sexta-feira, outubro 29, 2004

MUSEU EGÍPCIO

O Museu egípcio, no Cairo, foi criado em 1835, pelo governo do país.O edifício que actualmente alberga o museu, da autoria do arquitecto francês Marcel Dourgnon, foi construído em 1900.ME8.jpgApesar de muitos objectos de interesse científico e histórico terem sido desviados para museus do ocidente, nomeadamente de Inglaterra e França, do acervo do museu fazem parte cerca de 120.000 objectos.ME9.jpgO site do museu, em Egyptian Museum, tem as seguintes secções:· Informações para o visitante, com localização, preços e livraria.· Colecções, com sub-divisão por Ourivesaria, Esculturas, Tutankhamun e Colecção Funerária. Algumas das peças, destas quatro colecções:A ourivesaria do antigo Egipto é fascinante, quer pelas formas harmoniosas, quer pelas combinações de cores, fruto decerto de um alto nível de profissionalismo na sua execução. A maioria das peças combina ouro e peças semi-preciosas, sendo rara a utilização da prata.ME2.jpgCategory Jewelry Material PIGMENT Floor upper Room 4 C.G. 22/11/21/1 A escultura egípcia tinha principalmente uma função religiosa e destinava-se a perpetuar determinadas situações para a eternidade, estando as estátuas situadas em templos ou túmulos.ME1.jpgName FIGURINE OF A FEMALE BREWER Category Sculpture Date Old Kingdom , 5th Dynasty Material Painted Limestone Floor ground Room 47 JE 66624 Description Servant figures at work were usually depicted in relief but this particular example gains its importance from being executed in the round. The earliest limestone statues belonged to the 4th Dynasty but the majority belongs to the 5th Dynasty. Private funerary statuary is enriched by the inclusion of figures belonging to the milieu of the master's household which will thus continue to contribute their daily services in the netherworld.Apesar de na prática ter tido muito pouco poder, Tutankhamun, cujo reino durou 9 anos, passou à história pelos tesouros que deixou. É interessante que seja até aos nossos dias um dos mais falados e conhecidos, apesar de a nível da história do Egipto ser dos faraós mais obscuros!ME3.jpgCategory PECTORAL King Name TUT-ANKH-AMUN Date New Kingdom Provenance VALLEY OF THE KINGS Material BREAD Material2 PIGMENT Floor upper Room 3 CARTER 61893 T.R. 342 The Egyptians formulated definite ideas about the soul and its immortality. Their conception of the human personality was rather complicated. The 'Ba' which is loosely translated as the soul, and the 'ka', or the essence of life ,together with the individual's name and body united to form a human entity. Consequently, the preservation of these elements insured the immortality of a human being . Keen as they were to live forever, the Egyptians thus directed all their efforts to the enhancement of their funerary equipment.The body was mummified elaborately, placed in a well-suited sarcophagus which was placed within the tomb. It was within this tomb that both the 'Ba' and the 'Ka' united to cause a man to thrive after his death . Perhaps the most outstanding feature of their beliefs was the definite conviction of the persistence of life after death. This laid the foundation for the complete and elaborate funerary system of the ancient Egyptians.ME4.jpgName LID OF THE COFFIN OF MAAKARE Category Tomb Equipment King Name Pinedjem I Date 3rd Intermediate, 21st Dynasty Material Painted Wood, Gilded Wood Floor upper Room 46 JE 26200 CG 61028 Description Maakare seems to have been the first of this dynasty of princesses who was sworn to celibacy. These princesses devoted themselves exclusively to the service of the god Amon, while retaining all the royal privileges, and they came to play an important political role. The funerary ensemble enclosing Maakare's mummy was found at Deir el-Bahari. The exterior coffin, whose lid is shown here, is the most elaborate part. The body of the coffin is decorated with intricate scenes of gods and goddesses protecting the " Ba " of the deceased. This proliferation of images compensates for the extensive funerary programs that was once represented on tomb walls and the repertoire of funerary equipment.· História do Museu.· Mapa do Museu.· Visita virtual.· Principais peças. Destaco entre as quase 200 peças desta secção, a seguinte:ME5.jpgName SMALL STELA WITH EARS Category ARCHITECTURAL Date New Kingdom , 19th Dynasty Material Painted Limestone Floor ground Room 15 JE 43566 Description This stela with ears belongs to a category of votive objects which were dedicated by private persons to a particular divinity, in this case to " He-who-listens-to-prayers ". This practice flourished since the New Kingdom, as the relationship between the individual and his god became more direct and close. This sculptured and painted example is dedicated to the " Good Ram " of Amon. Its upper part has the god depicted in the form of a ram wearing tall feathers with two symmetrical inscriptions identifying him as Amon-Re. The lower register is vertically divided into two parts. On one side, Bai is kneeling, while the other side has three pairs of ears painted and incised.· Restauração.No museu também se procede à restauração de peças encontradas em mau estado, nomeadamente quando faltem algumas partes. Aqui um exemplo da restauração/montagem de um conjunto com 4 metros de altura, de God Amun & goddess Mut from Karnak .Destaco o facto de os fragmentos encontrados serem montados nas posições que se achou serem as originais, sem que sejam colocados acrescentos. Apenas são colocadas estruturas, mais escuras, das partes que faltam!ME7.jpg· Deuses Faraónicos. Cerca de dúzia e meia de deuses. Aqui, o deus Horus:ME6.jpgHorus:He was the god of Edfu, son of Osiris and Isis. He is usually shown with a falcon’s head. Usually depicted as a hawk or as a man with the head of a hawk. Horus was not only a god of the sky but the embodiment of divine kingship and protector of the reigning pharaoh gradually the cults of other hawk gods merged with that of Hours and a complex array of myths became associated with him. According to one of the most common myths, he was the child of the goddess Isis, and in this role ”later known as Harpocrates”. he was usually depicted in human form with the side of youth and a finger to his mouth, often being seated on his mother’s lap.· Eras Faraónicas.Resumindo: vale mesmo a pena explorar este museu!

EUROPEAN PARLIAMENT CONDEMNS HUMAN RIGHTS ABUSES IN IRAN

via: IRAN FOCUSAFPSTRASBOURG - The European Parliament expressed alarm Thursday at the deterioration in the area of human rights in Iran, in particular those relating to press freedom and the death penalty. "The situation in Iran with regard to the exercise of key civil rights and political freedom has deteriorated since the parliamentary elections of February this year despite commitments on the part of the government of Iran to promoting these universal values," according to a motion passed by the parliament. "The National Security Council and the office of the public prosecutor are increasingly intervening directly with the press to influence the content of the reported news," it said. The parliamentarians drew attention to the cases of eight journalists working for the electronic media, imprisoned for unknown reasons at an undisclosed location. Websites -- "the Iranian public's only remaining means of access to uncensored information"-- were increasingly censored by the religious authorities, they said. The parliamentarians said they were "appalled at the public hanging" two months ago of a 16-year-old boy. They noted that 25 minors had been sentenced to death in the past year. They said they were deeply worried by the sentence of death by stoning passed on a 13-year old girl, Zhila Izadi, pregnant by her 15-year-old brother, himself sentenced to 150 lashes.

AVISO À NAVEGAÇÃO - JOAQUIM NAMORADO

Alto aí! Aviso à navegação! Eu não morri: Estou aqui na ilha sem nome, sem latitude nem longitude, perdida nos mapas, perdida no mar Tenebroso! Sim, eu, o perigo para a navegação!, o dos saques e das abordagens, o capitão da fragata cem vezes torpedeada, cem vezes afundada, mas sempre ressuscitada! Eu que aportei com os porões inundados, as torres desmoronadas, os mastros e os lemes quebrados - mas aportei! E não espereis de mim a paz... Aviso à navegação Não espereis de mim a paz! Que quanto mais me afundo maior é a minha ânsia de salvar-me! Que quanto mais um golpe me decepa maior é a minha força de luar! Não espereis de mim a paz! Que na guerra só conheço dois destinos ou vencer - ai dos vencidos! - ou morrer sob os escombros da luta que alevantei! - (Foi jeito que me ficou, não me sei desinteressar do jogo que me jogar.) Não espereis de mim a paz, aviso à navegação! Não espereis de mim a paz que vos não sei perdoar! Joaquim Namorado

quinta-feira, outubro 28, 2004

CASTANHEIRA DE PÊRA

CASTANHEIRA.jpgCASTANHEIRA DE PÊRA - 2004

(o vento lá fora)*

Um excelente e esclarecedor artigo do Paulo Querido sobre a PT. Não é nada de espantar que os acionistas desta não se queixem de determinadas posições que à partida parecem tirar valor à empresa, como a que é citada. É que afrontar o Governo teria custos muito superiores! Basta ver que nenhum accionista se queixou das milionárias indemnizações pagas no último ano a dois administradores que não concordavam com a política seguida na área da comunicação social e foram convidados a sair...(E por acaso, ou não, também tivemos exactamente os mesmo argumentos ditos pelo Paes do Amaral, quando pediu moderação ao Marcelo Rebelo de Sousa...)Who da fuck cares?

quarta-feira, outubro 27, 2004

E AGORA?

E agora que se começa a desmoronar a política intervencionista na comunicação social deste Governo? Vão rolar cabeças? Vão arranjar algum bode expiatório? Ou vai ficar tudo na mesma?É cada vez mais visível que não houve intervenção de um ministro ou de comissários políticos, por "motu próprio" mas como política concertada do Governo!Marcelo Rebelo de Sousa afirma que foi alvo de pressões por parte de Paes do AmaralMarcelo Rebelo de Sousa afirmou hoje, em declarações à Alta Autoridade para a Comunicação Social, que o presidente da TVI, Miguel Paes do Amaral, lhe impôs um prazo para que repensasse o teor das suas intervenções nas edições de domingo do Jornal da Noite, já que era "inaceitável que houvesse uma informação e uma opinião sistematicamente anti-governamental na TVI". Perante este ultimato, Marcelo Rebelo de Sousa decidiu abandonar a estação.Notícia completa:Público - Marcelo Rebelo de Sousa afirma que foi alvo de pressões por parte de Paes do AmaralFernando Lima demite-se da direcção do "Diário de Notícias"O director do "Diário de Notícias", Fernando Lima, apresentou a demissão do cargo ontem à noite, depois de um dia agitado no jornal da Lusomundo.Fonte da redacção garantiu ao PÚBLICO que Lima já transmitiu a sua vontade de abandonar a liderança do DN à administração do jornal. O director demissionário esteve presente na habitual reunião de editores ao fim da manhã, mas não transmitiu formalmente a sua decisão aos jornalistas.Notícia completa:Público - Fernando Lima demite-se da direcção do "Diário de Notícias"E por fim uma notícia que é bem verdade; e o DN vai demorar muito, muito tempo a recuperar a credibilidade perdida em poucos meses!DN: conselho de redacção alerta para o descrédito "irreversível" do jornalO conselho de redacção do "Diário de Notícias" emitiu hoje um comunicado denunciando o mal-estar face à "inacreditável sucessão de acontecimentos" vividos pelo jornal e que se arriscam a "desacreditar irreversivelmente" a publicação.Em comunicado a que o PÚBLICO teve acesso, o conselho lamenta as consecutivas notícias que dão como certa a demissão da actual direcção, em funções há menos de um ano, afirmando que tal situação está a contribuir para uma "profunda instabilidade" da redacção.Notícia completa:Público - DN: conselho de redacção alerta para o descrédito "irreversível" do jornal

ESTRANHO MAS VERDADE & PORTUGAL NO SEU MELHOR

Conhecem aquelas fotos que periodicamente alguém nos envia, com situações esquisitas, muitas vezes com um português ainda pior que o da Ministra "Tá" da Educação?Têm site:poribido.jpgEstranho mas verdadegalpPortugal no seu melhor

FÊTE - GUILLAUME APOLLINAIRE

À André Rouveyre.

Feu d'artifice en acier
Qu'il est charmant cet éclairage
Artifice d'artificier
Mêler quelque grâce au courage

Deux fusants
Rose éclatement
Comme deux seins que l'on dégrafe
Tendent leurs bouts insolemment
IL SUT AIMER
Quelle épitaphe

Un poète dans la forêt
Regarde avec indifférence
Son revolver au cran d'arrêt
Des roses mourir d'espérance

Il songe aux roses de Saadi
Et soudain sa tête se penche
Car une rose lui redit
La molle courbe d'une hanche

L'air est plein d'un terrible alcool
Filtré des étoiles mi-closes
Les obus caressent le mol
Parfum nocturne où tu reposes
Mortification des roses

Guillaume Apollinaire

terça-feira, outubro 26, 2004

LIBERDADE DE IMPRENSA NA TURQUIA?

