-se a acreditar que Manuel esteja morto. «Tenho muita esperança, sinto que ele está aí», diz Barbara. «Enquanto há vida, há esperança», acrescenta Carmelita Lopes, irmã do português missing.
Manuel Mota costumava dizer que não sabia de onde era: Portugal, África ou América? Nasceu em Vila Nova de Gaia, mas aos 7 anos fez as malas com o resto da família e partiu para Luanda, onde o pai tentava a sorte como professor. Com a descolonização, regressou a Portugal, mas não se demorou. Conheceu uma americana que gozava férias no país do sol e, pouco depois, levou-a ao altar em Nova Iorque, outro novo amor.
Trabalhou sempre no negócio da madeira. Chegou mesmo a constituir a sua própria empresa, em Newark. Não se deu mal, o sucesso levou a Bronx Builders a fazer-lhe um convite irrecusável. A empresa de Manuel seria integrada nessa grande companhia, em troca de uma participação na sociedade. Nesta fase, já estava casado com Barbara, que deixara Assunção para se radicar em NY.
O nome de Manuel Mota é bastante popular entre a comunidade portuguesa de Queens, onde viveu antes de se estabelecer no sossego de Long Island, há cinco anos. «Às vezes, as pessoas aqui têm uma tendência para serem egoístas e a se agarrarem ao dinheiro. Ele não era assim», afirma João Ferreira, 53 anos, dono do restaurante O Lavrador, em Jamaica, bairro de Queens.
Manuel era muito mais do que um cliente frequente, que ia ver o campeonato de futebol português, na RTP Internacional, ou o Benfica, na SIC. Foi ele que renovou as madeiras do restaurante, há oito anos, e quem se prontificou para ir recentemente à Pensilvânia comprar tábuas para um novo trabalho de carpintaria. Deveria ainda dar conselhos sobre as obras na casa de João Ferreira, em Barcelos, quando visitasse Portugal, no fim deste mês, numa segunda temporada de férias (entre os sete irmãos e muitos sobrinhos), depois de uma semana em casa com a família, nos dias que antecederam as acções suicidas.
Na bagagem, Manuel traria a boa nova da gravidez de Barbara. «Agora, só queremos uma notícia: saber se ele está vivo ou morto. A incerteza é desesperante», diz o sobrinho Luís Mota, electricista, residente em Carvalhais, Figueira da Foz. Luís ainda se lembra dos brinquedos que o tio mandava dos States, e que frequentemente apareciam nas páginas dos comics que via por cá. Diz-se «eternamente agradecido» ao Estado português, pelo apoio que a família tem recebido, mas de resto mete trancas à porta da privacidade. «Não quero que me vejam chorar frente às câmaras de televisão.»
--------------------------------------------------------------------------------------------------------------
He Was to Oversee Job At Windows on the World
September 25, 2001
A millwork foreman at a Bronx-based building company, Manuel Da Mota did not work at the World Trade Center.
But on Sept. 11, the Valley Stream resident had a morning meeting on the 107th floor of Tower One, where he was discussing a project he was going to oversee for the Windows on the World restaurant.
Da Mota, 44, and some of his employees, have not been heard from since, but his wife and son still speak of him in the present tense, convinced that the doting father and attentive husband they know is alive.
"For me, he is not dead until they come and tell me 'here is his body,'" said Barbara Da Mota, his wife of 11 years. "Even though I went to Manhattan and saw all that is there, I have hope inside myself, unless I get the bad news."
Barbara Da Mota, who is 4 months' pregnant after many years of trying to have a second child, said their 10-year-old son, Christopher, feels the same way. Da Mota, she said, had recently taken a week off from work to spend time with them.
"He was so happy," she said, her voice breaking up. "... My son misses him a lot, because they are good friends. They speak all the time, like two adults."
Da Mota was born in Portugal, but he grew up mostly in the Republic of Angola. When he was about 21, Da Mota immigrated to the United States, first settling in New York City.
Within a year, Da Mota had a job at a SoHo woodworking shop, where he learned the residential and commercial aspects of the trade. In 1983, he moved to Hird-Blaker, a larger commercial firm in the city that does architectural woodwork.
By the time Da Mota left the firm to work on his own in 1987, he was supervisor of the machining and assembly departments.
His Brooklyn-based Woodlux Custom Woodworking did high-end restaurant and residential work, but, in 1994, Da Mota joined a larger company because he was losing the lease on his shop. He had been with Bronx Builders, supervising a staff of more than 25 workers, since then.
"Everybody loved him. He was so nice, so sweet," said Rohit Persaud, an employee who had worked with him since Da Mota owned his small company. "It's a pity that bad things would happen to such good people."
-- Victor Manuel Ramos (Newsday)

Escrito por : Henrique Botequilha / VISÃO nº 446 20 Set. 2001 com Henrique Mano (em Nova Iorque), Luís Ribeiro, Miguel Carvalho e Paulo Pena
Uma reunião nas "janelas do mundo"
A decoração de alguns dos mais prestigiados restaurantes de Manhattan tem a mão de Manuel da Mota, 43 anos. O seu nome chegou a figurar em revistas da especialidade, garante Barbara da Mota, 36, paraguaia, grávida de três meses, que se recusa a acreditar na morte do marido.
Foi precisamente o prestígio profissional que levou este director de projectos de uma empresa de construção ao 107.º andar da torre 1 do WTC. Tinha uma reunião marcada com os donos do restaurante Windows of the World, que queriam fazer obras de ampliação. Chegou dois minutos antes de o primeiro avião se despenhar 20 pisos abaixo.
Meio mundo está de olhos posto, incrédulo, nas imagens do arranha-céus atravessado por um Boeing 767. Barbara faz parte da outra metade - tem a TV e o rádio desligados. Toca o telefone, é a mulher de Obedulio, um dos colegas que acompanhara Manuel à reunião. «Perguntou-me como estava, mas não me disse nada para não me preocupar», recorda.
Segue-se outro atentado e um desabamento, até as notícias lhe chegarem, através do telefonema de uma amiga: «Não sabes o que se passa? É o fim do mundo. Atacaram o WTC.» Não demorou nada para Barbara relacionar os atentados com o marido: «Dios mio, Manuel!»
Barbara liga para o seu telemóvel, mas este não dá sinal, contacta com Mark, um dos colegas de Manuel na Bronx Builders Inc. Mark confirma que o grupo estava no WTC à hora errada. Recebera um telefonema de Joshua, o terceiro elemento, pouco depois do primeiro impacto. Todos estavam bem e mantinham-se juntos.
Segue-se a derrocada das torres. Manuel da Mota está no grupo dos portugueses desaparecidos. Um poster com o seu nome, características físicas e contacto da família encontra-se agora junto de milhares de anúncios desesperados, colocados nos hospitais, nas vedações dos jardins, nas paredes dos prédios, nos postes de electricidade e nos semáforos.
Foi Barbara que andou a espalhá-los, na companhia de duas irmãs de Manuel, que estão emigradas no Canadá e que passaram a fronteira de automóvel mal souberam da notícia. Os documentos pessoais foram entregues às autoridades, dados de ADN e registos dentários também. Nada mais se pode fazer.
