quinta-feira, setembro 11, 2003
Sept. 11 memorials set across the nation
Victims of 2001 attacks to be remembered
By Sara Kugler/Associated Press/New York
September 11, 2003
The thousands killed on Sept. 11 will be honored where they died and across the nation on the second anniversary of the terrorist attacks Thursday, with cities falling silent, names read aloud, wreaths laid and bells tolling for the dead.
Two years to the minute after hijackers crashed American Flight 11 into the World Trade Center's north tower, victims' relatives and dignitaries will pause in silence at ground zero. In Washington, President Bush will observe the 8:46 a.m. moment on the South Lawn of the White House.
At the trade center, on a stage near where the north tower once stood, 200 children will take turns reading the 2,792 names of people lost in the attack.
"I thought it would be a good way to honor my dad, and to honor the other people," said 11-year-old Madilynn Morris, who will recite 14 names, ending with her father, Seth Allan Morris.
......................................................................................................................
The trade center program -- similar to last year's three-hour memorial -- will include readings by family members, former Mayor Rudolph Giuliani, his successor, Michael Bloomberg, and the governors of New York and New Jersey. Following last year's practice, speeches will be limited.
A children's chorus will sing several songs, concluding the ceremony with "America the Beautiful." As the sun sets, two beams pointing skyward will be switched on, invoking the image of the twin towers.
When the children read the victims' names at ground zero, Madilynn Morris' mother hopes Americans are watching and paying attention to their young, solemn faces. Madilynn's 35-year-old father was among the 658 employees of the bond firm Cantor Fitzgerald who were killed the attack.
"Maybe people will think, 'That could have been my kid standing up there,' and we'll continue the fight against terrorism so another child doesn't have to lose a parent," Lynn Morris said.
Texto completo em : Tribune Star
Victims of 2001 attacks to be remembered
By Sara Kugler/Associated Press/New York
September 11, 2003
The thousands killed on Sept. 11 will be honored where they died and across the nation on the second anniversary of the terrorist attacks Thursday, with cities falling silent, names read aloud, wreaths laid and bells tolling for the dead.
Two years to the minute after hijackers crashed American Flight 11 into the World Trade Center's north tower, victims' relatives and dignitaries will pause in silence at ground zero. In Washington, President Bush will observe the 8:46 a.m. moment on the South Lawn of the White House.
At the trade center, on a stage near where the north tower once stood, 200 children will take turns reading the 2,792 names of people lost in the attack.
"I thought it would be a good way to honor my dad, and to honor the other people," said 11-year-old Madilynn Morris, who will recite 14 names, ending with her father, Seth Allan Morris.
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The trade center program -- similar to last year's three-hour memorial -- will include readings by family members, former Mayor Rudolph Giuliani, his successor, Michael Bloomberg, and the governors of New York and New Jersey. Following last year's practice, speeches will be limited.
A children's chorus will sing several songs, concluding the ceremony with "America the Beautiful." As the sun sets, two beams pointing skyward will be switched on, invoking the image of the twin towers.
When the children read the victims' names at ground zero, Madilynn Morris' mother hopes Americans are watching and paying attention to their young, solemn faces. Madilynn's 35-year-old father was among the 658 employees of the bond firm Cantor Fitzgerald who were killed the attack.
"Maybe people will think, 'That could have been my kid standing up there,' and we'll continue the fight against terrorism so another child doesn't have to lose a parent," Lynn Morris said.
Texto completo em : Tribune Star
SITES
Um dos melhores sobre o 11 de Setembro de 2001, descoberto via Merde in France, é este:
A Small Victory Tem dúzias de histórias sobre o 11 de Setembro, que podem ser lidas e/ou ouvidas!
Também tem muitos (bons) links, nomeadamente para alguns dos melhores sites sobre o assunto:
The September 11 Digital Archive , que procura preservar as memórias dos ataques de 11 de Setembro de 2001 e que tem um acordo de parceria com a Library of Congress.
September 11 News , que tem milhares de documentos sobre os acontecimentos, nomeadamente fotos, capas de jornais e revistas, reacções pelo mundo, etc e que fez um acompanhamento durante estes dois anos.
