terça-feira, outubro 20, 2020

Testamento - Virgilio Piñera

Como he sido iconoclasta

me niego a que me hagan estatua:

si en la vida he sido carne,

en la muerte no quiero ser mármol.

 

 Como yo soy de un lugar

de demonios y de ángeles,

en ángel y demonio muerto

seguiré por esas calles...

 

 En tal eternidad veré

nuevos demonios y ángeles,

con ellos conversaré

en un lenguaje cifrado.

 

 Y todos entenderán

el yo no lloro, mi hermano....

Así fui, así viví,

así soñé. Pasé el trance.

quinta-feira, maio 21, 2020

VISITA VIRTUAL AO TÚMULO DE RAMSES VI

Uma pérola... Bastante intuitivo, rapidamente se utilizam as principais funcionalidades.

Pode-se colocar em automático ou avançar à nossa vontade.

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Pharaoh Ramesses VI Tomb

 

quarta-feira, fevereiro 06, 2019

CHRIS GEOFFROY - A última pessoa assassinada no Muro de Berlim

Fez trinta anos que morreu assassinado Chris Geoffroy, ao tentar fugir da RDA .

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Brewer Bob [CC BY-SA 3.0], da wiki Wikimedia Commons

 

Chris Gueffroy (Pasewalk, 21 de junho de 1968 – Berlim Leste, 6 de fevereiro de 1989) foi a última pessoa a ser alvejada enquanto tentava escapar para Berlim Ocidental pelo Muro de Berlim. Ele é frequente e erroneamente referenciado como a última pessoa a morrer numa tentativa de cruzar o muro, mas na verdade ele foi o último a ser assassinado, e o penúltimo a morrer numa tentativa de fuga. Winfried Freudenberg morreu na queda de um balão no qual cruzou a fronteira para Berlim Ocidental em 8 de março de 1989.


Junto com seu amigo Christian Gaudian, Gueffroy, que era empregado num café, tentou escapar de Berlim Oriental para Berlim Ocidental na noite de 6 de fevereiro de 1989, ao longo do canal do distrito de Britz. Os dois acreditavam que a Schießbefehl, a ordem de atirar em qualquer um que tentasse cruzar o muro, tinha sido suspensa. Os dois pulariam o muro com a ajuda de uma escada, mas foram descobertos. Gueffroy foi alvejado no peito por dez tiros e morreu sobre o muro. Gaudian, foi preso e sentenciado em 24 de maio de 1989 a três anos de prisão. Em setembro do mesmo ano foi solto e em 17 de outubro transferido para Berlim Ocidental.


Os quatro guardas implicados foram recompensados pelas autoridades da Alemanha Oriental, cada um com um prémio de 150 marcos. No entanto, com a reunificação, um processo foi aberto em Berlim pela justiça da Alemanha. Dois dos guardas foram liberados em janeiro de 1992, um foi suspenso, enquanto o principal acusado, Ingo Heinrich, que era responsável pelo tiro mortal no coração, foi condenado a três anos e meio de prisão (penalidade reduzida pelo Tribunal Federal a dois anos com suspensões em 1994).


O túmulo de Gueffroy foi vandalizada diversas vezes, provavelmente por comunistas que temiam que ele se tornasse um símbolo. Em 21 de junho de 2003, data em que comemoraria 35 anos, um monumento foi erguido a Gueffroy na margem do canal de Britz. O monumento foi projetado pelo artista berlinense Karl Biedermann.

 

Base do texto: wikipédia

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SilP [CC BY-SA 2.5], da wiki Wikimedia Commons

800px-Chris_Gueffroy.jpgStefan Richter [CC BY-SA 3.0], da wiki Wikimedia Commons

quinta-feira, junho 28, 2018

BOLIVAR LUSÍADAS PROTAGONISTA DO 154º ANIVERSÁRIO DA CASA HAVANEZA

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 Notícia Habanos News

Lisboa (Páteo Alfacinha) en Portugal, ha sido protagonista de la celebración por el 154° aniversario de la Casa Havaneza, ocasión en la que se puso a la venta la tan esperada Edición Regional Bolívar Lusíadas.

Casa Havaneza es una de las tiendas de puros más emblemáticas y antiguas del mundo, se dice que fue creada en 1864 pero existen anuncios de la época donde se asegura que sus puertas abrieron en 1855. Empor S.A., distribuidor exclusivo de Habanos para Portugal, cuenta con cuatro Casas Havanezas, tres de ellas en la ciudad de Lisboa y una en la ciudad de Oporto.

La cena, organizada por Empor, S.A, contó con la presencia de la Embajadora de Cuba, Excma.  Sra. Mercedes Martínez, y otras personalidades. El evento se convirtió en un magnífico escenario de maridajes entre Habanos y Rones, Mojitos, Gin, y Vinos de alta calidad, un conjunto único de aromas y sabores que fueron disfrutados por más de 100 personas.

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Foto Fabrice Demoulin da Revista de Vinhos

 

Los participantes tuvieron la oportunidad de degustar varios Habanos, siendo uno de ellos el Montecristo Petit Edmundo, acompañado por Mojitos de Habana Club, Gin nº3, Founders on the Rocks y Sandeman Branco Tónico.

