sexta-feira, outubro 31, 2003

PIRATA

Sou o único homem a bordo do meu barco.Os outros são monstros que não falam,Tigres e ursos que amarrei aos remos,E o meu desprezo reina sobre o mar.Gosto de uivar no vento com os mastrosE de me abrir na brisa com as velas,E há momentos que são quase esquecimentoNuma doçura imensa de regresso.A minha pátria é onde o vento passa,A minha amada é onde os roseirais dão flor,O meu desejo é o rastro que ficou das aves,E nunca acordo deste sonho e nunca durmo.Sophia de Mello Breyner

CONTO PROPAROXÍTONO

Um conto vindo do Brasil, de autor desconhecido (enviado pelo Frederico Benjamim)Era a terceira vez que aquele substantivo e aquele artigo se encontravam no elevador.Um substantivo masculino, com um aspecto plural, com alguns anos bem vividos pelas preposições da vida. E o artigo era bem definido, feminino, singular: era ainda novinha, mas com um maravilhoso predicado nominal. Era ingênua, silábica, um pouco átona, até ao contrário dele: um sujeito oculto, com todos os vícios de linguagem, fanáticos por leituras e filmes ortográficos.O substantivo gostou dessa situação: os dois sozinhos, num lugar sem ninguém ver e ouvir. E sem perder essa oportunidade, começou a se insinuar, a perguntar, a conversar. O artigo feminino deixou as reticências de lado, e permitiu esse pequeno índice. De repente, o elevador pára, só com os dois lá dentro: ótimo, pensou o substantivo, mais um bom motivo para provocar alguns sinônimos.Pouco tempo depois, já estavam bem entre parênteses, quando o elevador recomeça a se movimentar: só que em vez de descer, sobe e pára justamente no andar do substantivo. Ele usou de toda a sua flexão verbal e entrou com ela em seu aposto. Ligou o fonema, e ficaram alguns instantes em silêncio, ouvindo uma fonética clássica, bem suave e gostosa. Prepararam uma sintaxe dupla para ele e um hiato com gelo para ela. Ficaram conversando, sentados num vocativo, quando ele começou outra vez a se insinuar. Ela foi deixando, ele foi usando seu forte adjunto adverbial e rapidamente chegaram a um imperativo, todos os vocábulos diziam que iriam terminar num transitivo direto. Começaram a se aproximar, ela tremendo de vocabulário, e ele sentindo seu ditongo crescente: se abraçaram, numa pontuação tão minúscula, que nem um período simples passaria entre os dois.Estavam nessa ênclise quando ela confessou que ainda era vírgula: ele não perdeu o ritmo e sugeriu um longo ditongo oral, e quem sabe, talvez, uma ou outra soletrada em seu apóstrofo. É claro que ela se deixou levar por essas palavras, estava totalmente oxítona às vontades dele, e foram para o comum de dois gêneros. Ela totalmente voz passiva, ele voz ativa. Entre beijos, carícias, parônimos e substantivos, ele foi avançando cada vez mais: ficaram uns minutos nessa próclise, e ele, com todo o seu predicativo do objeto, ia tomando conta dela inteira. Estavam na posição de primeira e segunda pessoas do singular, ela era um perfeito agente da passiva, ele todo paroxítono, sentindo o pronome do seu grande travessão forçando aquele hífen ainda singular.Nisso a porta abriu repentinamente. Era o verbo auxiliar do edifício. Ele tinha percebido tudo, e entrou dando conjunções e adjetivos nos dois, que se encolheram gramaticalmente, cheios de preposições, locuções e exclamativas. Mas ao ver aquele corpo jovem, numa acentuação tônica, ou melhor, subtônica, o verbo auxiliar diminuiu seus advérbios e declarou o seu particípio na história. Os dois se olharam, e viram que isso era melhor do que uma metáfora por todo o edifício. O verbo auxiliar se entusiasmou, e mostrou o seu adjunto adnominal.Que loucura, minha gente. Aquilo não era nem comparativo: era um superlativo absoluto. Foi se aproximando dos dois, com aquela coisa maiúscula, com aquele predicativo do sujeito apontado para seus objetos. Foi chegando cada vez mais perto, comparando o ditongo do substantivo ao seu tritongo, propondo claramente uma mesóclise-a-trois.Só que as condições eram estas: enquanto abusava de um ditongo nasal, penetraria o gerúndio do substantivo, e culminaria com um complemento verbal no artigo feminino. O substantivo, vendo que poderia se transformar num artigo indefinido depois dessa, pensando em seu infinitivo, resolveu colocar um ponto final na história: agarrou o verbo auxiliar pelo seu conectivo, jogou pela janela, e voltou ao seu trema, cada vez mais fiel à língua portuguesa, com o artigo feminino colocado em conjunção coordenativa conclusiva.Agora, quem coloca ponto final sou eu. Ou melhor: coloco dois. Um, é para não perder a mania. Outro, é porque isso é um conto rápido, e não uma oração adjetiva explicativa.

75CL.INFO

Um site francês sobre vinhos:75cl.infoPara além de milhares de informações sobre vinhos, secções de gastronomia (com conselhos sobre como armonizar a escolha de um vinho com determinados tipos de refeições), uma enciclopédia sobre temas vinícolas, cultura (vinho e poesia, vinho e arte, vinho e a Bíblia, etc), conselhos de degustação, dicas de moradas, citações, festas e eventos emuito muito para ver e aprender!Um dos poemas disponíveis, do Charles Baudelaire:Le vin du solitaire (Les Fleurs du mal) Le regard singulier d´une femme galanteQui se glisse vers nous comme le rayon blancQue la lune onduleuse envoie au lac tremblant,Quand elle veut y baigner sa beauté nonchalante ;Le dernier sac d´écus dans les doigts d´un joueur ;Un baiser libertin de la maigre Adeline ;Les sons d´une musique énervante et câline,Semblable au cri lointain de l´humaine douleur ;Tout cela ne vaut pas, ô bouteille profonde,Les baumes pénétrants de ta panse fécondeGarde au coeur altéré du poète pieux ;Tu lui verses l´espoir, la jeunesse et la vie,Et l´orgueil, ce trésor de toute gueuserie,Qui nous rend triomphants et semblables aux dieux.Também tem loja, em 75cl.com, com a particularidade de ter entre as 11 e as 16 horas (francesas) um escanção que responde em menos de uma hora a questões que sejam colocadas!Por fim, chamo a atenção para um dossier que foi elaborado sobre o Vinho e a Bíblia, com direito a site autónomo:bible.75cl.comUm excerto, já traduzido: Lucas 5:36-39 “Propôs-lhes também uma parábola: Ninguém tira um pedaço de um vestido novo para o coser em vestido velho; do contrário, não somente rasgará o novo, mas também o pedaço do novo não condirá com o velho. E ninguém deita vinho novo em odres velhos; do contrário, o vinho novo romperá os odres e se derramará, e os odres se perderão; mas vinho novo deve ser deitado em odres novos. E ninguém, tendo bebido o velho, quer o novo; porque diz: O velho é bom”.

quinta-feira, outubro 30, 2003

IP BARRADO

Informo que, aproveitando as funcionalidades do weblog, o utilizador com o IP 62.48.147.5 foi banido. Pode ir colocar comentários ordinários para outro lado!

1ª TAÇA DO MUNDO DE PESCA AO ACHIGÃ

Realiza-se, em Portugal, entre 19 e 23 de Novembro, na Barragem do Cabril, estando a organização a cargo da Federação Portuguesa de Pesca Desportiva.BARRAGEM DO CABRIL - PEDRÓGÃO GRANDE - 2003

IRÃO

SUPPORT BLOG-IRANAPOIE BLOG-IRAN

BLOG-IRAN was an idea that arose from the minds of Activists, Bloggers and Web Surfers who were all strong supporters of the Iranian struggle for freedom and had grown tired not only of the lack of attention being given to the movement in the mass media, but also the lack of public awareness and knowledge on the subject. Backed by the desire to spread truth and awareness about a people suffering incredible injustices and the will to answer the Iranian cry for freedom, these activists formulated BLOG-IRAN, a grassroots movement supported by bloggers, activists and web surfers from around the world.

The movement's objective is to unite in support of the Iranian people by providing the readership of web-logs (blogs) with a weekly dose of news, views and other movement-related goodies. Bloggers who join the "Blog-Iran" movement vow to write a weekly log, article, or movement update in an effort to gradually raise not only the level of awareness/knowledge of the people, but also to build unity in support of the Iranian people who are struggling for freedom day in and day out.

The BLOG was selected as the medium for this grassroots project because it has become one of the world's most free forms of expression. "Blog-Iran" is the link between every blogger that supports the Iranian movement for freedom. If you're a blogger and this sounds like something you simply must be a part of, Join Now!

BLOG-IRAN é uma ideia surgida de activistas, bloggers e web-surfers fortes apoiantes do esforço iraniano de luta pela liberdade e que estavam cada vez mais cansados, não só da falta de atenção dada ao movimento nos media, mas também da falta de consciência pública e conhecimento do assunto. Suportado pelo desejo de difundir a verdade e o conhecimento sobre um povo que sofre incríveis injustiças e pela vontade de responder ao grito iraniano de liberdade, estes activistas criaram o BLOG-IRAN, um movimento suportado por bloggers, activistas e web-surfers de todo o mundo.

O objectivo do movimento é unir-se no apoio ao povo iraniano, providenciando aos leitores de blogs semanalmente notícias e pontos de vista. Bloggers que se juntem ao movimento BLOG-IRAN, comprometem-se a escrever semanalmente uma entrada num esforço para aumentar o nível de conhecimento das pessoas, mas também para construir a unidade no suporte ao povo iraquiano, na sua luta diária pela liberdade.

Os blogs foram seleccionados como o meio utilizado neste projecto por serem uma das formas de expressão mais livres do mundo. BLOG-IRAN é a ligação entre cada blogger apoiante do movimento iraniano pela liberdade. Se é blogger e isto lhe soa a algo de que deverá fazer parte, Adira!</b>

quarta-feira, outubro 29, 2003

JOSÉ

E agora, José?A festa acabou,a luz apagou,o povo sumiu,a noite esfriou,e agora, José?e agora, você?você que é sem nome,que zomba dos outros,você que faz versos,que ama, protesta?e agora, José?Está sem mulher,está sem discurso,está sem carinho,já não pode beber,já não pode fumar,cuspir já não pode,a noite esfriou,o dia não veio,o bonde não veio,o riso não veionão veio a utopiae tudo acaboue tudo fugiue tudo mofou,e agora, José?E agora, José?Sua doce palavra,seu instante de febre,sua gula e jejum,sua biblioteca,sua lavra de ouro,seu terno de vidro,sua incoerência,seu ódio - e agora?Com a chave na mãoquer abrir a porta,não existe porta;quer morrer no mar,mas o mar secou;quer ir para Minas,Minas não há mais.José, e agora?Se você gritasse,se você gemesse,se você tocassea valsa vienense,se você dormisse,se você cansasse,se você morresse...Mas você não morre,você é duro, José!Sozinho no escuroqual bicho-do-mato,sem teogonia,sem parede nuapara se encostar,sem cavalo pretoque fuja a galope,você marcha, José!José, para onde?Carlos Drummond de Andrade

ALBERT EINSTEIN

"Imagination is more important than knowledge."
Albert Einstein (1879-1955)

É DIFÍCIL SER LIBERAL...

Afinal, não é só em Portugal que é difícil ser liberal! Decorreu entre os dias 23 e 25 de Outubro, no Senegal o 52º Congresso da Internacional Liberal, que passou quase sem menções na imprensa estrangeira, enquanto o congresso da Internacional Socialista, é o que se sabe...Fica aqui o link para o site da Internacional Liberal, onde podem ser consultados os documentos do Congresso, estando em breve disponíveis as principais conclusões:Liberal International

GRANDE FNV!