Passaram cinco dias sobre os atentados terroristas. Barbara da Mota fala com a VISÃO, na sua moradia na Valley Stream, um bairro calmo de casas elegantes, em Long Island. A sala parece confirmar os dotes de decorador do marido. Está cheia de familiares do casal, e Chris, 10 anos, o mais novo dos três filhos de Manuel (tem mais dois de um primeiro casamento: Justin, 21, e David, 19), corre de um lado para outro. O pior já passou, deixou de perguntar insistentemente pelo pai e de acordar sobressaltado durante o sono. Está a ser acompanhado por um psicólogo.
Apesar do tempo que decorreu desde a tragédia, e de o mayor de Nova Iorque, Rudolph Giuliani, desmentir que alguém tenha sido descoberto com vida entre as ruínas, nos últimos dias, a família Mota recusa-se a acreditar que Manuel esteja morto. «Tenho muita esperança, sinto que ele está aí», diz Barbara. «Enquanto há vida, há esperança», acrescenta Carmelita Lopes, irmã do português missing.
Manuel Mota costumava dizer que não sabia de onde era: Portugal, África ou América? Nasceu em Vila Nova de Gaia, mas aos 7 anos fez as malas com o resto da família e partiu para Luanda, onde o pai tentava a sorte como professor. Com a descolonização, regressou a Portugal, mas não se demorou. Conheceu uma americana que gozava férias no país do sol e, pouco depois, levou-a ao altar em Nova Iorque, outro novo amor.
Trabalhou sempre no negócio da madeira. Chegou mesmo a constituir a sua própria empresa, em Newark. Não se deu mal, o sucesso levou a Bronx Builders a fazer-lhe um convite irrecusável. A empresa de Manuel seria integrada nessa grande companhia, em troca de uma participação na sociedade. Nesta fase, já estava casado com Barbara, que deixara Assunção para se radicar em NY.
O nome de Manuel Mota é bastante popular entre a comunidade portuguesa de Queens, onde viveu antes de se estabelecer no sossego de Long Island, há cinco anos. «Às vezes, as pessoas aqui têm uma tendência para serem egoístas e a se agarrarem ao dinheiro. Ele não era assim», afirma João Ferreira, 53 anos, dono do restaurante O Lavrador, em Jamaica, bairro de Queens.
Manuel era muito mais do que um cliente frequente, que ia ver o campeonato de futebol português, na RTP Internacional, ou o Benfica, na SIC. Foi ele que renovou as madeiras do restaurante, há oito anos, e quem se prontificou para ir recentemente à Pensilvânia comprar tábuas para um novo trabalho de carpintaria. Deveria ainda dar conselhos sobre as obras na casa de João Ferreira, em Barcelos, quando visitasse Portugal, no fim deste mês, numa segunda temporada de férias (entre os sete irmãos e muitos sobrinhos), depois de uma semana em casa com a família, nos dias que antecederam as acções suicidas.
Na bagagem, Manuel traria a boa nova da gravidez de Barbara. «Agora, só queremos uma notícia: saber se ele está vivo ou morto. A incerteza é desesperante», diz o sobrinho Luís Mota, electricista, residente em Carvalhais, Figueira da Foz. Luís ainda se lembra dos brinquedos que o tio mandava dos States, e que frequentemente apareciam nas páginas dos comics que via por cá. Diz-se «eternamente agradecido» ao Estado português, pelo apoio que a família tem recebido, mas de resto mete trancas à porta da privacidade. «Não quero que me vejam chorar frente às câmaras de televisão.»
--------------------------------------------------------------------------------------------------------------
He Was to Oversee Job At Windows on the World
September 25, 2001
A millwork foreman at a Bronx-based building company, Manuel Da Mota did not work at the World Trade Center.
But on Sept. 11, the Valley Stream resident had a morning meeting on the 107th floor of Tower One, where he was discussing a project he was going to oversee for the Windows on the World restaurant.
Da Mota, 44, and some of his employees, have not been heard from since, but his wife and son still speak of him in the present tense, convinced that the doting father and attentive husband they know is alive.
"For me, he is not dead until they come and tell me 'here is his body,'" said Barbara Da Mota, his wife of 11 years. "Even though I went to Manhattan and saw all that is there, I have hope inside myself, unless I get the bad news."
Barbara Da Mota, who is 4 months' pregnant after many years of trying to have a second child, said their 10-year-old son, Christopher, feels the same way. Da Mota, she said, had recently taken a week off from work to spend time with them.
"He was so happy," she said, her voice breaking up. "... My son misses him a lot, because they are good friends. They speak all the time, like two adults."
Da Mota was born in Portugal, but he grew up mostly in the Republic of Angola. When he was about 21, Da Mota immigrated to the United States, first settling in New York City.
Within a year, Da Mota had a job at a SoHo woodworking shop, where he learned the residential and commercial aspects of the trade. In 1983, he moved to Hird-Blaker, a larger commercial firm in the city that does architectural woodwork.
By the time Da Mota left the firm to work on his own in 1987, he was supervisor of the machining and assembly departments.
His Brooklyn-based Woodlux Custom Woodworking did high-end restaurant and residential work, but, in 1994, Da Mota joined a larger company because he was losing the lease on his shop. He had been with Bronx Builders, supervising a staff of more than 25 workers, since then.
"Everybody loved him. He was so nice, so sweet," said Rohit Persaud, an employee who had worked with him since Da Mota owned his small company. "It's a pity that bad things would happen to such good people."
-- Victor Manuel Ramos (Newsday)
Carlos da Costa

Escrito por : Henrique Botequilha / VISÃO nº 446 20 Set. 2001 com Henrique Mano (em Nova Iorque), Luís Ribeiro, Miguel Carvalho e Paulo Pena
História de valentia
Carlos Costa, 41 anos, engenheiro electrónico na Autoridade Marítima, é outro dos portugueses que está por contactar desde o dia do atentado. Rita Costa, 37 anos, crê, porém, que em breve o marido vai sair com vida dos escombros do WTC. «Tenho muita esperança, ele sabe muito bem como as torres estão construídas e como se proteger», diz à VISÃO. «Resta apurar se ele sabia o que estava a acontecer.»
Segundo o relato da supervisora de Carlos, tudo aponta para que também este português tenha colocado a ajuda aos vizinhos da torre sul à frente da sua própria vida. Após o primeiro impacto, é avistado a descer as escadas, entre o pó e o fumo. Mas detém a corrida, há gente presa no elevador. Carlos e dois colegas tentam tirar as pessoas daquela prisão. Não se sabe se conseguiram.
Rita está em casa e prepara-se para sair para o emprego, numa escola primária, na cidade de Elizabeth, em New Jersey. As notícias saem em forma de imagens de terror da TV, que mantém ligada durante o pequeno-almoço. «Percebi logo o que se estava a passar.» Tenta telefonar-lhe. Ninguém atende. Tenta também a comunicação através do pager. Não receberá nenhuma resposta e, ao fim do dia, declara o desaparecimento do marido às autoridades.