La cena se desarrolló en un ambiente agradable, entre poesía recitada por el actor Pedro Giestas – un fragmento de “Os Lusíadas”-, dedicado a la nueva Edición Regional y la animación musical de un grupo cubano.

La noche finalizó con la degustación del protagonista de la noche, la nueva Edición Regional de Portugal, el Bolívar Lusíadas, acompañado por The Glenrothes Select Reserve, Sandeman Porto Tawny 20 años y Havana Club Selección de Maestros.

Además, los participantes disfrutaron de la entrega de premios ofrecidos por Empor S.A. y los patrocinadores Sogrape y Pernord Ricard.

sexta-feira, abril 27, 2018

ANTÓNIO MEXIA - É SÓ COINCIDÊNCIAS!

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Uma mudança de imagem de uma organização acarreta sempre elevados custos. Tudo o que respeita à apresentação da empresa tem de ser alterado: logótipos, bandeiras, folhas, envelopes, acrílicos, material de propaganda, etc...

 

São larguíssimos milhares de euros numa empresa grande. N fornecedores, de diversas áreas vão ser implicados nessa tarefa e com prazos apertados, o que ainda contribui mais para subir os custos.

 

Agora, reparem nestas coincidências:

De 1992 a 1998 – Vice-Presidente da AIP – Associação Industrial Portuguesa

Em 1998 - Foi nomeado Presidente do Conselho de Administração da Gás de Portugal e da Transgás

De 2001 a 2004 – Presidente Executivo da Galp Energia e Presidente dos Conselhos de Administração da Petrogal, Gás de Portugal, Transgás e Trangás-Atlântico

Desde 2005, presidente do Conselho de Administração da EDP

 

Todas estas organizações mudaram de imagem nestes períodos... Tudo somado, devem ter sido milhões de euros!

 

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quinta-feira, abril 26, 2018

PROGRESSIVIDADE FISCAL

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Deve ser a isto que chamam progressividade fiscal:

 

Ganho menos de metade do sr deputado Ascenso Simões, mas a minha taxa de imposição fiscal é superior à dele em 50%!

quarta-feira, novembro 01, 2017

MENINAS E MENINOS DE OURO

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Enquanto alguns da geração deles se queixam e protestam por não ter aquilo a que acham ter direito (injustamente na maioria dos casos) , alguns outros utilizam os seus tempos livres a aprofundar o que aprendem e a especializar-se.

 

É o caso, entre outros, desta rapaziada do PSEM, no Instituto Superior Técnico. O PSEM, Projecto de Sustentabilidade Energética Móvel é um núcleo de estudantes do Técnico que se dedica a um projecto começado em 2013 tendo por objectivo projectar um carro eléctrico altamente eficiente e participar nas competições da Greenpower Education Trust.

 

Mais que um projecto de curso, pode-se dizer que este é um projecto de vida. Com o que aprendem neste grupo, desde trabalho em equipa, a liderança , a aprendizagem com os erros cometidos, passando por resiliência, tenho a absoluta certeza de que vão sair deste grupo vários membros de elite da sociedade portuguesa (os que não emigrarem por o país ser pequeno demais para eles…).

 

Este ano, culminando sucessivas melhorias, foi ganho pela terceira vez consecutiva o prémio Siemens Engineering and Design Award, atribuído à equipa com o melhor projecto de engenharia presente na Final Internacional. E foi obtida a melhor posição de sempre de equipas portuguesas, o sexto lugar, entre 32 participantes.

 

A mudança de paradigma que se perspectiva para 2018, vai levar a equipa a lutar, com o GP17 Evolution pelos primeiros lugares.

 

Independentemente do que venham a obter, digo já: Tenho orgulho em vocês!

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domingo, setembro 24, 2017

CÂNTICO NEGRO - JOSÉ RÉGIO

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"Vem por aqui" --- dizem-me alguns com olhos doces,
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom se eu os ouvisse
Quando me dizem: "vem por aqui"!
Eu olho-os com olhos lassos,
(Há, nos meus olhos, ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali...

A minha glória é esta:
Criar desumanidade!
Não acompanhar ninguém.
--- Que eu vivo com o mesmo sem-vontade
Com que rasguei o ventre a minha mãe.

Não, não vou por aí! Só vou por onde
Me levam meus próprios passos...

Se ao que busco saber nenhum de vós responde,
Por que me repetis: "vem por aqui"?
Prefiro escorregar nos becos lamacentos,
Redemoinhar aos ventos,
Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,
A ir por aí...

Se vim ao mundo, foi
Só para desflorar florestas virgens,
E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!
O mais que faço não vale nada.

Como, pois, sereis vós
Que me dareis machados, ferramentas, e coragem
Para eu derrubar os meus obstáculos?...
Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,
E vós amais o que é fácil!
Eu amo o Longe e a Miragem,
Amo os abismos, as torrentes, os desertos...

Ide! tendes estradas,
Tendes jardins, tendes canteiros,
Tendes pátrias, tendes tectos,
E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios.
Eu tenho a minha Loucura!

Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,
E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios...

Deus e o Diabo é que me guiam, mais ninguém.
Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;
Mas eu, que nunca principio nem acabo,
Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.

Ah, que ninguém me dê piedosas intenções!
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: "vem por aqui"!
A minha vida é um vendaval que se soltou.
É uma onda que se alevantou.
É um átomo a mais que se animou...
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou,
--- Sei que não vou por aí.

José Régio

quinta-feira, junho 22, 2017

ANTÓNIO COSTA, DEMITA-SE!

 


Quem autorizou que um organismo do Estado assinasse um contrato com clausulado deste tipo não tem quaisquer condições para continuar ao serviço público.


 


Contrato completo do SIRESP: http://www.utap.pt/Contratos/seguranca/SIRESP.pdf


 


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segunda-feira, junho 19, 2017

DESERTIFICAÇÃO...

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Acho fantástico tanto indignado com o facto de algumas vítimas do incêndio de Pedrógão Grande terem sido encontradas por jornalistas.


 


Será que fazem sequer ideia de onde é Pedrógão Grande? Alguma vez lá foram?


 



Sabem que o posto da GNR (de cujo encerramento permanente se fala) fecha às 20 horas? Que tem só dois ou três soldados?


 


Acham que a casa mortuária de Pedrógão tem capacidade para mais de 60 cadáveres?


 


Acreditam que o apoio psicológico que está a ser fornecido no local, na Santa Casa da Misericórdia, é prestado por técnicos da Segurança Social sequer do Distrito de Leiria?


 


Já repararam na qualidade das transmissões das tv's? Sem imagem ou com cortes frequentes? As operadoras reforçaram o sinal e é o que se vê. Agora imaginem o que é normalmente...


 


Sabem que não há nenhuma freguesia de Lisboa que tenha menos habitantes que todo o concelho de Pedrógão Grande?


 


Pois, a desertificação também é isto!


terça-feira, abril 11, 2017

O ASTÉRIX QUE SE CUIDE!

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Finalmente, depois de muitos atrasos desde a sua apresentação em 2013, vai arrancar o projecto do Parque Spirou, situado em Monteux, perto de Avignon, no sul de França. Prevê-se a sua abertura em Junho de 2018.


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Um investimento de cerca de 84 milhões de euros, repartidos por sete anos, permitirá atrair ao parque com oito hectares um milhão de visitantes em 2025, quando este tiver 25 atracções. Em 2018, ano em que Spirou festeja os 80 anos, abrirá com 15, passando a 20 dois anos depois.


 


Site: Parc Spirou

sábado, janeiro 07, 2017

A hipocrisia dos ecologistas países escandinavos

A empresa sueca estatal de electricidade Vattenfall diminui as emissões de CO2 em 70%. Vendeu as suas minas e centrais a carvão na Alemanha a uma empresa checa. Tanta hipocrisia!

domingo, dezembro 25, 2016

DIA DE NATAL - ANTÓNIO GEDEÃO

Hoje é dia de ser bom.


É dia de passar a mão pelo rosto das crianças,


de falar e de ouvir com mavioso tom,


de abraçar toda a gente e de oferecer lembranças.


 


É dia de pensar nos outros— coitadinhos— nos que padecem,


de lhes darmos coragem para poderem continuar a aceitar a sua miséria,


de perdoar aos nossos inimigos, mesmo aos que não merecem,


de meditar sobre a nossa existência, tão efémera e tão séria.


 


Comove tanta fraternidade universal.


É só abrir o rádio e logo um coro de anjos,


como se de anjos fosse,


numa toada doce,


de violas e banjos,


Entoa gravemente um hino ao Criador.


E mal se extinguem os clamores plangentes,


a voz do locutor


anuncia o melhor dos detergentes.


 


De novo a melopeia inunda a Terra e o Céu


e as vozes crescem num fervor patético.


(Vossa Excelência verificou a hora exacta em que o Menino Jesus nasceu?


Não seja estúpido! Compre imediatamente um relógio de pulso antimagnético.)


 


Torna-se difícil caminhar nas preciosas ruas.


Toda a gente se acotovela, se multiplica em gestos, esfuziante.


Todos participam nas alegrias dos outros como se fossem suas


e fazem adeuses enluvados aos bons amigos que passam mais distante.


 


Nas lojas, na luxúria das montras e dos escaparates,


com subtis requintes de bom gosto e de engenhosa dinâmica,


cintilam, sob o intenso fluxo de milhares de quilovates,


as belas coisas inúteis de plástico, de metal, de vidro e de cerâmica.


 


Os olhos acorrem, num alvoroço liquefeito,


ao chamamento voluptuoso dos brilhos e das cores.


É como se tudo aquilo nos dissesse directamente respeito,


como se o Céu olhasse para nós e nos cobrisse de bênçãos e favores.


 


A Oratória de Bach embruxa a atmosfera do arruamento.


Adivinha-se uma roupagem diáfana a desembrulhar-se no ar.


E a gente, mesmo sem querer, entra no estabelecimento


e compra— louvado seja o Senhor!— o que nunca tinha pensado comprado.