Parabéns ao Filipe Nunes Vicente do Mar Salgado, pela pequena investigação que fez. Pequena, apenas por ele ser do "ramo", mas a maioria das pessoas não se lembraria de o fazer!CATCH ME IF YOU CAN: O psiquiatra apresentado pelo advogado de Carlos Silvino, ontem ao tribunal, diz que Bibi está amnésico. Este psiquiatra não está inscrito na Ordem, no colégio da especialidade ( isto confirmei eu), mas é "conselheiro económico honorário da Embaixada do Panamá".posted by FNV on 11:10 AM

SHIRIN EBADI

Uma entrevista com a prémio Nobel da Paz, dada há três anos, mas ainda actual, obtida no site Bad Jens. É muito comprida, mas vale a pena ler, até para concluir que em três anos, pouco ou nada mudou no Irão!A short visit with Shirin EbadiShortly after Shirin Ebadi was released from prison three years ago, she gave an interview that was published in Iran in the feminist journal, Jens-e Dovom. Bad Jens translated the interview and posted it in its fourth edition. Several months later, a member of Bad Jens had a scary encounter with authorities and in the panic that ensued, the article was mistakenly removed from the site. In light of Ms. Ebadi’s recent Nobel Peace Prize award, we dug up the interview for your reading pleasure.(To read some comments by the head of the reformist party, The Participation Front, and by conservatives in reaction to Shirin Ebadi’s win, click here.) An arrested attorney, and her wishes and worriesBy Lily FarhadpourAt 6 PM, 28th of June 2000, Shirin Ebadi puts down the phone, and thinks only one thing: "Receiving a summons after business hours cannot possibly be a good sign".The phone rang again. It was Mehrangiz Kar, who was her close friend and also her attorney, enquiring about what had happened. Mehrangiz herself had just been released from prison a week earlier.The court officer who came for Shirin had to wait an hour because she had to inform her husband and brother so they could accompany her. She also had to tell her mother to take care of her daughters.At the station, the questioning did not take long and the arrangements for her detainment were quickly made. Outside, there was a car waiting to take her to prison for further questioning. She only thought of her brother and husband, who had to return home to her daughters, and of her mother, who was anxiously waiting for news. She did not want them to be worrying alone any longer.From time to time, she would ask: "Have you told the others that the questioning is over, and that I'm being transferred to prison?" And the officers would reply that it was taken care of. Nevertheless, she asked one more time before getting into the car. And again, they replied the same. Relieved, she got in. It was 9:30 pm when the car headed towards Evin prison.After her release 25 days later, she learned that her husband and brother had been waiting outside until late for news about her. Upon a great deal of insisting, they were finally informed of her transfer from the officer on duty.I met with Shirin for a short visit, a few days after the first sentence was passed. The sentence read 15 months imprisonment, and a ban from practicing law for 5 years.She still feels sad when she remembers her waiting companions on that night and is angry about the officers’ breach of promise: "My brother and my husband waited for me until past midnight. It was 1:30 am when they arrived home. Imagine what my mother and daughters went through, not having any news until that late."All of her 25 days of detainment were spent in solitary confinement, in ward No. 209, one of the women’s cells. She was there alone, in absolute silence."During detainment”, she says, “the officer's behavior was good, the food was fine enough, and medical care was accessible - but I was forbidden to read books."I asked her how her days were spent. “Often, I would read the mafatih [a prayer book] which I had taken with me, and I also read the Qoran, which was already in the cell.” After 18 days they allowed her to use the library, “but the prison library was available only to men. So they chose some books and brought them to me."In 1969, Shirin Ebadi applied for a position at the Ministry of Justice. In 1975, at the age of only 28, she became the first Iranian woman to be appointed judge.Since 1993, she has worked as an attorney, and has dealt with a number of important cases, like the one of "Little Arian", the little girl who died under the abuse of her father and stepmother.One should also mention the case of Ezatholah Ebrahimnejad, a young man killed in the “university incident" of July 1999. The police had searched the universities for students who were involved in the demonstrations or who were talking politics. Later, “unknown” paramilitary groups attacked the students in the presence of police officers.I asked her how she had become Ebrahimnejad’s lawyer. Shirin explained: "A few months after the event, I read an interview with Ebrahimnejad's father in a newspaper. He said he had decided to sell his home to be able to pay a lawyer's wages. I said to myself, "What kind of place are we living in!", and I wrote a letter to that newspaper, saying I would accept the case free of charge. Afterwards, I learned that other lawyers had done the same. But Ebrahimnejad's family chose me. It was for a simple reason..."But the reason was not so simple. Indeed it shows how complicated gender issues are in Iran. Among Ebrahimnejad's family, only his sister could follow the case, and she preferred a woman lawyer because she would feel more comfortable, and because there would be no talking behind her back."But the presence of her father”, Shirin continued, “was necessary for signing the documents. When he came over, I found out he was still paying the loan he had gotten for his son's university fees. He said all he now had was the body of his son on his hands."When asked about her other cases, she referred to the Forouhar family, i.e. Darioush and Parvaneh Forouhar, who were murdered two years ago by security police. Shirin is the lawyer of Parastoo and Arash Forouhar [the couple's daughter and son]. “When the court announced the sentence”, she mentioned, “I thought that I was done. But then they announced they would allow attorneys to read all the documents, so my investigation had actually only begun."Another of Shirin’s cases concerned Leila Fathahi, the eleven year old Kurdish girl who had been savagely raped by three men. They killed her and hid her body, which was found after a week. Shirin explained: "The three men were arrested, but only one of them confessed, and after a few months he committed suicide. So the only evidence we had disappeared. The others were condemned to pay qesas". The law of qesas, which is the penal law used in the Islamic Republic, is based on the right of the victim or victim's family to demand retribution from the perpetrator of the crime against them (cf. Women, Work & Islamism, by Maryam Poya).“After the suicide, Leila's father was asked to pay qesas himself. Otherwise, he was told, no one would be punished. He was forced to sell all his property, and for months he spent his nights at the Imam’s tomb. But the sentence was not carried out, because one of the killers escaped, and the appeals court acquitted the last of the three, who was released. I tried to reverse the last sentence, and fortunately, the high court of appeals ruled in my favor. So now myself, Leila's family, and the law are all looking for him - among 60 million Iranians – in order to hold a new trial."When Shirin thinks of the delays her cases have undergone, she’s surprised by the short time it took her own sentence to be issued.Accepting such tough cases free of charge is common in Iran, and Shirin has accepted a number of them:Jame-e salem magazine, which was shut down two years ago.Abbas Maroofi, editor of Gardoon magazine, shut down about four years ago (currently in appeals court).Dr. Asadollah Peyman, a political activist.Faraj Sarkohi, editor of Adineh, who was arrested two years agoetc., etc."All of those were free of charge”, she explains, “if I had to pay rent for my office, I wouldn't be able to afford it."Her office is located on the lower floor of her house. I could hear the voices of children playing in a yard during the interview. Shirin is also head of an NGO called the National Association in Support of Children's Rights.I asked her to speak about herself a bit more. “When women were banned from judgeship”, she said, “I retired from the Ministry of Justice, which amounted to starting a career in begging.” She applied for attorneyship, but had to wait eight years for a license. During that time, she wrote several books, the first one being about children rights. The book, which won a prize at Al Zahra University, has been translated into English by UNICEF. " Before that”, she says, “no one had any idea about children’s rights in Iran. I had to introduce and explain what children’s rights are."She then published a book called Comparing Children’s Rights, in which she compared the Convention on the Rights of the Child to children's rights in Iran. “Gradually”, she continued, “I became more interested in human rights issues. I wrote Refugee Rights in Iran followed by Human Rights History and Documentation in Iran."The latter was translated at Columbia University, and was published in the US. Shirin has a number of other books on law in Iran to her name. "I'm the first lawyer who had a book translated into English and published abroad”, she says, “and my book on human rights has become a reference."***But what happened to Shirin prior to her arrest? In February of 2000, an elderly, retired man came to Shirin's office, asking her to be his son’s lawyer. His son had been arrested following the university incident. But his explanations weren’t clear enough, so she didn't accept the case.In March, as the judge was about to convene the trial concerning the incident, Shirin decided to mention the retired gentleman to her colleague, Mr. Rohami, who was representing the student protesters. Soon after, the man came to Shirin's office again. But this time, his son, Amir Farshad Ebrahimi, was with him, and Mr. Rohami was in the know, so Shirin accepted.Two months later, in June of 2000, Mr. Rohami and Shirin Ebadi were arrested. They were accused of working against the Islamic Republic, in connection with video recordings of what Amir Farshad Ebrahimi had told them. In the video, Ebrahimi, who was facing charges for attacking students, revealed himself as a member of the vigilante groups who frequently appeared at gatherings to beat up students and reformists. He exposed the inner workings of the groups’ goings-on and accused influential conservative figures of playing a role in recent attacks on reformist activists. Shortly after the tape was made, he was detained by the judiciary and while in custody, retracted his statements and claimed the video was a “forced confession”.I asked her: "If your sentence is upheld in the appeals court, you will be banned from practicing law for five years. What do you intend to do?". She answered, “I waited for my license to work as an attorney for eight years, and now, after only seven years of work, they want to deprive me again. I don’t know... perhaps I’ll write more books. I want to do research on human rights and try to secure those rights for my people. My academic duty is to prove that we can be Muslim and faithful to Islamic tenets while striving for better laws.... We can also be committed to human rights."***It was sunset when our interview came to an end. An autumn sunset, melancholic as usual. I could still hear the voices of children from the yard. Sometimes, in a sunset's blinding light, things can't be seen properly. In Shirin's office, you can see many images of Lady Justice; a bronze statue, a plaster statue, and illustrations on book covers laying around Shirin's big, disordered library. But I don't know why all the scales were tilted...

terça-feira, outubro 28, 2003

RÁDIO LATINA

RÁDIO DA SEMANA: Rádio LatinAEntre outras:Arrimate Pa Ca --> Orquestra AragonChan Chan --> Compay Segundo De Camino a La Vereda --> Ibrahim Ferrer El Cuarto de Tula --> Eliades Ochoa Hasta Siempre Comandante Che Guevara --> Carlos Puebla Y Sus Tradicionales Mambo King --> Tito Puente Maria Maria (Pumpin' Dolls Mixes) --> Santana /The Product G&B Quimbara --> Celia Cruz /Johnny Pacheco /Tito Puente Vuelvo Al Sur --> Gotan Project Mantem-se o link para a Rádio IF, que foi quinto lugar do top da Rádio Cotonete

BARRAGEM DO CABRIL

BARRAGEM DO CABRIL - PEDRÓGÃO GRANDE - 2003

REFERENDO EUROPEU

Começou a recolha de assinaturas.Podem fazer o dowload e impressão das folhas da petição, a partir do link em baixo. As folhas não podem sofrer qualquer alteração, senão perdem validade.As folhas preenchidas (de preferência na totalidade), deverão ser enviadas para uma sede da Nova Democracia: Sede NacionalRua da Constituição, 3194200-199 PORTODelegação de LisboaRua da Trindade, 36 - Sobreloja1200-302 LISBOAPetição Referendo Europeu

segunda-feira, outubro 27, 2003

FALEMOS DE COISAS BONITAS

Dedicado ao Jorge Monteiro, prematuramente desaparecido e com quem tive o prazer de trabalhar alguns meses.linguagem das flores Um blog baseado nas flores: poemas, fotos, descrições, significados e conselhos sobre as flores. De consulta semanal, pela pouca assiduidade! Mas vale a pena.»Grilhões de Andrômeda«. Um blog brasileiro, com magnífica apresentação, óptimas fotos e bons textos.Despenseiros da Palavra. Também brasileiro, conjuga (e bem) poesia, literatura e pensamentos esparsos.Eu adoptei. E há algo mais belo do que adoptar uma criança?

BRAVENET

Os contadores da Bravenet deste blog e do antigo "foram ao ar"! Desapareceram, pura e simplesmente. Tendo contactado a empresa, obtive a resposta que se segue, pelo que coloquei contadores novos e retomei a contagem, mais ou menos onde eles estariam!Dear Joao Fernandes,We experienced some technical difficulties with the Hit Counter service on Friday Oct. 24 which resulted in some data loss. You will first have to delete the Counter copy paste code on your page, then login to your account and recreate a new Counter and paste the new code on your page.1. Login to your Bravenet account2. Click on "Counter/Site Stats"3. Click Create a new Counter Sorry for the inconvenience this has caused.

