sexta-feira, agosto 21, 2009
ANTÓNIO JOSÉ RODRIGUES DE ALMEIDA - R.I.P.
Com a devida vénia à MarinhaMarinha localizou a embarcação TROMBAS a 75 metros de profundidade 20-08-2009 0:00 Ontem, dia 19 de Agosto, no prosseguimento das acções de busca do tripulante desaparecido da embarcação de recreio Trombas, que se afundou no passado dia 12 de Agosto a cerca de 8 milhas náuticas ao largo da praia do Pedrógão, a Marinha identificou a embarcação a 75 metros de profundidade e a cerca de 300 metros da posição estimada, com o apoio do navio hidrográfico NRP Andrómeda, que se encontra equipado com sonar lateral e um veículo submarino operado remotamente (ROV). Nas operações estiveram também envolvidos a corveta NRP Baptista de Andrade, equipada com uma câmara hiperbárica, e uma equipa de mergulhadores especializada em mergulho profundo. Desta acção resultou a identificação da embarcação e a recuperação de um corpo, que se encontrava no seu interior, o qual foi entregue às autoridades competentes. Recorde-se que:- a embarcação Trombas, tinha uma tripulação constituída por 3 elementos na altura do acidente, tendo sido salvos dois por uma outra embarcação de recreio que se encontrava nas proximidades. - nas buscas foram envolvidos meios navais, da autoridade marítima local e aeronaves da Força Aérea.
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O meu umbigo
domingo, agosto 16, 2009
CÂNTICO NEGRO - José Régio
Dedicado ao Amigo prematuramente desaparecido, António José Rodrigues de Almeida. Nunca hei-de esquecê-lo a recitá-lo, como só ele fazia e nunca nos cansávamos de ouvir!
"Vem por aqui" dizem-me alguns com os olhos doces
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom que eu os ouvisse
Quando me dizem: "vem por aqui!"
Eu olho-os com olhos lassos,
(Há, nos meus olhos, ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali...
A minha glória é esta:
Criar desumanidade!
Não acompanhar ninguém.
Que eu vivo com o mesmo sem-vontade
Com que rasguei o ventre à minha mãe.
Não, não vou por aí! Só vou por onde
Me levam meus próprios passos...
Se ao que busco saber nenhum de vós responde
Por que me repetis: "vem por aqui!"?
Prefiro escorregar nos becos lamacentos,
Redemoinhar aos ventos,
Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,
A ir por aí...
Se vim ao mundo, foi
Só para desflorar florestas virgens,
E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!
O mais que faço não vale nada.
Como, pois, sereis vós
Que me dareis impulsos, ferramentas e coragem
Para eu derrubar os meus obstáculos?...
Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,
E vós amais o que é fácil!
Eu amo o Longe e a Miragem,
Amo os abismos, as torrentes, os desertos...
Ide! Tendes estradas,
Tendes jardins, tendes canteiros,
Tendes pátria, tendes tectos,
E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios...
Eu tenho a minha Loucura !
Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,
E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios...
Deus e o Diabo é que me guiam, mais ninguém!
Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;
Mas eu, que nunca principio nem acabo,
Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.
Ah, que ninguém me dê piedosas intenções,
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: "vem por aqui"!
A minha vida é um vendaval que se soltou,
É uma onda que se alevantou,
É um átomo a mais que se animou...
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou,
Sei que não vou por aí!
Poemas de Deus e do Diabo, José Régio
"Vem por aqui" dizem-me alguns com os olhos doces
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom que eu os ouvisse
Quando me dizem: "vem por aqui!"
Eu olho-os com olhos lassos,
(Há, nos meus olhos, ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali...
A minha glória é esta:
Criar desumanidade!
Não acompanhar ninguém.
Que eu vivo com o mesmo sem-vontade
Com que rasguei o ventre à minha mãe.
Não, não vou por aí! Só vou por onde
Me levam meus próprios passos...
Se ao que busco saber nenhum de vós responde
Por que me repetis: "vem por aqui!"?