Carlos da Costa é natural de Viseu e quando chegou, com os pais, à América tinha 9 anos. A família estabeleceu-se em Elizabeth. Foi lá que cresceu e fez os estudos, até ao liceu. Só saiu para completar o curso de Engenharia Electrónica, em Albany, a capital do Estado de Nova Iorque. Casou, em 1987, com Rita, natural da Mealhada, residente em Newark desde os 14 anos. Têm dois filhos: Carlos, agora com 14 anos, e Daniel, com 10.
Já há fotografias espalhadas em alguns locais, os elementos essenciais de Carlos estão nas muitas listas de desaparecidos nas páginas dos jornais e cadeias de televisão na Internet. Como os familiares de todos os outros desaparecidos, Rita ainda espera o toque do telefone ou o aviso de uma nova mensagem.
------------------------------------------------------------------------------------------------
Honoring a Heritage
All the houses on his block in the Elmora section of Elizabeth, N.J.. were well kept and aging in a graceful, uniform way. But Carlos DaCosta's property stood out, its individuality coming from a three-foot-high concrete and wrought iron fence constructed in the style of walls in Portugal.
That fence - the only one on that side of the street - was built by Mr. DaCosta and his father-in-law. Even after more than 30 years in the United States, Mr. DaCosta, who had been born in Portugal, showed off his native culture whenever possible. "There was a special place in his heart for Portugal," said his younger sister, Celeste. "He loved Portuguese culture, and Portuguese food." Mr. DaCosta, 41, regularly took friends to the Portuguese restaurants in Newark's Ironbound section. On special occasions, he would take Portuguese pastries to his office at the World Trade Center, where he was general manager of building services for the Port Authority.
Mr. DaCosta spoke only Portuguese at home to make sure that his two children learned the language, and he tried to make them aware of how big and diverse a world this is. "Carlos was fascinated by different cultures," said Antoinette Viana, a friend since high school. "He would take his kids anywhere that would seem different."
Profile published in THE NEW YORK TIMES on December 21, 2001.
-------------------------------------------------------------------------------------------------------
When he was 5 years old, Carlos Da Costa became intrigued with his sister's crying doll. So he took it apart, piece by piece.
"He dismantled my whole doll to figure it out," Celeste Matias recalled yesterday with a smile. She said her brother tried to put the doll back together again, with little luck.
"The eyes were not in the same place. There were pen marks all over her and she didn't cry anymore," Matias said. "I was very upset. I cried."
Their parents, Silverio and Ilda, stifled laughter while their 2-year-old daughter bawled and, finally, little Carlos, too, after realizing he hurt his sister.
His curiosity and gentle heart are what family and friends remember most about Mr. Da Costa, who died Sept. 11 in the terrorist attack on the World Trade Center. Mr. Da Costa, 41, of Elizabeth, was an assistant general manager of Building Services for the Port Authority of New York and New Jersey, his sister said.
"He was my big brother. He was everything to me," she said.
Born in Canas De Senhorim, Portugal, Mr. Da Costa was 10 when his family moved to Elizabeth.
"He was funny. He was always willing to extend a hand to help someone. He adored being around children and he was an excellent father," Matias said.
He also spent a lot of time playing golf with his nephew, Francisco, often taking him to driving ranges, and coached baseball for the Elmora Youth League in Elizabeth.
"We deeply mourn our beloved son," his mother said yesterday. "May he rest in peace."
Mr. Da Costa graduated Elizabeth High School in 1980 and Rensselaer Polytechnic Institute in Troy, N.Y., in 1984 with a degree in electrical engineering.
Besides his sister and parents, Mr. Da Costa is survived by two sons, Carlos, 13, and Daniel, 10; a nephew, Francisco, and a niece, Catarina.
A memorial Mass is scheduled for 3 p.m. Sunday at Our Lady of Fatima Church, 403 Spring St., Elizabeth.
Memorial donations can be made to the Elmora Youth League, Elmora Avenue, Elizabeth or to the Children's Specialized Hospital Foundation, 150 New Providence Road, Mountainside, N.J. 07092-9979.
Profile by Debra Dowling published in THE STAR-LEDGER.

Escrito por : Henrique Botequilha / VISÃO nº 446 20 Set. 2001 com Henrique Mano (em Nova Iorque), Luís Ribeiro, Miguel Carvalho e Paulo Pena
História de valentia
Carlos Costa, 41 anos, engenheiro electrónico na Autoridade Marítima, é outro dos portugueses que está por contactar desde o dia do atentado. Rita Costa, 37 anos, crê, porém, que em breve o marido vai sair com vida dos escombros do WTC. «Tenho muita esperança, ele sabe muito bem como as torres estão construídas e como se proteger», diz à VISÃO. «Resta apurar se ele sabia o que estava a acontecer.»
Segundo o relato da supervisora de Carlos, tudo aponta para que também este português tenha colocado a ajuda aos vizinhos da torre sul à frente da sua própria vida. Após o primeiro impacto, é avistado a descer as escadas, entre o pó e o fumo. Mas detém a corrida, há gente presa no elevador. Carlos e dois colegas tentam tirar as pessoas daquela prisão. Não se sabe se conseguiram.
Rita está em casa e prepara-se para sair para o emprego, numa escola primária, na cidade de Elizabeth, em New Jersey. As notícias saem em forma de imagens de terror da TV, que mantém ligada durante o pequeno-almoço. «Percebi logo o que se estava a passar.» Tenta telefonar-lhe. Ninguém atende. Tenta também a comunicação através do pager. Não receberá nenhuma resposta e, ao fim do dia, declara o desaparecimento do marido às autoridades.
Carlos da Costa é natural de Viseu e quando chegou, com os pais, à América tinha 9 anos. A família estabeleceu-se em Elizabeth. Foi lá que cresceu e fez os estudos, até ao liceu. Só saiu para completar o curso de Engenharia Electrónica, em Albany, a capital do Estado de Nova Iorque. Casou, em 1987, com Rita, natural da Mealhada, residente em Newark desde os 14 anos. Têm dois filhos: Carlos, agora com 14 anos, e Daniel, com 10.
Já há fotografias espalhadas em alguns locais, os elementos essenciais de Carlos estão nas muitas listas de desaparecidos nas páginas dos jornais e cadeias de televisão na Internet. Como os familiares de todos os outros desaparecidos, Rita ainda espera o toque do telefone ou o aviso de uma nova mensagem.
------------------------------------------------------------------------------------------------
Honoring a Heritage
All the houses on his block in the Elmora section of Elizabeth, N.J.. were well kept and aging in a graceful, uniform way. But Carlos DaCosta's property stood out, its individuality coming from a three-foot-high concrete and wrought iron fence constructed in the style of walls in Portugal.
That fence - the only one on that side of the street - was built by Mr. DaCosta and his father-in-law. Even after more than 30 years in the United States, Mr. DaCosta, who had been born in Portugal, showed off his native culture whenever possible. "There was a special place in his heart for Portugal," said his younger sister, Celeste. "He loved Portuguese culture, and Portuguese food." Mr. DaCosta, 41, regularly took friends to the Portuguese restaurants in Newark's Ironbound section. On special occasions, he would take Portuguese pastries to his office at the World Trade Center, where he was general manager of building services for the Port Authority.