MEMÓRIA CURTA

Incrível a falta de memória da Arq. Helena Roseta. Será um daqueles fenómenos psicológicos de querer esquecer o passado? Ao passar do PPD/PSD para o PS esqueceu tudo o que passou no anterior partido?"O PS, por seu lado, está confrontado com um dos momentos mais difíceis da sua história. Haja ou não haja maquinação, não pode negar-se que, a pretexto deste caso, Ferro Rodrigues tem sido alvo da mais terrível campanha mediática jamais travada contra qualquer político desde o 25 de Abril." (art. completo em: A clarificação...)Já não se lembra da terrível campanha de O Diário e do PC contra Francisco Sá Carneiro? Eu, não esqueci! Essa sim, foi decerto a mais terrível campanha contra um político a seguir ao 25 de Abril e será quase impossível pior! Artigos a achicalhar diariamente, milhares de pinturas pelas paredes (Carneiro caloteiro, paga o que deves...), pedidos frequentes de demissão, nem metade disso aconteceu a Ferro Rodrigues!

DADO 2000

Álvaro de Castro & Dirk Niepoort Partindo de uma ideia de Rolf Niepoort, o seu filho Dirk Niepoort e Álvaro de Castro associaram-se e criaram o Dado - um tinto loteado com vinhos da região do Dão e do Douro. As poucas garrafas produzidas já se encontram no mercado, vestidas com um rótulo original e inovador.A combinação de duas importantes regiões vitivinícolas portuguesas na mesma garrafa representa mais um projecto de Dirk Niepoort: “O meu pai sempre me disse que o melhor vinho nacional seria um lote do Dão e do Douro. Provando alguns vinhos antigos da Real Companhia Velha (Granton) cheguei à conclusão que realmente podem ser vinhos fantásticos”.Há três anos “resolvi meter mãos à obra e contactei o Álvaro de Castro, perguntando-lhe se estaria interessado em fazer parte dessa criação”. O produtor da Quinta da Pellada recorda que “ao receber o telefonema do Dirk, percebi desde logo a ideia dele, pois tinha lógica”.Os dois produtores reuniram-se e provaram vários dos seus vinhos do Dão e do Douro, tentando procurar e definir a estilística desejada e possível. “Podíamos ter feito um vinho preto na cor, muito intenso e concentrado”, afirma Dirk Niepoort. “No entanto, preferimos tentar conjugar a gordura e a intensidade do Douro com a elegância e a longevidade dos tradicionais vinhos do Dão, ou seja, criar um vinho com um bouquet expressivo, uma excelente estrutura, bons taninos saborosos e uma acidez marcada, mas acima de tudo um tinto fino e complexo com harmonia entre todos os componentes”.Da região do Douro, foram utilizados vinhos muito encorpados, taninosos, ricos e carnudos (de vinhas velhas com exposição a Norte mas com boa maturação) com um lote de vinhos com menos cor mas com mais acidez e um lado austero e duro de vinhas velhas da Quinta de Saes e da Quinta da Pellada.O resultado: “um vinho com boa cor, não muito frutado, mas com um bouquet de uma exuberância e intensidade pouco usuais em Portugal. Na boca é extremamente expressivo e fino, com uma grande harmonia entre a concentração, os bons taninos (não em quantidade mas em qualidade) e a boa acidez que dá um lado austero ao vinho. Penso que tem uma grande longevidade e irá evoluir muito bem em garrafa”, refere Dirk Niepoort.Nota de prova: É viciante cheirar este vinho, tal é o encanto e a sedução do bouquet. Nariz muito definido e expressivo com a elegância sobressair desde o primeiro instante. Suave. Na boca confirma-se a boa estrutura, assim como a harmonia e o equilíbrio que ficou no primeiro contacto. Fresco. Os taninos finos e de qualidade sentem-se ao longo da prova e aparecem no longo final de boca. Um vinho que deslumbra e se bebe com um enorme prazer.Porto, 6 de Outubro de 2003INFORMAÇÕES GERAIS Nome da vinha: Quinta da Pellada e Quinta de NápolesIdade das cepas: 60 anosCastas: Jaen,Touriga Nacional,Tinta Amarela, Touriga Franca e Tinta RorizForma de condução das videiras: Guyot duplo e cordão bilateralDensidade das cepas por ha: 6.000Tipo de solo: Xisto Rendimento por ha: 10 hect./lExposição solar da vinha: váriasAltura acima do nível do mar: 100 a 200 metrosIrrigação: nãoForma de vindima: caixasPeríodo da vindima: OutubroFermentação: cuba de aço inoxMalolatica: barricasEstágio: 18 meses em barricas de carvalho francês Engarrafado: Junho 2002Produção: 3.800 garrafasINFORMAÇÕES TÉCNICAÁlcool: 13,30 % vol.Açúcar residual: 1.62 g/lAcidez total: 5,60 g/l ac. tartáricoAcidez volátil: 0.61 g/l ac. acéticoPh: 3.58Estrato seco: 30,50SO2 no Enchimento: 37 mg/lEnviado por Nuno Miguel Borges

Nº5 - MONTECRISTO

AINDA O PIPI...

Charlotte, tem toda a razão: foi uma vergonha não me ter apresentado; a timidez tem destas coisas! Mas acho a ideia d'O Comprometido Espectador óptima: marque lá o almoço para os quatro...

CORREIO

- O mail mais antigo é de um blog onde são trocadas ideias entre um grupo de leitores, que lê em simultâneo uma determinada obra:LEITURA PARTILHADAVou decerto passar por lá.- O Leonel Vicente comunica a passagem do "aaanumberone" para a weblog.pt em:Memória VirtualContinuo a seguir, com muito interesse.- Um agradecimento do Jorge Ferreira, do tomar partido, por ter sido considerado um dos imprecindíveis do momento. Não tem de agradecer; escolho os que considero os melhores na altura em que leio. A única questão é que já não consigo ler tudo de seguida, pelo que por vezes cometo injustiças por não considerar alguns blogs com bons textos que só vejo tarde demais!- Um mail do leitor Nuno Miguel Borges sobre o último projecto vinícola de Dirk Nieeport. Será publicado esta semana. Obrigado!-Um blog de Carlos Alves, com estórias bastante interessantes:Prosa Solta-Um agradecimento do Francisco Nunes, pelas palavras elogiosas e comentários. reitero a minha opinião - uma lufada de ar fresco este blog: Planície heróica-O anúncio por parte do FMA do BLOG SEM NOME da criação do blog Método Eleitoral, onde irão ser sistematizados os contibutos de quase duas dezenas de blogs sobre alterações ao sistema eleitoral português.-Um aviso do NunoP, que descontinuou o antigo endereço, passando a actualizar apenas o "novo" Janela Para o Rio PT. Também pede para actualizarem os links. (vais sofrer pouco, vais... - passado um mês, apenas metade dos blogs actualizou os links para o FUMAÇAS! E continuam a aparecer blogs novos que colocam o link antigo!)-Por fim, o anúncio de um blog, JOIAS DA COROA.Vou seguir; parece-me ter reflexões interessantes.

FALTA DE ÉTICA

Um caso sintomático da falta de ética que por aí anda, aquele que nos é transmitido por este novo blog:Casa Abandonada

domingo, outubro 26, 2003

NO MEU PRATO

No meu prato que mistura de Natureza! As minhas irmãs as plantas, As companheiras das fontes, as santas A quem ninguém reza... E cortam-as e vêm à nossa mesa E nos hotéis os hóspedes ruidosos, Que chegam com correias tendo mantas Pedem "Salada", descuidosos..., Sem pensar que exigem à Terra-Mãe A sua frescura e os seus filhos primeiros, As primeiras verdes palavras que ela tem, As primeiras cousas vivas e irisantes Que Noé viu Quando as águas desceram e o cimo dos montes Verde e alagado surgiu E no ar por onde a pomba apareceu O arco-íris se esbateu...Alberto Caeiro

quinta-feira, outubro 23, 2003

AUSÊNCIA

Volto domingo à noite.DIVIRTAM-SE!

CITAÇÕES CÉLEBRES

No meio do trânsito, estão, lado a lado, um Mercedes com uma madame finíssima e um Fiat Uno bem velhinho, onde vai o Zé dos bigodes.

O Zé grita, buzina, faz um escarcéu por causa do trânsito ... até que, a fina madame baixa o vidro e diz-lhe:
- Oh meu senhor, "A paciência é a mais nobre e gentil das virtudes!",
Shakespeare, em "Macbeth".

O tipo do Uno não se intimida e replica: - "Tou-me cagando pra essa merda!", Ferro Rodrigues, em "Processo da Casa Pia".

O MAIOR PARTIDO PORTUGUÊS

Não haja dúvidas: é o maior partido português. Já sabiamos que era o único a conseguir ser poder e oposição, reconquistando autarquias com listas completamente opostas às anteriormente no poder (mas todos do PSD). Agora também já conseguem incidentes entre eles!Militantes do PSD Agrediram Autarca Social-democrata de Benfica Por JOSÉ ANTÓNIO CEREJO - PUBLICOQuarta-feira, 22 de Outubro de 2003 Uma advogada eleita pelo PSD para a Assembleia de Freguesia de Benfica deixou ontem o seu partido em maus lençóis na Assembleia Municipal de Lisboa. Sem papas na língua, a militante social-democrata, que já foi membro do Conselho de Jurisdição distrital do partido, relatou as condições em que foi "violentamente agredida" por quatro outros membros do PSD, à saída da última reunião da Assembleia de Freguesia de Benfica. Artigo completo em: A.F. Benfica

EU É QUE SOU O PIPI

Era esta a frase que constava no badge que era entregue aos convidados do lançamento do livro "O meu pipi", ontem à noite, no Royal Maxime, em Lisboa.Estiveram presentes centenas de bloggers e alguns VIPs. Entre estes reparei, na Alexandra Lencastre e no Mário Zambujal, que se fazia acompanhar da filha (ai filha, ai filha ... continua, continua... - já perceberam, ou tenho de ser mais explícito?). Entre os bloggers, estavam os mais conhecidos, como o Ricardo Araujo Pereira, o Pedro Mexia ou o Paulo Querido, entre muitos outros. Como me esqueci dos charutos em casa, passei incógnito e pude assistir com a minha mulher a tudo calmamente, só tendo tido que dar um autógrafo!A apresentação do livro foi feita pela Charlotte (que é mesmo uma bomba!) e pelo Nuno Miguel Guedes (que mostrou um humor tal que o vai levar rapidamente a fazer parte da equipa do Gato Fedorento).Seguiu-se a leitura de alguns excertos da obra, da forma como ele bem sabe, pelo Rui Unas. Pena que ele não tivesse levado as Unetes!Por fim, foi apresentado um pequeno filme, onde o Sr. Pipi acaba por retirar a máscara com que se apresentou. Quem é? Tivessem ido e sabiam tanto quanto eu!Como balanço final, só posso dizer que foram uns momentos bem passados, no meio de alguns rotos e resmas de gajas boas!