Prefiro escorregar nos becos lamacentos,
Redemoinhar aos ventos,
Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,
A ir por aí...
Se vim ao mundo, foi
Só para desflorar florestas virgens,
E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!
O mais que faço não vale nada.
Como, pois, sereis vós
Que me dareis impulsos, ferramentas e coragem
Para eu derrubar os meus obstáculos?...
Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,
E vós amais o que é fácil!
Eu amo o Longe e a Miragem,
Amo os abismos, as torrentes, os desertos...
Ide! Tendes estradas,
Tendes jardins, tendes canteiros,
Tendes pátria, tendes tectos,
E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios...
Eu tenho a minha Loucura !
Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,
E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios...
Deus e o Diabo é que me guiam, mais ninguém!
Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;
Mas eu, que nunca principio nem acabo,
Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.
Ah, que ninguém me dê piedosas intenções,
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: "vem por aqui"!
A minha vida é um vendaval que se soltou,
É uma onda que se alevantou,
É um átomo a mais que se animou...
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou,
Sei que não vou por aí!
Poemas de Deus e do Diabo, José Régio
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sábado, agosto 15, 2009
FINALMENTE SÓCRATES ATINGIU O OBJECTIVO DOS 150.000
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Política
domingo, agosto 09, 2009
RAUL SOLNADO
Republicação de um texto aqui transcrito em Novembro de 2004:
Uma interessantíssima entrevista a Raul Solnado, no site da Sociedade Portuguesa de Autores:(RAUL SOLNADO Actor imenso, homem solidário)É lisboeta e tem 74 anos. Bem vividos. Mas o seu sorriso bom e malandro continua a parecer o de uma criança traquinas de quem é impossível não gostar. O seu segredo - se segredo tem - explica-o ele nesta entrevista: o seu projecto de vida nunca foi a riqueza, mas a felicidade. Solnado começou a trabalhar em 1947 no teatro amador, na Guilherme Cossul - uma colectividade que nunca (o) esqueceu. Tinha 18 anos. Em 1952 estreou-se "profissionalmente" num show no Máxime e a partir daí não mais parou: opereta, revista, teatro clássico, cinema, televisão. Fazendo rir e pensar. Dono e senhor de uma popularidadade incrível.O grande salto deu-se na década de 60: o monólogo "A Guerra de 1908", estreado em Outubro de 61, cedo passou a ser a guerra do Solnado e marcou-o definitivamente. Até aos dias de hoje. Foi um golpe de génio e uma batalha gloriosamente ganha na guerra contra a ditadura. Oito anos mais tarde, em 69, com Carlos Cruz e Fialho Gouveia, averbou outra vitória retumbante: apresentou na RTP um programa inovador que se tornou um marco na programação televisiva : "Zip-Zip". E nessa sua década de ouro fez o que, até hoje, nenhum actor português fez: criou de raiz e dirigiu (de 64 a 70) um teatro - o Villaret. A lista de trabalhos assinados por Solnado é fantasticamente longa. No seu Parque Mayer fez um mar de revistas, muitas das quais ficaram para sempre no imaginário português. Na televisão, voltou a fazer das suas nos anos 70: o concurso "A Visita da Cornélia" permanece uma referência. Mas se a década de 60 foi de ouro, a de 80 foi de diamante. O seu melhor trabalho cinematográfico é de dessa época: fez um fantástico papel dramático no filme "A Balada da Praia dos Cães", de Fonseca e Costa, baseado no livro de José Cardoso Pires; foi actor convidado do Teatro Nacional D. Maria II, como protagonista da peça "O Fidalgo Aprendiz", de D. Manuel de Melo; foi actor convidado do Teatro Nacional de S. Carlos, na personagem Frosch da opereta "O Morcego", de Strauss; fez "O Avarento", de Molière, no Teatro Cinearte, encenado por Helder Costa; e ao lado de Eunice Muñoz fez a telenovela "A Banqueira do Povo". Em 2001 voltou aos palcos do teatro com um papel de grande relevo na peça de Freitas do Amaral "O Magnífico Reitor". E