 


Mas a maior felicidade é a da gente pequena.


Naquela véspera santa


a sua comoção é tanta, tanta, tanta,


que nem dorme serena.


 


Cada menino


abre um olhinho


na noite incerta


para ver se a aurora


já está desperta.


De manhãzinha,


salta da cama,


corre à cozinha


mesmo em pijama.


 


Ah!!!!!!!!!!


 


Na branda macieza


da matutina luz


aguarda-o a surpresa


do Menino Jesus.


 


Jesus


o doce Jesus,


o mesmo que nasceu na manjedoura,


veio pôr no sapatinho


do Pedrinho


uma metralhadora.


 


Que alegria


reinou naquela casa em todo o santo dia!


O Pedrinho, estrategicamente escondido atrás das portas,


fuzilava tudo com devastadoras rajadas


e obrigava as criadas


a caírem no chão como se fossem mortas:


Tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá.


 


Já está!


E fazia-as erguer para de novo matá-las.


E até mesmo a mamã e o sisudo papá


fingiam


que caíam


crivados de balas.


 


Dia de Confraternização Universal,


Dia de Amor, de Paz, de Felicidade,


de Sonhos e Venturas.


É dia de Natal.


Paz na Terra aos Homens de Boa Vontade.


Glória a Deus nas Alturas.

sábado, novembro 26, 2016

“Será recordado como el peor tirano que ha tenido Cuba”

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Opositores cubanos en la Isla reaccionan a muerte de Fidel Castro


 


Com a devida vánia ao CUBANET.ORG


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José Daniel Ferrer y Antonio Rodiles (imagen Martí Noticias)


 


MIAMI, Estados Unidos.- Líderes de la oposición cubana en la Isla han reaccionado a la muerte del exgobernante Fidel Castro.


“¿A cuál de las muertes de Fidel te refieres? ¿A la de hoy? (…) Creo que será recordado como el peor tirano que ha tenido Cuba porque nadie en la historia de este país ocasionó tanto daño al pueblo, a la libertad de los cubanos. (…) Ha sido una muerte demorada y creo que lo que demoró este desenlace es su inmenso terror a la muerte. (…) Será recordado, sin dudas, por su represión, por sus actos de violencia contra cualquier actitud contraria a su persona. (…) Ahora esperamos un aumento de la represión y de la violencia contra los líderes de la sociedad civil porque se han comenzado a dar cuenta que su gran problema es el tiempo, el gran problema que enfrenta ahora el castrismo es el tiempo”, ha expresado Antonio Rodiles, coordinador del proyecto Estado de Sats y miembro de la campaña #TodosMarchamos.


Por su parte, José Daniel Ferrer, líder de la Unión Patriótica de Cuba (UNPACU), ha alertado de un posible aumento de la represión a activista de Derechos Humanos y ha calificado a Castro como un “simple imitador de los grandes tiranos”.


“Si acudimos a la verdad, no será un recuerdo muy glorioso porque fue un imitador al estilo de Joseph Stalin, de dictadores como Mussolini o Hitler, tan tristemente célebres. (…) La mayoría de sus frases y gestos, hoy célebres, son copias de frases y gestos que provienen de discursos y textos de dictadores. (…) Pero, además, será recordado como un fracaso. Fracasaron todas sus ansias de conquista en África, en América Latina… Todas esas que él llamó epopeyas concluyeron en fracaso. Hay que sumar a todo ese desastre el que transformara a Cuba de una nación próspera en uno de los países más pobres del hemisferio occidental, al querer implantar un régimen al estilo soviético. Si tuvo algún mérito personal fue haber implantado ese régimen con el cual ocasionó tanto dolor al pueblo cubano (…) y logró una de las naciones donde la mayoría emigra en busca de libertades y de oportunidades para vivir dignamente. Será recordado por sus fusilamientos, por los miles de cubanos llevados a la cárcel por sus ideas políticas, por la Primavera Negra, por el hundimiento del remolcador (13 de Marzo), por la violencia contra las Damas de Blanco. (…) Esperamos un aumento de la represión durante estos días por temor a las manifestaciones de descontento popular”.


A su vez, el ingeniero Eliecer Ávila, coordinador de Somos +, ha opinado: “Intentarán hacérnoslo recordar desde esa postura burocrática que sabemos, que es la proviene de los jerarcas del poder, los jerarcas del partido comunista y del ejército, que, por supuesto, siempre lo recordarán como el hombre que los ayudó a conseguir el modo de vida que ostentan (…) también intentarán imponer esa ilusión del guerrero que enfrentó al imperialismo y esa imagen que se desgaja de su propio discurso. Pero por otro lado, estará el recuerdo de millones de cubanos que han vivido años de carencias profundas, de falta de libertades, años de división familiar y de niveles altísimos de paranoia en la mentalidad de quienes han sufrido la represión. (…) Ojalá que esta despedida sea el final de una época terrible y el comienzo de una reconciliación”.