TEMPESTADE À VISTA

TEMPESTADE AO PÔR DO SOL - 2003

HISTÓRIA ANTIGA

Era uma vez, lá na Judeia, um rei.Feio bicho, de resto:Uma cara de burro sem cabrestoE duas grandes tranças.A gente olhava, reparava e viaQue naquela figura não haviaOlhos de quem gosta de crianças.E, na verdade, assim acontecia.Porque um dia,O malvado,Só por ter o poder de quem é reiPor não ter coração,Sem mais nem menos,Mandou matar quantos eram pequenosNas cidades e aldeias da nação.Mas,Por acaso ou milagre, aconteceuQue, num burrinho pela areia fora,FugiuDaquelas mãos de sangue um pequenitoQue o vivo sol da vida acarinhou;E bastouEsse palmo de sonhoPara encher este mundo de alegria;Para crescer, ser Deus;E meter no inferno o tal das tranças,Só porque ele não gostava de crianças.Miguel Torga

quarta-feira, outubro 22, 2003

HEDIARD & FAUCHON

Acrescentados dois "pesos-pesados" da área da mercearia fina, de França. Ambos têm serviço de exportação, apesar do primeiro ter apenas 12% de vendas no estrangeiro, enquanto as do Fauchon representam 70%. A Hédiard tem excelentes ofertas quer no café, quer no chá, dado que tem especialistas que buscam permanentemente novas misturas e novos fornecedores com o máximo possível de qualidade. Hédiard
Fauchon

BLOGS

Faz hoje uma semana que ocorreu a apresentação do livro BLOGS no Mercado da Ribeira. Por falta de tempo, não escrevi na altura sobre este assunto, mas como mais vale tarde do que nunca, cá vão as minhas impressões.Na mesa estavam os autores, Luís Ene e Paulo Querido, bem como o editor, Libório Silva, que mostrou ser alguém empenhado naquilo que faz e que conhece perfeitamente o que edita!Após os autores e editor terem dito algo sobre o livro, passou-se a um período de interacção com alguns dos bloggers presentes. Pena que a maior parte tenha ficado calada! O primeiro foi o Vicktor Reis. Igualmente falou o Manuel Marques, um dos mais idosos bloggers em actividade (também estava presente uma das mais jovens, a Catarina). E lá acabei por "botar faladura"!Encerrada a apresentação, seguiu-se uma troca mais informal de palavras entre os que se mantiveram por ali. Comecei por conhecer a Catarina Campos, que é uma simpatia! Também falei com o mordaz Francisco Nunes, que tive muito prazer em conhecer. Por fim, fui alvo do teste da cigarrilha por parte do Crítico. Como aceitei a que ele me ofereceu (se não me engano uma Montecristo), ficou convencido de que talvez fosse eu mesmo!É claro que como já é hábito nestas andanças se discutiu quem seria o O Meu Pipi, o que se está a tornar uma verdadeira obsessão! Já agora, hoje é a apresentação do livro no Royal Maxime!

É DIFÍCIL SER LIBERAL EM PORTUGAL

O Espírito das Leis Editora tem o prazer de anunciar que na próxima 5ª feira, às 21.30 h. no Majestic (R. Sta. Catarina), no Porto se realiza a sessão de lançamento do livro "É Difícil Ser Liberal em Portugal" da autoria de Carlos Abreu Amorim.Então, parabéns ao CAA - Mata-mouros e que venham mais!

NOVA FUNCIONALIDADE

Com a grande ajuda do Rui (Adufe), do Paulo (Eu adoptei) e do Paulo Querido, foram introduzidos dois repertórios das categorias. Um primeiro está do lado direito, ao cimo e indica as categorias, com o número de entradas de cada uma. Clicando nas categorias, acede-se a todas as entradas de cada categoria, por ordem de data, da mais recente, para a mais antiga.O segundo repertório está no fim e lista por categoria as várias entradas, com indicação do título e também começando pela mais recente.Quem quiser consultar uuma categoria, vendo todas as entradas deverá utilizar a primeira listagem. Quem quiser só consultar uma determinada entrada, deverá optar pela segunda.

terça-feira, outubro 21, 2003

BAR L

Uma boa ideia deste bar em Lisboa:SAIA À NOITE EM SEGURANÇA!!!!!! SAIA À NOITE E ESTACIONE SEMPRE À PORTA!!!!!! SAIA À NOITE E NÃO SE PREOCUPE COM O SEU CARRO!!!!!! SAIA À NOITE E NÃO SE PREOCUPE COM O BALÃO!!!!!! SAIA DE TÁXI E NÃO GASTE MAIS POR ISSO!!!!!! Peça a factura do táxi e apresente no nosso bar que lhe oferecemos a primeira bebida.

GRAMMATICA RUDIMENTAR

Aquelle Manuel do RegoÉ rapaz de tanto tinoQue em lirio põe sempre y grego,E em lyra põe i latino!E como a gente diz ceiaEscreve sempre ceiar;Assim como de passeiaTira o verbo passeiar!Nunca diz senão peiorNão só por ser mais bonito,Mas porque achou num auctorQue deriva de sanskrito.Escreve razão com s,E escreve Brasil com z:Assim elle nos quizesseDizer a razão porquê!Também como diz - eu soubeJulga que eu poude é correcto:Temo que a morte nos roubeRapazinho tão discreto!É um gramático o Rego!É um purista o finorio...Se Camões fallava grego,E o Vieira latinorio!João de Deus

DEVANEIOS III

DEVANEIOS - 2003

RÁDIO BALADA

RÁDIO DA SEMANA: Rádio Baladaiframe name="cotonete" src="http://www.cotonete.iol.pt/minhacotonete/link_code.asp?code=E83992405413513AB_21374_3_FFFFFF" width="100" height="30" border="0" noresize scrolling="no" hspace="0" vspace="0" frameborder="0" marginheight="0" marginwidth="0"></iframe>Algumas canções:Angie --> The Rolling Stones Avalon --> Roxy Music Father and Son --> Cat Stevens Hotel California --> EaglesSlave To Love --> Bryan Ferry Still Loving You --> Scorpions That Ole Devil Called Love --> Alison Moyet Mantem-se o link para a Rádio IF, dado que foi segundo lugar do top da Rádio Cotonete

DEVANEIOS II

DEVANEIOS - 2003

ROBUSTO da FÁBRICA DE TABACO ESTRELLA

Conforme tinha sido prometido, uma apreciação a este charuto, para o qual me chamou a atenção, em boa hora, o Francisco José Viegas.
Trata-se de um robusto, maduro, com cerca de 13 cm de comprimento e 2 de diâmetro. Tem um início suave, ganhando progressivamente força, tendo um fim bastante forte. Vem em caixa (algo simples) de 20 unidades, sem cinta. Não é claramente um charuto para iniciação!
Quanto a mim, entra directamente para o lugar de melhor charuto português, ombreando facilmente com alguns dos melhores que se fazem lá fora. São três quartos de hora de prazer garantido. A caixa custa 74 euros.
Entretanto o meu amigo Pedro Gomes assinalou-me a presença no site da CigarWorld de uma caixa dos mesmos charutos, mais luxuosa e com estes cintados! O preço também é ligeiramente superior: 85 euros.

DEVANEIOS I

DEVANEIOS - 2003

AGRADECIMENTO

Um agradecimento (algo atrasado) ao Cataláxia por ter considerado o Fumaças um dos cinco melhores blogs da semana de 5 a 12 de Outubro!

segunda-feira, outubro 20, 2003

IMBECIL PRIMEIRO MINISTRO

As rubricas IMBECIL DE ESQUERDA e IMBECIL DE DIREITA não têm tido clientes, mas hoje surge esta nova categoria: IMBECIL PRIMEIRO MINISTRO"Actualmente os judeus dirigem o mundo por procuração. Conseguem que os outros se batam e morram por eles."Mahathir Mohamad, primeiro ministro da Malásia, na abertura da cimeira da OCI (Organização da Conferência Islâmica).

QUEM ME DERA

Quem me dera que a minha vida fosse um carro de bois Que vem a chiar, manhãzinha cedo, pela estrada, E que para de onde veio volta depois Quase à noitinha pela mesma estrada. Eu não tinha que ter esperanças — tinha só que ter rodas ... A minha velhice não tinha rugas nem cabelo branco... Quando eu já não servia, tiravam-me as rodas E eu ficava virado e partido no fundo de um barranco.Alberto Caeiro

domingo, outubro 19, 2003

QUEM SERÁ O SENHOR QUE SE SEGUE?

Quantos dias mais aguentará Ferro Rodrigues como secretário geral do Partido Socialista?E quem será o senhor que se segue?São estas as perguntas que mais são feitas (dentro e fora do PS) desde que foram revelados mais alguns dados relativamente às escutas constantes do processo "Pedroso", onde estão "mimos" como a declaração de Ferro Rodrigues ao líder parlamentar do partido - "Tou-me a cagar para o segredo de Justiça!" .A estas acrescento mais algumas:Como é possível que um político aparentemente responsável como o líder da oposição profira frases destas?Como é possível que o segredo de Justiça continue em Portugal a ser furado impunemente?Quem terá sido o responsável moral por mais esta revelação?E por fim uma pergunta de cariz mais pessoal: qual seria o filme que o secretário geral estava a ver quando o líder parlamentar lhe telefonou esta semana? Era tão interessante que Ferro Rodrigues se limitou a dizer que estava a ver um filme e desligou sem querer sequer saber o que lhe queria dizer António Costa!

sexta-feira, outubro 17, 2003

BOM FIM DE SEMANA!

Por manifesta falta de tempo, ficam para a próxima semana notas sobre a apresentação do livro do Paulo Querido e do Luís Ene (ocorrida anteontem), resposta ao correio da última semana, agradecimentos a quem "noticiou" a mudança do FUMAÇAS (e alguns foram extremamente simpáticos!) e transferência de alguns bons blogs da secção "Tudo ao molho..." para outras.Divirtam-se!

A NUVEM SOBRE A PÁGINA

Semelhante à imóveltransparênciaà inesgotável faceà pedra larga onde o olhar repousa Água sombra e a figuraazul quase um jardim por sob a sombra a iminência viva aéreade uma palavra suspensana folhagem Semelhante ao disperso ao ínfimo chama-se agora aqui o sono da erva a ligeireza livrea nuvem sobre a página. António Ramos Rosa

JOÃO PAULO II

Um suplemento do Le Monde, descoberto via Un swissroll:Jean Paul II

BLOGOLIBERDADE

CUBANO NÃO É MENOS QUE PORTUGUÊS. LIBERDADE PARA OS CUBANOS EDITAREM OS SEUS BLOGS SEM SEREM INCOMODADOS PELA POLÍCIA POLÍTICA DE FIDEL CASTRO. VENCEREMOS! (in BOTA ACIMA)PELA LIBERDADE DE TODOS OS CUBANOS CONSTRUIREM E PUBLICAREM OS SEUS BLOGS NA INTERNET SEM SEREM INCOMODADOS PELA POLÍCIA POLÍTICA DE FIDEL CASTRO. PORQUE OS CUBANOS NÃO MERECEM MENOS QUE OS BRASILEIROS E OS PORTUGUESES. (in Segredos de Demetér) Podem contar com o FUMAÇAS!Perguntam-me: o que podemos fazer?Pouco, é verdade. Mas podemos sempre difundir, falar, fazer pressão. É sempre possível fazer qualquer coisa, mesmo que seja pouco!