tendo sido sua a ideia de criar a magnífica "Casa do Artista" - concretizada fundamentalmente por Armando Cortez e Manuela Maria - Raul Solnado, sempre solidário, é o hoje o seu magnífico Presidente. Ribeiro Cardoso--------------------------------------------------------------------------------As gargalhadas que ganharam a guerraRaul Solnado é um actor de mil faces mas foi com as gargalhadas que se impôs como uma figura mítica do espectáculo. E quando a guerra colonial era sagrada e indiscutível, ele pôs Portugal a rir-se de uma guerra sem sentido, uma rábula que foi o seu maior êxito de sempre. Ouvide agora senhores, a sua estória de pasmar!Autores - Costuma dizer que um cómico tem muitos inimigos. Quem são os seus inimigos?Raul Solnado - O actor cómico é um interventor no plano social, político e até na vida das pessoas que critica, por isso não pode ter a unanimidade universal. O Chaplin tinha imensos inimigos e esses declaravam-se a cada passo. Os meus inimigos não se declaram, mas sei que os tenho, embora não se manifestem.A - Para os cómicos não há limites?RS - Para mim tudo é risível mas imponho-me limites. Despejo a minha fúria sobre o pensamento monolítico, critico o que os políticos dizem e fazem, ridicularizo os tiques da sociedade, contexto as injustiças. Só poupo a democracia, é proibido atentar contra o regime democrático. Contra o Presidente da República, também não. Mal vão as coisas quando ele é criticável.A - Foi por isso que em plena guerra colonial pôs Portugal a rir à gargalhada com a sua versão da guerra?RS - Aquela rábula tem um início anterior à guerra. Eu fui a Madrid e vi o Miguel Gila representar o texto. Fiquei logo apaixonado pela rábula porque o non sense é o tipo de humor que mais me toca. Comprei o disco, traduzi o texto mas guardei-o, não por temer a censura mas porque tinha dúvidas que as pessoas gostassem daquilo.A - E quando é que a sua guerra saiu da gaveta?RS - Foi já no início da guerra em Angola. Eu fui com o Humberto Madeira -um cómico fabuloso - à quermesse do Nacional da Madeira, na Quinta da Vigia, um sítio lindíssimo onde agora está instalado o Governo Regional. Num mês fizemos 45 espectáculos e lá para o fim sentimos que era preciso refrescar o repertório. Disse ao Humberto Madeira que gostava de fazer a guerra, talvez as pessoas gostassem. Ele apoiou-me e avancei. Nessa noite o público riu-se tanto que pediu bis. Foi ali que começou o sucesso da minha guerra...A - Quais eram as suas dúvidas em relação ao texto?RS - Não era em relação ao texto, mas ao gosto do público, hoje as pessoas riem melhor que naquela altura. Eu não sabia se um texto non sense ia funcionar. Os cómicos têm sempre essa dúvida. Uma piada leva duas horas a ser construída e depois desaparece como um fósforo. É ao contrário dos cantores que quanto mais cantam um tema, mais ele se populariza e ganha notoriedade.A - A estória da sua ida à guerra começou na Madeira e depois alastrou a que palcos?RS - Mal cheguei a Lisboa fui fazer um espectáculo no ringue de patinagem de Oeiras e o êxito foi igual ao da Madeira. Na altura ia fazer a revista "Bate o Pé" e fiquei com a certeza de que a rábula não ia falhar.A - Mas aí já tinha que submeter o texto à comissão de censura...RS - Pois, e era uma censura visual e de texto, por isso eu tinha um grande receio que não passasse. O Nelson de Barros, grande jornalista e o maior autor de revistas que conheci, disse-me que mandávamos o texto como sendo para o personagem Cantinflas, uma rábula que tinha feito no teatro Apolo. Quando o texto veio aprovado, ninguém queria acreditar. O problema era a censura visual.A - Como funcionava essa comissão de censura visual?RS - No ensaio geral, cinco ou seis censores viam o espectáculo. Depois diziam que era preciso tapar um umbigo, descer umas saias, coisas assim. No Carnaval só se podia dizer merda uma vez por sessão. Como eu não ia vestido de Cantinflas, estava receoso que a rábula fosse cortada. Mas estes textos de non sense têm de ser bem compreendidos, caso contrário não funcionam. E