E há mais, muitos mais links. Vale a pena passar algum tempo a percorrê-los.
Um dos melhores sobre o 11 de Setembro de 2001, descoberto via Merde in France, é este:
A Small Victory Tem dúzias de histórias sobre o 11 de Setembro, que podem ser lidas e/ou ouvidas!
Também tem muitos (bons) links, nomeadamente para alguns dos melhores sites sobre o assunto:
The September 11 Digital Archive , que procura preservar as memórias dos ataques de 11 de Setembro de 2001 e que tem um acordo de parceria com a Library of Congress.
September 11 News , que tem milhares de documentos sobre os acontecimentos, nomeadamente fotos, capas de jornais e revistas, reacções pelo mundo, etc e que fez um acompanhamento durante estes dois anos.
E há mais, muitos mais links. Vale a pena passar algum tempo a percorrê-los.
Com esta, ficaram completas as histórias sobre os cinco portugueses que faleceram no ataque de 11 de Setembro de 2001, ao World Trade Center.
Mais uma vez, os seus nomes e idades:
Antonio Jose Carrusca Rodrigues, 36 anos
Manuel John da Mota, 43 anos
Carlos da Costa, 41 anos
Antonio Augusto Tomé Rocha, 34 anos
Joao Alberto da Fonseca Aguiar Jr., 30 anos
Mais uma vez, os seus nomes e idades:
Antonio Jose Carrusca Rodrigues, 36 anos
Manuel John da Mota, 43 anos
Carlos da Costa, 41 anos
Antonio Augusto Tomé Rocha, 34 anos
Joao Alberto da Fonseca Aguiar Jr., 30 anos
Antonio Jose Carrusca Rodrigues

Escrito por : Henrique Botequilha / VISÃO nº 446 20 Set. 2001 com Henrique Mano (em Nova Iorque), Luís Ribeiro, Miguel Carvalho e Paulo Pena
A esperança dos subterrâneos
António José Rodrigues, 36 anos, está desaparecido na área do WTC desde o dia do atentado. O seu primo, Jorge da Silva, 29, não tem autorização para lá chegar, mas dificilmente poderia acrescentar algo mais aos esforços das equipas de busca. Já foi aos hospitais, à Cruz Vermelha, a todos os locais onde pudesse recolher uma pista de Tozé, polícia na Port Authority (autoridade marítima) de Nova Iorque e New Jersey.
À hora dos atentados, Tozé está no seu posto, no terminal de autocarros,longe dali, na Rua 42. Recebe a ordem de acudir às vítimas e ajudar na evacuação das torres gémeas. Está tudo muito confuso. O fumo é cada vez mais intenso e é-lhe pedido para ir aos pisos subterrâneos, buscar máscaras e garrafas de oxigénio.
Quando desce, cai uma torre.
O facto de estar nos pisos subterrâneos pode ser uma vantagem. É que por baixo do WTC havia um mundo equivalente a sete andares. Pode estar encurralado, mas vivo, acredita Jorge da Silva.
Tozé é um emigrante tardio. Partiu para Nova Iorque aos 16 anos e sozinho, deixando os pais em Faro. Juntou-se aos tios e a Jorge, em Queens, onde começou por trabalhar numa empresa de canalizações. Não teve dificuldades de adaptação, até porque a área foi «colonizada» por milhares de portugueses. Rapidamente, ficou conhecido por «Shorty» (Baixinho) por causa do seu metro e 90 de altura.
Alistou-se na NYPD (polícia de NY). Não gostou da experiência, recuou e jogou de novo, agora na autoridade marítima, que integrava há menos de um ano. Após o casamento com Cristina Rodrigues, 23 anos, uma professora primária luso-americana, mudou-se para Long Island e teve dois filhos, uma menina de 7 anos e um rapaz de 4.
Na manhã de terça-feira, 11, saiu muito cedo, às cinco e meia da manhã, porque a viagem para a área financeira da grande cidade pode demorar duas horas e ele começa a trabalhar às oito. Mudara de turno no início do mês, para passar mais tempo com a família.