quinta-feira, outubro 16, 2003

NÓS RECORDAMOS

Outro texto fantástico, que fica a marcar indelevelmente o pontificado de João Paulo II, é de 1998 e refere as relações entre judeus e cristãos, regularizando-as. Este texto foi da responsabilidade da Comissão para as Relações Religiosas com o Judaísmo, mas só foi possível pelo empenho posto pelo Papa neste assunto.NÓS RECORDAMOS: UMA REFLEXÃO SOBRE O SHOAH I. A tragédia do Shoah e o dever da memória Está a concluir-se rapidamente o século XX e já desponta a aurora de um novo milénio cristão. O Bimilenário do nascimento de Jesus Cristo solicita todos os cristãos e convida, na realidade, cada homem e cada mulher a procurarem descobrir no fluxo da história os sinais da divina Providência em acção, e os modos como a imagem do Criador presente no homem foi ofendida e desfigurada. Esta reflexão refere-se a um dos principais sectores em que os católicos podem tomar a peito seriamente o apelo que João Paulo II lhes dirigiu na Carta Apostólica Tertio millennio adveniente: «Assim, quando o segundo milénio já se encaminha para o seu termo, é justo que a Igreja assuma com maior consciência o peso do pecado dos seus filhos, recordando todas aquelas circunstâncias em que, no arco da história, eles se afastaram do espírito de Cristo e do seu Evangelho, oferecendo ao mundo, em vez do testemunho de uma vida inspirada nos valores da fé, o espectáculo de modos de pensar e agir que eram verdadeiras formas de anti-testemunho e de escândalo» (1). O século actual foi testemunha de uma indizível tragédia, que jamais poderá ser esquecida: a tentativa do regime nazista de exterminar o povo judaico, com o consequente morticínio de milhões de judeus. Homens e mulheres, adultos e jovens, crianças e recém-nascidos, só porque eram de origem judaica, foram perseguidos e deportados. Alguns foram trucidados imediatamente, outros foram humilhados, maltratados, torturados, privados completamente da sua dignidade humana e, por fim, mortos. Pouquíssimos de quantos foram internados nos campos de concentração sobreviveram, e ficaram aterrorizados durante a vida inteira. Este foi o Shoah: um dos principais dramas da história deste século, um facto que ainda hoje nos diz respeito.Diante deste horrível genocídio, em que os responsáveis das nações e as próprias comunidades judaicas julgaram difícil acreditar no momento em que esse era perpetrado sem misericórdia. ninguém pode ficar indiferente, menos de todos a Igreja, em virtude dos seus vínculos estreitíssimos de parentesco espiritual com o povo judaico e da recordação que ela nutre das injustiças do passado. A relação da Igreja com o povo judaico é diferente daquela que entretece com qualquer outra religião (2). Não se trata apenas de retornar ao passado. O futuro comum de judeus e cristãos exige que nos recordemos, porque «não há futuro sem memória» (3). A própria história é memoria futuri. Ao dirigir esta reflexão aos nossos irmãos e irmãs da Igreja católica espalhados pelo mundo, pedimos a todos os cristãos que se unam a nós na reflexão sobre a catástrofe que atingiu o povo judaico, e sobre o imperativo moral de fazer com que o egoísmo e o ódio nunca venham a crescer a ponto de semear sofrimentos e morte (4). De modo particular, pedimos aos nossos amigos judeus, «cujo destino terrível se tornou símbolo da aberração a que pode chegar o homem, quando se volta contra Deus» (5), que predisponham o seu coração a escutar-nos. II. O que devemos recordar Ao dar o seu singular testemunho do Santo de Israel e da Tora, o povo judaico sofreu enormemente em diversos tempos e em muitos lugares. Mas o Shoah foi, sem dúvida, o pior sofrimento de todos. A inumanidade com que os judeus foram perseguidos e massacrados neste século supera a capacidade de expressão das palavras. E tudo isto lhes foi feito só porque eram judeus. A própria enormidade do crime suscita muitos interrogativos. Historiadores, sociólogos, filósofos, políticos, psicólogos e teólogos procuram conhecer mais acerca da realidade e das causas do Shoah. Muitos estudos especializados ainda devem ser feitos. Mas um semelhante evento não pode ser plenamente medido só através dos critérios ordinários da investigação histórica. Ele evoca uma «memória moral e religiosa» e, em particular entre os cristãos, uma reflexão muito séria sobre as causas que o provocaram. O facto de o Shoah ter tido lugar na Europa, isto é, em países de longa civilização cristã, apresenta a questão do relacionamento entre a perseguição nazista e as atitudes dos cristãos, ao longo dos séculos, em relação aos judeus. III. As relações entre judeus e cristãos A história das relações entre judeus e cristãos é uma história conturbada. Reconheceu-o o Santo Padre João Paulo II nos seus repetidos apelos aos católicos a considerarem a nossa atitude a respeito das nossas relações com o povo judaico (6). Com efeito, o balanço destas relações durante os dois milénios foi bastante negativo (7). No alvorecer do cristianismo, depois da crucifixão de Jesus, surgiram contrastes entre a Igreja primitiva e os chefes dos hebreus e o povo hebraico que, em obediência à Lei, às vezes se opuseram com violência aos pregadores do Evangelho e aos primeiros cristãos. No império romano, que era pagão, os hebreus eram legalmente protegidos pelos privilégios que o Imperador lhes garantia, e num primeiro momento as autoridades não fizeram distinção entre as comunidades hebraicas e cristãs. Muito cedo, porém, os cristãos foram vítimas da perseguição do Estado. Quando, em seguida, os próprios imperadores se converteram ao cristianismo, em primeiro lugar continuaram a garantir os privilégios aos hebreus. Mas grupos exacerbados de cristãos que atacavam os templos pagãos, nalguns casos fizeram o mesmo em relação às sinagogas, não sem sofrerem a influência de certas interpretações erróneas do Novo Testamento concernentes ao povo hebraico no seu conjunto. «No mundo cristão – não digo da parte da Igreja enquanto tal – circularam por demasiado tempo interpretações erróneas e injustas do Novo Testamento sobre o povo judaico e a sua presumível culpa, gerando sentimentos de hostilidade no que se refere a esse povo» (8). Tais interpretações do Novo Testamento foram total e definitivamente rejeitadas pelo Concílio Vaticano II (9). Não obstante a pregação cristã do amor para com todos, compreendidos os próprios inimigos, a mentalidade prevalecente no decurso dos séculos penalizou as minorias e quantos eram de algum modo «diferentes». Os sentimentos de antijudaísmo nalguns ambientes cristãos e a divergência que existia entre a Igreja e o povo judaico conduziram a uma discriminação generalizada, que às vezes redundava em expulsões ou em tentativas de conversões forçadas. Numa grande parte do mundo «cristão», até ao final do século XVIII, quantos não eram cristãos nem sempre gozaram de um status jurídico plenamente garantido. Apesar disto, os judeus espalhados por todo o mundo cristão permaneceram fiéis às suas tradições religiosas e aos costumes que lhes são próprios. Por isso foram considerados com uma certa suspeita e desconfiança. Em tempos de crise como carestias, guerras e pestes ou de tensões sociais, a minoria judaica foi muitas vezes tomada como bode expiatório, tornando-se assim vítima de violências, saques e até mesmo massacres. Entre o final do século XVIII e o início do século XIX, os judeus tinham geralmente atingido uma posição de igualdade em relação aos outros cidadãos na maioria dos Estados, e um certo número deles chegou a desempenhar papéis influentes na sociedade. Mas neste mesmo contexto histórico, em particular no século XIX, surgiu um nacionalismo exasperado e falso. Num clima de rápida transformação social, os judeus foram muitas vezes acusados de exercer uma influência desproporcionada em relação ao seu número. Então começou a difundir-se a vários níveis, através da maior parte da Europa, um antijudaísmo que era essencialmente mais sócio-político do que religioso. No mesmo período, começaram a aparecer teorias que negavam a unidade da raça humana, afirmando uma originária diferença das raças. No século XX, o nacional-socialismo na Alemanha usou tais ideias como base pseudocientífica, para uma distinção entre as chamadas raças nórdico-arianas e as presumíveis raças inferiores. Além disso, uma forma extremista de nacionalismo foi estimulada na Alemanha pela derrota de 1918 e pelas condições humilhantes impostas pelos vencedores, com a consequência de que muitos viram no nacional-socialismo uma solução aos problemas do País e, por isso, cooperaram politicamente com este movimento. A Igreja na Alemanha respondeu condenando o racismo. Essa condenação apareceu pela primeira vez na pregação de alguns membros do clero, no ensinamento público dos Bispos católicos e nos escritos de jornalistas católicos. Já em Fevereiro e Março de 1931, o Cardeal Bertram de WrocLaw, o Cardeal Faulhaber e os Bispos da Baviera, os Bispos da Província de Colónia e os da Província de Friburgo publicaram Cartas pastorais que condenavam o nacional-socialismo, com a sua idolatria da raça e do Estado (10). No mesmo ano em que o nacional-socialismo chegou ao poder, em 1933, os famosos sermões do Advento do Cardeal Faulhaber, aos quais assistiram não só católicos, mas também protestantes e judeus, tiveram expressões de claro repúdio da propaganda nazista anti-semítica (11). A seguir à Kristallnacht, Bernard Lichtenberg, prepósito da Catedral de Berlim, elevou orações públicas pelos judeus. Ele morreu depois em Dachau e foi declarado Beato. Também o Papa Pio XI condenou o racismo nazista de modo solene na Encíclica Mit brennender Sorge (12), que foi lida nas igrejas da Alemanha no Domingo da Paixão de 1937, iniciativa que provocou ataques e sanções contra membros do clero. No dia 6 de Setembro de 1938, ao dirigir-se a um grupo de peregrinos belgas, Pio XI afirmou: «O anti-semitismo é inaceitável. Espiritualmente, todos somos semitas» (13). Pio XII, desde a sua primeira Encíclica Summi Pontificatus (14), de 20 de Outubro de 1939, pôs de sobreaviso contra as teorias que negavam a unidade da raça humana e contra a deificação do Estado, o que ele previa que haveriam de conduzir a uma verdadeira «hora das trevas» (15). IV. O anti-semitismo nazista e o Shoah Não se pode ignorar a diferença que existe entre o anti-semitismo, baseado em teorias contrárias ao constante ensinamento da Igreja acerca da unidade do género humano e a igual dignidade de todas as raças e de todos os povos, e os sentimentos de suspeita e de hostilidade que perduram há séculos, a que chamamos antijudaísmo, dos quais, infelizmente, também cristãos foram culpados. A ideologia nacional-socialista foi também mais além, no sentido que recusou reconhecer qualquer realidade transcendente como fonte da vida e critério do bem moral. Como consequência, um grupo humano e o Estado, com o qual ele se identificara, arrogaram-se um valor absoluto e decidiram cancelar a própria existência do povo judaico, povo chamado a dar testemunho do único Deus e da Lei da Aliança. Em nível teológico não podemos ignorar o facto que não poucos membros do partido nazista não só demonstraram aversão à ideia de uma divina Providência actuante nas vicissitudes humanas, mas deram também prova de um ódio específico em relação a Deus mesmo. Logicamente, essa atitude levou também à rejeição do cristianismo e ao desejo de ver destruída a Igreja ou, pelo menos, submetida aos interesses do Estado nazista. Foi esta ideologia extrema que se tornou a base das medidas empreendidas, em primeiro lugar para desarraigar os judeus das suas casas e, depois, para os exterminar. O Shoah foi a obra de um típico regime moderno neopagão. O