Mr. DaCosta spoke only Portuguese at home to make sure that his two children learned the language, and he tried to make them aware of how big and diverse a world this is. "Carlos was fascinated by different cultures," said Antoinette Viana, a friend since high school. "He would take his kids anywhere that would seem different."
Profile published in THE NEW YORK TIMES on December 21, 2001.
-------------------------------------------------------------------------------------------------------
When he was 5 years old, Carlos Da Costa became intrigued with his sister's crying doll. So he took it apart, piece by piece.
"He dismantled my whole doll to figure it out," Celeste Matias recalled yesterday with a smile. She said her brother tried to put the doll back together again, with little luck.
"The eyes were not in the same place. There were pen marks all over her and she didn't cry anymore," Matias said. "I was very upset. I cried."
Their parents, Silverio and Ilda, stifled laughter while their 2-year-old daughter bawled and, finally, little Carlos, too, after realizing he hurt his sister.
His curiosity and gentle heart are what family and friends remember most about Mr. Da Costa, who died Sept. 11 in the terrorist attack on the World Trade Center. Mr. Da Costa, 41, of Elizabeth, was an assistant general manager of Building Services for the Port Authority of New York and New Jersey, his sister said.
"He was my big brother. He was everything to me," she said.
Born in Canas De Senhorim, Portugal, Mr. Da Costa was 10 when his family moved to Elizabeth.
"He was funny. He was always willing to extend a hand to help someone. He adored being around children and he was an excellent father," Matias said.
He also spent a lot of time playing golf with his nephew, Francisco, often taking him to driving ranges, and coached baseball for the Elmora Youth League in Elizabeth.
"We deeply mourn our beloved son," his mother said yesterday. "May he rest in peace."
Mr. Da Costa graduated Elizabeth High School in 1980 and Rensselaer Polytechnic Institute in Troy, N.Y., in 1984 with a degree in electrical engineering.
Besides his sister and parents, Mr. Da Costa is survived by two sons, Carlos, 13, and Daniel, 10; a nephew, Francisco, and a niece, Catarina.
A memorial Mass is scheduled for 3 p.m. Sunday at Our Lady of Fatima Church, 403 Spring St., Elizabeth.
Memorial donations can be made to the Elmora Youth League, Elmora Avenue, Elizabeth or to the Children's Specialized Hospital Foundation, 150 New Providence Road, Mountainside, N.J. 07092-9979.
Profile by Debra Dowling published in THE STAR-LEDGER.
Antonio Augusto Tomé Rocha

Escrito por : Henrique Botequilha / VISÃO nº 446 20 Set. 2001 com Henrique Mano (em Nova Iorque), Luís Ribeiro, Miguel Carvalho e Paulo Pena
"Tony" Rocha
Um último telefonema
«O nome do meu filho vai ficar na história da América», acredita Augusto Rocha, 58 anos, pai de António Rocha, 34, corretor na Cantor Fitzgerald Securities. A empresa ocupava os pisos 101, 103, 104 e 105 da torre norte do WTC, a primeira a ser atingida pelos pilotos suicidas. António estava no mais alto. «Estes ataques marcaram os EUA e vão mudar o mundo», diz Augusto, director bancário radicado na América há 30 anos.
Confirmando os piores receios da família, o corpo de Tony foi encontrado no domingo, 16, sob as ruínas das torres. Tony deixa a mulher, Marylin, uma luso-americana de 29 anos, e dois filhos: Alyssa, 3 anos e meio, e Ethan, de 6 meses.
Como todos os dias, naquela terça-feira Tony tinha entrado no escritório às seis da manhã. O seu trabalho, como chefe da sala de operações, depende dos fusos horários, recebendo informações dos mercados europeus para as transmitir às praças latino-americanas e asiáticas. Enquanto assiste de lugar privilegiado ao nascer do sol em Nova Iorque, comunica via Internet com um primo, residente em Aveiro. O diálogo acaba pouco depois das oito, momentos antes de um avião chocar contra o edifício.
Nesta altura, Augusto Rocha estava a iniciar o seu dia nas Bahamas, onde dirige uma unidade do Unibanco, do Brasil. O banho matinal é interrompido por uma chamada do filho mais novo, Jason, 21 anos. «Pai, pai, o WTC está a arder, o Tony está preso.» Augusto liga a TV e assiste ao segundo impacto em directo. Tenta marcar o número de Tony, mas este não atende. O seu último telefonema fora para Marylin: «Um avião bateu contra o WTC, há fogo, muito fumo, mas não te assustes...» A mulher não compreende as últimas palavras e deixa de o ouvir. «Devia estar atordoado com o fumo», crê Manuel Marques, 68 anos, o sogro.
Augusto, para chegar a Nova Iorque, começa uma saga que lhe levará quatro dias. Os aeroportos estão fechados e as comunicações são impossíveis. Conseguirá atingir Palm Beach, na Florida, de barco, onde esperará que o espaço aéreo seja restabelecido.
A responsabilidade de apurar o paradeiro de Tony cabe a Jason, bem mais perto dos acontecimentos, já que reside com a mãe, Rosa Rocha, no Soho. Dirige-se, rapidamente, para a mercearia de Alcina Tiago, 46 anos, amiga de duas décadas da família. Ela ainda está aterrada com aquilo a que acabara de assistir: «Uma bomba que passou por cima das nossas cabeças contra os prédios grandes.» Pela sua mercearia passa toda a comunidade portuguesa de Soho.
A baixa de Nova Iorque entra em estado de sítio. As pessoas desapareceram das ruas. Jason parte com o filho de Alcina, Patrick, 18 anos, à procura do irmão. Hospital atrás de hospital.
A família concentra-se na casa de Tony, num bairro elegante de East Hanover, em New Jersey. Quando Augusto Rocha chega finalmente, confirmam-lhe a morte do filho. O corpo já está identificado pelo cunhado, Chris Trucillo, com quem programara gozar férias nas Caraíbas, na segunda quinzena de Setembro.
Embora tenha crescido na América, Tony falava português sem sotaque. «Tinha uma fantástica capacidade de aprender e era muito forte em números, como eu, acho que pegou os meus genes», recorda o pai. Em 1994, já com o curso de administração de empresas concluído, Tony casou com Marylin Marques, na catedral de Newark. Namoravam há sete anos. Além de um homem de família, Tony tornou-se num respeitado corretor e, ao fim de uma ligação de oito anos à firma Garban Financial Market Securities, em Wall Street, aceitou o convite da Cantor Fitzgerald Securities. Esta empresa perdeu 700 dos seus mil funcionários, entre os quais o irmão do próprio presidente ? que revelou, num depoimento dramático, que só não estava no escritório porque se atrasou ao deixar o filho no colégio.
Augusto Rocha espera que antes de atacarem os árabes, os americanos «identifiquem os culpados e que os chamem, se possível, à justiça». Ele não quer que o filho entre na história pelos motivos errados.
-------------------------------------------------------------------------------------------------
Antonio Rocha a bond broker at Cantor Fitzgerald, met his wife 12 years ago at amutual friend's wedding.They have two young children. "He was a good person. He was a smart person," said his wifeMarilyn. "He loved his kids."