«Ele é um lutador. É inteligente e conhece bem aquilo. Vai aparecer», garante a mulher. Quando os filhos perguntam pelo pai, Cristina responde que está a ajudar as outras pessoas. O pai é um herói.
---------------------------------------------------------------------------------------------------------------
He Changed Careers to Work With People
September 23, 2001
Port Authority Police Officer Antonio Rodrigues was not only a law enforcement official, he was an artist.
His wife, Cristina, said that at age 11 or 12, before immigrating with his family to the United States, he had several exhibits of his landscapes in his native Portugal.
But the picture that Cristina Rodrigues would most like to see is her husband walking through the door of their Port Washington home. Antonio Rodrigues, 35, was last seen in the basement of the World Trade Center just before the towers collapsed on Sept. 11.
An aeronautical engineer- turned-police officer, Rodrigues switched careers partly because it was difficult to find work in his field, but also because he liked to work with people. He joined the New York City Police Department about six years ago as a transit worker. Two years ago, he became a Port Authority officer.
Rodrigues was normally stationed at the Port Authority bus terminal near Times Square. But he and 14 other officers were sent downtown to help after the catastrophe.
"They told me that he had gone downstairs to the basement to pick up oxygen tanks."
Cristina Rodrigues met her husband about 15 years ago at a wedding at Huntington Town House. "He's very social," she said, "and very kind. He would help anybody."
The couple has two children, Sara, 7, and Adam, 4. Cristina Rodrigues has not given up hope, although she said, "As the days go by, it gets harder." But she added, "I believe in miracles, and I keep praying for him."
- Robert Fresco and Victor Manuel Ramos (Newsday)
--------------------------------------------------------------------------------------------------------------
Antonio Rodrigues painted what he liked and he liked the water, so he painted scenes of the beach and of boats. He grew up in Portugal, in a town perched on the coast. When he married and settled near New York, he and his wife, Cristina, chose Port Washington, on Long Island, because they wanted to be near the balm of the water. Their two children, Sara and Adam, had no complaints.
Mr. Rodrigues, 35, had been a transit officer in New York but joined the Port Authority police force earlier this year. He designed a T-shirt for his graduating class, with a logo on one side and caricatures of graduates on the back.
He had been stationed at the Port Authority bus terminal, and when the attack occurred, he and 14 other officers commandeered one of the regular commuter buses and raced down to the trade center.
Much as he relished painting, Mr. Rodrigues had not done many canvases in a few years. Instead, he drew cartoons about his job. "He found a lot of things funny with his job," Mrs. Rodrigues said.
For instance, she said, one of the other officers at the academy was assigned to carry around a rock and take care of it. It became a running joke to inquire of this officer, "Where is your rock?"
So Mr. Rodrigues drew a cartoon about the officer and the rock. In sorting through the cartoons, Mrs. Rodrigues has decided to give some of them away to officers she feels would appreciate them. The officer with the rock is getting his.
Profile published in THE NEW YORK TIMES on November 20, 2001.

Escrito por : Henrique Botequilha / VISÃO nº 446 20 Set. 2001 com Henrique Mano (em Nova Iorque), Luís Ribeiro, Miguel Carvalho e Paulo Pena
A esperança dos subterrâneos
António José Rodrigues, 36 anos, está desaparecido na área do WTC desde o dia do atentado. O seu primo, Jorge da Silva, 29, não tem autorização para lá chegar, mas dificilmente poderia acrescentar algo mais aos esforços das equipas de busca. Já foi aos hospitais, à Cruz Vermelha, a todos os locais onde pudesse recolher uma pista de Tozé, polícia na Port Authority (autoridade marítima) de Nova Iorque e New Jersey.
À hora dos atentados, Tozé está no seu posto, no terminal de autocarros,longe dali, na Rua 42. Recebe a ordem de acudir às vítimas e ajudar na evacuação das torres gémeas. Está tudo muito confuso. O fumo é cada vez mais intenso e é-lhe pedido para ir aos pisos subterrâneos, buscar máscaras e garrafas de oxigénio.