eu disse aquilo a uma velocidade tal que nem eu próprio percebi o que dizia. Os censores também não perceberam e, no final, um deles disse-me que estava tudo aprovado mas deu-me um conselho: olhe lá, não faça aquilo da guerra, não tem piada nenhuma! E eu disse-lhe que era obrigado a fazer mas que então só fazia aquilo na estreia. Como já sabia o que vinha a seguir, pedi à Valentim de Carvalho que gravasse aquilo na estreia e lançasse o disco. Depois era impossível travar a rábula. Os censores ficaram baralhados com o Cantinflas!A - Nessa altura já tinha grande notoriedade como actor?RS - Nem por isso. Curiosamente, a crítica só começou a dar por mim, quando no teatro Apolo fiz a rábula do Cantinflas, em 1954.A - Só para informação dos nossos leitores mais jovens, imitava o actor mexicano Mário Moreno, mais conhecido por Cantinflas?RS - Exactamente. O Cantinflas era um cómico que teve êxito mundial nos anos 50 e 60.A - Depois da sua versão da guerra continuou a fazer coisas subversivas?RS - Sempre que pude. Em 1972, lancei "Os Malmequeres" na revista "Prá Frente Lisboa". Era uma canção altamente subversiva, oito quadras violentíssimas. A primeira era assim: "Português, ó malmequer/ em que terra foste semeado/ Português, ó malmequer/ Cada vez andas mais desfolhado". Os censores queriam que eu cortasse a palavra "português", mas se o fizesse aquilo perdia o sentido. Continuei como se nada fosse e eles ameaçaram-me. Puseram dois censores no camarote do teatro para vigiarem se eu cumpria as ordens da censura. Mas como entretanto saiu o disco, eles desistiram.A - Vamos para o presente. Temos bons autores de humor?RS - Sempre tivemos bons autores e bons cómicos, mas o humor é dinâmico, as coisas mudam. Andei a pesquisar rábulas antigas e constatei que o humor nos anos 40 e 50 era muito frágil. Hoje temos autores em qualidade e quantidade, a fazerem excelente humor. Eles têm outra cabeça, já não pensam como os autores do meu tempo. Dadas as condições existentes, o panorama podia ser melhor, mas é um género muito difícil.A - Onde está a dificuldade?RS - Eu pergunto: porque razão existem no mundo milhões de actores e só temos 50 bons cómicos? Como dizia o António Aleixo, nós precisamos de ver as coisas mais além. Está aí a dificuldade.A - Os cómicos, para fazerem rir, têm de ver mais longe?RS - Eu sempre disse que os cómicos são tristes e sisudos porque têm mágoas profundas. Nós temos de ver o ridículo com uma lupa muito grande e isso magoa. É por esse lado que vemos mais longe.A - E quanto ao humor fácil?RS - Isso não é comigo. Fui convidado para o programa "Cabaré da coxa" e perguntaram-me porque razão eu não gosto que os cómicos usem palavrões. O tipo que faz de papagaio soltou logo uma série de palavrões e ficámos todos a rir. Não foi humor fácil, foi alguém que desorganizou aquilo tudo. O cómico é um desorganizador por excelência. Mas tenho pena do público que se ri dos palavrões. Tenho imensa pena de um cómico que precisa de dizer palavrões para provocar o riso.A - E os seus textos?RS - Eu ao nível to texto traduzi muitas peças, escrevi "Há petróleo no Beato" e adaptei, com o César de Oliveira, "Isto é que me dói", uma peça do brasileiro Paulo Pontes que é uma crítica violentíssima ao nosso sistema de saúde.A - E a guerra...RS - Foi apenas uma tradução com ligeiras adaptações. Eu só interpretei essa rábula três anos e os seus ecos chegam aos dias de hoje.A - Face ao sucesso estrondoso que teve, porque abandonou essa rábula?RS - Um dia fui ao Barreiro fazer a guerra e o público sabia o texto de cor, os espectadores começaram a fazer de ponto. Depois chegava a outro sítio e toda a gente dizia o texto antes de mim e eu pensei que era melhor parar. Por muito dinheiro que eu ganhasse com a rábula - e se ganhei! - não queria ficar agarrado àquele boneco. Profissionalmente, fui sempre muito inquieto.A - Está a representar no Villaret, que já foi o seu teatro...RS - O meu sonho era ter um teatro meu, para fazer o que quisesse, nunca quis ser empresário. Investi tudo o que tinha no