Um relatório da organização Reporters Sans Frontières que põe a nu uma das razões pelas quais a Turquia ainda não está em condições de aderir à União Europeia:Visita a Francia del Primer Ministro Recep Erdogan : Reporteros sin Fronteras hace un balance contratado del estado de la libertad de prensa"Los innegables progresos realizados en el plano legislativo no deben enmascarar una realidad que todavía es muy difícil para los periodistas más críticos", ha declarado Reporteros sin Fronteras, en vísperas de la visita privada a París del Primer Ministro turco Recep Erdogan, que se efectuará el 20 de octubre de 2004. "La prensa privada se encuentra en manos de la arbitrariedad de los tribunales que, en la práctica, continúan infligiendo penas de cárcel y multas exorbitantes que empujan a los periodistas a una autocensura generalizada sobre los temas más delicados, como el ejército o la cuestión kurda. Las televisiones y radios siguen padeciendo la desvergonzada censura del Alto Consejo del Audiovisual (RTÜK) mientras que los periodistas pro-kurdos continúan siendo víctimas de presiones de todo tipo", ha añadido la organización. "A pesar de los avances efectuados hacia los estándares europeos continúa siendo considerable la diferencia entre los hechos y la buena voluntad manifestada, de forma que están muy lejos de conseguirse las condiciones de una verdadera libertad de prensa", ha concluido Reporteros sin Fronteras. Las reformas aprobadas por las autoridades, en la perspectiva de la adhesión del país a la Unión Europea, han sido positivas para los periodistas, en el plano legislativo. En la nueva ley de prensa, aprobada en junio de 2004, las penas de cárcel se han reemplazado por fuertes multas. Se han suprimido las sanciones más represivas, como el cierre de un medio de comunicación o la prohibición de distribuir e imprimir. Incluso se ha reforzado la protección de las fuentes. Algunos periodistas denunciados por "complicidad con organizaciones terroristas" han sido absueltos, como consecuencia de una reforma de la ley antiterrorista y del código penal, efectuada en 2003. Sin embargo, la nueva versión del código penal, que entrará en vigor el 1 de abril de 2005, establece que la "propaganda de una organización ilegal o de sus objetivos" puede castigarse con una pena de uno a tres años de cárcel, y la sanción se agrava si el delito se comete por medio de la prensa. En 2002 y 2003 se enmendó el artículo 159, que era causa de una gran número de denuncias contra los periodistas por "ofensa al Estado y a las instituciones del Estado y amenazas contra la unidad indivisible de la República Turca". La duración de la pena de cárcel, para esa acusación, ha quedado reducida de un año a seis meses, y ya no se condenan con penas de cárcel las críticas que no vayan dirigidas intencionadamente a "ridiculizar" o "insultar" a las instituciones del Estado. El nuevo código penal aporta una mejora suplementaria al suprimir el delito de "burla e insulto al cuerpo ministerial". Sin embargo, contraviniendo los estándares europeos, el nuevo código penal establece que el insulto puede acarrear un castigo de tres meses a tres años de cárcel, y la pena se agrava si el delito se comete por medio de la prensa (artículo 127). En la práctica, continúa siendo muy subjetiva la interpretación que hacen los jueces de la noción de "crítica", y siguen produciéndose denuncias abusivas. En 2003 comparecieron ante los tribunales cuatro periodistas del diario pro-kurdo Yeniden Özgür Gündem, que habían criticado la política del gobierno durante la guerra de Irak, y fue detenido el periodista digital Erol Öskoray, denunciado por "burla" e "insultos" al ejército. Sabri Ejder Öziç, director de la radio local Radyo Dünya en Adana (Sur), fue condenado a una pena de un año de cárcel, por ofender al Parlamento. Hakan Albayrak, ex editorialista del diario Milli Gazete, fue encarcelado el 20 de mayo de 2004. Actualmente cumple una condena de quince meses de prisión incondicional por "atentado a la memoria de Atatürk", en virtud de la ley de 1951 relativa a los crímenes contra Atatürk. El artículo 1 de esa ley sanciona el insulto a la memoria del fundador de la República de Turquía con una pena de uno a tres años de cárcel. El artículo 2 establece el doble de la pena, si el crimen se comete por medio de la prensa. Nureddin Sirin, editorialista del semanario islamista Selam, y Memik Horuz, director de publicación del periódico de extrema izquierda Isçi Köylü, se encuentran encarcelados desde hace varios años, por expresar sus opiniones en el marco de su actividad profesional. El 15 de octubre de 2004, Sebati Karakurt, del diario Hurriyet, estuvo detenido durante doce horas en los locales de la policía antiterrorista de Estambul a causa de una entrevista con Murat Karayilan, jefe militar del ex Partido de los Trabajadores del Kurdistán (PKKK, rebautizado como Kongra-Gel), publicada pocos días antes. El reportaje gráfico mostraba a algunas mujeres rebeldes en traje de faena en un buen día, sonrientes y con aspecto relajado. Una decena de policías registraron el domicilio del periodista, que quedó en libertad tras ser interrogado por la policía y por un fiscal. Por otra parte, aunque los medios audiovisuales nacionales han sido autorizados a utilizar la lengua kurda, el RTÜK continúa dictando sanciones totalmente desproporcionadas contra los medios de comunicación pro-kurdos o muy críticos con el gobierno, que van desde la advertencia a la retirada de la licencia. El RTÜK condenó a la radio local de Estambul Özgür Radyo a un mes de suspensión, por "incitación a la violencia, el terror, la discriminación sobre la base de la raza, la región, la lengua, la religión o la secta, o emisión de programas que despiertan sentimientos de odio en la sociedad". La emisora dejó de emitir en la noche del 18 de agosto de 2004. En caso de reincidencia, el RTÜK tiene poder para retirar la licencia a Özgür Radyo. Günes TV, la televisión local de Malatya (Este del país) también dejó de emitir durante un mes, a partir del 30 de marzo de 2004. El RTÜK acusó al canal de "atentar contra la existencia y la independencia del Estado, la unidad indivisible del país con el pueblo y los principios y reformas de Atatürk" (artículo 4 de la ley 3984 del RTÜK). Apoyándose en el mismo artículo, el 1 de abril de 2004 el RTÜK suspendió durante un mes a la televisión local ART de Diyarbakir (Sudeste), por emitir el 16 de agosto de 2003 dos canciones de amor en kurdo. Las detenciones masivas de periodistas pro-kurdos, llevadas a cabo por la policía antiterrorista en la víspera de la Cumbre de la OTAN en Estambul, los días 28 y 29 de junio de 2004, son sintomáticas del trato reservado a esta prensa. Finalmente, durante las elecciones locales del 28 de marzo, la policía golpeó violentamente a nueve periodistas que cubrían la represión de una manifestación que denunciaba el fraude electoral en Diyarbakir (Sudeste). Tres de ellos tuvieron que ser hospitalizados. No han sido sancionados los responsables de las exacciones.