Rocha of East Hanover, N.J., also loved his job at Cantor, which he started in June. He previously had worked at another securities firm in the World Trade Center. Born in Portugal, Rocha was the handyman that family members counted on when thingsneeded fixing.
--The Associated Press
----------------------------------------------------------------------------------------------------
For Antonio Rocha, one of the best things about having kids was that it gave him an excuse to go back to Disney World. Mr. Rocha, who brokered bonds at Cantor Fitzgerald when he was not bonding with Goofy and Mickey, had made the pilgrimage three times with his wife, Marilyn, and once with his wife and daughter, Alyssa, and he looked forward to taking his son, Ethan, who was born last March.
"He was just a big kid," Ms. Rocha said. "One of the last things we did together was go down to Point Pleasant" - on the Jersey Shore - "and he rode on all the rides with Alyssa, the teacups and everything like that." Mr. Rocha, 34, loved to take Alyssa riding on the back of his bike near their home in East Hanover, N.J. He even played with Barbie dolls with her.
Of course Mr. Rocha had some slightly more grownup interests, too. He traveled all over the country to see Formula One car races. He loved to golf.
And he even approached his vacations with a certain degree of seriousness, planning every last detail. In mid-September, the Rochas were to take their first trip with Ethan, to St. Lucia. Marilyn Rocha still has the stack of hotel listings and restaurant menus. "I'm going to definitely try to take that trip someday," she said, "stay at the same hotel, eat at the same restaurants. It will be the easiest trip to plan."
Profile published in THE NEW YORK TIMES on January 6, 2002.

Escrito por : Henrique Botequilha / VISÃO nº 446 20 Set. 2001 com Henrique Mano (em Nova Iorque), Luís Ribeiro, Miguel Carvalho e Paulo Pena
"Tony" Rocha
Um último telefonema
«O nome do meu filho vai ficar na história da América», acredita Augusto Rocha, 58 anos, pai de António Rocha, 34, corretor na Cantor Fitzgerald Securities. A empresa ocupava os pisos 101, 103, 104 e 105 da torre norte do WTC, a primeira a ser atingida pelos pilotos suicidas. António estava no mais alto. «Estes ataques marcaram os EUA e vão mudar o mundo», diz Augusto, director bancário radicado na América há 30 anos.
Confirmando os piores receios da família, o corpo de Tony foi encontrado no domingo, 16, sob as ruínas das torres. Tony deixa a mulher, Marylin, uma luso-americana de 29 anos, e dois filhos: Alyssa, 3 anos e meio, e Ethan, de 6 meses.
Como todos os dias, naquela terça-feira Tony tinha entrado no escritório às seis da manhã. O seu trabalho, como chefe da sala de operações, depende dos fusos horários, recebendo informações dos mercados europeus para as transmitir às praças latino-americanas e asiáticas. Enquanto assiste de lugar privilegiado ao nascer do sol em Nova Iorque, comunica via Internet com um primo, residente em Aveiro. O diálogo acaba pouco depois das oito, momentos antes de um avião chocar contra o edifício.
Nesta altura, Augusto Rocha estava a iniciar o seu dia nas Bahamas, onde dirige uma unidade do Unibanco, do Brasil. O banho matinal é interrompido por uma chamada do filho mais novo, Jason, 21 anos. «Pai, pai, o WTC está a arder, o Tony está preso.» Augusto liga a TV e assiste ao segundo impacto em directo. Tenta marcar o número de Tony, mas este não atende. O seu último telefonema fora para Marylin: «Um avião bateu contra o WTC, há fogo, muito fumo, mas não te assustes...» A mulher não compreende as últimas palavras e deixa de o ouvir. «Devia estar atordoado com o fumo», crê Manuel Marques, 68 anos, o sogro.
Augusto, para chegar a Nova Iorque, começa uma saga que lhe levará quatro dias. Os aeroportos estão fechados e as comunicações são impossíveis. Conseguirá atingir Palm Beach, na Florida, de barco, onde esperará que o espaço aéreo seja restabelecido.
A responsabilidade de apurar o paradeiro de Tony cabe a Jason, bem mais perto dos acontecimentos, já que reside com a mãe, Rosa Rocha, no Soho. Dirige-se, rapidamente, para a mercearia de Alcina Tiago, 46 anos, amiga de duas décadas da família. Ela ainda está aterrada com aquilo a que acabara de assistir: «Uma bomba que passou por cima das nossas cabeças contra os prédios grandes.» Pela sua mercearia passa toda a comunidade portuguesa de Soho.
A baixa de Nova Iorque entra em estado de sítio. As pessoas desapareceram das ruas. Jason parte com o filho de Alcina, Patrick, 18 anos, à procura do irmão. Hospital atrás de hospital.
A família concentra-se na casa de Tony, num bairro elegante de East Hanover, em New Jersey. Quando Augusto Rocha chega finalmente, confirmam-lhe a morte do filho. O corpo já está identificado pelo cunhado, Chris Trucillo, com quem programara gozar férias nas Caraíbas, na segunda quinzena de Setembro.
Embora tenha crescido na América, Tony falava português sem sotaque. «Tinha uma fantástica capacidade de aprender e era muito forte em números, como eu, acho que pegou os meus genes», recorda o pai. Em 1994, já com o curso de administração de empresas concluído, Tony casou com Marylin Marques, na catedral de Newark. Namoravam há sete anos. Além de um homem de família, Tony tornou-se num respeitado corretor e, ao fim de uma ligação de oito anos à firma Garban Financial Market Securities, em Wall Street, aceitou o convite da Cantor Fitzgerald Securities. Esta empresa perdeu 700 dos seus mil funcionários, entre os quais o irmão do próprio presidente ? que revelou, num depoimento dramático, que só não estava no escritório porque se atrasou ao deixar o filho no colégio.
Augusto Rocha espera que antes de atacarem os árabes, os americanos «identifiquem os culpados e que os chamem, se possível, à justiça». Ele não quer que o filho entre na história pelos motivos errados.
-------------------------------------------------------------------------------------------------
Antonio Rocha a bond broker at Cantor Fitzgerald, met his wife 12 years ago at amutual friend's wedding.They have two young children. "He was a good person. He was a smart person," said his wifeMarilyn. "He loved his kids."
Rocha of East Hanover, N.J., also loved his job at Cantor, which he started in June. He previously had worked at another securities firm in the World Trade Center. Born in Portugal, Rocha was the handyman that family members counted on when thingsneeded fixing.
--The Associated Press
----------------------------------------------------------------------------------------------------
For Antonio Rocha, one of the best things about having kids was that it gave him an excuse to go back to Disney World. Mr. Rocha, who brokered bonds at Cantor Fitzgerald when he was not bonding with Goofy and Mickey, had made the pilgrimage three times with his wife, Marilyn, and once with his wife and daughter, Alyssa, and he looked forward to taking his son, Ethan, who was born last March.