“Aquí no cambia nada. La única buena noticia es que tenemos un dictador menos, pero aún nos queda otro porque Raúl es un dictador igual que Fidel”, dijo en declaraciones a Efe la líder el grupo Damas de Blanco, Berta Soler. Políticamente en Cuba no cambia nada salvo el “progresivo empeoramiento” de la situación de los derechos humanos en la isla, donde la represión “va en aumento”, según la líder de las Damas de Blanco.


“En Cuba nadie quiere a la dinastía de los Castro, que son unos mafiosos. Si queremos una transición democrática en la isla, tiene que ser sin esa familia en el poder”, subrayó.


Castro, de 90 años de edad, falleció en la noche de ayer. La información fue transmitida a través de la televisión nacional por su hermano Raúl Castro.

segunda-feira, novembro 21, 2016

JORGE FERREIRA - 28/8/1961 - 21/11/2009

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Saudades deste amigo exemplar, que partiu prematuramente, há sete anos.


O seu último artigo, continua oportuno e actual!


 


 


AVEIRO, CAPITAL JUDICIÁRIA

1. O PROCESSO.

Quis o sortilégio jurídico-processual do Estado que Aveiro fosse inscrita nos mapas oficiais também como capital judiciária transitória. Era a capital da Luz, era a capital da Ria, era a capital do sal, era a capital dos ovos moles, era a capital da oposição à ditadura, era a capital do debate e da polémica, agora tem mais.

E fica-lhe bem, a Aveiro, terra de ancestralidade e profundas raízes republicanas ter a oportunidade de dar um exemplo à República de combate à corrupção, que fique nos anais da história política da cidade. Ainda mais nas vésperas das comemorações do centenário da República que para o ano ocorrem.

Até agora o DIAP de Aveiro, o Tribunal do Baixo Vouga e o Tribunal de Instrução Criminal de Aveiro estão de parabéns pela forma célere, eficaz, desespectacularizada e o mais sóbria que é possível, tem conduzido o diálogo do órgão de soberania Tribunais e demais autoridades judiciárias, se tem relacionado com a opinião pública. Merece especial encómio a forma segura, esclarecedora e consistente como o Juiz Presidente do Tribunal se tem dirigido à opinião pública, bem distante do pornográfico atabalhoamento dos dias de brasa da Casa Pia.

2. A CORRUPÇÃO.

Desde que se começou a perceber que não havia ninguém imune a uma perseguição a alta velocidade pelas viaturas da Polícia Judiciária, mesmo daqueles que são visitas de casa de toda a gente, muita coisa mudou. E a primeira coisa que mudou foi a atitude política das pessoas que granjearam notoriedade pública. Aquela espécie de imunidade mediática, que não jurídica, de que até então tinham beneficiado, mesmo que tivessem o cartãozinho do partido, da seita, do clube algarvio com validade 15 de Julho/15 de Agosto, terminara.
A partir do caso Casa Pia, os políticos portugueses inventaram uma frase que repetem até à náusea mas fazendo-o muito conscientemente pelo efeito de repetição que sabem vir a ter no subconsciente eleitoral do país, e que tem servido às mil maravilhas não para subverter resultados eleitorais, mas para esconder uma coisa pior: os actuais políticos portugueses não querem combater a corrupção porque sabem onde ela está, porque são cobardes e não denunciam, porque são cúmplices e também beneficiam, porque têm um desprezível conceito do bem comum, porque não têm valores, apenas interesses, porque nalguns casos têm medo e ter medo é humano (há histórias de correctivos nocturnos e alguns acidentes rodoviários estranhos nos últimos anos) e, neste caso, interesses é sinónimo de dinheiro, carteira, notas, contas bancárias, offshore.

A frase é “À Política o que é da Política, à Justiça o que é da Justiça.”

Sempre que surje uma suspeita, uma dúvida, uma diligência na Justiça, os microfones do decreto eleitoral, hoje chamados canais de televisão por cabo todos diferentes e todos iguais, fazem a ronda das sedes dos partidos e invariavelmente fazem a metódica e higiénica recolha da frasezinha fatal e indispensável para sossegar a consciência do regime. Paulo Portas, que rapinou 60000 fotocópias do gabinete, que fez ruinosos negócios de Estado com equipamento material como submarinos e helicópteros estragados, material com contrapartidas ainda por apurar, cujo partido também foi financiado pelo novo “Rei da Sucata” é useiro e vezeiro no uso desta lenga-lenga corrupteira para ver se se esquecem dele e consegue passar pelos pingos da chuva.
Ora, o que é que isto significa, tudo bem descascadinho? Significa que os jornalistas devem largar o assunto e deixar a Justiça funcionar com os inúmeros casos em curso plurianual de actividades, como submarinos, contratos, contrapartidas fantasmas de lesa-património nacional, sobreiros, Freeport de Alcochete, bancos sortidos, Oliveira e Costa, Dias Loureiro, João Rendeiro, doping no futebol de vez em quando e para variar, tanta, tanta, coisa.

Já a oposição, se tiver juizinho, deve seguir adiante e discutir política, como o índice da pobreza, os números do desemprego, a invasão dos comerciantes chineses, os incêndios no Verão e as cheias do Inverno. E é melhor que seja assim, porque há sempre dossiers novos prontos a sair para quem se portar mal. E assim tem sido.