ANTÓNIO BARRETO

A não perder a entrevista que António Barreto deu no passado sábado, ao Jornal de Notícias - "Somos pequenos pobres e incultos"Entrevistadores: António José Teixeira e Helena Teixeira LopesAlguns excertos:Na véspera de receber o Prémio Montaigne, destinado a consagrar um pensamento supranacional e de esforços humanitários, António Barreto, defensor reconhecido de uma Europa plural, confessou encontrar na adesão da Turquia à União Europeia o travão para o federalismo.Têm (Montaigne e A. Barreto) em comum o cepticismo?Sim. Mas se há alguma coisa que olho como identificação é quando ele viaja, em espírito ou na realidade. Percebe-se nele o fundo comum aos homens europeus: pluralidade radical. Esta é a minha Europa; não é o federalismo europeu, que destrói a pluralidade das culturas. A Europa que está em construção pode ser travada com a não aprovação da Constituição. Ao contrário do que se pensa, as coisas nunca são irreversíveis na vida: as nações vão por certos caminhos e de repente podem fazer marcha atrás.Essa marcha atrás não é a posição em que já estamos, após o alargamento, o 11 de Setembro, a guerra do Iraque...É possível que se tenha começado uma fase nova. Ao contrário de quase toda a gente que conheço, sou favorável à adesão da Turquia à União Europeia (UE).A Turquia pode ser o travão?Se entrar, significa que a Europa federal não se fez.Como deve ficar a Europa? Tem que ser uma UE federal ou há alternativa?Dentro de uma Europa, que é quase o continente europeu todo, não vejo por que razão não poderá haver, dentro dos 25 ou dos 30, novas formas de associação parcelares. Se houver uma tendência para que os países escandinavos estabeleçam entre eles algo mais do que com os outros, como já acontece com a moeda única, não cria necessariamente uma contradição com os restantes países. Por isso, penso que a Constituição deveria ser recusada. Tenho esperança que haja povos que a bloqueiem. A Constituição estabelece um quadro de fixidez que será depois extremamente difícil de corrigir................................................................................................................Belmiro de Azevedo diz que estamos perante um caso de regência...É uma boa metáfora. O próprio Santana Lopes sente isso, considerando as vezes que repete que é legítimo, que é o partido mais votado, que era presidente da Câmara, e pela forma como já desafiou o presidente da República. O PS, na sua melhor tradição, só quer a cabeça de ministros, embora diga que o Governo é ilegítimo. Dentro do próprio PSD houve muita gente que pôs em causa a solução, o que também aumenta a ilegitimidade.O congresso do PSD, em Novembro, poderá legitimar Pedro Santana Lopes?Acho que não. Santana Lopes terá que viver com este défice de legitimidade até ao fim do mandato - se o mandato chegar ao fim. E como ele tem instinto político, estou convencido que, a partir daqui, vai tentar demonstrar que está a ser vítima de perseguição dos partidos, do Presidente, das instituições, dos seus adversários dentro do PSD................................................................................................................É por este sucessivo abandono de cargos que fala num regime democrático senil?Não é senilidade. Os dirigentes políticos só se dão conta do estado grave em que vivemos quando chegam ao Governo. O discurso da oposição, seja esta, seja a anterior, é ilimitadamente optimista. Tudo é possível. É possível gastar mais dinheiro, aumentar as pensões, os vencimentos, a função pública. Chegam ao poder e as coisas alteram-se rapidamente. As promessas de Durão Barroso mudaram radicalmente depois de ter sido eleito. Guterres fez algo muito parecido: só se deu conta nas vésperas da sua derrota autárquica - caso único na Europa - , do estado do país. Quer dizer que o debate público é desfasado da realidade; é dominado pela demagogia. Grande parte dos media têm a informação fabricada. Hoje devem estar a receber recados todos os dias. ...............................................................................................................Mas o tempo deu-lhe razão…De que vale ter razão 20 anos depois? Na vida política não serve para nada.Depois disso ainda criou o movimento dos Reformadores...Algumas das ideias defendidas pelos reformadores de então fizeram caminho. A revisão da Constituição, a presença acrescida do Estado na vida social, uma presença muito reduzida do Estado na vida económica, a privatização das actividades económicas, isto fez caminho, ainda que com protagonistas diferentes. Ou seja, verdadeiramente não foi um derrotado. Sente que chegou antes do tempo?É possível, mas não tenho medo da palavra derrota. A ideia mais nobre de uma reforma agrária é tirar a quem tem mais para dar a quem tem menos. O meu destino, na altura, foi impedir que um grupo limitado do PCP, e do seu sindicato do Alentejo, ficassem proprietários de um milhão e meio de hectares. Mas a reforma agrária e a revolução política no Alentejo tinham de tal maneira dividido a sociedade que já não era possível. Cheguei a más horas, fiz uma reforma ao contrário do que devia ser, e finalmente fui desautorizado pelo chefe de Governo, que era líder do partido de que eu era membro. Saí meses depois do PS, sendo que voltei sete anos depois. E voltei a sair.Entrevista toda a seguir:"Somos pequenos pobres e incultos"António Barreto recebe depois de amanhã prémio da Fundação alemã Alfred Toepfer F.V.S. António José Teixeira e Helena Teixeira Lopes"Somos pequenos pobres e incultos" António Barreto recebe depois de amanhã prémio da Fundação alemã Alfred Toepfer F.V.S. António José Teixeira e Helena Teixeira Lopes Crítico feroz do sistema político, pautado por excesso de demagogia, e do actual primeiro-ministro, António Barreto garante que "Santana Lopes é um homem que não sabe o que quer fazer." À Esquerda, o panorama não será melhor. "Não sinto uma força determinada e programática no Partido Socialista de Sócrates". Seguro de que o diagnóstico do país não é favorável, o sociólogo aponta a justiça como a primeira reforma urgente a pôr em curso.Na véspera de receber o Prémio Montaigne, destinado a consagrar um pensamento supranacional e de esforços humanitários, António Barreto, defensor reconhecido de uma Europa plural, confessou encontrar na adesão da Turquia à União Europeia o travão para o federalismo.[António Barreto] Sabe quem ganhou o primeiro prémio Montaigne? O homem que mais admiro no pensamento europeu, Raymond Aron. É uma enorme honra, que não tenho a certeza se mereço. Desde que regressei a Portugal - vivi 12 anos na Suíça -, a minha obsessão, do ponto de vista de estudo, foi sempre a sociedade portuguesa. Mas a natureza deste prémio não seria reconhecer alguém que se ocupa de um assunto particular, nacional; ele fala de património cultural europeu e de tradição europeia. A Europa que eu gosto é a que reconhece as culturas.Naturalmente, não precisava ter vivido na Suíça para se sentir europeu, mas foi com essa experiência que criou a ideia da Europa mais plural?Não concordo. Se há coisa, na minha vida pessoal, que agradeço, foi ter podido passar mais de uma década lá fora. Fez-me perceber o que gostava e o que não gostava em Portugal, e ajudou-me a perceber os outros. Defendo uma Europa plural, que aceita quem se ocupa mais da sua tradição cultural nacional, não sendo nacionalista - o que não sou em nenhum grau. O objecto do prémio prende-se com o seu pensamento político, que publica semanalmente, ou com o estudo sociológico que exerce na universidade?O júri falou simultaneamente do estudo da sociologia e da minha colaboração frequente nos media, referindo a minha independência de espírito. Talvez não saiba que os momentos mais dramáticos da existência de alguém é tentar fazer duas coisas que não são completamente compatíveis. Há um significado acrescido por Montaigne ser um dos pensadores que mais admira?Tem. Sendo francês até ao tutano, e tendo sido presidente da Câmara de Bordéus, que é a cidade do vinho, conseguiu o que nunca conseguirei: elevar-se acima da contingência da circunstância social e cultural da sua vida. Tentou manter-se ligado à natureza humana. É um esforço excepcional. Eu faço o contrário, tenho uma costela positivista.Têm em comum o cepticismo?Sim. Mas se há alguma coisa que olho como identificação é quando ele viaja, em espírito ou na realidade. Percebe-se nele o fundo comum aos homens europeus: pluralidade radical. Esta é a minha Europa; não é o federalismo europeu, que destrói a pluralidade das culturas. A Europa que está em construção pode ser travada com a não aprovação da Constituição. Ao contrário do que se pensa, as coisas nunca são irreversíveis na vida: as nações vão por certos caminhos e de repente podem fazer marcha atrás.Essa marcha atrás não é a posição em que já estamos, após o alargamento, o 11 de Setembro, a guerra do Iraque...É possível que se tenha começado uma fase nova. Ao contrário de quase toda a gente que conheço, sou favorável à adesão da Turquia à União Europeia (UE).A Turquia pode ser o travão?Se entrar, significa que a Europa federal não se fez.Como deve ficar a Europa? Tem que ser uma UE federal ou há alternativa?Dentro de uma Europa, que é quase o continente europeu todo, não vejo por que razão não poderá haver, dentro dos 25 ou dos 30, novas formas de associação parcelares. Se houver uma tendência para que os países escandinavos estabeleçam entre eles algo mais do que com os outros, como já acontece com a moeda única, não cria necessariamente uma contradição com os restantes países. Por isso, penso que a Constituição deveria ser recusada. Tenho esperança que haja povos que a bloqueiem. A Constituição estabelece um quadro de fixidez que será depois extremamente difícil de corrigir.É o primeiro sociólogo português a receber este prémio. A sociologia é um instrumento tido em conta para a acção política?Infelizmente, a investigação sociológica informa muito pouco a decisão do poder. Quando estive na vida política, houve importantíssimas decisões tomadas sem que se tivesse em conta a informação existente. Foi o caso da legislação sobre as propinas, uma decisão tomada pelo faro. A maior parte das decisões continuam a ser faro. Há três exemplos importantíssimos: agricultura, pesca e floresta. Até 2003 funcionava-se com os resultados para a população portuguesa do Censos de 1991, que foi publicado em 93, corrigido em 95. Entretanto já havia mais meio milhão de pessoas em Portugal. No domínio da Segurança Social, não existe estudo apurado da evolução demográfica, dos residentes, dos naturalizados e dos estrangeiros. No orçamento é a mesma coisa. Estou convencido que algumas das últimas decisões - benefícios fiscais, rendimento mínimo garantido - são tomadas exclusivamente em função de uma margem pequeníssima de liberdade de acção que tem o ministro das Finanças, porque o orçamento está apanhado com a função pública, a dívida e as transferências sociais. A imagem que o espelho nos devolve enquanto povo tem-nos levado a melhorar ou à depressão?Talvez tenha ajudado mais à depressão. Nestas três décadas houve uma euforia. Portugal foi promovido a país de primeira, aderiu à UE, criou o Euro, passou a ser respeitado, deixou de ter inimigos, deixou de haver países que cortassem relações com Portugal. O país terminou a guerra, descolonizou, criou a democracia. É quase comovedor ver o que os portugueses conseguiram fazer nos últimos 30 anos. Fizeram de Portugal uma sociedade plural sem que houvesse sequelas trágicas. Nos diagnósticos, o resultado parece positivo, mas continuamos a deprimir com facilidade. Primeiro, porque os outros também cresceram. Depois porque a euforia é como as paixões: cegou o facto de sermos pequenos, pobres, periféricos, incultos. Não temos riqueza importante: nem agricultura, nem petróleo, nem mineral. A euforia criou excesso de expectativas. E o país não chega lá. O fim da euforia começou nos últimos dez anos com a percepção de que tudo é muito mais lento. Aquilo que se tinha conseguido é insuficiente. Redescobrimos a nossa desorganização, a nossa falta de racionalidade, a nossa incultura profundíssima, a nossa insuficiência na formação. Isto é muito pessimista? Acho que não, é uma tentativa de realismo. Há dias, estava a ler as entrevistas de Medina Carreira e de Silva Lopes, que diziam: "Parece que não há ponta por onde pegar." É melhor que nós saibamos onde estão as pontas para tentar pegar nelas. Encontra alguma ponta?Primeiro, é preciso acabar com a demagogia. Há muitos anos que não vejo os políticos portugueses mostrarem o diagnóstico exacto da realidade portuguesa. O défice continua, a produtividade não sobe o que deve, o défice externo continua, o défice público, apesar das engenharias, das aldrabices orçamentais que se fazem, continua. Porque é que os políticos não informam melhor, não fazem a pedagogia do diagnóstico, que é de desastre quase eminente? Na política, as minhas duas únicas esperanças limitam-se a alterar o sistema eleitoral, que condena a sociedade política, a participação e o interesse político. E obrigava a que todos os ministros fossem eleitos [deputados]. Depois, a crise na justiça, que faz com que a sociedade esteja sistematicamente votada ao improviso, à lei do mais forte. A justiça é o instrumento que moralmente mais contribui para a formação do cidadão. O próprio pilar da democracia é afectado pelo sistema judicial não funcionar. Não teremos cidadania nem justiça social se a justiça não for reformada. Se Portugal avançou de forma imensurável nos primeiros 30 anos de democracia e ainda assim ficou atrasado, e se dificilmente conseguirá igualar esse ritmo de progressão, o futuro antecipa-se frágil?Subscrevo. Portugal chegou a crescer num só ano 11%, no tempo de Salazar. Bagão Félix fica radiante se crescermos 1,4%. O futuro só poderá melhorar se se reformar a educação e a justiça. Isto não se resolve em três anos. Em 1992, dizia que o semi-presidencialismo era "mais fértil em conflitos políticos do que em equilíbrios institucionais" e que "no futuro, será pior". Hoje, continua a pensar o mesmo?Continua a ser um sistema híbrido. O Presidente da República (PR) não depende só da personalidade, mas também do momento. O último gesto de Jorge Sampaio foi de primado parlamentar, na nomeação deste primeiro-ministro. Houve quem o acusasse de ser ilegítima e ilegal. Mentira. Eu teria feito o mesmo: nas actuais circunstâncias políticas portuguesas, prefiro sublinhar o lado parlamentar do regime. Jorge Sampaio criou uma tradição nova, que é o Governo sob vigilância. E já alertou para cinco casos, todos eles importantíssimos - educação, saúde, défice, despesa pública e justiça -, dando sempre um tom de vigilância apertada que quase obriga à acção. Não sei se vai dissolver; acho que nem ele sabe. Sampaio já disse que este Governo é tão legítimo como qualquer outro...Compreendo. Quer estar totalmente livre na sua decisão de dissolver, ou não, até Junho. Não quer que esteja presente a chantagem que o primeiro-ministro já fez, nem o contrário.Já teve motivos para dissolver o Parlamento?Tendo dado posse a este Governo, não creio que o que aconteceu até agora seja suficiente para fundamentar a dissolução. O último facto pré-político, o caso Marcelo Rebelo de Sousa, é muito grave, mas não tem relevância que justifique a dissolução. Os casos acumulam-se, é certo.Defende a não dissolução, apesar de já ter dito, sobre o primeiro-ministro, que "não tem projectos, tem invenções"?Sim, porque trata-se de dissolver o parlamento e não o primeiro-ministro (PM).E se fosse possível manter o Parlamento e destituir o PM?Agora é tarde. Em Junho teria sido possível. Jorge Sampaio podia ter dito: "Quero refazer o Governo com a vossa maioria parlamentar, proponham-me outro PM". A Constituição permite isso. O resultado das eleições aplica-se ao partido, não se aplica ao PM, que não foi eleito.Belmiro de Azevedo diz que estamos perante um caso de regência...É uma boa metáfora. O próprio Santana Lopes sente isso, considerando as vezes que repete que é legítimo, que é o partido mais votado, que era presidente da Câmara, e pela forma como já desafiou o presidente da República. O PS, na sua melhor tradição, só quer a cabeça de ministros, embora diga que o Governo é ilegítimo. Dentro do próprio PSD houve muita gente que pôs em causa a solução, o que também aumenta a ilegitimidade.O congresso do PSD, em Novembro, poderá legitimar Pedro Santana Lopes?Acho que não. Santana Lopes terá que viver com este défice de legitimidade até ao fim do mandato - se o mandato chegar ao fim. E como ele tem instinto político, estou convencido que, a partir daqui, vai tentar demonstrar que está a ser vítima de perseguição dos partidos, do Presidente, das instituições, dos seus adversários dentro do PSD.Pode precipitar a dissolução. A sua vitimização poderá colher a simpatia do eleitorado?Há, actualmente, na população, um sentimento muito avesso a esta solução política e a este governo - aliás, já em relação ao anterior. Um sentimento muito azedo que não passa só por razões económicas. A herança deste Governo é desagradável para muita gente. O facto de Santana Lopes ter andado no futebol, nas noites, nas discotecas, nas câmaras, na imprensa, na televisão, faz dele um senhor que está sempre a querer derrubar quem está, e a querer preparar-se para chegar a qualquer sítio. Não faz dele um homem com ponderação para estar depois de chegar. Não sabe o que quer fazer. Não sabe gerir. Pede aos ministros para gerirem o melhor possível. José Sócrates, o novo secretário-geral do PS, poderá ser uma alternativa?Não tenho muitas expectativas em relação ao PS daqui para a frente. Não senti uma força determinada e programática. José Sócrates e algumas pessoas da equipa dele foram quase mecânicos na utilização de "clichés", a começar pelas "Novas Fronteiras". Dizer que são uma homenagem a John Kennedy é um disparate. As novas fronteiras de Kennedy referiam-se às fronteiras da pobreza, da intolerância. Numa altura em que a sociedade europeia e a portuguesa luta contra as fronteiras, há um senhor que vai pôr novas fronteiras. As fronteiras separam. Depois, o lado muito bem comportado de Sócrates, tudo cuidadosamente feito, com a música, o sítio, a posição, a forma, a cor, o design…António Guterres também começou com uma imagem semelhante...Guterres conseguiu em quatro anos o inesperado: ganhou tudo o que havia para ganhar em Portugal. Até ter ido embora daquela maneira. Não era previsível aquela fuga tão descarada.É por este sucessivo abandono de cargos que fala num regime democrático senil?Não é senilidade. Os dirigentes políticos só se dão conta do estado grave em que vivemos quando chegam ao Governo. O discurso da oposição, seja esta, seja a anterior, é ilimitadamente optimista. Tudo é possível. É possível gastar mais dinheiro, aumentar as pensões, os vencimentos, a função pública. Chegam ao poder e as coisas alteram-se rapidamente. As promessas de Durão Barroso mudaram radicalmente depois de ter sido eleito. Guterres fez algo muito parecido: só se deu conta nas vésperas da sua derrota autárquica - caso único na Europa - , do estado do país. Quer dizer que o debate público é desfasado da realidade; é dominado pela demagogia. Grande parte dos media têm a informação fabricada. Hoje devem estar a receber recados todos os dias. A coligação CDS/PSD faz sentido no futuro?Não sei se sobrevive. A coligação tem duas experiências negativas: a europeia e a açoriana. No PSD vão surgir muitas vozes a contrariar a dinâmica coligacionista. Mas sem coligação não chegam lá. Esta Direita parece-me muito instável do ponto de vista político e programático. Pode haver uma pressão no sentido de fazer um só partido de Direita liberal, quebrando o PSD ao meio - algo que está no código genético há muito tempo -, o que não será vantajoso. A grande vitória política de Cavaco Silva foi ter eliminado a fractura dentro do PSD. Não creio que Santana Lopes seja capaz disso. Imagino que ele tenha vocação para reforçar o PSD da Direita. Que papel está destinado ao próximo PR: um papel mais forte na condução política ou menos interveniente?A minha preferência era que a evolução fosse de cariz parlamentar. A minha previsão não é a minha preferência. A situação política e económica não vai melhorar nos próximos dois anos. Os factores de descontentamento vão aumentar. Não vejo que algum dos partidos esteja disponível para, responsavelmente, diminuir a demagogia. O próximo PR acabará por ser mais intervencionista, acentuando o carácter presidencialista.Seria capaz de colocar o lugar de PR no seu horizonte?Não. Estou retirado da vida política definitivamente. Tem a ver com a minha idade, com o que quero escrever, estudar, publicar. Fui convidado pela RTP para fazer a continuação dos estudos sobre a situação social em Portugal, transpondo-os para programas televisivos. Dá-me mais prazer fazer isto do que regressar à vida política. Deixou de considerar a sua impaciência para a vida política um defeito?Não. Mas a vida política exige certos atributos pessoais, que não tenho. O mais importante na política é saber estar no sítio certo, o que não é um acaso. Apesar da minha visão céptica sobre os destinos mediáticos da política portuguesa, sou incapaz de dizer frases como: "a política é o pior da humanidade". Não é verdade. É o melhor. Todas as qualidades humanas estão lá. Não deixo de escrever sobre política porque me interessa mesmo. Consegui foi interessar-me sem me interessar estar na vida política.É outra forma de estar activo?Mentalmente activo, sim. Não estou na vida política activa, por ter tomado uma decisão racional, ou porque me fartei. Fui derrotado. O que tentei desempenhar em determinados momentos falhou. A primeira derrota com Mário Soares, em 1977/78. Depois de ter feito o que fizemos, na reforma agrária e da política agrícola, ele alterou a sua táctica, para o ano seguinte, que era contrária da minha. Mas o tempo deu-lhe razão…De que vale ter razão 20 anos depois? Na vida política não serve para nada.Depois disso ainda criou o movimento dos Reformadores...Algumas das ideias defendidas pelos reformadores de então fizeram caminho. A revisão da Constituição, a presença acrescida do Estado na vida social, uma presença muito reduzida do Estado na vida económica, a privatização das actividades económicas, isto fez caminho, ainda que com protagonistas diferentes. Ou seja, verdadeiramente não foi um derrotado. Sente que chegou antes do tempo?É possível, mas não tenho medo da palavra derrota. A ideia mais nobre de uma reforma agrária é tirar a quem tem mais para dar a quem tem menos. O meu destino, na altura, foi impedir que um grupo limitado do PCP, e do seu sindicato do Alentejo, ficassem proprietários de um milhão e meio de hectares. Mas a reforma agrária e a revolução política no Alentejo tinham de tal maneira dividido a sociedade que já não era possível. Cheguei a más horas, fiz uma reforma ao contrário do que devia ser, e finalmente fui desautorizado pelo chefe de Governo, que era líder do partido de que eu era membro. Saí meses depois do PS, sendo que voltei sete anos depois. E voltei a sair.