Quando desce, cai uma torre.
O facto de estar nos pisos subterrâneos pode ser uma vantagem. É que por baixo do WTC havia um mundo equivalente a sete andares. Pode estar encurralado, mas vivo, acredita Jorge da Silva.
Tozé é um emigrante tardio. Partiu para Nova Iorque aos 16 anos e sozinho, deixando os pais em Faro. Juntou-se aos tios e a Jorge, em Queens, onde começou por trabalhar numa empresa de canalizações. Não teve dificuldades de adaptação, até porque a área foi «colonizada» por milhares de portugueses. Rapidamente, ficou conhecido por «Shorty» (Baixinho) por causa do seu metro e 90 de altura.
Alistou-se na NYPD (polícia de NY). Não gostou da experiência, recuou e jogou de novo, agora na autoridade marítima, que integrava há menos de um ano. Após o casamento com Cristina Rodrigues, 23 anos, uma professora primária luso-americana, mudou-se para Long Island e teve dois filhos, uma menina de 7 anos e um rapaz de 4.
Na manhã de terça-feira, 11, saiu muito cedo, às cinco e meia da manhã, porque a viagem para a área financeira da grande cidade pode demorar duas horas e ele começa a trabalhar às oito. Mudara de turno no início do mês, para passar mais tempo com a família.
«Ele é um lutador. É inteligente e conhece bem aquilo. Vai aparecer», garante a mulher. Quando os filhos perguntam pelo pai, Cristina responde que está a ajudar as outras pessoas. O pai é um herói.
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He Changed Careers to Work With People
September 23, 2001
Port Authority Police Officer Antonio Rodrigues was not only a law enforcement official, he was an artist.
His wife, Cristina, said that at age 11 or 12, before immigrating with his family to the United States, he had several exhibits of his landscapes in his native Portugal.
But the picture that Cristina Rodrigues would most like to see is her husband walking through the door of their Port Washington home. Antonio Rodrigues, 35, was last seen in the basement of the World Trade Center just before the towers collapsed on Sept. 11.
An aeronautical engineer- turned-police officer, Rodrigues switched careers partly because it was difficult to find work in his field, but also because he liked to work with people. He joined the New York City Police Department about six years ago as a transit worker. Two years ago, he became a Port Authority officer.
Rodrigues was normally stationed at the Port Authority bus terminal near Times Square. But he and 14 other officers were sent downtown to help after the catastrophe.
"They told me that he had gone downstairs to the basement to pick up oxygen tanks."
Cristina Rodrigues met her husband about 15 years ago at a wedding at Huntington Town House. "He's very social," she said, "and very kind. He would help anybody."
The couple has two children, Sara, 7, and Adam, 4. Cristina Rodrigues has not given up hope, although she said, "As the days go by, it gets harder." But she added, "I believe in miracles, and I keep praying for him."
- Robert Fresco and Victor Manuel Ramos (Newsday)
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Antonio Rodrigues painted what he liked and he liked the water, so he painted scenes of the beach and of boats. He grew up in Portugal, in a town perched on the coast. When he married and settled near New York, he and his wife, Cristina, chose Port Washington, on Long Island, because they wanted to be near the balm of the water. Their two children, Sara and Adam, had no complaints.
Mr. Rodrigues, 35, had been a transit officer in New York but joined the Port Authority police force earlier this year. He designed a T-shirt for his graduating class, with a logo on one side and caricatures of graduates on the back.
He had been stationed at the Port Authority bus terminal, and when the attack occurred, he and 14 other officers commandeered one of the regular commuter buses and raced down to the trade center.
Much as he relished painting, Mr. Rodrigues had not done many canvases in a few years. Instead, he drew cartoons about his job. "He found a lot of things funny with his job," Mrs. Rodrigues said.
For instance, she said, one of the other officers at the academy was assigned to carry around a rock and take care of it. It became a running joke to inquire of this officer, "Where is your rock?"