"He was just a big kid," Ms. Rocha said. "One of the last things we did together was go down to Point Pleasant" - on the Jersey Shore - "and he rode on all the rides with Alyssa, the teacups and everything like that." Mr. Rocha, 34, loved to take Alyssa riding on the back of his bike near their home in East Hanover, N.J. He even played with Barbie dolls with her.
Of course Mr. Rocha had some slightly more grownup interests, too. He traveled all over the country to see Formula One car races. He loved to golf.
And he even approached his vacations with a certain degree of seriousness, planning every last detail. In mid-September, the Rochas were to take their first trip with Ethan, to St. Lucia. Marilyn Rocha still has the stack of hotel listings and restaurant menus. "I'm going to definitely try to take that trip someday," she said, "stay at the same hotel, eat at the same restaurants. It will be the easiest trip to plan."
Profile published in THE NEW YORK TIMES on January 6, 2002.
Joao Alberto da Fonseca Aguiar Jr.

Escrito por : Henrique Botequilha / VISÃO nº 446 20 Set. 2001 com Henrique Mano (em Nova Iorque), Luís Ribeiro, Miguel Carvalho e Paulo Pena
"JJ" aguiar
Um herói português
A manhã do desaparecimento de João Aguiar Júnior, 30 anos, parece tirada de um filme de acção, no qual já se adivinha que a calma rotina do protagonista será transformada num desencadear de situações inimagináveis. Inimagináveis até esse dia 11 de Setembro em que a ficção foi ultrapassada pela realidade e entre muitos milhares de histórias de coincidências fatais (quase tantas quantas as dos ocupantes do World Trade Center - WTC ) , um português se fez mártir em Nova Iorque.
João Aguiar Júnior, JJ como todos o conhecem, sai bem cedo de Colts Neck, no sul de New Jersey, da casa da americana Lisa Singer, 29 anos. Preferia sempre ficar ali, na companhia da noiva, num amplo espaço verde, fazendo longos passeios a cavalo, em vez de ficar no seu apartamento de Hoboken, às portas de Manhattan. Dirige-se de automóvel para Atlantic Highlands, onde apanha o hovercraft que o deixa junto ao WTC. Entra no elevador e às oito e meia em ponto está no escritório da empresa de corretagem e gestão de património Keefe, Bruyette & Woods (KB&W), situado no 87.º andar da torre sul. JJ é, desde há duas semanas, o vice-presidente e anda motivado como nunca. Fora promovido pouco depois de receber o certificado de analista financeiro, que lhe levara três anos a conseguir. Passou a dirigir a secção de gestão de património, com uma equipa de cinco pessoas.
O grosso dos 150 funcionários da KB&W está na área da corretagem. Mal tinha acabado de cumprimentar a secretária, Lilian, ouve uma explosão na torre vizinha. Os quatro colegas que partilham o espaço com JJ abeiram-se da janela e tentam perceber o que se está a passar. Não chegam a grandes conclusões, como mais tarde dirá ao pai, João Aguiar, 53 anos, ao reconstituir essa manhã trágica.
Telefona para Lisa, mas ela encontra-se ao volante a caminho do emprego e não está a ouvir notícias. Deixa um recado: «Aconteceu algo no WTC, mas estou bem», tranquiliza. Ela só saberá do sucedido largos minutos depois, quando o congestionamento das linhas já não permite qualquer contacto.
JJ ordena a evacuação do escritório e sai com Lilian pelas escadas, para apanhar, dez pisos abaixo, um elevador que desce mais depressa ao piso térreo. Não há pânico, apesar das notícias serem incertas, porque as chamas estão na torre do lado. Enquanto a secretária desce, o executivo português decide voltar atrás. Vai convencer os colegas a saírem. A ordem de evacuação não lhes fora dada.
Os colegas de sala de JJ não voltarão a vê-lo. Sabem apenas que, antes de abandonar o edifício, ainda vai dar o alarme aos funcionários do Banco Fuji, nos andares 60.º e 61.º, com os quais trabalhara até há dois anos. «É nessa altura que se dá o segundo embate, precisamente na área para onde JJ se dirigia», diz o seu pai. A partir desse momento, o mais novo dos seus três filhos desaparece nas chamas, no fumo e nas ruínas.
João Aguiar (JA) recebeu a notícia do atentado como quase toda a gente: pela televisão. Estava em Sintra (mora em Galamares, com a mulher, Diane, cidadã norte-americana) , a passear com amigos dos EUA, quando viu uma multidão em frente das imagens televisivas. Assustado, tentou ligar para o filho, mas o seu telemóvel foi-se abaixo. «Se tivesse funcionado, de certeza que o tinha convencido a descer», lamenta. Em todo o caso, seria tarde.
Desde que JA e sua mulher chegaram aos EUA, no domingo, 16, ouviram vários relatos sobre a actuação de JJ durante os atentados. Pelo menos quatro pessoas dizem que lhe devem a vida. E numa missa que a empresa encomendou pela alma dos funcionários desaparecidos, «o seu nome foi referido como um herói», contam.
Num país onde a palavra sucesso é decisiva, JJ estava no bom caminho. «Ele adorava a firma e queria muito subir no ranking», lembra Lisa. «E sonhava com tudo o que um americano deseja: um óptimo emprego, uma família estável e bons amigos», acrescenta a namorada.
Rick e Susan Hollandsworth são um casal de amigos americanos de JJ. Logo nos primeiros momentos da tragédia colocaram online uma página dedicada ao português desaparecido. «João, um dos meus melhores amigos, era carinhoso, atencioso e sempre disponível para ajudar. Ele esteve presente quando conheci a minha mulher e esteve a meu lado quando me casei. Não era apenas um homem bom, foi o meu padrinho (trocadilho com best-man)», escreve Rick. Também na KB&W, que montou um gabinete de crise para responder às solicitações de familiares e amigos de desaparecidos, o apelido Araújo é logo substituído por um amigável «JJ». «Ele foi um herói. Desapareceu quando organizava a evacuação dos outros funcionários. Toda a gente saiu em segurança, menos ele», dizem-nos.
«Era tudo o que se pode querer de um filho, era um dos meus melhores amigos, falávamos quase todos os dias, às vezes horas. Tinha um grande sentido de humor e adorava a vida», sublinha a mãe, Diane, num encontro com a VISÃO, na localidade de Red Bank, no sul de New Jersey, onde JJ nasceu há 30 anos. Foi nesta região que cresceu e fez os primeiros estudos, antes de o pai regressar a Portugal, depois de 15 anos nos EUA, a trabalhar na banca.
JJ completou o liceu em Carcavelos, no Colégio Saint Julian's, e tinha amigos desse tempo a residir em Nova Iorque. Prosseguiu o ensino superior em inglês, regressando aos EUA para se formar em gestão financeira, primeiro na Universidade de Adelphy, Long Island, e depois na Universidade George Washington.
A família, mal soube da sua localização, no momento do segundo embate, perdeu a fé de encontrar JJ com vida: «Vim aqui para resgatar o corpo e enterrá-lo», diz, resignado, João Aguiar, que deixa um aviso ao Governo português: «Se Portugal não se juntar à coligação contra o terrorismo, não está a lutar pela liberdade. Eu próprio me ofereço para integrar um corpo expedicionário.»