ÍNTIMA FRACÇÃO

E cerca de um ano depois da suspensão, eis o regresso deste programa (já) mítico da rádio portuguesa:Noites de domingo para segunda, à meia-noite, na RUC - Rádio Universidade de Coimbra. Em 107.9 FM e na Rádio Universidade de Coimbra, na net.Parabéns ao Francisco Amaral!

segunda-feira, outubro 25, 2004

CLARA FERREIRA ALVES DESISTE DO DN...

Devido à alegada contestação de que foi alvo na redacção do DN, Clara Ferreira Alves desiste do cargo de directora, dando como desculpa uma alegada falta de condições ("por não acreditar que a Lusomundo Media e a Global Notícias estivessem dispostas a reunir as condições necessárias para voltar a fazer do Diário de Notícias um diário de referência, isenção e aceitação pública").E ainda se saíu com este mimo:"Creio que o Diário de Notícias perde mais do que eu perco com esta decisão".Em anexo o despacho da LUSA com o qual fica definitivamente provado que a notícia dada em primeira mão há quase três semanas pelo Democracia LIBERAL era verdadeira, apesar de múltiplos desmentidos, remoques e outros comentários.25-10-2004 17:21:00. Fonte LUSA. Notícia SIR-6460613Temas: economia portugal media empresasImprensa: Clara Ferreira Alves recusa dirigir Diário de Notícias Lisboa, 25 Out (lusa) - A jornalista Clara Ferreira Alves anunciou hoje ter recusado o convite para dirigir o Diário de Notícias por considerar não existirem condições para fazer do DN um diário de "referência, isenção e aceitação pública"."Recusei o convite, até por não acreditar que a Lusomundo Media e a Global Notícias estivessem dispostas a reunir as condições necessárias para voltar a fazer do Diário de Notícias um diário de referência, isenção e aceitação pública", refere em comunicado.De acordo com a jornalista, um primeiro convite foi-lhe endereçado no início de Outubro pelo vice-presidente da Lusomundo Media com o pelouro editorial e director-geral de publicações da Global Notícias, Mário Bettencourt Resendes, tendo sido recusado também por "motivos pessoais" que se prendiam "com as funções [de Clara ferreira Alves] na Casa Fernando Pessoa" e "a escrita e publicação" do seu livro."Alguns dias depois", acrescentou Clara Ferreira Alves no mesmo comunicado, "Mário Bettencourt Resendes, acompanhado de Luís Delgado", administrador executivo da Lusomundo Media e da Global Notícias, insistiu no convite, mostrando-se os responsáveis dispostos a dar "carta branca" e "total independência de meios e equipas" caso a jornalista aceitasse o convite para a direcção daquele título.Perante os "boatos" que, desde o início dos contactos, "começaram a circular" e que, segundo Clara Ferreira Alves, reputavam o convite como uma "comissão política e uma encomenda do primeiro- ministro", a jornalista decidiu recusar o novo convite."Não quero dirigir o Diário de Notícias", sublinhou, adiantando não terem chegado "a estar reunidas as condições necessárias para dirigir o jornal" e terem deixado de "estar reunidas as condições pessoais para o fazer" "Não sou, nunca fui e nunca serei uma comissária política", reforçou, adiantando que "nunca foi isso que esteve em causa" e que os seus interlocutores "são profissionais que merecem respeito"."Creio que o Diário de Notícias perde mais do que eu perco com esta decisão", concluiu Clara Ferreira Alves.

CUBA - EL TROPIEZO

via:Unión Liberal CubanaEl tropiezo (soneto) A los pies de la estatua del bandidoque el centro de la isla nos mancillatropezó el dictador y la rodillay el codo en el percance se ha partido.El gozo y el temor por un instantedejaron sin resuello al personal:más de uno pensó que era el finalal ver despatarrado al Coma Andante.El Granma explica hoy, en plúmbeo texto,que se quebró la chueca, pero el restodel anciano rufián no sufre menguaEl pueblo combatiente, consternado,lamenta que no se haya fracturadoademás de la rótula, la lengua.Michel Ventas

DETESTO

Detesto o sentido de "democracia" de alguns, que os leva a quando não são seguidas as suas ideias ameaçarem sair (ou sairem).

LÀ-BAS, JE NE SAIS OÙ - ÁLVARO CAMPOS

Véspera de viagem, campainha... Não me sobreavisem estridentemente! Quero gozar o repouso da gare da alma que tenho Antes de ver avançar para mim a chegada de ferro Do comboio definitivo, Antes de sentir a partida verdadeira nas goelas do estômago, Antes de pôr no estribo um pé Que nunca aprendeu a não ter emoção sempre que teve que partir. Quero, neste momento, fumando no apeadeiro de hoje, Estar ainda um bocado agarrado à velha vida. Vida inútil, que era melhor deixar, que é uma cela? Que importa? Todo o Universo é uma cela, e o estar preso não tem que ver com o tamanho da cela. Sabe-me a náusea próxima o cigarro. O comboio já partiu da outra estação... Adeus, adeus, adeus, toda a gente que não veio despedir-se de mim, Minha família abstrata e impossível... Adeus dia de hoje, adeus apeadeiro de hoje, adeus vida, adeus vida! Ficar como um volume rotulado esquecido, Ao canto do resguardo de passageiros do outro lado da linha. Ser encontrado pelo guarda casual depois da partida — "E esta? Então não houve um tipo que deixou isto aqui?" — Ficar só a pensar em partir, Ficar e ter razão, Ficar e morrer menos ... Vou para o futuro como para um exame difícil. Se o comboio nunca chegasse e Deus tivesse pena de mim? Já me vejo na estação até aqui simples metáfora. Sou uma pessoa perfeitamente apresentável. Vê-se — dizem — que tenho vivido no estrangeiro. Os meus modos são de homem educado, evidentemente. Pego na mala, rejeitando o moço, como a um vicio vil. E a mão com que pego na mala treme-me e a ela. Partir! Nunca voltarei, Nunca voltarei porque nunca se volta. O lugar a que se volta é sempre outro, A gare a que se volta é outra. Já não está a mesma gente, nem a mesma luz, nem a mesma filosofia. Partir! Meu Deus, partir! Tenho medo de partir!...Álvaro de Campos

sexta-feira, outubro 22, 2004

ARQUEOBLOGO

Volto a chamar a vossa atenção para um dos mais interessantes blogs portugueses, sobre arqueologia:Arqueoblogo.Recomenda-se particularmente a leitura da entrada 322. Trabalho elogioso em Tavirae a consulta do site indicado (Geografia urbana da cidade romana de Balsa. É pena que muitas vezes estes assuntos não tenham a devida divulgação!

15º FESTIVAL DE BANDA DESENHADA DA AMADORA

Festival abre as portas a '100 BDs do Séc. XX'A 15ª edição do Festival Internacional de BD da Amadora abre as portas hoje, 22 de Outubro. Durante quase 15 dias, a Amadora acolhe o melhor do 'mundo dos quadradinhos', com exposições, autógrafos, debates, feira do livro e muita animação.BDAmadora.jpgA 15ª edição do FIBDA realiza-se entre os dias 22 de Outubro e 7 de Novembro, com o núcleo central localizado na nave comercial da Estação do Metro de Amadora/Este (Falagueira). Um espaço novo (cerca de 2500 metros quadrados), com grande potencial para a montagem de uma iniciativa com estas características, privilegiado em termos de transportes públicos (Metropolitano e Lisboa Transportes) e com zona de estacionamento. tintin.gifA exposição com maior destaque no Festival – 100 BDs do Século XX – resulta de um inquérito mundial elaborado pelo Comissariado que abrangeu críticos, directores de festivais e de centros de BD e outros especialistas de 21 países. Da recolha das votações, resultou que os 10 primeiros lugares estão ocupados pelas seguintes Bandas Desenhadas: Tintin; Batman; Corto Maltese; Asterix; Little Nemo; Maus; Blueberry; The Spirit; Peanuts; Krazy Kat e Donald Duck e Uncle Scrooge. Será, certamente, possível fazer uma retrospectiva do que de melhor foi feito em banda desenhada ao longo do século XX. Batman.gifOutras duas exposições que vão estar em destaque são as mostras de André Carrilho e de Gradimir Smudja, dois autores premiados em 2003: Melhor Desenho para Álbum Português - com o livro Em Lume Brando - e Melhor Álbum Estrangeiro - com Vincent & Van Gogh -, respectivamente.corto.gifAlém destas, os visitantes do núcleo central do Festival podem, ainda, apreciar as seguintes exposições: colectivas de Autores Argentinos (Muñoz; Quino; Eduardo Risso; Patricia Breccia e outros) e de Autores Flamengos (Johann De Moor; Jan Bosschaert; Marvano e muitos outros); Seth Fisher; Luís Louro (interdita a menores de 18 anos); Marsupilami; Pedro Leitão e Ricardo Ferrand (Espaço Infantil); Colectivo Serra da Estrela, Fazedores de Letras e Esgar Acelerado.marsupilami.gifOutras exposiçõesO Festival Internacional de BD da Amadora (FIBDA) apresenta, ainda, outras mostras, descentralizadas por outros espaços da Amadora: Centro Nacional de BD e Imagem – exposição de Neil Gaiman, um dos mais importantes argumentistas; Galeria Municipal Artur Bual – mostra intitulada 15 Autores Portugueses/15 Anos de Festival; Casa Roque Gameiro – Cartoon (Esse Ser Comediante) e Ilustração (Danuta Wojciechowska – Prémio Nacional de Ilustração 2003). Além destas exposições, e como actividade paralela do FIBDA, serão, igualmente, expostas mais três mostras de banda desenhada: Escola Profissional Gustave Eiffel (Amadora) – José Ruy; Quartel da Pontinha – José Ruy (Operação Óscar, outra maneira de contar o 25 de Abril) e FNAC Chiado – How Things Work Out, Alan Moore.O FIBDA é o ponto de encontro anual de autores, editores, profissionais de comunicação social e público, amante ou não da 9ª Arte. Na Amadora, juntam-se os amigos e os curiosos da banda desenhada, num ambiente festivo, pleno de animação e cor. As exposições de inegável qualidade, as sessões de autógrafos, o espaço comercial, os debates com os autores nacionais e estrangeiros, o lançamento de novos livros e muita animação, fazem deste evento o maior acontecimento do género em Portugal e um dos mais conceituados a nível europeu.asterix.jpgFIBDA - de 22 de Outubro a 7 de Novembro – a grande Festa da BDHORÁRIOS E LOCAIS DAS EXPOSIÇÕES:Núcleo CentralEstação de Metro Amadora/Este (Falagueira) Todos os dias das 10 às 22 horasCasa Roque GameiroLargo 1º de Dezembro (Venteira)/Telf: 2149280543ª a sáb. - das 10h às 12.30h e das 14h às 17hencerra domingos, 2ªs feiras e feriadoGaleria Municipal Artur BualAv. MFA - edifício dos Paços do Concelho (Mina)/Telf: 2143690663ª a 6ª - das 10h às 12.30h e das 14h às 18hsáb., dom. e feriados - das 15h às 18hencerra 2ªs feirasCentro Nacional de Banda Desenhada e ImagemAv. do Brasil 52A (Falagueira)/Telf: 2149989102ª a 5ª feiras - das 9 às 12.30h e das 14 às 17h6ª feiras - encerra às 18.30hsáb. e dom. - das 14h às 19h