So Mr. Rodrigues drew a cartoon about the officer and the rock. In sorting through the cartoons, Mrs. Rodrigues has decided to give some of them away to officers she feels would appreciate them. The officer with the rock is getting his.
Profile published in THE NEW YORK TIMES on November 20, 2001.
Manuel John Da Mota

Escrito por : Henrique Botequilha / VISÃO nº 446 20 Set. 2001 com Henrique Mano (em Nova Iorque), Luís Ribeiro, Miguel Carvalho e Paulo Pena
Uma reunião nas "janelas do mundo"
A decoração de alguns dos mais prestigiados restaurantes de Manhattan tem a mão de Manuel da Mota, 43 anos. O seu nome chegou a figurar em revistas da especialidade, garante Barbara da Mota, 36, paraguaia, grávida de três meses, que se recusa a acreditar na morte do marido.
Foi precisamente o prestígio profissional que levou este director de projectos de uma empresa de construção ao 107.º andar da torre 1 do WTC. Tinha uma reunião marcada com os donos do restaurante Windows of the World, que queriam fazer obras de ampliação. Chegou dois minutos antes de o primeiro avião se despenhar 20 pisos abaixo.
Meio mundo está de olhos posto, incrédulo, nas imagens do arranha-céus atravessado por um Boeing 767. Barbara faz parte da outra metade - tem a TV e o rádio desligados. Toca o telefone, é a mulher de Obedulio, um dos colegas que acompanhara Manuel à reunião. «Perguntou-me como estava, mas não me disse nada para não me preocupar», recorda.
Segue-se outro atentado e um desabamento, até as notícias lhe chegarem, através do telefonema de uma amiga: «Não sabes o que se passa? É o fim do mundo. Atacaram o WTC.» Não demorou nada para Barbara relacionar os atentados com o marido: «Dios mio, Manuel!»
Barbara liga para o seu telemóvel, mas este não dá sinal, contacta com Mark, um dos colegas de Manuel na Bronx Builders Inc. Mark confirma que o grupo estava no WTC à hora errada. Recebera um telefonema de Joshua, o terceiro elemento, pouco depois do primeiro impacto. Todos estavam bem e mantinham-se juntos.
Segue-se a derrocada das torres. Manuel da Mota está no grupo dos portugueses desaparecidos. Um poster com o seu nome, características físicas e contacto da família encontra-se agora junto de milhares de anúncios desesperados, colocados nos hospitais, nas vedações dos jardins, nas paredes dos prédios, nos postes de electricidade e nos semáforos.
Foi Barbara que andou a espalhá-los, na companhia de duas irmãs de Manuel, que estão emigradas no Canadá e que passaram a fronteira de automóvel mal souberam da notícia. Os documentos pessoais foram entregues às autoridades, dados de ADN e registos dentários também. Nada mais se pode fazer.
Passaram cinco dias sobre os atentados terroristas. Barbara da Mota fala com a VISÃO, na sua moradia na Valley Stream, um bairro calmo de casas elegantes, em Long Island. A sala parece confirmar os dotes de decorador do marido. Está cheia de familiares do casal, e Chris, 10 anos, o mais novo dos três filhos de Manuel (tem mais dois de um primeiro casamento: Justin, 21, e David, 19), corre de um lado para outro. O pior já passou, deixou de perguntar insistentemente pelo pai e de acordar sobressaltado durante o sono. Está a ser acompanhado por um psicólogo.
Apesar do tempo que decorreu desde a tragédia, e de o mayor de Nova Iorque, Rudolph Giuliani, desmentir que alguém tenha sido descoberto com vida entre as ruínas, nos últimos dias, a família Mota recusa-se a acreditar que Manuel esteja morto. «Tenho muita esperança, sinto que ele está aí», diz Barbara. «Enquanto há vida, há esperança», acrescenta Carmelita Lopes, irmã do português missing.
Manuel Mota costumava dizer que não sabia de onde era: Portugal, África ou América? Nasceu em Vila Nova de Gaia, mas aos 7 anos fez as malas com o resto da família e partiu para Luanda, onde o pai tentava a sorte como professor. Com a descolonização, regressou a Portugal, mas não se demorou. Conheceu uma americana que gozava férias no país do sol e, pouco depois, levou-a ao altar em Nova Iorque, outro novo amor.