Sugere-se, desde já, que em Aveiro se deixem de escutas e de escutinhas, por que com o fogo, os alvos e os senhores importantes que têm amigos chamados Joaquins não se pode brincar. Os magistrados do DIAP de Aveiro deveriam, sim, prosseguir as investigações e esquecer as malfadadas escutas, que apenas servem à oposição e prejudicam a governação do país.

Deixem o Primeiro-Ministro de Portugal governar. À Política o que é da Política, à Justiça o que é da Justiça.

Uma sumária leitura dos clássicos ensina-nos como todos viam o poder exercido para o bem dos outros como o exemplo do Governo virtuoso e o poder exercido para o bem próprio, como o exemplo do Governo pecaminoso. Interessava o carácter, não o botão da junta de boi que arava a terra. Agora, não. Pode ser-se um crápula e fazer um bom botão. E pode ser-se uma pessoa séria absolutamente desastrada com as maravilhas da técnica.

Permitam os leitores uma pequena incursão de memória: lembram-se da acusação feita ao Governo de José Sócrates tentar comprar a TVI antes do episódio Moura Guedes? Lembram-se que foi através de uma fuga de informação que se soube da operação? E também se lembram que Manuela Ferreira Leite, em Junho passado, disse taxativamente que José Sócrates estava a mentir quando afirmou nada saber sobre a negociata? E que não foi desmentida?

3. BATER NO FUNDO.

Esta semana trouxe-nos, enfim, o episódio final na triste sucessão de equívocos, desconfianças, suspeições, incompreensões, ordens por explicar e por cumprir, em que a Justiça desgraçadamente se transformou. Noronha do Nascimento, presidente do Supremo Tribunal de Justiça, e Fernando Pinto Monteiro, procurador-geral da República, em acesa disputa, tu cá tu lá, nas ruas, à entrada e saída de prédios, de escadas, de carros, de aeroportos, eu sei lá que mais…, debateram-se em duelo institucional deprimente sobre a melhor explicação a dar a propósito do destino final para as escutas das conversas telefónicas de José Sócrates com pelo menos um amigo, onde, alegadamente se faziam combinações sobre um “amigo Joaquim”, que alegadamente precisaria de umas coroas para um negócio que Sócrates afirmara desconhecer.

Os indícios de corrupção alargada ao mais alto nível do Estado estão aí para quem os quiser ver e escrutinar. Nos últimos trinta anos de Democracia, governos de esquerda e de direita estiveram sob a mira criminal e debaixo do escrutínio dos media. Depois dos sucessivos casos que saltaram para a ribalta pública, bem como dos sinais de alarme escarrapachados nos relatórios de organizações internacionais, o poder político continua impune e indiferente, apesar das constantes palavras vãs e mansas.

A realidade é o que é, mas ninguém pode ficar indiferente à tentativa de desvalorização da investigação criminal que continua a fazer, lentamente, um caminho infame. Em vez de responsabilizar os sucessivos governos que têm o poder de legislar e de exigir responsabilidades, aqui e ali, sobretudo quando os escândalos chegam à opinião pública, surgem imediatamente os ataques aos investigadores criminais e magistrados. Normalmente, e apesar de existirem alguns fundamentos para esta avaliação, a verdade é que quem tão selectivamente aponta o dedo a quem combate a corrupção na primeira linha não tem o mesmo critério na exigência ao governo de leis claras e atribuição de meios adequados para responder à sofisticação do crime de 'colarinho branco'. Com o desenvolvimento da operação "Face Oculta", a actualidade revelou um novo e surpreendente patamar de debate, que passa por reduzir o combate à corrupção a uma mera questão de moralização do sistema, supostamente levada a cabo por heróis imbuídos de um espírito messiânico.

Ora, o combate à corrupção começa justamente por ser um caso de política antes de poder vir a ser um caso de polícia, porque se trata justamente de saber se quem tem por obrigação escolher outros sabe escolhê-los ou se qualquer valdevinos serve. Não é uma questão de moralidade e de coragem, é um caso seriedade, de competência, de justiça social, de perseguir quem rouba o dinheiro do bolso dos outros. Que não haja qualquer confusão: há uma diferença abissal entre pugnar por mais justiça social, com mais solidariedade e menos corrupção, e pactuar, quiçá promover a gritante promiscuidade e tráfico de influências que estão na origem da corrupção.

4. AS REFORMAS.

Desde o caso Casa Pia o Portugal político assistiu a um fenómeno novo. Sempre que elementos do PS são processualmente visados em processos de investigação criminal as leis mudam. Não se percebe porquê, porque se trata muitas vezes de alterações sem paternidade assumida, cheiram a soluções cirúrgicas para vir a permitir mais tarde resolver problemas em processos concretos que já se sabem que irão surgir. Traduzem-se em propostas de lei supersónicas, apresentadas, votadas e aprovadas no Parlamento em poucos dias e que entram em vigor quase de imediato, para blindar desde logo a ordem jurídica. Foi justamente o que sucedeu com as duas últimas leis de alteração do Código de Processo Penal e do Código Penal. Mas pronto, deixemos então à Justiça…

O PS, com o apoio do PSD, que votou a favor e com o apoio do CDS, que também votou a favor, tornou-se no campeão da subversão política da ordem jurídica. Legisla-se a quente, para safar a pele de alguém e não porque se trate de uma solução-técnico-jurídica JUSTA.