Villarett e perdi tudo. No 25 de Abril eu estava na Roménia e mal soube da revolução vim logo para Portugal. No Brasil estava a fazer grande sucesso a peça "Liberdade, Liberdade", do Millôr Fernandes, que é o maior humorista do mundo. Havia bichas infindáveis para ver a peça, que tinha o Paulo Autran no papel principal. Mandei vir a peça para cá. Tinha no elenco a Maria do Céu Guerra, o João Perry e o Sérgio Godinho. Aquilo batia em tudo que estivesse contra a liberdade, fossem os americanos ou os soviéticos. Havia bandeiras vermelhas por todos os lados, uma coisa muito bonita. Mas foi um fracasso tão grande que perdi tudo o que tinha e o próprio teatro...A - Como se explica isso, num momento em que a revolução saiu à rua?RS - A peça subiu à cena numa altura em que já se desenhava o crepúsculo da revolução. Foi a minha ruína económica.A - E o seu novo espectáculo, também no Villarett?RS - Está a correr bem. Os espectadores acompanham a minha memória de 50 anos de carreira. Há umas fotos que fazem de âncora da memória e depois eu digo o que me vem à cabeça. Os miúdos - vão imensos! - gostam porque não sabiam que as coisas antigamente eram assim.A - É um tributo a si próprio por meio século de carreira artística?RS - Este espectáculo é para percorrer o país e conhecer melhor o público. Portugal é uma maravilha, encontro pessoas fabulosas, come-se e bebe-se bem. Isto é para trabalhar mas também é para me divertir. Quero andar por aí a conhecer pessoas que tenham algo para me ensinar.A - Mas Portugal está a passar um mau bocado...RS - Pois está. Neste momento, se não fizéssemos parte da União Europeia, Portugal estava como o Uganda e nas próximas presidenciais era eleito um sargento para Belém. Mas a democracia portuguesa está amparada pelas estacas da União Europeia, é irreversível.A - Mas não há demasiado ódio à liberdade?RS - Eu tenho uma paixão imensa pela liberdade. Aliás, acho que o amor àliberdade já nasce com as pessoas e eu nasci com esse amor. Pelo que conheço dos portugueses, penso que, apesar de tudo, ainda existe uma imensa maioria que tem a paixão da liberdade e da democracia.A - Já alguma vez esteve na política?RS - Eu fui militante do Partido Socialista durante dois anos. A seguir ao 25 de Abril, entendi que era um dever cívico aderir a um partido e lutar pelo regime democrático. Participei em comícios de norte na sul de Portugal. Quando foi aprovada a Constituição e elegemos os deputados à Assembleia da República abandonei o partido. Penso que um actor não deve ter actividades partidárias. Antes quebrei essa regra porque a democracia assim o exigiu.A - A crise económica não pode pôr em causa o regime democrático?RS - Não pode, temos o dinheiro da União Europeia a proteger-nos. O fascismo é uma coisa baratucha. O ensino, a saúde, os salários, o partido único, as eleições a fingir, é tudo muito barato. A democracia fica caríssima. Nós exigimos elevados padrões na educação, na saúde, na Administração Pública, queremos salários dignos, elegemos os nossos representantes no Poder Local e na Assembleia, elegemos o presidente da República, tudo isso fica muito caro. E depois temos por aí uns senhores que adoram dinheiro, gostam de coleccionar aquela porcaria. Se não estivéssemos na União Europeia a democracia já há muito estaria em perigo.A - E a si, como é que a crise lhe bate à porta?RS - A mim, a crise económica não me afecta, porque nunca tive um projecto de fortuna, o meu projecto é de felicidade. E a tal paixão pela liberdade que sempre me acompanhou.A - Como vai a Casa do Artista?RS - É um projecto ao qual dedico grande parte do meu tempo. Agora sou o presidente da Direcção e por isso tenho de seguir de perto os seu dia a dia. Isto foi uma ideia que me assaltou desde os tempos do Brasil. Lá havia o Retiro do Artista, mas eu achava que a palavra "retiro" era muito forte e quando, em 1960, apresentei o projecto aos meus colegas, já foi como Casa Artista. A ideia andou a germinar durante muitos anos e, um dia, o Armando Cortez decidiu pô-la em prática. Durante a direcção dele eu vinha aqui todos os dias ajudá-lo. Em quatro anos mobilámos estes 12 000 metros quadrados com coisas que nos foram oferecidas! Mas quando ele começou a ficar muito doente, pediu-me para eu assumir a direcção e cá estou.A - E apoios?RS - Temos apoios públicos e de particulares. Isto só por si não anda. A factura de gás e electricidade é superior a mil e quinhentos contos por mês. As reformas dos 73 utentes são muito baixas, temos que encontrar apoios que, felizmente, não têm faltado. Ultimamente até temos doações de particulares em dinheiro e propriedades.Artur Queiroz