Trabalhou sempre no negócio da madeira. Chegou mesmo a constituir a sua própria empresa, em Newark. Não se deu mal, o sucesso levou a Bronx Builders a fazer-lhe um convite irrecusável. A empresa de Manuel seria integrada nessa grande companhia, em troca de uma participação na sociedade. Nesta fase, já estava casado com Barbara, que deixara Assunção para se radicar em NY.
O nome de Manuel Mota é bastante popular entre a comunidade portuguesa de Queens, onde viveu antes de se estabelecer no sossego de Long Island, há cinco anos. «Às vezes, as pessoas aqui têm uma tendência para serem egoístas e a se agarrarem ao dinheiro. Ele não era assim», afirma João Ferreira, 53 anos, dono do restaurante O Lavrador, em Jamaica, bairro de Queens.
Manuel era muito mais do que um cliente frequente, que ia ver o campeonato de futebol português, na RTP Internacional, ou o Benfica, na SIC. Foi ele que renovou as madeiras do restaurante, há oito anos, e quem se prontificou para ir recentemente à Pensilvânia comprar tábuas para um novo trabalho de carpintaria. Deveria ainda dar conselhos sobre as obras na casa de João Ferreira, em Barcelos, quando visitasse Portugal, no fim deste mês, numa segunda temporada de férias (entre os sete irmãos e muitos sobrinhos), depois de uma semana em casa com a família, nos dias que antecederam as acções suicidas.
Na bagagem, Manuel traria a boa nova da gravidez de Barbara. «Agora, só queremos uma notícia: saber se ele está vivo ou morto. A incerteza é desesperante», diz o sobrinho Luís Mota, electricista, residente em Carvalhais, Figueira da Foz. Luís ainda se lembra dos brinquedos que o tio mandava dos States, e que frequentemente apareciam nas páginas dos comics que via por cá. Diz-se «eternamente agradecido» ao Estado português, pelo apoio que a família tem recebido, mas de resto mete trancas à porta da privacidade. «Não quero que me vejam chorar frente às câmaras de televisão.»
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He Was to Oversee Job At Windows on the World
September 25, 2001
A millwork foreman at a Bronx-based building company, Manuel Da Mota did not work at the World Trade Center.
But on Sept. 11, the Valley Stream resident had a morning meeting on the 107th floor of Tower One, where he was discussing a project he was going to oversee for the Windows on the World restaurant.
Da Mota, 44, and some of his employees, have not been heard from since, but his wife and son still speak of him in the present tense, convinced that the doting father and attentive husband they know is alive.
"For me, he is not dead until they come and tell me 'here is his body,'" said Barbara Da Mota, his wife of 11 years. "Even though I went to Manhattan and saw all that is there, I have hope inside myself, unless I get the bad news."
Barbara Da Mota, who is 4 months' pregnant after many years of trying to have a second child, said their 10-year-old son, Christopher, feels the same way. Da Mota, she said, had recently taken a week off from work to spend time with them.
"He was so happy," she said, her voice breaking up. "... My son misses him a lot, because they are good friends. They speak all the time, like two adults."
Da Mota was born in Portugal, but he grew up mostly in the Republic of Angola. When he was about 21, Da Mota immigrated to the United States, first settling in New York City.
Within a year, Da Mota had a job at a SoHo woodworking shop, where he learned the residential and commercial aspects of the trade. In 1983, he moved to Hird-Blaker, a larger commercial firm in the city that does architectural woodwork.
By the time Da Mota left the firm to work on his own in 1987, he was supervisor of the machining and assembly departments.
His Brooklyn-based Woodlux Custom Woodworking did high-end restaurant and residential work, but, in 1994, Da Mota joined a larger company because he was losing the lease on his shop. He had been with Bronx Builders, supervising a staff of more than 25 workers, since then.
"Everybody loved him. He was so nice, so sweet," said Rohit Persaud, an employee who had worked with him since Da Mota owned his small company. "It's a pity that bad things would happen to such good people."