5. O SEGREDO DE JUSTIÇA.

Não deve haver tema mais debatido em Portugal nas televisões, nos jornais, nas rádios, nas revistas especializadas, nas colunas dos periódicos, do que o segredo de justiça. Não deve haver norma processual penal mais violada em Portugal nos últimos anos do que o que regula o segredo de justiça. A natureza humana tem um irresistível impulso para a espreita da fechadura, subir muros de segredos. Compreender o regime jurídico do segredo de justiça em processo penal nos últimos trinta anos em Portugal deveria ser disciplina de natureza esotérica obrigatória autónoma nos cursos de Direito. O problema agora, e nasce sempre um problema quando se resolve outro, é saber o que fazer às escutas em que são apanhados titulares de altos cargos públicos. Um diz que mandou destruir, mas não foram destruídas. Outro diz que recebe certidões a pedaços. Tudo nas pantalhas do prime-time, para tristeza de que aspira a viver num país com um módico de decência e confiança nas instituições. Esta semana Portugal viveu num deplorável estado de sítio judiciário. A proposta óbvia é: congelamento legislativo até à consolidação de um quadro normativo claro, que todos percebam e saibam aplicar.

6. O FUTURO.

Não é fácil resolver o problema de desconfiança em que a Justiça se deixou colocar neste últimos anos. Proibir a legiferancia durante cinco anos para permitir a consolidação da ordem jurídica? Mudar os protagonistas, todos provenientes de corporações que se protegem umas aos outras para garantir a velha vindima duriense antes do regresso aos processos a 15 de Setembro? Fixar interpretação jurisprudencial das leis que elimine a estupefacção cidadã sobre como dois casos iguais podem ter duas soluções diferentes na decisão jurisprudencial, evoluindo, embora gradualmente para um sistema de precedente judiciário? Não sabemos. Há decisores políticos escolhidos para decidir. Que o façam e, sobretudo, que o expliquem bem para que não seja necessário dicionário.

7. O SISTEMA PARTIDÁRIO.

Está aqui o nó górdio do problema. É aqui que se começa. Uns cupões de gasolina por um favorzito na segurança social. Uma influencia no notário para uma facilidade na conservatória. Um toque no primo para um recebimento nas Finanças e por aí acima. A carreira interna vai-se fazendo. Descobrem-se contratos, notas, malas, luvas, comissões, offshore, sudokus de datas de despachos, de autorizações, de vistos, de datas, de ginásticas que podem render milhões, tudo à sombra de crescente impunidade e, assim, de irresponsabilidade.

Isto não se combate, sobretudo num país de amigos de café, de primos afastados, de família chegada sentado numa secretária à espera de uma manchete de um qualquer semanário que saia no dia seguinte, para recomeço da rambóia. Resolve-se com iniciativa e sem medo. Se com um cefalópode gigante siciliano é possível, com uma alforreca algarvia deverá bastar um mandado de busca e apreensão, desde que evidentemente a vítima seja avisada na véspera para queimar uns papéis na lareira.

O último desespero se tudo falhar: a campanha negra. A espionagem. A conspiração. Sócrates também já tentou esta. Não resulta. Quando a credibilidade se esfuma não há argumento que resista.

8. UM HOMEM DO AZAR.

Desde que Sócrates chegou ao poder que a Justiça tomou conta das suas sucessivas trapalhadas, mostrando que a carreira política do Primeiro-Ministro se construiu na base da confusão. A SOVENCO, os projectos da Cova da Beira, assinados por Sócrates mas ainda não se sabe feitos por quem, uma licenciatura fast-food, que mete fax’s ao Domingo, notas sobre trabalhos universitários risíveis, confusões na explicação do curriculum oficial sucessivamente alterado nos serviços parlamentares, esquecimentos de sócios ilustres em negócios com Felgueiras e Vara, discrepâncias em valores de compras de casas, em prédios de luxo em plena Lisboa, um ror de trapalhadas e mentirolas no processo mal cheiroso do Freeport de Alcochete longe do seu termo, e ainda mais umas coisitas Ventspils, que não tardarão a chegar por aí. Nada bate certo. Nem num simples relatório de técnicos da OCDE sobre a educação em Portugal Sócrates foi capaz de enfrentar a verdade numa tarde parlamentar, em que de uma vez só destruiu o relatório, o sítio da internet do PS e as suas próprias convicções de verdade sobre o assunto.