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quinta-feira, julho 23, 2009
COMEÇO - MIGUEL TORGA
Magoei os pés no chão onde nasci. Cilícios de raivosa hostilidade Abriram golpes na fragilidade De criatura Que não pude deixar de ser um dia. Com lágrimas de pasmo e de amargura Paguei à terra o pão que lhe pedia. Comprei a consciência de que sou Homem de trocas com a natureza. Fera sentada à mesa Depois de ter escoado o coração Na incerteza De comer o suor que semeou, Varejou, E, dobrada de lírica tristeza, Carregou.Miguel Torga
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terça-feira, julho 21, 2009
OPEN DEFIANCE
segunda-feira, julho 20, 2009
Thirty-six army officers arrested in Iran over protest plan
Via IRAN FOCUSOfficers planned to attend sermon by former president Hashemi Rafsanjani in military uniform
Robert TaitThe Iranian army has arrested 36 officers who planned to attend last week's Friday prayer sermon by former president Hashemi Rafsanjani in their military uniforms as an act of political defiance, according to Farsi-language websites.The officers intended the gesture to show solidarity with the demonstrations against last month's presidential election result, which was won by Mahmoud Ahmadinejad but which has been clouded by allegations of mass fraud.Rafsanjani used the sermon at Tehran university to challenge the authority of Iran's supreme leader, Ayatollah Ali Khamenei, by questioning the result in the presence of the defeated reformist candidate, Mir Hossein Mousavi, and tens of thousands of his supporters.Security forces used teargas and arrested dozens of those in attendance in a sign of the authorities' nervousness over the event.The officers were rounded up on Friday morning by army intelligence agents who had caught wind of the plan. They are said to have been arrested at their homes and taken to an unknown location.Peiknet, a Farsi website, said the officers had agreed the action at a weekly prayer meeting the night before at the Shah Abdolazim religious shrine in Shahr-e Rey, on Tehran's southern outskirts. "They decided to attend the Friday prayer in their military clothes as a sign of protest against the cruel massacre of people by the basij and revolutionary guards and to show their objection against this process and support for the people," the site said. It named 24 of the officers, who included two majors, four captains, eight lieutenants, six sergeants and four warrant officers.The arrests expose the authorities' sensitivity to signs of mutiny among the various branches of the security forces.Reports last month suggested that a senior revolutionary guard commander, General Ali Fazli, had been arrested for refusing to obey orders to suppress protests against election result. The reports were later denied but some sources say Fazli remains under pressure to toe the line.While the army is considered to be secondary in importance to the revolutionary guards in the regime's military hierarchy, it is still under the command of Khamenei, who yesterday appointed a cleric, Hojatoleslam Mohammad Ali Al-e Hashem, as the new head of its political ideology section.Khamenei has declared the election result fair and overseen a fierce crackdown that has led to at least 2,000 arrests and a death toll the government puts at 20 but which some human rights groups say could be in the hundreds.
quarta-feira, julho 15, 2009
PARA A MINHA MULHER, PELA FORÇA QUE TEM DEMONSTRADO!