-- Victor Manuel Ramos (Newsday)

Escrito por : Henrique Botequilha / VISÃO nº 446 20 Set. 2001 com Henrique Mano (em Nova Iorque), Luís Ribeiro, Miguel Carvalho e Paulo Pena
Uma reunião nas "janelas do mundo"
A decoração de alguns dos mais prestigiados restaurantes de Manhattan tem a mão de Manuel da Mota, 43 anos. O seu nome chegou a figurar em revistas da especialidade, garante Barbara da Mota, 36, paraguaia, grávida de três meses, que se recusa a acreditar na morte do marido.
Foi precisamente o prestígio profissional que levou este director de projectos de uma empresa de construção ao 107.º andar da torre 1 do WTC. Tinha uma reunião marcada com os donos do restaurante Windows of the World, que queriam fazer obras de ampliação. Chegou dois minutos antes de o primeiro avião se despenhar 20 pisos abaixo.
Meio mundo está de olhos posto, incrédulo, nas imagens do arranha-céus atravessado por um Boeing 767. Barbara faz parte da outra metade - tem a TV e o rádio desligados. Toca o telefone, é a mulher de Obedulio, um dos colegas que acompanhara Manuel à reunião. «Perguntou-me como estava, mas não me disse nada para não me preocupar», recorda.
Segue-se outro atentado e um desabamento, até as notícias lhe chegarem, através do telefonema de uma amiga: «Não sabes o que se passa? É o fim do mundo. Atacaram o WTC.» Não demorou nada para Barbara relacionar os atentados com o marido: «Dios mio, Manuel!»
Barbara liga para o seu telemóvel, mas este não dá sinal, contacta com Mark, um dos colegas de Manuel na Bronx Builders Inc. Mark confirma que o grupo estava no WTC à hora errada. Recebera um telefonema de Joshua, o terceiro elemento, pouco depois do primeiro impacto. Todos estavam bem e mantinham-se juntos.
Segue-se a derrocada das torres. Manuel da Mota está no grupo dos portugueses desaparecidos. Um poster com o seu nome, características físicas e contacto da família encontra-se agora junto de milhares de anúncios desesperados, colocados nos hospitais, nas vedações dos jardins, nas paredes dos prédios, nos postes de electricidade e nos semáforos.
Foi Barbara que andou a espalhá-los, na companhia de duas irmãs de Manuel, que estão emigradas no Canadá e que passaram a fronteira de automóvel mal souberam da notícia. Os documentos pessoais foram entregues às autoridades, dados de ADN e registos dentários também. Nada mais se pode fazer.
Passaram cinco dias sobre os atentados terroristas. Barbara da Mota fala com a VISÃO, na sua moradia na Valley Stream, um bairro calmo de casas elegantes, em Long Island. A sala parece confirmar os dotes de decorador do marido. Está cheia de familiares do casal, e Chris, 10 anos, o mais novo dos três filhos de Manuel (tem mais dois de um primeiro casamento: Justin, 21, e David, 19), corre de um lado para outro. O pior já passou, deixou de perguntar insistentemente pelo pai e de acordar sobressaltado durante o sono. Está a ser acompanhado por um psicólogo.
Apesar do tempo que decorreu desde a tragédia, e de o mayor de Nova Iorque, Rudolph Giuliani, desmentir que alguém tenha sido descoberto com vida entre as ruínas, nos últimos dias, a família Mota recusa-se a acreditar que Manuel esteja morto. «Tenho muita esperança, sinto que ele está aí», diz Barbara. «Enquanto há vida, há esperança», acrescenta Carmelita Lopes, irmã do português missing.
Manuel Mota costumava dizer que não sabia de onde era: Portugal, África ou América? Nasceu em Vila Nova de Gaia, mas aos 7 anos fez as malas com o resto da família e partiu para Luanda, onde o pai tentava a sorte como professor. Com a descolonização, regressou a Portugal, mas não se demorou. Conheceu uma americana que gozava férias no país do sol e, pouco depois, levou-a ao altar em Nova Iorque, outro novo amor.