CONTRA A CORRENTE, TUGIR, BLOGUE DE ESQUERDA

Mais algumas entradas interessantes em vários blogs, que por absoluta falta de tempo não vou desenvolver:Contra a Corrente (Aqui não resisto a comentar que um dos indicados como bom... enfim... E é o grande ideólogo deste Governo...)TugirBdE - Blogue de Esquerda (II)

SÉRIE D Nº4 - PARTAGAS

Trata-se de mais um charuto de "formato" robusto. Tem um comprimento de 124 mm e um diâmetro de 19,84 mm (50).partagasd4.jpgEsta vitola costuma despertar paixões entre os fumadores conhecedores e as últimas produções parecem ter voltado ao esplendor algo perdido de há uns anos atrás.É um charuto com excelente construção, agradável ao toque e visualmente e com muito boa combustão. Tem uma fortaleza média/forte.partagas.jpgA classificação do Fumaças: 4 (/5)Classificação do Havanoscope 2004: 4Classificação do Havanoscope 2005: 5Preço em Portugal: 7,28 €Espanha: 7 €França: 9,50 €Grã-Bretanha: 11 £Preços indicados por Cigar World (Portugal) e L'Amateur de Cigare.

BLOGS - A PROPÓSITO DE MARCELO REBELO DE SOUSA...

Uma carta publicada ontem no suplemento Local Lisboa, do Público:A Propósito de Marcelo Rebelo de Sousa... Quinta-feira, 21 de Outubro de 2004 Vem isto a propósito do caso do prof. Marcelo Rebelo de Sousa. Nasci e tenho vivido num pequeno concelho (Pombal) do litoral-centro (distrito de Leiria). Não milito em nenhum grupo partidário. Sou um simples cidadão nascido seis anos antes do 25 de Abril de 1974. E como cidadão, ingénuo, a pensar que haveria liberdade de expressão e de opinião, criei em Julho passado um "blog" na Internet que pretendia ser um espaço de reflexão e de debate de ideias, com críticas construtivas sobre o que está a acontecer na minha terra. Nomeadamente sobre a actividade da respectiva câmara municipal e outras instituições. Esse "blog", num espaço de dois meses, registou mais de 6.700 visitas, tendo sido comentado em grande número por outros cidadãos/munícipes. A respectiva autarquia, presidida pelo social-democrata eng. Narciso Mota, nunca usou o princípio do contraditório. Apesar de reconhecer que alguns dos temas abordados tinham a sua veracidade, alterando alguns procedimentos dando assim razão ao que por lá se escrevia. Reconhecendo que o "blog" era incómodo para o poder (leia-se, câmara municipal), o senhor presidente entendeu que a melhor forma de usar o "contraditório" era acabar com o mesmo. Vai daí, entrou em contacto com a direcção/administração da empresa onde eu trabalhava e denunciou a sua existência, fazendo ver que o "blog" era "gerido" em horas de expediente. A direcção da empresa, de imediato, e justificando que aquela situação lesava a relação institucional com a câmara municipal, até porque necessitava desta para legalizar algumas situações pendentes, despediu-me. Isto não argumentando com falta de profissionalismo ou de produtividade, mas sim porque o senhor presidente da câmara assim os contactou para o efeito. Esclareci a situação e comprometi-me a eliminar de imediato o "blog", o que foi feito e aceite. Precisamente um mês depois, e com alguns encontros realizados entre o presidente da câmara e a direcção/administração da empresa pelo meio, fui novamente confrontado com o despedimento. E, perante duas opções - instauração de processo disciplinar ou demissão voluntária -, optei pela segunda. Ou seja, a intervenção do senhor presidente da Câmara Municipal de Pombal neste processo é um facto. Tanto o é que um dos seus vereadores afirmou perante algumas pessoas que "já acabámos com o 'blog'". Esta situação é notoriamente idêntica à que aconteceu com o prof. Marcelo Rebelo de Sousa. Na sua proporção, obviamente. Mas com um senão - o meu futuro. Estou desempregado, com duas crianças de 20 meses para criar, casa e carro para pagar. E esposa também desempregada. E tanto mais que, ainda há dias, ouvi da boca de um eventual empregador: "reconheço que és a pessoa indicada para o meu projecto, mas quando o senhor presidente da câmara soubesse, caía o Carmo e a Trindade. E eu não quero ter problemas com esse senhor". É triste que 30 anos depois de uma revolução ainda haja quem, de uma forma nojenta e vergonhosa, censure as vozes discordantes para que estas não expressem livremente as suas opiniões Orlando Manuel Cardoso Pombal

CORRUPTOS DE TODO O MUNDO, UNI-VOS

Um esclarecedor texto de José Adelino Maltez, no Sobre o tempo que passa sobre a corrupção e o seu crescimento em Portugal.E também se recomenda a consulta do site indicado, da Transparency International onde se poderá constatar que a situação no nosso país está a piorar...

A INVASÃO DOS BRONCOS

Um excelente texto no Diário de Notícias da Madeira, que neste momento disputa com o Público o título de melhor jornal diário do país!Marta Caires dn010601.jpgA invasão dos "broncos" As cenas tristes de domingo, após o jogo Benfica-Porto, mostram bem o nível a que se chegou neste País. Foi lamentável o espectáculo a que se prestaram os dirigentes do Benfica, confundindo questões desportivas com assuntos pessoais. Só faltou a mão à cinta, tal como na praça, numa reles disputa de comadres. Não há paixão clubística, nem resultado desportivo que justifiquem semelhantes alarvidades. A baixeza dos comentários é, no entanto, o resultado das sucessivas vitórias dos "broncos" e medíocres na sociedade portuguesa. Ano após ano, associação após associação, cargo após cargo, essa gente sem educação foi tomando posse do espaço público. Perante a arruaça, as pessoas de bem desertaram. A bem da verdade, entregaram o País nas mãos da gentalha. E, porque houve deserção de quem tinha o dever de ficar, estamos como estamos. São os "broncos" que dirigem os clubes, os partidos políticos, que decidem a programação da televisão e impõem as regras. E, pior, vivem na impunidade, certos de que com o insulto, afastam os curiosos e evitam quem lhes possa pedir explicações. Este é o estado da Nação e, claro, da Região. Neste particular, a única especificidade é que começámos mais cedo a delegar responsabilidades a pessoas de capacidade duvidosa e manifesta falta de educação. Por isso, quase nada nos surpreende. mcaires@dnoticias.pt

NAVIO - VITORINO NEMÉSIO

Tenho a carne dorida Do pousar de umas aves Que não sei de onde são: Só sei que gostam de vida Picada em meu coração. Quando vêm,vêm suaves; Partindo,tão gordas vão! Como eu gosto de estar Aqui na minha janela A dar miolos às aves! Ponho-me a olhar para o mar: -Olha-me um navio sem rumo! E,de vê-lo,dá-lho a vela, Ou sejam meus cílios tristes: A ave e a nave,em resumo, Aqui,na minha janela. Vitorino Nemésio

quinta-feira, outubro 21, 2004

CORTES DE CIMA ESTREIA-SE COM PRÉMIOS NA PRODUÇÃO DE AZEITE

Há uma tradição a enraizar-se em Cortes de Cima… Não são só os vinhos a conquistarem algumas das maiores distinções internacionais. No ano de estreia na produção de azeites, a empresa do casal Hans e Carrie Jorgensen já surpreendeu os mais conceituados críticos, arrebatando uma menção honrosa no “XIII Concorso LEONE D'ORO Dei Mastri Oleari” e a medalha de ouro no “L.A. Country Fair 2004”. O produto, o Azeite Extra Virgem Cortes de Cima, que agora inicia a comercialização em Portugal e no Mundo.Conhecida em todo o mundo pelos seus vinhos alentejanos, a empresa familiar Cortes de Cima estreou-se na produção de azeite com a colheita de 2003. A concretização de um sonho dos seus responsáveis que, há 12 anos atrás, plantaram 50 hectares de olival no seu monte alentejano, acreditando que a região tinha condições naturais para produzir azeites de excelente qualidade. Um projecto que mais não é do que o resultado do espírito empreendedor e dinâmico que continua a caracterizar as Cortes de Cima. Se a primeira metade do ano ficou marcada pela distinção dos seus vinhos (algumas atribuídas pela primeira vez a Portugal) nos mais prestigiados concursos internacionais (Itália, Londres, França, Japão, São Francisco), o início da segunda metade de 2004 fica assinalado pela comercialização de um sonho da família Jorgensen: a produção de um azeite extra virgem no seu monte alentejano.186_1.jpgTudo começou em 1988, quando as Cortes de Cima se tornaram a casa de Carrie e Hans Jorgensen que, apaixonados pela região, resolveram comprar uma propriedade situada perto da Vidigueira. E como conta Hans Jorgensen, “algum tempo depois de me ter instalado em Portugal plantei um olival, pois sou de opinião que é uma cultura agrícola muito interessante e com um enorme futuro. Aliás, defendo que o azeite português, quando bem feito, tem uma excelente qualidade e é capaz de ombrear com os melhores do mundo”.As oliveiras plantadas são da variedade Cobrançosa, que se adaptaram muito bem à zona, ao solo e clima seco, “necessitando apenas dos tratamentos químicos mínimos, ao longo do ano”. Em 2003, teve início a apanha manual, nomeadamente, ”em meados de Outubro, ainda antes da chuva, quando o fruto ainda estava meio colorido, quando o olival ainda apresentava uma tonalidade esverdeada, pois queria fazer um azeite de reduzida acidez, com bons sabores e um ligeiro picante”. Imediatamente depois de terem sido transportadas para o lagar, as azeitonas foram transformadas em azeite por processos mecânicos (sem químicos), com extracção natural a frio, de forma a preservar os aromas e sabores do fruto. Depois de terminado o processo, o azeite foi guardado em depósitos, a temperaturas controladas, baixas e ao abrigo da luz, de modo a conservar todas as características naturais. Em Fevereiro de 2004 foi engarrafado na propriedade sem filtração, estando por isso sujeito à criação de depósito.Cortes de Cima - 7960-999 Vidigueira - Portugal - Tel. +351 284 460 060 - Fax +351 284 460 068Email wine@cortesdecima.pt Tem site: Cortes de Cima

SE O RÍDICULO MATASSE...

O jornal A CAPITAL decidiu apoiar publicamente a candidatura de John Kerry à presidência dos Estados Unidos. Apesar de ser uma tomada de posição extremamente esquisita, estão no seu direito. Mas já dizem que provavelmente não farão nada semelhante em eleições portuguesas: PúblicoAi se o Bush corta a publicidade n'A CAPITAL...