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O meu umbigo
terça-feira, julho 14, 2009
O CHARUTO ACESO
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sexta-feira, julho 10, 2009
El Instituto Internacional de Prensa exige la liberación de 22 periodistas encarcelados
Via: Cubaencuentro'La minuciosa y sistemática supresión de las voces disidentes en Cuba, llevada a cabo durante tantos años, afecta nuestra habilidad para comprender y evaluar la situación en el país', denunció el director de la entidad.El Instituto Internacional de Prensa (IPI) reclamó este martes "la liberación inmediata" de 22 periodistas encarcelados en Cuba y advirtió del riesgo de minimizar la importancia de la libertad de expresión y prensa como derechos fundamentales, informó EFE.En un comunicado hecho público en Viena, el IPI recordó que el pasado mes de junio un informe del Comité de la ONU elogió a La Habana por los avances en la promoción de derechos relacionados con la alimentación, la educación y la salud, pero no de la libertad de expresión."Varias delegaciones nacionales expresaron su preocupación sobre las violaciones de los derechos de libertad de expresión y el continuo encarcelamiento de periodistas y defensores de los derechos humanos en Cuba", resaltó el IPI.En ese sentido, el IPI indicó que el Comité recordó que en 2003 fueron detenidas 75 personas de forma "arbitraria". Entre los detenidos en aquella operación se contaban 29 periodistas, de los cuales 21 permanecen arrestados."Me alegro de ver que el informe (del Comité) incluya la preocupación por la falta de libertad de expresión en Cuba, así como recomendaciones para eliminar las restricciones a este derecho fundamental", indicó el director del IPI, David Dadge.No obstante, el responsable de esta red de editores y propietarios de medios, manifestó que esas preocupaciones no quedan suficientemente resaltadas en un informe que, al mencionar avances en otros campos, "da un evaluación relativamente positiva de la situación general de los derechos humanos en el país".Por eso, desde el IPI se advirtió del riesgo de "despreciar la importancia de la libertad de expresión y prensa como pilares de la estabilidad política, social y económica de cualquier país"."La minuciosa y sistemática supresión de las voces disidentes en Cuba, llevada a cabo durante tantos años, afecta nuestra habilidad para comprender y evaluar la situación en el país", denunció Dadge.El comunicado del IPI destacó el caso del periodista Omar Rodríguez Saludes, director de la agencia independiente Nueva Prensa Cubana y que fue detenido en marzo de 2003 y condenado a 27 años de cárcel.El IPI ha elaborado un vídeo con entrevistas a familiares de Rodríguez y fotos del propio periodista, según este organismo, como un "poderoso recordatorio de que derechos fundamentales aún están siendo violados en Cuba".
quarta-feira, julho 08, 2009
United for Iran - A global day of action in solidarity with the people of Iran
segunda-feira, julho 06, 2009
UNE BELLE HISTOIRE - MICHEL FUGAIN
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Música
REALIDADE OU FICÇÃO?
Quando a realidade ultrapassa a ficção, o enredo é decerto de excelente qualidade!
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sexta-feira, julho 03, 2009
OLÉ!
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Política
MICHAEL JACKSON e MADOFF
Um pouco de humor negro:
A câmara hiperbárica onde dormia Michael Jackson e que lhe iria permitir viver até aos 300 anos, vai ser entregue a Madoff, para que este possa cumprir a pena a que foi condenado na totalidade.
A câmara hiperbárica onde dormia Michael Jackson e que lhe iria permitir viver até aos 300 anos, vai ser entregue a Madoff, para que este possa cumprir a pena a que foi condenado na totalidade.
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