-----------------------------------------------------------------------------------------------------------
Joao "J.J." Aguiar, Jr., 30, a resident of Hoboken, died on September 11, in the attack on the World Trade Center.
He was originally from Monmouth County, New Jersey. Born in Red Bank, he attended Holy Cross School, Little Silver public schools, St. Julian's School in Carcavelos, Portugal, and Rumson-Fair Haven High School.
He attended New York's Adelphi University for the first two years of college, then transferred to George Washington University in D.C., where he graduated with a B.B.A. in Finance.
He was employed since 1999 at Keefe, Bruyette and Woods, Inc., an asset management firm, where he led the trading effort. Previously he worked at The Fuji Bank, Ltd., in New York in their Money Markets Group, managing and trading the bank's Interest Rate Risk. Prior to that, he worked at Iyo Bank, Ltd., in New York, serving in various capacities from Credit Analyst to Assistant Trader.
He was an avid tennis player, and enjoyed various water sports as well as horseback riding.
He is survived by his parents, Joao and Diane Aguiar, of Sintra, Portugal; two sisters, Monique Aguiar of Chico, California, and Taciana Aguiar of San Francisco; a nephew, Sebastian Brunemeier, of San Francisco; an uncle, Victor Bottrill of Somerset, New Jersey; two cousins, Troy Bottrill of Somerset, New Jersey, and Michael Bottrill of Los Angeles; and a grandfather, George Van Zile Bottrill of Tryon, North Carolina, formerly of Rumson, New Jersey. He was predeceased by his grandmother, Roma Porter Bottrill, in 1989. He is also survived by Lisa Faust Singer, with whom he was planning to spend his life.

Escrito por : Henrique Botequilha / VISÃO nº 446 20 Set. 2001 com Henrique Mano (em Nova Iorque), Luís Ribeiro, Miguel Carvalho e Paulo Pena
"JJ" aguiar
Um herói português
A manhã do desaparecimento de João Aguiar Júnior, 30 anos, parece tirada de um filme de acção, no qual já se adivinha que a calma rotina do protagonista será transformada num desencadear de situações inimagináveis. Inimagináveis até esse dia 11 de Setembro em que a ficção foi ultrapassada pela realidade e entre muitos milhares de histórias de coincidências fatais (quase tantas quantas as dos ocupantes do World Trade Center - WTC ) , um português se fez mártir em Nova Iorque.
João Aguiar Júnior, JJ como todos o conhecem, sai bem cedo de Colts Neck, no sul de New Jersey, da casa da americana Lisa Singer, 29 anos. Preferia sempre ficar ali, na companhia da noiva, num amplo espaço verde, fazendo longos passeios a cavalo, em vez de ficar no seu apartamento de Hoboken, às portas de Manhattan. Dirige-se de automóvel para Atlantic Highlands, onde apanha o hovercraft que o deixa junto ao WTC. Entra no elevador e às oito e meia em ponto está no escritório da empresa de corretagem e gestão de património Keefe, Bruyette & Woods (KB&W), situado no 87.º andar da torre sul. JJ é, desde há duas semanas, o vice-presidente e anda motivado como nunca. Fora promovido pouco depois de receber o certificado de analista financeiro, que lhe levara três anos a conseguir. Passou a dirigir a secção de gestão de património, com uma equipa de cinco pessoas.
O grosso dos 150 funcionários da KB&W está na área da corretagem. Mal tinha acabado de cumprimentar a secretária, Lilian, ouve uma explosão na torre vizinha. Os quatro colegas que partilham o espaço com JJ abeiram-se da janela e tentam perceber o que se está a passar. Não chegam a grandes conclusões, como mais tarde dirá ao pai, João Aguiar, 53 anos, ao reconstituir essa manhã trágica.
Telefona para Lisa, mas ela encontra-se ao volante a caminho do emprego e não está a ouvir notícias. Deixa um recado: «Aconteceu algo no WTC, mas estou bem», tranquiliza. Ela só saberá do sucedido largos minutos depois, quando o congestionamento das linhas já não permite qualquer contacto.
JJ ordena a evacuação do escritório e sai com Lilian pelas escadas, para apanhar, dez pisos abaixo, um elevador que desce mais depressa ao piso térreo. Não há pânico, apesar das notícias serem incertas, porque as chamas estão na torre do lado. Enquanto a secretária desce, o executivo português decide voltar atrás. Vai convencer os colegas a saírem. A ordem de evacuação não lhes fora dada.
Os colegas de sala de JJ não voltarão a vê-lo. Sabem apenas que, antes de abandonar o edifício, ainda vai dar o alarme aos funcionários do Banco Fuji, nos andares 60.º e 61.º, com os quais trabalhara até há dois anos. «É nessa altura que se dá o segundo embate, precisamente na área para onde JJ se dirigia», diz o seu pai. A partir desse momento, o mais novo dos seus três filhos desaparece nas chamas, no fumo e nas ruínas.
João Aguiar (JA) recebeu a notícia do atentado como quase toda a gente: pela televisão. Estava em Sintra (mora em Galamares, com a mulher, Diane, cidadã norte-americana) , a passear com amigos dos EUA, quando viu uma multidão em frente das imagens televisivas. Assustado, tentou ligar para o filho, mas o seu telemóvel foi-se abaixo. «Se tivesse funcionado, de certeza que o tinha convencido a descer», lamenta. Em todo o caso, seria tarde.
Desde que JA e sua mulher chegaram aos EUA, no domingo, 16, ouviram vários relatos sobre a actuação de JJ durante os atentados. Pelo menos quatro pessoas dizem que lhe devem a vida. E numa missa que a empresa encomendou pela alma dos funcionários desaparecidos, «o seu nome foi referido como um herói», contam.
Num país onde a palavra sucesso é decisiva, JJ estava no bom caminho. «Ele adorava a firma e queria muito subir no ranking», lembra Lisa. «E sonhava com tudo o que um americano deseja: um óptimo emprego, uma família estável e bons amigos», acrescenta a namorada.
Rick e Susan Hollandsworth são um casal de amigos americanos de JJ. Logo nos primeiros momentos da tragédia colocaram online uma página dedicada ao português desaparecido. «João, um dos meus melhores amigos, era carinhoso, atencioso e sempre disponível para ajudar. Ele esteve presente quando conheci a minha mulher e esteve a meu lado quando me casei. Não era apenas um homem bom, foi o meu padrinho (trocadilho com best-man)», escreve Rick. Também na KB&W, que montou um gabinete de crise para responder às solicitações de familiares e amigos de desaparecidos, o apelido Araújo é logo substituído por um amigável «JJ». «Ele foi um herói. Desapareceu quando organizava a evacuação dos outros funcionários. Toda a gente saiu em segurança, menos ele», dizem-nos.
«Era tudo o que se pode querer de um filho, era um dos meus melhores amigos, falávamos quase todos os dias, às vezes horas. Tinha um grande sentido de humor e adorava a vida», sublinha a mãe, Diane, num encontro com a VISÃO, na localidade de Red Bank, no sul de New Jersey, onde JJ nasceu há 30 anos. Foi nesta região que cresceu e fez os primeiros estudos, antes de o pai regressar a Portugal, depois de 15 anos nos EUA, a trabalhar na banca.