O ESCÂNDALO DAS ELEIÇÕES NAS ILHAS

Finalmente alguém ousa levantar a questão da desproporcionalidade entre a população e o número de deputados das ilhas. A insularidade não pode justificar tudo!Expresso - O escândalo das eleições nas ilhas - José António LimaRealço o seguinte excerto:Vamos agora ao escândalo por detrás das eleições nas ilhas. E que consiste no inacreditável número de deputados regionais - 52 nos Açores e 68 na Madeira - eleitos para representarem populações de cerca de 200 mil eleitores. E em sobreposição aos já muitos eleitos pelas ilhas noutro tipo de sufrágios. Estes deputados regionais, recorde-se, têm praticamente o mesmo estatuto, regalias, vencimentos e outras mordomias dos deputados nacionais. O que quer dizer que aos 320 deputados da Assembleia da República se podem somar mais 120 das ilhas (52+68), o que perfaz um contingente de quase meio milhar de parlamentares, 440, no nosso país. Mas o que se torna verdadeiramente incompreensível e inadmissível é a proporção deputados/nº de eleitores atribuída aos Açores e à Madeira. Se, no Parlamento de S. Bento e com um eleitorado nacional de 8 milhões e 700 mil recenseados, essa proporção é de um deputado por cada 37.900 eleitores, nas ilhas ela assume valores ridículos. Nos Açores, com 190 mil recenseados, a proporção é de um deputado por apenas 3.648 eleitores. E na Madeira, com perto de 230 mil recenseados, a proporção cai ainda mais, para um deputado por cada 3.355 eleitores. Para se ter uma noção mais aproximada do absurdo destes números, refira-se que a Assembleia da República deveria compor-se de 2.390 deputados se fosse levada em linha de conta a proporção deputado/nº de eleitores dos Açores e 2.598 deputados se fosse considerada a proporção da Madeira! Ao invés, se fosse aplicada às assembleias regionais a proporção nacional, os 68 deputados madeirenses reduzir-se-iam a 6 e os 52 parlamentares açorianos encolheriam para 5. Nada justifica esta distorção e tamanha desproporção. Nem a insularidade da Madeira nem a particularidade geográfica das nove ilhas dos Açores. Nada justifica quando, ainda por cima, os dois arquipélagos têm inúmeros representantes eleitos a nível local (19 presidentes de Câmara nos Açores mais 11 na Madeira, além de incontáveis vereadores, presidentes e representantes de juntas de freguesia), elegem cinco deputados cada um para o Parlamento nacional, têm, em regra, eleitos no Parlamento europeu. Nada justifica? Não é bem verdade. Há uma razão óbvia para tal excesso de deputados regionais e para tão escandalosa proporção entre eleitores e eleitos: o clientelismo partidário. Com umas largas dezenas de cargos políticos suplementares (e bem apetecíveis) para distribuírem entre as suas clientelas, os partidos insulares e nacionais não só silenciam como alimentam este absurdo, esta adiposidade de partidarite parlamentar. 68 deputados na Madeira?! 52 nos Açores?! Haja decoro. Ainda está para chegar o dia em que um líder partidário do PS ou do PSD (ou mesmo do PCP ou do CDS, que também aproveitam esta benesse de lugares) revele a coragem política necessária para denunciar e pôr fim a tal escândalo.

MAR SALGADO

Um excelente texto do Neptuno no blog Mar Salgado sobre o "caso" Buttiglione. Para quem não sabe é um indigitado comissário europeu, que tem sido atacado por infelizes declarações sobre a homosexualidade. Apesar de não concordar com elas, acho que tem o direito de dizer o que pensa e só a obsessão do "politicamente correcto" que por aí grassa tem provocado o barulho que aconteceu.BUTTIGLIONE II: Não me lembro qual o autor que disse (erro socrático?) que a moral é como a estricnina: vive na carne de porco. Isto para dizer que não nutro grande simpatia por Buttiglione, pelas suas opiniões ou pelas falanges ultra-conservadoras da Igreja que, segundo FNV, Buttiglione representa.Mas, a questão é exactamente essa. Desde que respeite os direitos dos outros - como manifestou que faria relativamente aos direitos dos homossexuais - Buttiglione, que foi democraticamente eleito, tem que ter o direito e a liberdade de emitir as suas opiniões. Certamente que não se baterá especialmente pelos direitos dos homossexuais, mas também não terá sido essa a sua base de apoio eleitoral.Continue a ler em: BUTTIGLIONE II

MAIS UM TIRO NO PÉ!

Começa a tornar-se verdadeiramente incrível o número de tiros no próprio pé dados por membros deste Governo ou seus comissários políticos.Agora foi na RDP. Vejam a reacção às declarações de Manuel Monteiro que se transcrevem a seguir:"Também me calaram" Manuel Monteiro diz ter sido vítima de pressões do PSD O líder da Nova Democracia, Manuel Monteiro, garante que foi alvo de pressões políticas do PSD, quando lhe foi retirado um convite da rádio Antena 1 para um programa de debate. O líder da Nova Democracia diz ainda que o ministro dos Assuntos Parlamentares tem de provar a existência de uma cabala. "Enquanto cabeça de lista pelo partido Nova Democracia fui convidado pela Antena 1 a participar num debate com os restantes cabeças de lista. No entanto, o PSD pressionou a estação de rádio para me retirar o convite, caso contrário, o cabeça de lista do PSD não iria ao debate", disse Manuel Monteiro. RDP:O director da Antena 1 da RDP confirma que a editora de política convidou Manuel Monteiro para a eventualidade de um debate alargado com os principais partidos. O afastamento terá sido decidido editorialmente depois de imposta uma "condição" por parte do PSD. Ambas as declarações no site da SICOu seja, confirma e isto independentemente da expressão utilizada não ser a correcta: conforme é dito pelo Jorge Ferreira no TOMARPARTIDO, não se tratou de uma eventualidade, mas de um convite efectivo, com data e hora!Um agradecimento também ao Nuno Moreira de Almeida, do arte de OPINAR!</b></a>, pela sua participação nesta cabala!

quarta-feira, outubro 20, 2004

RÊVÉ POUR L'HIVER - ARTHUR RIMBAUD

L'hiver, nous irons dans un petit wagon rose Avec des coussins bleus. Nous serons bien. Un nid de baisers fous repose Dans chaque coin moelleux. Tu fermeras l'oeil, pour ne point voir, par la glace, Grimacer les ombres des soirs, Ces monstruosités hargneuses, populace De démons noirs et de loups noirs. Puis tu te sentiras la joue égratignée... Un petit baiser, comme une folle araignée, Te courra par le cou... Et tu me diras : « Cherche ! » en inclinant la tête, — Et nous prendrons du temps à trouver cette bête — Qui voyage beaucoup... En Wagon, le 7 octobre 1870 Arthur Rimbaud

IRAN - 13 YEAR OLD SCHOOLGIRL SENTENCED TO DEATH BY STONING

via: IRAN FOCUSTehran, Oct. 16 - A 13-year-old schoolgirl has been sentenced to stoning in the town of Marivan (northwestern Iran). Zhila Izadi was condemned to death by stoning after giving birth to a child in prison 2 weeks ago.She was accused of committing ‘moral sin’ and giving birth to an ‘unholy child’. Her brother a 15-year-old boy who was also accused and is currently in prison in Tehran was given a sentence of 150 lashes, in accordance with Islamic laws.On Aug. 29 the Judiciary sentenced a woman, named Hajieh Esmaeel, to death by stoning in Iranian port city of Jolfa. Her fate remains unknown.On Aug. 15 of this year the Iranian regime publicly hanged a 16-year-old girl by the name of Atefeh Rajabi in the Iranian town of Neka for her ‘sharp tongue’.Last month the Iranian regime sentenced a 16-year-old Afghani boy by the name of Feyz Mohammad to execution in public for alleged drug smuggling.As a party to the International Covenant on Civil and Political Rights and the UN Convention on the Rights of the Child, Iran is bound not to execute child offenders. Both treaties provide that capital punishment shall not be imposed for offences committed by persons under 18 year of age at the time of committing the offence.

AMBROSE BIERCE

"A dúvida é a mãe da invenção."Ambrose Bierce (1842-1914); autor americano.

terça-feira, outubro 19, 2004

BALADA DA RITA

Disseram-me um dia, Rita (põe-te em guarda)aviso-te, a vida é dura (põe-te em guarda)cerra os dois punhos e andou (põe-te em guarda)e eu disse adeus à desditae lancei mãos à aventurae ainda aqui está quem falouGalguei caminhos-de-ferro (põe-te em guarda)palmilhei ruas à fome (põe-te em guarda)dormi em bancos à chuva (põe-te em guarda)e a solidão, não errose ao chamá-la, o seu nomeme vai que nem uma luvaAndei com homens de faca (põe-te em guarda)vivi com homens safados (põe-te em guarda)morei com homens de briga (põe-te em guarda)uns acabaram de macae outros ainda mais deitadoso coveiro que o digaO coveiro que o digaquantas vezes se apoiou na enxadae o coração que o contequantas vezes já bateu para nadaE um dia de tanto andar (põe-te em guarda)eu vi-me exausta e exangue (põe-te em guarda)entre um berço e um caixão (põe-te em guarda)mas quem tratou de me amarsoube estancar o meu sanguee soube erguer-me do chãoVeio a fama e veio a glória (põe-te em guarda)passearam-me de ombro em ombro (põe-te em guarda)encheram-me de flores o quarto (põe-te em guarda)mas é sempre a mesma históriadepois do primeiro assombrologo o corpo fica fartoO coveiro que o digaquantas vezes se apoiou na enxadae o coração que o contequantas vezes já bateu para nadaSérgio Godinho

ONZE!

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A GRANDE CABALA OU A GRANDE NULIDADE?

Não haja dúvida que o ministro Gomes da Silva se tornou em poucos dias um dos mais conhecidos deste Governo e pelos piores motivos!Hoje "ataca" outra vez, demonstrando ser politicamente uma verdadeira nulidade! E ninguém o demite?in: LUSA:19-10-2004 12:39:00. Fonte LUSA. Notícia SIR-6443771Temas: política portugal media governoTVI/Marcelo: Gomes da Silva sugere cabala Expresso/Público/MarceloLisboa, 19 Out (Lusa) - O ministro dos Assuntos Parlamentares, Rui Gomes da Silva, sugeriu hoje a existência de uma cabala contra o Governo entre o semanário Expresso, o jornal Público e o ex-comentador da TVI Marcelo Rebelo de Sousa.Ouvido hoje de manhã pela Alta Autoridade para a Comunicação Social (AACS) a propósito das declarações que proferiu dois dias antes da saída de Marcelo Rebelo de Sousa da TVI, Rui Gomes da Silva negou qualquer relação causal entre os dois acontecimentos.O ministro dos Assuntos Parlamentares rejeitou também que as suas afirmações tenham constituído, intencionalmente ou não, qualquer forma de pressão sobre a TVI, apesar de admitir que gostaria que aquela estação de televisão passasse a incluir comentadores com outras opiniões."O que o Expresso trazia ao sábado era, no dia seguinte, glosado no Público, e Marcelo Rebelo de Sousa domingo à noite desenvolvia o tema", disse Rui Gomes da Silva, queixando-se de afirmações "falsas" e "constantemente negativas" por parte do ex- presidente do PSD em relação à actuação do Governo.Questionado pela AACS sobre se estava a referir-se a "um conluio ou a uma cabala", o ministro respondeu que "as cabalas existem independentemente da vontade subjectiva de as constituir"."Eu posso entender que há...", acrescentou.Na próxima quinta-feira, a AACS ouvirá o presidente da administração da TVI, Miguel Paes do Amaral, de manhã, e o director de informação da estação, José Eduardo Moniz, da parte da tarde.A Alta Autoridade indicou que deverá ouvir na próxima semana Marcelo Rebelo de Sousa.IEL.Lusa/Fim

INCRÍVEL!

Mais uma hipótese incrível lançada pelo Governo:Obrigar as PME's a terem apenas uma conta bancária movimentável de modo a facilitar possíveis investigações do fisco!A ineficiência do Estado a provocar constrangimentos ao livre funcionamento das empresas!Já agora, por este andar ainda vamos assistir ao regresso do condicionamento industrial do tempo da outra senhora, com este Governo.

A DIREITA ESTATIZANTE

Uma excelente entrada no JUMENTO - SER DE ESQUERDA OU SER DE DIREITA? (2) que coloca o dedo na ferida: temos sido governados por uma direita estatizante que tem reforçado sucessivamente o peso do Estado na economia e que nada tem a ver com liberalismo.