Trabalhou sempre no negócio da madeira. Chegou mesmo a constituir a sua própria empresa, em Newark. Não se deu mal, o sucesso levou a Bronx Builders a fazer-lhe um convite irrecusável. A empresa de Manuel seria integrada nessa grande companhia, em troca de uma participação na sociedade. Nesta fase, já estava casado com Barbara, que deixara Assunção para se radicar em NY.
O nome de Manuel Mota é bastante popular entre a comunidade portuguesa de Queens, onde viveu antes de se estabelecer no sossego de Long Island, há cinco anos. «Às vezes, as pessoas aqui têm uma tendência para serem egoístas e a se agarrarem ao dinheiro. Ele não era assim», afirma João Ferreira, 53 anos, dono do restaurante O Lavrador, em Jamaica, bairro de Queens.
Manuel era muito mais do que um cliente frequente, que ia ver o campeonato de futebol português, na RTP Internacional, ou o Benfica, na SIC. Foi ele que renovou as madeiras do restaurante, há oito anos, e quem se prontificou para ir recentemente à Pensilvânia comprar tábuas para um novo trabalho de carpintaria. Deveria ainda dar conselhos sobre as obras na casa de João Ferreira, em Barcelos, quando visitasse Portugal, no fim deste mês, numa segunda temporada de férias (entre os sete irmãos e muitos sobrinhos), depois de uma semana em casa com a família, nos dias que antecederam as acções suicidas.
Na bagagem, Manuel traria a boa nova da gravidez de Barbara. «Agora, só queremos uma notícia: saber se ele está vivo ou morto. A incerteza é desesperante», diz o sobrinho Luís Mota, electricista, residente em Carvalhais, Figueira da Foz. Luís ainda se lembra dos brinquedos que o tio mandava dos States, e que frequentemente apareciam nas páginas dos comics que via por cá. Diz-se «eternamente agradecido» ao Estado português, pelo apoio que a família tem recebido, mas de resto mete trancas à porta da privacidade. «Não quero que me vejam chorar frente às câmaras de televisão.»
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He Was to Oversee Job At Windows on the World
September 25, 2001
A millwork foreman at a Bronx-based building company, Manuel Da Mota did not work at the World Trade Center.
But on Sept. 11, the Valley Stream resident had a morning meeting on the 107th floor of Tower One, where he was discussing a project he was going to oversee for the Windows on the World restaurant.
Da Mota, 44, and some of his employees, have not been heard from since, but his wife and son still speak of him in the present tense, convinced that the doting father and attentive husband they know is alive.
"For me, he is not dead until they come and tell me 'here is his body,'" said Barbara Da Mota, his wife of 11 years. "Even though I went to Manhattan and saw all that is there, I have hope inside myself, unless I get the bad news."
Barbara Da Mota, who is 4 months' pregnant after many years of trying to have a second child, said their 10-year-old son, Christopher, feels the same way. Da Mota, she said, had recently taken a week off from work to spend time with them.
"He was so happy," she said, her voice breaking up. "... My son misses him a lot, because they are good friends. They speak all the time, like two adults."
Da Mota was born in Portugal, but he grew up mostly in the Republic of Angola. When he was about 21, Da Mota immigrated to the United States, first settling in New York City.
Within a year, Da Mota had a job at a SoHo woodworking shop, where he learned the residential and commercial aspects of the trade. In 1983, he moved to Hird-Blaker, a larger commercial firm in the city that does architectural woodwork.
By the time Da Mota left the firm to work on his own in 1987, he was supervisor of the machining and assembly departments.
His Brooklyn-based Woodlux Custom Woodworking did high-end restaurant and residential work, but, in 1994, Da Mota joined a larger company because he was losing the lease on his shop. He had been with Bronx Builders, supervising a staff of more than 25 workers, since then.
"Everybody loved him. He was so nice, so sweet," said Rohit Persaud, an employee who had worked with him since Da Mota owned his small company. "It's a pity that bad things would happen to such good people."
-- Victor Manuel Ramos (Newsday)
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