JJ completou o liceu em Carcavelos, no Colégio Saint Julian's, e tinha amigos desse tempo a residir em Nova Iorque. Prosseguiu o ensino superior em inglês, regressando aos EUA para se formar em gestão financeira, primeiro na Universidade de Adelphy, Long Island, e depois na Universidade George Washington.
A família, mal soube da sua localização, no momento do segundo embate, perdeu a fé de encontrar JJ com vida: «Vim aqui para resgatar o corpo e enterrá-lo», diz, resignado, João Aguiar, que deixa um aviso ao Governo português: «Se Portugal não se juntar à coligação contra o terrorismo, não está a lutar pela liberdade. Eu próprio me ofereço para integrar um corpo expedicionário.»
-----------------------------------------------------------------------------------------------------------
Joao "J.J." Aguiar, Jr., 30, a resident of Hoboken, died on September 11, in the attack on the World Trade Center.
He was originally from Monmouth County, New Jersey. Born in Red Bank, he attended Holy Cross School, Little Silver public schools, St. Julian's School in Carcavelos, Portugal, and Rumson-Fair Haven High School.
He attended New York's Adelphi University for the first two years of college, then transferred to George Washington University in D.C., where he graduated with a B.B.A. in Finance.
He was employed since 1999 at Keefe, Bruyette and Woods, Inc., an asset management firm, where he led the trading effort. Previously he worked at The Fuji Bank, Ltd., in New York in their Money Markets Group, managing and trading the bank's Interest Rate Risk. Prior to that, he worked at Iyo Bank, Ltd., in New York, serving in various capacities from Credit Analyst to Assistant Trader.
He was an avid tennis player, and enjoyed various water sports as well as horseback riding.
He is survived by his parents, Joao and Diane Aguiar, of Sintra, Portugal; two sisters, Monique Aguiar of Chico, California, and Taciana Aguiar of San Francisco; a nephew, Sebastian Brunemeier, of San Francisco; an uncle, Victor Bottrill of Somerset, New Jersey; two cousins, Troy Bottrill of Somerset, New Jersey, and Michael Bottrill of Los Angeles; and a grandfather, George Van Zile Bottrill of Tryon, North Carolina, formerly of Rumson, New Jersey. He was predeceased by his grandmother, Roma Porter Bottrill, in 1989. He is also survived by Lisa Faust Singer, with whom he was planning to spend his life.
September 11, 2001
7:55 a.m. American Airlines Flight 11 leaves Boston bound for Los Angeles.
8:00 a.m. United Airlines Flight 93 departs Newark bound for San Francisco.
8:10 a.m. American Airlines Flight 77 departs Washington bound for Los Angeles.
8:15 a.m. United Airlines Flight 175 departs Boston bound for Los Angeles.
8:46 a.m. American Airlines Flight 11 strikes the north tower of the World Trade Center.
8:55 a.m. According to wire reports, President Bush, who is in Sarasota, Fla., is informed of the attacks.
9:03 a.m. United Airlines Flight 175 strikes the south tower of the World Trade Center.
9:15 a.m. President Bush makes statement condemning terrorist attack.
9:25 a.m. FAA shuts down all New York City area airports.
9:35 a.m. All bridges and tunnels in the Manhattan area closed.
9:40 a.m. FAA halts all flight operations at U.S. airports.
9:55 a.m. American Airlines Flight 77 hits Pentagon.
10:05 a.m. The south tower of the World Trade Center collapses.
10:05 a.m. President Bush leaves Sarasota; White House evacuated.
10:15 a.m. A portion of the Pentagon collapses.
10:24 a.m. The FAA reports all inbound transatlantic aircraft are being diverted to Canada.
10:25 a.m. United Airlines Flight 93 crashed in Somerset County, 80 miles southeast of Pittsburgh.
10:27 a.m. The World Trade Center's north tower collapses.
10.46 a.m. U.S. Secretary of State Colin Powell cuts short his trip to Latin America to return to the United States.
10:53 a.m. New York's primary elections scheduled for today are postponed.
10:55 a.m. Financial Markets closed in New York.
11:02 a.m. New York Mayor Rudy W. Giuliani urges citizens to stay at home or work and orders an evacuation of the area south of Canal Street.
11:15 a.m. U.N. headquarters in New York is fully evacuated.
12:04 p.m. Los Angeles International Airport, the destination of three of the hijacked American Airlines flights, is evacuated.
12:25 p.m. San Francisco International Airport is evacuated and shut down.
1:04 p.m. President Bush speaks from Barksdale Airforce Base in Louisiana.
1:45 p.m. Pentagon announces that warships and aircraft carriers will take up positions in the New York and Washington areas.
8:30 p.m. President Bush addresses nation from White House.
7:55 a.m. American Airlines Flight 11 leaves Boston bound for Los Angeles.
8:00 a.m. United Airlines Flight 93 departs Newark bound for San Francisco.
8:10 a.m. American Airlines Flight 77 departs Washington bound for Los Angeles.
8:15 a.m. United Airlines Flight 175 departs Boston bound for Los Angeles.
8:46 a.m. American Airlines Flight 11 strikes the north tower of the World Trade Center.
8:55 a.m. According to wire reports, President Bush, who is in Sarasota, Fla., is informed of the attacks.
9:03 a.m. United Airlines Flight 175 strikes the south tower of the World Trade Center.
9:15 a.m. President Bush makes statement condemning terrorist attack.
9:25 a.m. FAA shuts down all New York City area airports.
9:35 a.m. All bridges and tunnels in the Manhattan area closed.
9:40 a.m. FAA halts all flight operations at U.S. airports.
9:55 a.m. American Airlines Flight 77 hits Pentagon.
10:05 a.m. The south tower of the World Trade Center collapses.
10:05 a.m. President Bush leaves Sarasota; White House evacuated.
10:15 a.m. A portion of the Pentagon collapses.
10:24 a.m. The FAA reports all inbound transatlantic aircraft are being diverted to Canada.
10:25 a.m. United Airlines Flight 93 crashed in Somerset County, 80 miles southeast of Pittsburgh.
10:27 a.m. The World Trade Center's north tower collapses.
10.46 a.m. U.S. Secretary of State Colin Powell cuts short his trip to Latin America to return to the United States.
10:53 a.m. New York's primary elections scheduled for today are postponed.
10:55 a.m. Financial Markets closed in New York.
11:02 a.m. New York Mayor Rudy W. Giuliani urges citizens to stay at home or work and orders an evacuation of the area south of Canal Street.
11:15 a.m. U.N. headquarters in New York is fully evacuated.
12:04 p.m. Los Angeles International Airport, the destination of three of the hijacked American Airlines flights, is evacuated.
12:25 p.m. San Francisco International Airport is evacuated and shut down.
1:04 p.m. President Bush speaks from Barksdale Airforce Base in Louisiana.
1:45 p.m. Pentagon announces that warships and aircraft carriers will take up positions in the New York and Washington areas.
8:30 p.m. President Bush addresses nation from White House.
Subscrever:
Mensagens (Atom)