CUBA - LA CAUSA Y LOS AZARES

via: CUBANETLa causa y los azaresLucas Garve, Fundación por la Libertad de ExpresiónLA HABANA, octubre (www.cubanet.org) - Nada escapa a la experiencia. Los agoreros de siempre, suerte de oráculos de lo malo, predijeron desde el anuncio de los apagones programados las contingencias que derivarían de ellos. Desde el punto de vista oficial, la culpa siempre cayó en el desdichado "bloqueo". Un estereotipo que utilizan para sacar paciencia del pozo del aguante, y hacer soportar una y otra vez las contingencias cotidianas.En la calle se escucha el balance de las contingencias que los medios de información nacionales no revelan. Desde robos de establecimientos comerciales hasta accidentes domésticos atraen la atención de los capitalinos en cualquier lugar donde más de una persona intercambie con su prójimo. El tema, el asunto, son los cortes de electricidad y sus consecuencias.En Santos Suárez, en la calle General Lee, un incendio provocado por una vela sobre un equipo de música, llamó la atención de todo el vecindario durante un apagón. Los vecinos, aburridos por la falta de electricidad en los hogares, tuvieron tema del cual conversar por un buen rato. En San Miguel del Padrón no paran de comentar el aumento de los robos en las bodegas.El incremento de los riesgos de accidente se ha multiplicado por los semáforos apagados. El semáforo de Monte y Belascoaín, en el conocido Cuatro Caminos, se volvió loco, pues cuando cambia enciende la luz verde y la roja al mismo tiempo, complicando la vida de los choferes que no saben si detenerse o avanzar.Ya varias zonas residenciales de la capital fueron declaradas "zonas de peligrosidad". Este indicador delincuencial sirve para evitar apagones prolongados. Si la oscuridad se prolonga mucho una razzia de hurtos y atracos puede ocurrir en ese sector. Magali, una señora entrada en años, residente en la Calzada de Bejucal, en pleno suburbio sur de la capital, me dijo que ni en caso de apuro abriría la puerta de su casa a cualquiera que la llamara durante las horas que dure el corte de electricidad nocturno. El estado de temor en que la hallé me empujó a pedirle calma y tranquilidad ante lo inevitable.Cualquiera padece de inestabilidad en estos días en que la pregunta más corriente es la de a qué hora se va la luz. Una frase muy utilizada en un programa cómico de la televisión, la han parafraseado, "tampoco la luz tiene momento fijo".Una joven en la parada del ómnibus sentenció en voz alta que la economía del país estaba congelada, quiso decir detenida, parada, pero un hombre de mucha más edad, la corrigió enseguida al agregar: "No está congelada porque no hay luz ni para que los refrigeradores hagan hielo, mi hijita". Una ola de descontento azota la isla tal vez con más fuerza que los vientos del huracán Iván. En tanto aumenta la verborrea de la propaganda oficial, aquellos oráculos de lo malo sentencian, convencidos con una fatalidad kármica: "Tenemos lo que nos merecemos". -------------------------------------------------------------------------------- Esta información ha sido transmitida por teléfono, ya que el gobierno de Cuba controla el acceso a Internet. CubaNet no reclama exclusividad de sus colaboradores, y autoriza la reproducción de este material, siempre que se le reconozca como fuente.

segunda-feira, outubro 18, 2004

IGREJA DE PEDRÓGÃO GRANDE - PORMENOR DO INTERIOR

DSCN4981.jpgPEDRÓGÃO GRANDE - 2004

TURQUIA NA UE?

in: Democracia LiberalAté há algum tempo atrás, muitos eram completamente contra a adesão da Turquia à UE. Ao facto de apenas parte do seu território se encontrar na Europa, juntavam-se múltiplos atropelos aos valores considerados essenciais: liberdade, respeito pelos direitos humanos e democracia.Agora há muitas dúvidas. Muitos ainda se continuam a opor, mas já não são tantos. E ainda por cima, Chipre, cuja situação geográfica é semelhante, entrou para a União!Nos últimos dois anos, houve mudanças substanciais nesse país. Teriam sido possíveis sem esse incentivo da possibilidade de adesão à União Europeia?· O poder dos militares foi substancialmente reduzido.· Os direitos do povo curdo são já mais respeitados (apesar de ainda haver muito por fazer nesta área).· A pena de morte foi abolida.· E mesmo a questão da lei que tornava o adultério um crime, foi rapidamente abandonada.Assim, é globalmente positiva a decisão de iniciar negociações sobre a possível adesão.É óbvio que o que foi feito nestes dois anos é profundamente positivo, mas muito mais estará por fazer e disso deverá depender o maior ou menor período que terá de decorrer até uma possível adesão plena.A Turquia terá de provar que o que foi feito até ao momento o foi de forma sincera e não apenas para conseguir a adesão. Terá de provar que apesar de ser um estado islamista respeita totalmente a laicidade e que a religiosidade não afecta a vida política do país. Terá de permitir absoluta liberdade religiosa – actualmente ainda há muitas limitações a outros credos religiosos.Terá de provar que a liberdade de expressão é absoluta, ao contrário do que se passa agora, em que ainda ocorrem muitas limitações. Também muitos esforços terão de ser feitos quanto aos direitos (actualmente ainda muito limitados) das mulheres. Mas o balanço dos últimos tempos é indubitavelmente positivo, pelo que é de saudar a abertura de negociações. Esperemos que o que foi feito até ao momento seja prosseguido, de forma a permitir que dentro de dez a quinze anos possamos acolher a Turquia como membro da EU e congratularmo-nos com a existência de um islamismo diferente daquele que vemos no Irão, no Iraque e em muitos outros países. Um islamismo tolerante e respeitador dos direitos do homem. Se assim for, valeu a pena!

domingo, outubro 17, 2004

LIRA ROMANTIQUINHA - CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE

Por que me trancaso rosto e o sorrisoe assim me arrancasdo paraíso?por que não queresdeixando o alarme(ai, Deus: mulheres)acarinhar-me?Por que cultivas as sem-perfumese agressivasflores do ciúme?Acaso ignorasque te amo tanto,todas as horas,já nem sei quanto?Visto que em suma é todo teu,de mais nenhuma o peito meu?Anjo sem fé nas minhas jurasporque é que éque me angusturas?Minh'alma chorafrio e tristinhonão te comoveeste versinho?Carlos Drummond de Andrade

sexta-feira, outubro 15, 2004

TRISTE PAÍS....

Ouvido há pouco em conversa no Metro:"O Juíz recebeu o processo de manhã e despachou-o logo à tarde"Pois é, mas a maioria espera anos pela resolução dos processos, isto quando não prescrevem...

DEPOIMENTO - MIGUEL TORGA

Não há céu que me queira depois disto,Nem deus capaz de ouvir-me.Um homem firmeÉ firme até no céu,E até dianteDo Criador!É o que eu diria se, ressuscitado,Fosse chamadoA depor!Miguel Torga

quinta-feira, outubro 14, 2004

ESTRELINHAS AO SÁBADO

Complementando a sua oferta de serviço de transporte e acompanhamento personalizado, a Estrelinhas que Brilham propõe actividades lúdico-pedagógicas para o mês de Outubro:estrelinhas.jpgestrelinhas_sabados2.jpg

FRANÇA VENDE MATERIAL SENSÍVEL À CHINA

via: Reporters Sans FrontièresUna empresa francesa participa en la construcción de la "gran muralla de las ondas"Mientras el presidente francés ha visitado Pekín, los días 9 y 10 de octubre, acompañado de una delegación de empresarios, Reporteros sin Fronteras quiere llamar la atención de Jacques Chirac sobre la utilización represiva de algunos de los materiales vendidos por empresas francesas. Según las informaciones recogidas por Reporteros sin Fronteras, algunos de los materiales de radio vendidos por la empresa francesa Thalès están siendo utilizado por el gobierno chino para interferir la programación de emisoras internacionales. Resulta lamentable que una empresa francesa participe así en la construcción de una "gran muralla de las ondas", que viola el derecho al libre acceso a la información de cientos de millones de individuos. Así, las antenas ALLISS, famosas por su eficacia y resistencia, instaladas por Thalès, entre otros lugares en la ciudad de Kashi (extremo noroeste del país), sirven para interferir los programas de las radios Voice of Tibet (con sede en Noruega), BBC World Service, Voice of America y Radio Free Asia. Esa instalación, en una región fronteriza aislada, permite al gobierno interferir muy eficazmente los programas de onda corta emitidos por dichas radios internacionales, desde Europa y Asia Central. Al parecer, existirían otra decena de puestos del mismo tipo, entre otros en la isla de Hainan (sur del país), al norte de Nanjing (Este), en Urumqi (Noroeste) y en Kunming (Sur). Un representante de Thalès en Pekín ha explicado a Reporteros sin Fronteras que en los contratos firmados con China no existe ninguna cláusula sobre la utilización de los equipos. Thalès vendió material, entre otros, a las autoridades chinas en 2001 y 2002. Por su parte, los responsables de las radios afectadas han confirmado a Reporteros sin Fronteras que el gobierno de Pekín ha mejorado notablemente, desde 2001, su dispositivo de interferencias. Por ejemplo, la emisora Radio Free Asia utiliza una decena de frecuencias, pero se ven sistemáticamente interferidas gracias a un doble dispositivo : la emisión de ruidos sordos y música, gracias a emisores de grandes ondas (de un alcance de cerca de 2.000 kilómetros), y emisores locales (alrededor de cinco kilómetros en torno a las grandes ciudades). El gobierno francés debe advertir a las empresas nacionales sobre el peligro que representa la venta de algunos materiales a las autoridades chinas. Sería lamentable que las empresas francesas se convirtieran en auxiliares de la policía y el Partido Comunista Chino, siguiendo el ejemplo de los vehículos italianos Iveco, reconvertidos por los chinos en cámaras móviles de ejecución, o de los buscadores vendidos por Cisco a Pekín, para bloquear millares de sitios de Internet e interceptar las comunicaciones electrónicas. El gobierno chino, que sin embargo es miembro de la Unión Internacional de Telecomunicaciones (UIT), se niega sistemáticamente a responder a las denuncias de los gobiernos concernidos como fue el caso, en diciembre de 2003, cuando la visita a China Popular del Ministros de Asuntos Exteriores británico, Bill Rammer. Antes que él, presentó varias denuncias ante la UIT el International Broadcasting Bureau (organismo público norteamericano encargado de la difusión de Radio Free Asia y Voice of America). El gobierno de Pekín las negó en bloque.

CLARA FERREIRA ALVES DIRECTORA DO DN

O Democracia Liberal tinha dado a notícia há uma semana; agora começa a aparecer noutros orgãos de comunicação!Clara Ferreira Alves é a nova directora do «Diário de Notícias» (DN), sucedendo a Fernando Lima, apurou o Jornal de Negócios.

O EQUILIBRISMO DE ZAPATERO

Na (vã) tentativa de agradar a todos, o Governo espanhol, através do seu embaixador em Havana, toma posições dúbias e extremamente contraditórias relativamente à política da União Europeia de apoiar os dissidentes cubanos e decide pactuar com o regime ditatorial de Fidel de Castro.via: CUBANETOpositores abandonan la recepción por el Día de la Hispanidad y critican discurso del embajador español Encuentro en la red, 13 de octubre de 2004. Representantes de la oposición interna cubana abandonaron este martes la recepción por el Día de la Hispanidad, a la que habían sido invitados por la Embajada de España en Cuba.Según la agencia EFE, Martha Beatriz Roque, una de las líderes de la Asamblea para Promover la Sociedad Civil, y Oswaldo Payá, coordinador del Movimiento Cristiano Liberación y Premio Sajarov del Parlamento Europeo, abandonaron la residencia del embajador español Carlos Alonso Zaldívar, tras escuchar el discurso del diplomático.Zaldívar dejó claro que España quiere liderar el proceso de cambio de la "insatisfactoria" relación entre la Unión Europea (UE) y Cuba, e insistió en la voluntad del gobierno de José Luis Rodríguez Zapatero de impulsar el diálogo con La Habana."Lamentablemente, la actual situación de las relaciones entre Cuba y España, y Cuba con la Unión Europea, es profundamente insatisfactoria", dijo.Para superar esta situación, se ha iniciado una "reflexión" en la UE que ha permitido llegar a "un consenso sobre la dudosa utilidad práctica de las medidas de junio de 2003 y la necesidad de sustituirlas por un instrumento más eficaz".El diplomático reconoció que aún no hay acuerdo, pero opinó que lograrlo será cuestión de tiempo "y no de mucho"."Queremos superar (la situación actual) de acuerdo con el resto de la Unión y, no lo ocultamos, España quiere liderar ese proceso", afirmó el embajador, y añadió que le habría gustado contar con miembros del gobierno cubano en la recepción por el 12 de octubre."Esperamos que pueda haber representantes del gobierno en las próximas fiestas nacionales", mientras tanto, "aspiramos a trabajar en línea con el gobierno de Cuba, con quienes disienten de su política, y con todo el pueblo cubano", concluyó.La postura española había levantado una gran expectación por la posibilidad de que decidiera no invitar a disidentes, rompiendo el acuerdo alcanzado por la UE en junio de 2003 en protesta por el encarcelamiento de 75 opositores.Las dudas se disiparon a finales de la pasada semana, cuando Madrid anunció su decisión de invitar a los opositores para evitar una ruptura de la postura comunitaria. Representantes de unas 14 organizaciones de la oposición interna habrían sido invitados a la recepción, según Europa Press.No obstante, el discurso de Zaldívar levantó reacciones encontradas entre la disidencia y los diplomáticos europeos asistentes.Oswaldo Payá consideró que la política europea "ha dado buenos resultados" y ha transmitido al pueblo cubano el mensaje de que "no está solo"."Si no hay diálogo es por el gobierno cubano, no es culpa de Europa", afirmó Payá. Pero Madrid "está en su derecho de volvernos a invitar o no", agregó.Elizardo Sánchez Santacruz, líder de la Comisión Cubana de Derechos Humanos y Reconciliación Nacional (CCDHRN), opinó que es importante que España asuma un papel de liderazgo en las relaciones con Cuba y que un cambio de estrategia de la UE no sería criticable si el gobierno cubano responde con hechos.Pero "no creo que lo haga", dijo. "Ojalá la diplomacia española tenga éxito, yo lo dudo mucho", comentó.Vladimiro Roca, presidente del Partido Socialdemócrata de Cuba, afirmó, por su parte, que el mensaje de Zaldívar "demuestra la debilidad del gobierno de Zapatero, demuestra que no tiene clara su posición hacia Cuba".La mayoría de los diplomáticos europeos reaccionaron con sorpresa ante el contenido político del discurso del embajador y se mostraron escépticos sobre un posible cambio a corto plazo en la estrategia comunitaria hacia La Habana."Ha sido un discurso de equilibrismo", dijo un diplomático europeo, y agregó que no será fácil para España liderar un cambio en la UE, porque "no hay consenso, los mecanismos están muy institucionalizados y hay que seguir un largo proceso".Otros calificaron "interesante" e "ilustrativa" la declaración de Zaldívar, aunque, dijo uno de los asistentes, "parece que se está tratando de hacer un ejercicio para quedar bien con todo el mundo".En junio de 2003 la UE anunció un paquete de medidas diplomáticas contra La Habana para protestar por el encarcelamiento masivo de disidentes. Entre las disposiciones europeas la que más molestó al gobierno de Fidel Castro fue la de invitar a opositores y familiares de presos políticos a las celebraciones de fiestas nacionales en las embajadas en la Isla.El régimen cubano respondió a las sanciones diplomáticas boicoteando las gestiones de las embajadas europeas ante ministerios y organismos cubanos, y limitando los contactos con funcionarios de alto rango de la Isla.