Rematando: agora, alegadamente, o Primeiro-Ministro é comentado no estrangeiro por ter tentado, não se sabe se sim, se não, uma cunha a um amigo administrador de um banco privado totalmente dominado pelo seu Partido para safar um amigo que por sinal até tem valido bastante no sector da comunicação social. Assim uma espécie de Berlusconni, em versão interior esquecido e marginalizado. Não me surpreendeu a simpatia indisfarçável com que Sócrates esmiuçou o inenarrável Primeiro-Ministro italiano. Bate tudo cero: uma ideia de vida, de progresso, de carreira, de “subir na vida”. E isto, caros leitores, que já não tem nada a ver com maiorias, taxas de imposto, PME’s, PEC, meio milhão de desempregados, um Estado em pré-insolvência, tudo remete para segundo plano da crise nacional mais profunda que Portugal vive desde a perda dos territórios ultramarinos. Mas isso, lá está, não interessa nada.

9. O PRESIDENTE.

Portugal tem um Presidente da República eleito por sufrágio secreto, directo e universal. Acho bem. Sou presidencialista e pela mudança de sistema. Prefiro um sistema dual Parlamento-Presidente, do que a unicefalia Primeiro-Ministro e os outros satélites. Mas o nosso Presidente não tem poder. Tem dois: preocupa-se e fala e ultimamente quanto mais fala mais se enterra. Já Jorge Sampaio também se preocupava metodicamente até que numa noite implodiu um Governo de maioria no Parlamento e lavou oito anos de coisa nenhuma. Não sei, não adivinho, não cenarizo. Apenas não acredito que venha alguma coisa dali. Sampaio ainda tem o saneamento de Armando Vara no curriculum. Cavaco nem deve ter chegar a ter tempo de mandar substituir a comandante do pelotão de formigas do Palácio.

10. E A CRISE ACABOU.

Mas podemos estar todos descansados. A crise, as preocupações de Cavaco Silva, o pandemónio judiciário, tudo acabou. Mais uma vez graças aos insuperáveis socialistas, que usam revelar uma eficácia estrondosa nestas situações limite.

Reuniu um órgão de consulta do ministro da Justiça, criado há nove anos e que não era convocado há cinco anos. Dos 22 participantes qualificados, destaque para a presença do presidente do Supremo Tribunal de Justiça, Noronha Nascimento, e do Procurador-Geral da República, Pinto Monteiro.

Ambos os conselheiros deixaram os jornalistas sem novidades sobre o caso do momento - as consequências jurídicas das escutas a comunicações entre Vara e Sócrates - recusando-se a prestar declarações. Os participantes que falaram à comunicação social foram unânimes em realçar o clima de degelo. Alberto Martins, uma espécie de ministro analgésico, igual a tantos que podiam recrutar nos escritórios das avenidas novas, não escondia a sua satisfação pelo clima de "diálogo auspicioso” do encontro. Martins, daqueles típicas figuras socialistas que não adiantam nem atrasam. Anunciou que o Conselho Consultivo poderá reunir-se de dois em dois meses, com quatro temas de fundo: eficácia e celeridade da justiça; repressão e prevenção criminal; acesso à justiça e confiança no sistema de justiça

O ministro da Justiça parece querer por cobro à situação de balcanização da justiça, que tem sido bem patenteada pelo clima de crispação, actualmente num pico devido aos efeitos colaterais do processo da Face Oculta e, sobretudo às escutas de conversas entre o banqueiro Armando Vara e o primeiro-ministro, José Sócrates.

Nesta conjuntura, Alberto Martins parece desejar inverter a situação e, depois de no sábado passado, se ter reunido, em Coimbra, com os membros da comissão que vai avaliar as mudanças à Reforma Penal de 2007 (aí vem outra reforma para o que é preciso…), abriu a reunião do Conselho Consultivo da Justiça, um órgão que existe há nove anos e estava paralisado há cinco anos.

Parecendo querer passar das palavras aos actos, Martins prepara-se para suspender os prazos judiciais entre os dias 15 a 31 de Julho, para suavizar as reservas que a alteração do regime das férias judiciais consumada pelo anterior Governo e anunciada por José Sócrates no discurso de posse, quando se iniciava uma legislatura com maioria absoluta do partido do Governo.

É, portanto, oficial: a crise acabou e este artigo de opinião fica obviamente sem efeito.


 

quarta-feira, outubro 05, 2016

DUAS EXCELENTES ENTREVISTAS

Duas excelentes entrevistas no passado fim de semana.


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A primeira, no Jornal i de sexta (edição fim de semana) a João César das Neves, a propósito da publicação do livro "A economia de Francisco". A segunda, no SOL de sábado, a Frederico Lourenço, pelo primeiro volume da tradução que está a realizar da Bíblia.


 


Em ambos os casos os jornalistas mostraram estar dentro dos assuntos e terem-se preparado muito bem. Os meus parabéns ao Nuno Ramos de Almeida e ao José Cabrita Saraiva. É um prazer ler trabalhos deste quilate.


 


Entrevista de Nuno Ramos de Almeida a João César das Neves


 


A entrevista ao Frederico Lourenço não tem link.

quinta-feira, setembro 29, 2016

UM FERRARI PARA TODOS


Bons tempos em que eram possíveis estas brincadeiras em campanha eleitoral, sem que as pessoas acreditassem! Agora o Bloco de Esquerda faz promessas semelhantes e milhares e milhares acreditam!