seu anti-semitismo tinha as próprias raízes fora do cristianismo e, ao buscar as próprias finalidades, não hesitou em opor-se à Igreja perseguindo também os seus membros. Mas devemos perguntar-nos se a perseguição do nazismo contra os judeus não foi facilitada por preconceitos antijudaicos, presentes nas mentes e nos corações de alguns cristãos. O sentimento antijudaico tornou porventura os cristãos menos sensíveis, ou até indiferentes, às perseguições lançadas contra os judeus pelo nacional-socialismo quando chegou ao poder? Qualquer resposta a esta pergunta deve ter em conta o facto que estamos a tratar da história de atitudes e modos de pensar de pessoas submetidas a múltiplas influências. Mais ainda, muitos ignoraram totalmente a «solução final» que estava para ser tomada contra um inteiro povo; outros tiveram medo para si mesmos e para os seus entes queridos; alguns tiraram proveito da situação; outros por fim foram movidos pela inveja. Uma resposta deve ser dada para cada caso e, para o fazer, é necessário conhecer aquilo que precisamente motivou as pessoas numa situação específica. No início, os chefes do Terceiro Reich procuraram expulsar os judeus. Infelizmente, os Governos de alguns Países ocidentais de tradição cristã, inclusive alguns da América do Norte e do Sul, foram mais que hesitantes em abrir os seus confins aos judeus perseguidos. Ainda que não pudessem prever quanto distante teriam ido os hierarcas nazistas nas suas intenções criminosas, os chefes dessas nações tinham conhecimento das dificuldades e perigos a que estavam expostos os judeus que viviam nos territórios do Terceiro Reich. Naquelas circunstâncias, o fechamento das fronteiras à imigração judaica, devida à hostilidade antijudaica ou à suspeita antijudaica, à covardia ou à estreiteza de visão política ou ao egoísmo nacional, constitui um grave peso de consciência para as autoridades em questão. Nas terras onde o nazismo empreendeu a deportação em massa, a brutalidade que acompanhou estes movimentos forçados de pessoas inermes, deveria suscitar a suspeita do pior. Ofereceram os cristãos toda a assistência possível aos perseguidos, e em particular aos judeus? Muitos o fizeram, mas outros não. Aqueles que ajudaram a salvar o maior número possível de judeus, a ponto de pôr as suas vidas em perigo de morte, não devem ser esquecidos. Durante e depois da guerra, comunidades e personalidades judaicas expressaram a sua gratidão por tudo o que lhes fora feito, inclusive o que Pio XII fizera pessoalmente, ou através dos seus representantes, para salvar centenas de milhares de vidas de judeus (16). Por essa razão muitos Bispos, sacerdotes, religiosos e leigos, foram honrados pelo Estado de Israel. Não obstante isto, como o Papa João Paulo II reconheceu, ao lado desses corajosos homens e mulheres, a resistência espiritual e a acção concreta de outros cristãos não foi a que se poderia ter esperado de discípulos de Cristo. Não podemos conhecer quantos cristãos, em países ocupados ou governados pelas potências nazistas ou pelos seus aliados, constataram com horror o desaparecimento dos seus vizinhos judeus, mas entretanto não foram bastante fortes para elevar a sua voz de protesto. Para os cristãos este grave peso de consciência dos seus irmãos e irmãs durante a última guerra mundial deve ser um apelo ao arrependimento (17). Deploramos profundamente os erros e as culpas destes filhos e filhas da Igreja. Fazemos nosso aquilo que disse o Concílio Vaticano II na Declaração Nostra aetate, que de modo inequívoco afirma: «A Igreja... lembrada do seu comum património com os judeus, e levada não por razões políticas mas pela religiosa caridade evangélica, deplora todos os ódios, perseguições e manifestações de anti-semitismo, seja qual for o tempo em que isso sucedeu e seja quem for a pessoa que isso promoveu contra os judeus» (18). Recordamos e fazemos nosso quanto o Papa João Paulo II, ao dirigir-se aos chefes da comunidade judaica de Estrasburgo em 1988, afirmou: «Reafirmo de novo juntamente convosco a mais firme condenação de qualquer anti-semitismo e de todo o racismo, que se opõem aos princípios do cristianismo» (19). A Igreja católica, portanto, repudia toda a perseguição, em qualquer lugar e em qualquer tempo, perpetrada contra um povo ou um grupo humano. Ela condena do modo mais firme todas as formas de genocídio, assim como as ideologias racistas que o tornaram possível. Ao dirigir o olhar para este século, sentimo-nos profundamente tristes pela violência que atingiu grupos inteiros de povos e de nações. Recordamos, de modo particular, o massacre dos arménios, as inúmeras vítimas na Ucrânia dos anos 30, o genocídio dos ciganos, fruto também ele de ideias racistas, e tragédias semelhantes ocorridas na América, na África e nos Balcãs. Nem queremos esquecer os milhões de vítimas da ideologia totalitária na União Soviética, na China, no Camboja e noutros lugares. Nem sequer podemos esquecer o drama do Médio Oriente, cujos termos são bem conhecidos. Mesmo enquanto fazemos a presente reflexão, «muitos homens continuam a ser vítimas dos próprios irmãos» (20). V. Olhando juntos para um futuro comum Olhando para o futuro das relações entre judeus e cristãos, em primeiro lugar pedimos aos nossos irmãos e irmãs católicos que renovem a consciência das raízes judaicas da sua fé. Pedimos-lhes que recordem que Jesus era um descendente de David; que do povo hebraico nasceram a Virgem Maria e os Apóstolos; que a Igreja haure sustento das raízes daquela boa oliveira na qual foram enxertados os ramos da oliveira selvática dos gentios (cf. Rm 11, 17-24); que os judeus são os nossos caros e amados irmãos, e que, num certo sentido, são verdadeiramente «os nossos irmãos maiores» (21). No termo deste Milénio a Igreja católica deseja exprimir a sua profunda tristeza pelas faltas dos seus filhos e das suas filhas em todas as épocas. Trata-se de um acto de arrependimento (teshuva): como membros da Igreja, de facto compartilhamos tanto os pecados como os méritos de todos os seus filhos. A Igreja aproxima-se, com profundo respeito e grande compaixão, da experiência do extermínio, o Shoah, sofrida pelo povo judaico durante a segunda guerra mundial. Não se trata de simples palavras, mas antes de um empenho vinculante: «Correríamos o perigo de fazer morrer de novo as vítimas das mais atrozes mortes, se não tivéssemos a paixão da justiça e nem nos empenhássemos, cada um segundo as próprias capacidades, em fazer com que o mal não prevaleça sobre o bem, como aconteceu em relação a milhões de filhos do povo judaico... A humanidade não pode permitir que isto aconteça de novo» (22). Pedimos que a nossa tristeza pelas tragédias que o povo judaico sofreu no nosso século leve a novas relações com esse povo. Desejamos transformar a consciência dos pecados do passado em firme empenho por um novo futuro, no qual já não haja sentimento antijudaico entre os cristãos, nem sentimento anticristão entre os judeus, mas sim um respeito recíproco compartilhado, como convém àqueles que adoram o único Criador e Senhor e têm um comum pai na fé, Abraão. Por fim, convidamos os homens e as mulheres de boa vontade a reflectirem profundamente sobre o significado do Shoah. As vítimas desde os seus túmulos, e os sobreviventes através do vívido testemunho de quanto sofreram, tornaram-se um forte clamor que chama a atenção da humanidade inteira. Recordar este terrível drama significa tomar plena consciência da advertência salutar que ele comporta: às sementes infectadas pelo antijudaísmo e pelo anti-semitismo jamais se deve consentir que lancem raiz no coração do homem. 16 de Março de 1998. Cardeal Edward Idris Cassidy Presidente D. Pierre Duprey Bispo Titular de Thibaris Vice-Presidente Pe. Remi Hoeckman, O.P. Secretário NOTAS 1) JOÃO PAULO II, Carta Apost. Tertio millennio adveniente (10/11/1994), 33: AAS 87 (1995), 25. 2) Cf. JOÃO PAULO II, Discurso por ocasião do encontro com a Comunidade judaica da cidade de Roma (13/4/1986), 4: AAS 78 (1986), 1120. 3) JOÃO PAULO II, Angelus de 11/6/1995: Insegnamenti 18/1, [1995], 1712. 4) Cf. JOÃO PAULO II, Discurso à Comunidade judaica de Budapeste (18/8/1991), 4: Insegnamenti 14/2, [1991], 349. 5) JOÃO PAULO II, Carta Enc. Centesimus annus (1/5/1991), 17: AAS 83 (1991), 814-815. 6) Cf. JOÃO PAULO II, Discurso aos Delegados das Conferências Episcopais para as Relações com o Judaísmo (6/3/1982): Insegnamenti 5/1, [1982], 743-747. 7) Cf. Comissão da Santa Sé para as Relações religiosas com os judeus, Notas sobre o correcto modo de apresentar os judeus e o judaísmo na pregação e na catequese na Igreja católica romana (24/6/1985) VI, 1: Ench. Vat. 9, 1656. 8) JOÃO PAULO II, Discurso aos participantes no encontro de estudo sobre «Raízes do antijudaísmo em ambiente cristão» (31/10/1997), 1: L'Osservatore Romano, ed. port. de 8/11/1997, pág. 4. 9) Cf. Nostra aetate, 4. 10) Cf. B. STATIEWSKI (Ed.), Akten deutscher Bischöfe über die Lage der Kirche, 1933-1945, vol. I, 1933-1934 (Mainz 1968), Apêndice. 11) Cf. L. VOLK, Der Bayerische Episkopat und der Nationalsozialismus 1930- 1934 (Mainz 1966), pp. 170-174. 12) 14 de Março de 1937: AAS 29 (1937), 145-167. 13) La Documentation Catholique, 29 (1938), col. 1460. 14) AAS 31 (1939), 413-453. 15) Ibid., 449. 16) Organizações e personalidades judaicas representativas reconheceram várias vezes oficialmente a sabedoria da diplomacia do Papa Pio XII. Por exemplo, na quinta-feira 7 de Setembro de 1945 Giuseppe Nathan, Comissário da União das Comunidades Israelitas Italianas, declarou: «Em primeiro lugar dirigimos uma reverente homenagem de reconhecimento ao Sumo Pontífice, aos religiosos e às religiosas que, actuando as directrizes do Santo Padre, não viram nos perseguidos senão irmãos, e com impulso e abnegação prestaram a sua obra inteligente e eficaz para nos socorrer, não tendo medo dos gravíssimos perigos a que se expunham» (L'Osserv. Rom. ed. quot. de 8/9/1945, pág. 2). No dia 21 de Setembro do mesmo ano, Pio XII recebeu o Dr. A. Leo Kubowitzki, Secretário-Geral do «World Jewish Congress», em audiência para apresentar «ao Santo Padre, em nome da União das Comunidades Israelitas, os mais sentidos agradecimentos pela obra realizada pela Igreja católica a favor da população judaica em toda a Europa durante a guerra» (L'Osserv. Rom. ed. quot. de 23/9/1945, pág. 1). Na quinta-feira, 29 de Novembro de 1945, o Papa recebeu cerca de 80 delegados dos refugiados judeus, provenientes dos campos de concentração na Alemanha, que vieram manifestar-lhe «a suma honra de poder agradecer pessoalmente ao Santo Padre a sua generosidade demonstrada para com eles, perseguidos durante o terrível período do nazifascismo» (L'Osserv. Rom. ed. quot. de 30/11/1945, pág. 1). Em 1958, por ocasião da morte do Papa Pio XII, Golda Meir enviou uma eloquente mensagem: «Compartilhamos a tristeza da humanidade... Quando o terrível martírio se abateu sobre o nosso povo, a voz do Papa elevou-se em favor das suas vítimas. A vida do nosso tempo foi enriquecida por uma voz que falou claramente acerca das grandes verdades morais, acima do tumulto do conflito quotidiano. Choramos um grande servidor da paz». 17) Cf. JOÃO PAULO II, Discurso ao novo Embaixador da República Federal da Alemanha (8/11/1990), 2: AAS 83 (1991), 587-588. 18) N. 4. 19) N. 8: Insegnamenti 11/3, [1988], 1134. 20) JOÃO PAULO II, Discurso aos membros do Corpo Diplomático (15/1/1994), 9: AAS 86 (1994), 816. 21) JOÃO PAULO II, Discurso por ocasião do encontro com a Comunidade judaica da cidade de Roma (13/4/1986), 4: AAS 78 (1986), 1120. 22) JOÃO PAULO II, Discurso por ocasião da comemoração do Holocausto (7/4/1994), 3: Insegnamenti 17/1, [1994], 897 e 893.