quarta-feira, outubro 13, 2004

OS MÉTODOS E OS AVISOS DE LUÍS DELGADO

E para encerrar este assunto, o texto do Luciano Alvarez no Público:Os Métodos e Os Avisos de Luís Delgado Por LUCIANO ALVAREZQuarta-feira, 13 de Outubro de 2004 "Um vendedor de antenas parabólicas, que se acha crítico de televisão, e da Imprensa em geral, passou aos insultos pessoais. Diz tudo do seu carácter e estatura mental. Trate-se, ECT [Eduardo Cintra Torres, cronista do PÚBLICO]. Interne-se, num hospital psiquiátrico." A frase é de Luís Delgado (numa crónica no "Diário Digital"), fiel seguidor de Pedro Santana Lopes, ainda presidente da agência Lusa e já nomeado para presidente executivo da Lusomundo Media ("Diário de Notícias", "Jornal de Notícias", "24 horas", "Tal & Qual", TSF e mais um grupo de jornais da imprensa regional). Eis o que pensa e como age um homem que se afirma jornalista e que há anos tem pena livre em vários órgãos de comunicação social sobre outro homem que faz o mesmo. "Interne-se, num hospital psiquiátrico". Talvez a memória falhe a Delgado, mais coisas deste género faziam-se na ex-URSS. Marcelo Rebelo de Sousa, não foi internado em qualquer hospital psiquiátrico, mas foi silenciado depois de criticado por outro fiel serventuário do poder santanista. Delgado é ainda mais ambicioso. E que não restem dúvidas, Delgado não está só a criticar Eduardo Cintra Torres, está a deixar um claro aviso intimidatório às direcções e chefias dos órgãos de comunicação social a que preside. Aqui, no PÚBLICO, fica Luís Delgado e os que lhe dão ordens desde já a saber que têm azar. Estejam ao serviço de Santana ou de outro qualquer poder.

COMENTÁRIO

Como puderam ler no texto anterior, Luís Delgado fez um claro aviso aos jornalistas que vão trabalhar sob as suas ordens. Mais do que criticar Eduardo Cintra Torres, há aqui um claro recado. É apenas mais uma pressão sobre os jornalistas e sobre a liberdade de informação...

E vinda de quem tem especiais responsabilidades na área da comunicação social, quer pelos cargos que desempenha ou vai desempenhar, quer por ser visto pela generalidade da ópinião pública como alegado comissário político do Governo...

A SANTA INQUISIÇÃO

Uma das pessoas que ficou extremamente incomodada com o texto anterior e tomou logo como suas as dores de outros, foi o conhecido comissário político Luís Delgado. Eis a sua "resposta", no Diário Digital:A Santa InquisiçãoLuís DelgadoO que é que leva pessoas inteligentes, que merecem respeito, a perder a cabeça, transformando-se em «copistas» da Santa Inquisição Mediática, que condenam, criticam, e pronunciam veredictos antes de ver e perceber a acção das pessoas?Felizmente, o tempo, as escolhas e as decisões mostrarão o erro primário, de censura prévia, em que incorreram.Não era preciso ser brilhante, nem premonitório, para antecipar essa luta política entre grupos que se degladiam ferozmente.Por mim, estou tranquilo: não será agora que vou fazer o que nunca fiz no DN, no DD ou na Lusa. Ponto final.Adenda: um vendedor de antenas parabólicas, que se acha crítico de televisão, e da Imprensa em geral, passou aos insultos pessoais. Diz tudo do seu carácter e estatura mental. Trate-se, ECT. Interne-se, num hospital psiquiátrico.

A BRUTALIDADE DE UM GOVERNO PERIGOSO

Repesco um texto de Eduardo Cintra Torres no Público da passada segunda-feira, que tem enfurecido muita gente...A Brutalidade Dum Governo Perigoso Por EDUARDO CINTRA TORRESSegunda-feira, 11 de Outubro de 2004 As declarações do ministro Rui Gomes da Silva (sim, ele é ministro), de quem se conhece uma única qualidade em mais de 20 anos de actividade política - a fidelidade canina a Pedro Santana Lopes -, estão abaixo do zero aceitável em democracia. São a ponta do iceberg de que não veremos o resto: não é conveniente ao sistema e às pessoas envolvidas que se conheçam as pressões exactas sobre a TVI. Mas sabemos que houve pressão política do pior governo de sempre sobre um órgão de informação privado. link: PúblicoMas como estes links são provisórios, anexa-se o resto do texto:Em defesa dos accionistas, a TVI dificilmente faria outra coisa que não falar com Marcelo Rebelo de Sousa. E este não poderia fazer outra coisa senão afastar-se de imediato se quisesse manter a independência. Paes do Amaral não estaria à espera que Rebelo de Sousa reagisse frontalmente, fazendo explodir na praça pública o que tantas vezes políticos, organizações e mesmos jornalistas escondem dos leitores e espectadores, como o director do "Expresso" aceita com aterradora naturalidade (09.10). Há alguns meses citei aqui um sociólogo de há um século, Ferdinand Tönnies: "A imprensa é livre, mas os jornalistas não". Quatro entidades da SIC - Alcides Vieira, Daniel Cruzeiro, Rita Ferro Rodrigues e Sofia Pinto Coelho - encheram então uma página do PÚBLICO escandalizando-se com a frase de 1922. "SOU LIVRE", escreveu, com maiúsculas, Rita, coitadinha. O caso Rebelo de Sousa comprova a evidência tantas vezes iludida sob as promessas de independência total dos órgãos de informação. A imprensa é livre, a TVI não. O discurso "ao país" de José Eduardo Moniz (TVI, 08.10) prometendo um futuro da informação da TVI igual ao passado foi patético, pois há uma semana estava lá Marcelo, hoje não. Isto também é válido para os outros órgãos de informação e grupos económicos num país em que o governo é tentacular. Mas há atitudes, ou circunstâncias, que distinguem as pessoas. O proprietário deste jornal, Belmiro de Azevedo, recordou na Gala dos 12 anos da SIC (06.10) a necessidade da independência dos órgãos de informação. A sua intervenção foi importante porque ocorreu no mesmo dia em que rebentou o caso Marcelo e porque ele se dirigia a Francisco Pinto Balsemão que, na primeira fila da plateia, tinha a seu lado o próprio Santana Lopes, saneador de Marcelo. Foi ele, Santana Lopes, quem, depois de Gomes da Silva, falou não uma mas duas vezes da saída de Rebelo de Sousa da TVI. Santana reiterou palavra por palavra o que antes dissera o seu fiel apaniguado: em resumo, que Marcelo estava a mais na TVI. Trata-se da mais grave intromissão directa e abertamente expressa por um primeiro-ministro de Portugal na liberdade de expressão, a primeira de todas as liberdades cívicas. Eu acho incompreensível que os órgãos de informação e comentadores não tenham sublinhado que Santana Lopes disse exactamente o mesmo que Gomes da Silva. A origem do problema não é Gomes da Silva, é Santana. Este governo é perigoso. A sua actuação nos "media" é e será de enorme brutalidade. E resulta da orientação de Santana, como o PÚBLICO indicava num relato sobre o Conselho Nacional do PSD de 3 de Setembro (09.10). A criação da "central de comunicação" por iniciativa do chefe do governo revela a prioridade absoluta de intervir sobre os "media". A forma como o governo impôs desavergonhadamente à maior empresa privada portuguesa, a PT, a nomeação de Luís Delgado para a administração da Lusomundo Media revela que Santana Lopes e o seu exército de "comunicação" não brincam em serviço: querem calar todas as vozes independentes e contrárias ao governo, onde quer que elas estejam. A entrada de Delgado já motivou duas demissões, a de Henrique Granadeiro, pontapeteado indignamente a dois meses do termo do seu mandato, e a de Silva Peneda, que não foi informado, como obrigavam os estatutos da empresa, da apressada nomeação do factotum comunicacional de Santana. Tal como Gomes da Silva, Delgado é apaniguado de Santana Lopes há longos anos, desde os tempos em que o próprio Santana tentou criar um grupo editorial para intervir politicamente, com o semanário "Liberal". Delgado não tem escrúpulos - começou a dizer mal do governo Barroso exactamente no momento em que a PT (então dirigida pelo PS) ajudou à fundação do seu "Diário Digital", mas, como Gomes da Silva, conhece-se-lhe apenas a fidelidade a Santana, de quem é conselheiro e público defensor nos seus artigos e intervenções na SICN, na RDP, no "Diário Digital" e no "DN", onde mantém espaços apesar de estar na administração da Lusomundo Media, proprietária do mesmo "DN". É importante sublinhar que a estratégia de "comunicação" não está isolada do resto da acção do núcleo mais santanista do governo. Ele tentará manter enorme pressão sobre os "media" porque Santana e o seu grupo não querem mais nada da política. Para eles, vencer é manter-se na crista da opinião pública o máximo tempo possível. A governação é irrelevante. Há muita coisa a fazer no governo sem ser governar. Há interesses invisíveis. Daí que seja preciso alimentar os "media" com irrelevâncias, como Santana tem feito desde há 20 anos, e calar as vozes contrárias (o que, agora no governo, se torna vital para não quebrar o feitiço sobre a opinião pública e alguns e algumas jornalistas). O núcleo do governo será "mole" em todas as áreas, como se viu nos casos da ponte do feriado e da Via do Infante, pois o que quer é manter-se o máximo tempo no activo; esse é o único factor de "unidade" dos membros do governo entre si. O governo só será "duro" numa área, a única que Santana conhece a fundo e que sempre significou o seu ganha-pão político: os "media". Estes são tempos tenebrosos para o país. E o PS, será alternativa? Cautela também com ele. Armado em cordeiro nesta crise em torno do caso Marcelo, o PS fez avançar como porta-voz no parlamento o mesmo homem que durante anos representou a política comunicacional do guterrismo, também ela tentacular, semelhante à de Santana, talvez um poucochinho menos brutal e certamente menos desajeitada que a de Gomes da Silva e menos obsessiva que a de Santana. Qual a credibilidade do PS socrático nas suas críticas se mantém a mesma postura e as mesmas pessoas? Não me esqueço que esse Arons de Carvalho enviou ao director do PÚBLICO uma carta na sua qualidade de secretário de Estado pressionando o meu afastamento destas páginas por delito de opinião. A carta foi publicada neste jornal. Gomes da Silva e Arons de Carvalho, a mesma luta. Santana e Sócrates, a mesma luta?