NÃO TENHAIS MEDO!

Com estas palavras , proferidas na sua primeira visita à Polónia, em 1978, como sumo pontífice, o Papa João Paulo II deu o mote para a mudança que viria a ocorrer mais tarde em todo o bloco soviético.Essa visita, deu um empurrão decisivo ao Solidarność e, a prazo, contribuiu para a queda do comunismo na Polónia e no resto da Europa.Só por isto os seus 25 anos à frente da Igreja Católica já teriam valido a pena.Mas houve mais, muito mais, como o diálogo com outras religiões, mais de uma dúzia de encíclicas (de elevada qualidade), a missão pastoral levada a quase todos os cantos do globo (e o que as viagens do Papa fizeram pela Igreja...) e a renovação doutrinal ocorrida (mas com firmeza!).Destaco a encíclica "Laborem exercens", de 1981, transcrevendo um excerto:I. INTRODUÇÃO1. O trabalho humano a noventa anos da « Rerum Novarum »Dado que a 15 de Maio do corrente ano se completaram noventa anos da data da publicação — que se ficou a dever ao grande Sumo Pontífice da « questão social », Leão XIII — daquela Encíclica de importância decisiva, que começa com as palavras Rerum Novarum, eu desejo dedicar o presente documento exactamente ao trabalho humano; e desejo mais ainda dedicá-lo ao homem, visto no amplo contexto dessa realidade que é o trabalho. Efectivamente, conforme tive ocasião de dizer na Encíclica Redemptor Hominis, publicada nos inícios da minha missão de serviço na Sede Romana de São Pedro, se o homem « é a primeira e fundamental via da Igreja », e isso precisamente sobre a base do imperscrutável mistério da Redenção de Cristo, então é necessário retornar incessantemente a esta via e prossegui-la sempre de novo, segundo os diversos aspectos, nos quais ela nos vai desvelando toda a riqueza e, ao mesmo tempo, tudo o que de árduo há na existência humana sobre a terra.O trabalho é um desses aspectos, perene e fundamental e sempre com actualidade, de tal sorte que exige constantemente renovada atenção e decidido testemunho. Com efeito, surgem sempre novas interrogações e novos problemas, nascem novas esperanças, como também motivos de temor e ameaças, ligados com esta dimensão fundamental da existência humana, pela qual é construída cada dia a vida do homem, da qual esta recebe a própria dignidade específica, mas na qual está contido, ao mesmo tempo, o parâmetro constante dos esforços humanos, do sofrimento, bem como dos danos e das injustiças que podem impregnar profundamente a vida social no interior de cada uma das nações e no plano internacional. Se é verdade que o homem se sustenta com o pão granjeado pelo trabalho das suas mãos — e isto equivale a dizer, não apenas com aquele pão quotidiano mediante o qual se mantém vivo o seu corpo, mas também com o pão da ciência e do progresso, da civilização e da cultura — então é igualmente verdade que ele se alimenta deste pão com o suor do rosto; isto é, não só com os esforços e canseiras pessoais, mas também no meio de muitas tensões, conflitos e crises que, em relação com a realidade do trabalho, perturbam a vida de cada uma das sociedades e mesmo da inteira humanidade.Celebramos o nonagésimo aniversário da Encíclica Rerum Novarum em vésperas de novos adiantamentos nas condições tecnológicas, económicas e políticas, o que — na opinião de muitos peritos — irá influir no mundo do trabalho e da produção, em não menor escala do que o fez a revolução industrial do século passado. São vários os factores que se revestem de alcance geral, como sejam: a introdução generalizada da automação em muitos campos da produção; o aumento do custo da energia e das matérias de base; a crescente tomada de consciência de que é limitado o património natural e do seu insuportável inquinamento; e o virem à ribalta, no cenário político, povos que, depois de séculos de sujeição, reclamam o seu legítimo lugar no concerto das nações e nas decisões internacionais. Estas novas condições e exigências irão requerer uma reordenação e um novo ajustamento das estruturas da economia hodierna, bem como da distribuição do trabalho. E tais mudanças poderão talvez vir a significar, infelizmente, para milhões de trabalhadores qualificados o desemprego, pelo menos temporário, ou a necessidade de um novo período de adestramento; irão comportar, com muita probabilidade, uma diminuição ou um crescimento menos rápido do bem-estar material para os países mais desenvolvidos; mas poderão também vir a proporcionar alívio e esperança para milhões de homens que hoje vivem em condições de vergonhosa e indigna miséria.Não compete à Igreja analisar cientificamente as possíveis consequências de tais mutações para a convivência humana. A Igreja, porém, considera sua tarefa fazer com que sejam sempre tidos presentes a dignidade e os direitos dos homens do trabalho, estigmatizar as situações em que são violados e contribuir para orientar as aludidas mutações, para que se torne realidade um progresso autêntico do homem e da sociedade.Encíclica completa em:Laborem exercens

O INFANTE

Deus quer, o homem sonha, a obra nasce. Deus quis que a terra fosse toda uma, Que o mar unisse, já não separasse. Sagrou-te, e foste desvendando a espuma, E a orla branca foi de ilha em continente, Clareou, correndo, até ao fim do mundo, E viu-se a terra inteira, de repente, Surgir, redonda, do azul profundo. Quem te sagrou criou-te portuguez.. Do mar e nós em ti nos deu sinal. Cumpriu-se o Mar, e o Império se desfez. Senhor, falta cumprir-se Portugal! Fernando Pessoa

quarta-feira, outubro 15, 2003

IBISCUS

IBISCUS - MADEIRA - 2003

PARECE IMPOSSÍVEL!!!

Fui hoje renovar o BI e aconteceu-me algo que já não pensava possível em Portugal em 2003!Atrás de mim estava uma rapariga de cerca de 30 anos, que perguntou se lhe preenchiam os papéis, pois não sabia ler nem escrever, só assinar!Em pessoas de 50, 60 ou 70 anos, aceita-se que tenha ocorrido, agora em alguém com apenas 30 anos, como é possível?

LEUCEMIA

Mais um site, do Instituto Português de Oncologia de Francisco Gentil - Centro de Lisboa, com a descrição do que faz o Centro de Investigação de Patobiologia Molecular e algumas estatísticas.

LEUCEMIA

Muita informação (em inglês) no site da Leukaemia Foundation , da Austrália.

LEUCEMIA

Leucemia: a cura pode estar no sangue de cordão umbilicalA esperança vem de um trabalho realizado em Singapura - in APCLUm grupo de médicos do Hospital Geral de Singapura desenvolveu um método de tratamento da leucemia que já começou a ser aplicado em doentes com este problema. Este novo método de tratamento consiste no transplante de sangue recolhido a partir do cordão umbilical. Os investigadores verificaram a eficácia deste método quando constataram que as células cancerosas dos doentes eram substituídas com sucesso sem comprometer a integridade das células sanguíneas saudáveis.Nos três últimos meses a equipa de investigadores, chefiada por Patrick Tan, transplantou com sucesso o sangue de cordões umbilicais para dois pacientes adultos. Ao contrário das técnicas disponíveis e utilizadas até ao momento que destroem todas as células do sangue dos receptores deixando o caminho livre às células transplantadas, com o transplante de células do cordão umbilical apenas as células cancerosas são eliminadas e, portanto, as células saudáveis mantêm-se intocadas. O coordenador deste trabalho explica este processo da seguinte forma: «o sangue do cordão irá crescer vagarosamente e substituir as células cancerosas em poucas semanas e, em alguns casos, pode-se obter a substituição total entre 90 e 100 dias.» Na mesma entrevista, à agência Reuters, o cientista avança que «se, de facto, se conseguir remover cem por cento das células cancerosas, a cura é possível.» Apesar desta esperança para todos os doentes de leucemia, são necessários três anos para que um doente com leucemia possa ser considerado totalmente curado da doença. A grande esperança que este novo tratamento traz é o facto de se conseguirem manter as células saudáveis do próprio doente. Este facto possibilita uma reacção pronta e imediata do próprio organismo do paciente no caso do transplante não ter sucesso. Actualmente, quando o transplante de medula óssea não é bem sucedido, o organismo do paciente não dispõe de células próprias para reagirem, pois o transplante é precedido de um pré-tratamento por quimioterapia. Como explica Tan: «apesar do transplante de sangue do cordão poder falhar, o doente não morre - digamos que existe uma "rede de segurança", ao contrário do método mieloablativo (remoção da medula óssea) em que não existe qualquer "rede de segurança". Com o método mieloablativo, se o transplante de medula óssea falhar, o paciente morre.» Além de proporcionar a tal «rede de segurança» referida por Tan, o transplante de sangue do cordão umbilical também reduz os riscos da incompatibilidade entre o doador e o receptor, uma das maiores preocupações dos médicos quando têm de realizar tratamentos que envolvem técnicas de transplantação.

APCL

APCL - ASSOCIAÇÃO PORTUGUESA CONTRA A LEUCEMIA
A Associação Portuguesa contra a Leucemia (APCL) nasceu da iniciativa de alguns doentes que lucidamente compreenderam quão importante é o apoio da sociedade civil a todos os que diariamente lutam contra esta devastadora doença. Os objectivos da APCL são claros: contribuir, a nível nacional, para aumentar a eficácia do tratamento das leucemias e outras neoplasias hematológicas afins, apoiar os doentes e as suas famílias e promover o progresso do conhecimento científico sobre a natureza, evolução, prevenção e tratamento destas doenças.

Alguns exemplos de iniciativas que pretendemos concretizar são o estabelecimento de um Banco Nacional de Dadores de Células Progenitoras da Medula Óssea para transplantação medular, em colaboração com o Centro de Histocompatibilidade-Lusotransplante; a criação de uma rede eficaz de apoio psicológico e social que assegure ao doente as condições de conforto físico e moral que lhe tornem mais amena a agreste travessia do tratamento ambulatório; um programa de Bolsas, no País e no estrangeiro, para especialização e treino dos profissionais envolvidos no cuidado destes doentes, em áreas clínicas ou de novas tecnologias; a concessão de subsídios para projectos de investigação aplicada ou fundamental na área da hemato-oncologia.

Importa salientar que a vocação da APCL não é a de se substituir ao Estado naquilo que são as suas obrigações elementares de assistência médica. É antes o cumprimento de um imperativo moral – o dever que todos temos de colaborar no esforço Público para a obtenção de mais e melhores cuidados de saude. É, por outras palavras, um exemplar exercício de cidadania a que ninguém, estamos certos, ficará indiferente.

Contactos

Associação Portuguesa contra a LeucemiaAv. António Augusto Aguiar - nº 132 - 1º1050-020 Lisboa
Telefone: 21 3598619FAX: 21 359 82 53
Correio Electónico
sec@contraleucemia.orgapcl@contraleucemia.org

LEUCEMIA

O que é?Os primeiros diagnósticos de leucemia reportam-se à primeira metade do séc. XIX, altura em que alguns investigadores notaram, em observações de autópsia, uma descoloração branca do sangue. Com o auxílio do microscópio, rapidamente perceberam que essa descoloração resultava de uma alteração na proporção normal entre os elementos celulares.O sangue é constituído por três elementos celulares diferentes: os leucócitos, também conhecidos por glóbulos brancos, e com um papel primordial no combate às infecções; os eritrócitos, ou glóbulos vermelhos, importantes no transporte do oxigénio; e as plaquetas, importantes no controle das hemorragias. As leucemias são doenças malignas dos leucócitos, podem ser classificadas em agudas ou crónicas que, por sua vez, se podem dividir em mielóides e linfóides.Quais são as causas?A sua causa não é ainda conhecida, acredita-se que possa existir mais do que um factor, não são hereditárias nem contagiosas. Por um processo não totalmente conhecido, uma das muitas células que dão origem aos leucócitos sofre uma alteração e passa a crescer de forma não controlada. Quando a alteração acarreta uma paragem precoce no processo de desenvolvimento das células surge a leucemia aguda, quando se dá numa fase mais tardia surge a leucemia crónica. Quais os seus sintomas?Os sintomas da leucemia resultam da diminuição dos elementos normais do sangue. Assim, à medida que as células leucémicas se multiplicam começam por ocupar, em primeiro lugar, a medula óssea (cavidade interior dos ossos onde é produzido o sangue), posteriormente o sangue e, por vezes, outros orgãos (gânglios, baço, fígado, etc.). Como a multiplicação das células leucémicas é superior à das células normais, rapidamente conquistam o espaço utilizado por estas últimas, levando à diminuição do seu número. Uma diminuição dos leucócitos normais tem como consequência um aumento no risco e número de (amigdalites, pneumonias, etc.); uma diminuição dos eritrócitos corresponde a uma anemia (o doente sente-se cansado); uma diminuição no número de plaquetas pode levar ao aparecimento de hemorragias. No entanto, nenhum destes sinais é específico de leucemia, pode estar associado também com patologias benignas. Qual é o tratamento?Perante o diagnóstico de leucemia é necessário distinguir entre as formas crónicas (nem sempre necessitam de tratamento), das formas agudas em que o tratamento é quase sempre necessário e intensivo. Passados que estão mais de cento e cinquenta anos da identificação das leucemias, as armas terapêuticas desenvolvidas nos últimos anos transformaram a leucemia de uma doença fatal numa doença com elevado potencial de cura, dependendo da idade do doente e das características da leucemia. O tratamento tem várias componentes: a quimioterapia propriamente dita (uso de várias drogas, conhecidas como citostáticos, com a finalidade de destruir as células leucémicas); os antibióticos para combater as infecções; e as tranfusões de eritrócitos para corrigir a anemia e de plaquetas para prevenir hemorragias.O primeiro tratamento é designado de indução (pretende induzir o equilíbrio à medula), é habitualmente o mais complexo já que nesta altura o doente apresenta as suas defesas muito diminuídas (as células normais foram substituídas pelas leucémicas). Efeitos secundários da quimioterapia: O início da quimioterapia traz consigo problemas adicionais: numa primeira fase são os enjoos, a falta de apetite e mais raramente os vómitos (hoje em dia existem medicamentos potentes para contrariar estes efeitos); posteriomente surge a inflamação das mucosas (a nível da boca e do intestino) que, para além do desconforto (controlado com morfina), abre a porta a muitas infecções o que obriga a cuidados especiais como seja o isolamento do doente (não por ser contagioso, mas para que as outras pessoas não lhe transmitam infecções), restrições alimentares e higiene reforçada. Numa segunda fase aparece a queda do cabelo (transitória) e instala-se a aplasia medular, nesta altura os valores do sangue atingem os níveis mais baixos porque a medula não está a produzir e as poucas células normais foram destruídas pela quimioterapia. Este período poderá durar dias ou semanas e corresponde à fase mais crítica do tratamento, sendo as infecções as complicações mais temíveis. A fase da aplasia medular termina com a normalização do funcionamento da medula. A pouco e pouco, as células normais retomam a multiplicação e recuperam o seu território na medula, amadurecem e reconstituem os valores do sangue, diminui o risco de infecção e o doente deixa de estar dependente de transfusões. No exame da medula já não se visualizam células leucémicas, o doente atingiu a remissão completa, o primeiro objectivo do tratamento foi atingido. Porém, isto não significa que o doente esteja, nesta altura, curado. Serão necessários mais ciclos de quimioterapia, nesta fase designada de consolidação, para que a cura possa ser alcançada. Dr. José Mário MarizMNI – Médicos Na Internet

LEUCEMIA

terça-feira, outubro 14, 2003

RIDÍCULO!

14-10-2003 23:20:00 GMT. Fonte LUSA . Notícia SIR-5497410Governo suspende publicidade na Time devido a peça sobre prostitutas em BragançaO governo decidiu suspender a publicidade a Portugal na revista Time, relativa ao Campeonato da Europa de futebol de 2004, disse à agência Lusa uma fonte do gabinete do ministro adjunto do primeiro-ministro, José Luís Arnaut.Esta decisão surge no seguimento de uma reportagem sobre a prostituição brasileira em Bragança publicada, como tema de capa, na edição europeia da Time hoje distribuída.A campanha, no âmbito do Euro2004, começou precisamente esta terça-feira em várias revistas internacionais e tem uma duração prevista de três inserções, ficando desde já suspensas as referentes à Time.O executivo decidiu manter a campanha nas publicações internacionais Financial Times, Business Week, Newsweek e International Herald Tribune e o governo está a avaliar a situação criada pela reportagem, devendo tomar brevemente uma decisão final sobre a manutenção da suspensão da campanha na Time.Lusa/Fim O artigo:When The Meninas Came To Town"

LE POINT II

Mais um excerto que a Drª Ana Gomes não terá lido:...Les socialistes crient au complot pour décapiter leur parti et dénoncent les écoutes télephoniques contre leurs dirigeants. Mais tel familier du sérail socialiste n'y prête guère crédit: "Je ne crois pas du tout à la thèse du complot politique. Tous les partis sont mouillés, ils ont tous leurs réseaux spécialisés - le PC comme les autres - et ils ont tous quelque chose à y perdre."...

RÁDIO FRANCE

RÁDIO DA SEMANA: Rádio FranceEntre outras (muitas - mais de uma centena), as seguintes canções:Avant De Nous Dire Adieu --> Jeane Manson Capri C'est Fini --> Hervé Vilard Dieu Fumeur De Havanes --> Serge Gainsbourg En Chantant --> Michel Sardou Le Déserteur --> Boris Vian Le Train d'Amour --> Gilbert Bécaud /Serge Lama Les Remparts de Varsovie --> Jacques Brel Moi Je Vends du Blues --> Charles Trénet Portugal --> Georges Moustaki Toi Jamais --> Catherine Deneuve Tout les garçons et les filles --> Françoise Hardy Mantem-se o link para a Rádio IF, dado que foi terceiro lugar do top da Rádio Cotonete

LE POINT

E porque é que a Drª Ana Gomes não fala deste parágrafo do célebre artigo do Le Point, publicado já nos idos de Junho (nº 1605 - 20 de Junho)?... Dernière personnalité sur le gril, Eduardo Ferro Rodrigues, le patron du PS portugais, dont certains témoins affirment qu'il assistait parfois, sans y participer, aux parties pédophiles.Para mim, tem exactamente o mesmo valor de qualquer outro excerto do mesmo artigo!

CAÇA À MULTA

Como alguns já repararam (e outros hão-de reparar), abriu em Lisboa a costumeira época da caça à multa por parte da PSP. Esta época desenrola-se normalmente entre meio de Outubro e meio de Dezembro. Durante este período, os senhores guardas multam criteriosamente todas as infracções de estacionamento (as outras dão muito trabalho!) que costumam deixar passar durante o resto do ano. Hoje, por exemplo, ainda não eram 8 horas e já andavam à volta do Estádio de Alvalade a multar todas as viaturas estacionadas.

Enfim, coisas para cumprir os orçamentos, porque se assim não fosse, teriam o mesmo comportamento ao longo de todo o ano!

GRANDE LOJA DO QUEIJO LIMIANO

Chamo a vossa atenção para o seguinte blog, que rapidamente se está a cotar entre os melhores:Grande Loja do Queijo LimianoUm excerto:
O Abismo
A cada dia que passa, o chamado processo de pedofilia da Casa Pia está a revelar tudo o que de mais podre infesta, há séculos, a classe política portuguesa.

Há quem ache graça, quem veja, em determinadas manifestações, formas de intervenção democrática, quem ache que o Estado de Direito (conceito tão abstracto nos dias que correm...) funciona e outro tipo de barbaridades que se dizem....

Já escrevi aqui (algures, é só procurarem) que a pouca-vergonha está instalada. Não sei, confesso, se Eduardo Lourenço algum dia reflectiu sobre este tema mas, se me é permitido, sugeria ao Mestre que o pensasse e depois o traduzisse em palavras.

Portugal precisa, urgentemente, de um Golpe de Estado.
(continua)

segunda-feira, outubro 13, 2003

ESPECIALES Nº 2 - MONTECRISTO

CARNE, CARNE, CARNE!

Um site francês (mais um! - mas tem versão em inglês) dedicado à carne, com muita informação e receitas. Na secção VIANDES ET SAVEURS podem escolher entre vaca, vitela ou borrego e surge um esquema do animal, com os diversos cortes de carne. Clicando em qualquer parte, surge-nos uma ficha com a descrição da peça, conselhos de compra e de conservação e nalguns casos receitas. Também tem uma interessante secção com conselhos sobre quais as melhores combinações entre carnes e ingredientes diversos (por exemplo, frutas ou molhos ou especiarias ou cogumelos, etc...)CIV - Centre d'Information des ViandesUma das receitas:Tournedos sauce aux câpresPour 4 personnesTemps de preparation : 30minTemps de cuisson : 30minIngrédients : - 4 tournedos- 4 artichauts- 50g de câpres- 50g de filets d’anchois à l’huile- 4 échalotes- 1 citron- 40g de beurre- 3cs d’huile d’olive- 1cs d’huile de tournesol- 1cc vinaigre balsamique- sel, poivre au moulin Décongelez les tournedos en les plaçant la veille au réfrigérateur. Cassez les queues des artichauts puis dégagez les fonds en ôtant les feuilles et le foin. Mettez-les dans de l’eau froide bien citronnée afin qu’ils ne noircissent pas.Epluchez et émincez très finement les échalotes, faites-les fondre à feu doux dans le beurre jusqu’à ce qu’elles soient transparentes. Ajoutez les câpres et les filets d’anchois égouttés et coupés fin dans le sens de la longueur, 1cc de vinaigre balsamique, un peu de poivre et réservez.Emincez les fonds en très fines lamelles et faites-les cuire dans l’huile d’olive environ 10mn. Ils doivent demeurer légèrement croquants.Huilez à la main les tournedos puis saisissez-les sur une poêle ou un grill en fonte bien chaud et laissez cuire 3mn de chaque côté.Servez les tournedos nappés d’un peu de sauce aux câpres et accompagnés de l’émincé d’artichauts.

ELA IA, TRANQUILA PASTORINHA

Ela ia, tranquila pastorinha, Pela estrada da minha imperfeição. Segui-a, como um gesto de perdão, O seu rebanho, a saudade minha... Em longes terras hás de ser rainha Um dia lhe disseram, mas em vão... Seu vulto perde-se na escuridão... Só sua sombra ante meus pés caminha... Deus te dê lírios em vez desta hora, E em terras longe do que eu hoje sinto Serás, rainha não, mas só pastoraSó sempre a mesma pastorinha a ir, E eu serei teu regresso, esse indistinto Abismo entre o meu sonho e o meu porvir... Fernando Pessoa

FÁTIMA

FÁTIMA - 2003

domingo, outubro 12, 2003

REFERENDO

Pergunta dirigida aos partidos do (chamado) arco constitucional:Se apoiam todos a realização do Referendo (pelo menos é o que dizem...), porque é que estão a fazer tudo para que não se realize?

sexta-feira, outubro 10, 2003

BLOGS - O LIVRO

Não percam, na próxima quarta-feira, a apresentação do primeiro livro português sobre blogs:

SHIRIN EBADI - PRÉMIO NOBEL

PRÉMIO NOBEL DA PAZ 2003Para além do País - IRÃO - é uma mulher, o que ainda vai ter maior impacto lá!The Iranian lawyer and human rights activist Shirin Ebadi was born in 1947. She received a law degree from the University of Tehran. In the years 1975-79 she served as president of the city court of Tehran, one the first female judges in Iran. After the revolution in 1979 she was forced to resign. She now works as a lawyer and also teaches at the University of Tehran. Both in her research and as an activist, she is known for promoting peaceful, democratic solutions to serious problems in society. She takes an active part in the public debate and is well-known and admired by the general public in her country for her defence in court of victims of the conservative faction's attack on freedom of speech and political freedom. Ebadi represents Reformed Islam, and argues for a new interpretation of Islamic law which is in harmony with vital human rights such as democracy, equality before the law, religious freedom and freedom of speech. As for religious freedom, it should be noted that Ebadi also includes the rights of members of the bahai community, which has had problems in Iran ever since its foundation. Ebadi is an activist for refugee rights, as well as those of women and children. She is the founder and leader of the Association for Support of Children's Rights in Iran. Ebadi has written a number of academic books and articles focused on human rights. Among her books translated into English are The Rights of the Child. A Study of Legal Aspects of Children's Rights in Iran (Tehran, 1994), published with support from UNICEF, and History and Documentation of Human Rights in Iran (New York, 2000). As a lawyer, she has been involved in a number of controversial political cases. She was the attorney of the families of the writers and intellectuals who were victims of the serial murders in 1999-2000. She has worked actively - and successfully - to reveal the principals behind the attack on the students at Tehran University in 1999 where several students died. As a consequence, Ebadi has been imprisoned on numerous occasions. With Islam as her starting point, Ebadi campaigns for peaceful solutions to social problems, and promotes new thinking on Islamic terms. She has displayed great personal courage as a lawyer defending individuals and groups who have fallen victim to a powerful political and legal system that is legitimized through an inhumane interpretation of Islam. Ebadi has shown her willingness and ability to cooperate with representatives of secular as well as religious views. Oslo, 10 October 2003